Paquistão registra 3.900 crianças com HIV enquanto persistem lacunas no tratamento

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Pakistan Registers 3,900 Children With HIV as Treatment Gaps Persist

Sindh e Punjab concentram 3.680 registros

O Paquistão registrou 3.900 crianças vivendo com HIV entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Sindh e Punjab responderam por 94,4% do total, segundo dados apresentados à Assembleia Nacional. Os registros equivalem a pouco mais de sete crianças por dia, em média, ao longo dos 18 meses.

Conteúdo
  1. Sindh e Punjab concentram 3.680 registros
  2. Onde as crianças foram registradas
  3. Infecções anuais triplicaram enquanto a testagem se expandiu
  4. Cerca de um em cada seis pacientes estimados recebe tratamento
  5. Cuidados médicos inseguros continuam sendo uma preocupação central
  6. Próximas medidas previstas pelo governo
  7. Hepatite amplia a demanda por cuidados em milhões de pessoas
  8. Saúde mental enfrenta falta de especialistas
  9. Dados de vacinação mostram avanços e desafios pendentes
  10. Principais pontos

O ministro da Saúde, Mustafa Kamal, apresentou os números em respostas parlamentares por escrito, que também revelaram uma grande diferença entre a quantidade estimada de pessoas vivendo com HIV e o número das que recebem tratamento. Das 417.214 pessoas estimadas com o vírus, 92.148 estavam registradas pelas autoridades e 67.878 recebiam terapia antirretroviral.

Para as famílias, o diagnóstico de uma criança dá início a uma necessidade contínua de medicamentos, consultas médicas e acesso confiável aos cuidados. O HIV ataca o sistema imunológico, que protege o organismo contra infecções. Os medicamentos antirretrovirais suprimem o vírus e ajudam as pessoas a manter a saúde, mas o tratamento precisa ser contínuo.

Os dados são divulgados em meio a evidências de práticas inseguras de aplicação de injeções no Paquistão e a planos do governo para restringir o uso de seringas convencionais a partir de 1º de janeiro de 2027. As respostas parlamentares também apontaram necessidades significativas no tratamento da hepatite, na saúde mental e na vacinação infantil de rotina.

O número de 3.900 contabiliza as crianças registradas no período informado. Não foram divulgados dados sobre quando contraíram o vírus, suas idades ou as vias individuais de transmissão. Essas informações são importantes para direcionar a prevenção: uma criança exposta durante um tratamento médico precisa de uma resposta protetiva diferente daquela necessária para um bebê exposto durante a gravidez, o parto ou a amamentação.

Onde as crianças foram registradas

Sindh registrou 1.915 crianças, ou 49,1% do total nacional. Punjab veio em seguida, com 1.765, ou 45,3%. Juntas, as duas províncias concentraram 3.680 registros, restando 220 nas demais províncias e territórios mencionados na resposta.

A distribuição geográfica foi a seguinte:

  • Sindh: 1.915 crianças.
  • Punjab: 1.765 crianças.
  • Khyber Pakhtunkhwa: 139 crianças.
  • Balochistan: 46 crianças.
  • Islamabad: 30 crianças.
  • Azad Jammu e Caxemira: quatro crianças.
  • Gilgit-Baltistan: uma criança.
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Assim, Sindh e Punjab concentram a maior parte da demanda registrada por serviços de HIV pediátrico nesse grupo. As crianças precisam de medicamentos adequados, acompanhamento e apoio ao longo do crescimento, enquanto seus cuidadores precisam de meios confiáveis para obter o tratamento sem interrupções frequentes.

O ministério informou que um painel nacional de HIV, que registra casos individuais, estava em funcionamento, enquanto o sistema separado de Punjab ainda estava sendo integrado. Reunir esses registros é parte do trabalho para manter um panorama nacional dos diagnósticos e dos cuidados.

Infecções anuais triplicaram enquanto a testagem se expandiu

Estimativas da OMS e do Unaids citadas na resposta parlamentar indicam que houve cerca de 48 mil novas infecções por HIV em 2024, em comparação com 16 mil em 2010. Isso representa um aumento de 32 mil infecções por ano, ou 200% no período.

A testagem para HIV também se expandiu acentuadamente. O ministério registrou 374.126 testes em 2025, ante 37.944 em 2020, quase dez vezes mais. A ampliação da testagem dá aos serviços de saúde mais oportunidades de identificar pessoas que precisam de tratamento e oferecer serviços de prevenção a seus parceiros e familiares.

As duas medidas descrevem partes diferentes da epidemia. Os números de testagem contabilizam a atividade de exames. As estimativas de infecções anuais buscam medir quantas pessoas contraíram HIV em determinado ano, incluindo aquelas que ainda não receberam diagnóstico.

O ministério descreveu a epidemia no Paquistão como concentrada, com prevalência inferior a 0,1% na população geral. Uma epidemia concentrada significa que a infecção é mais comum em determinadas populações ou redes do que na população como um todo. O ministério também incluiu o Paquistão entre os países com epidemias de HIV em crescimento mais rápido na Região do Mediterrâneo Oriental.

A estimativa nacional atual de 417.214 pessoas vivendo com HIV mostra por que os serviços precisam atender também quem ainda não é conhecido pelo sistema de saúde. Identificar infecções mais cedo permite iniciar o tratamento antes que a doença se agrave.

Cerca de um em cada seis pacientes estimados recebe tratamento

Segundo os dados do ministério, os pacientes registrados correspondem a cerca de 22,1% da população estimada de pessoas vivendo com HIV. As 67.878 pessoas que recebem terapia antirretroviral representam aproximadamente 16,3% dessa população estimada, ou cerca de uma em cada seis pessoas.

Entre os pacientes registrados, cerca de 73,7% recebiam terapia. A diferença entre o total de registros e o de pessoas em tratamento era de 24.270. As respostas não explicaram os motivos dessa lacuna.

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A terapia antirretroviral, frequentemente abreviada como TARV, usa medicamentos que impedem o HIV de se multiplicar de forma eficaz. Com tratamento regular, a quantidade de vírus no organismo pode cair a níveis muito baixos, protegendo a saúde e reduzindo a transmissão.

A rede de TARV do Paquistão havia se expandido para 113 centros, incluindo 15 abertos em Sindh durante o ano abrangido pela resposta. Mais locais de tratamento podem reduzir as distâncias percorridas pelos pacientes, embora os totais nacionais ainda indiquem uma necessidade significativa de vincular as pessoas diagnosticadas a cuidados contínuos.

Para as crianças, esse vínculo muitas vezes depende de um adulto que possa organizar o transporte, buscar os medicamentos e comparecer às consultas. Portanto, o acesso ao tratamento vai além da receita médica e envolve as exigências práticas impostas às famílias.

Cuidados médicos inseguros continuam sendo uma preocupação central

Seringas contaminadas, sangue sem triagem adequada e equipamentos médicos que não foram devidamente esterilizados são vias de transmissão do HIV. A OMS também identifica a gravidez, o parto e a amamentação como situações em que uma mãe vivendo com HIV pode transmitir o vírus ao filho.

As conclusões anteriores sobre o surto de HIV infantil no Paquistão incluíram 331 crianças diagnosticadas em Taunsa, Punjab, entre novembro de 2024 e outubro de 2025. Agulhas contaminadas foram consideradas a provável fonte em mais da metade dos casos, enquanto menos de 5% das crianças afetadas tinham mães vivendo com HIV.

A investigação no hospital de Taunsa documentou o reuso de seringas com frascos de medicamentos compartilhados durante uma filmagem no fim de 2025. Os investigadores registraram dez ocasiões em que seringas foram reutilizadas para acessar esses recipientes. Em quatro delas, o medicamento do mesmo frasco potencialmente contaminado foi administrado a crianças diferentes.

Um frasco com várias doses pode se tornar uma via de exposição se uma seringa usada introduzir sangue contaminado. Sempre que as circunstâncias exigirem, é necessário usar uma agulha e uma seringa estéreis novas para preparar ou administrar o medicamento. Trocar apenas a agulha não elimina o risco de contaminação dentro da seringa.

O governo de Punjab afirmou que evidências epidemiológicas validadas não haviam estabelecido de forma conclusiva o hospital THQ de Taunsa como origem do surto. Ainda assim, as práticas documentadas apontam medidas concretas de controle de infecções: impedir o reuso de equipamentos, manusear com segurança os frascos de medicamentos compartilhados e descartar corretamente os materiais usados.

Próximas medidas previstas pelo governo

Entre as medidas de resposta, o ministério listou a testagem antes de cirurgias, o rastreamento de contatos, a testagem em 14 pontos de entrada e a transição gradual para seringas projetadas para impedir o reuso. O rastreamento de contatos consiste em oferecer avaliação e testagem a pessoas que possam ter sido expostas por meio de uma ligação com alguém diagnosticado com HIV.

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As restrições às seringas convencionais com capacidade de até 10 centímetros cúbicos, equivalentes a 10 mililitros, devem entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027. Seringas projetadas para impedir o reuso podem bloquear uma prática perigosa no próprio equipamento, mas o manuseio seguro de medicamentos e outros instrumentos também continua sendo necessário.

Os dados e prazos anunciados estabelecem a seguinte sequência:

  • 2010: A estimativa de novas infecções anuais por HIV era de cerca de 16 mil.
  • 2020: Foram realizados 37.944 testes de HIV.
  • 2024: A estimativa de novas infecções anuais chegou a cerca de 48 mil.
  • 2025: Foram realizados 374.126 testes de HIV.
  • Janeiro de 2025 a junho de 2026: As autoridades registraram 3.900 crianças vivendo com HIV.
  • 1º de janeiro de 2027: Está previsto o início das restrições às seringas convencionais de até 10 mililitros.
  • Junho de 2027: É o prazo do programa governamental de hepatite para cumprir suas metas de testagem e tratamento.

Hospitais e clínicas precisarão de suprimentos de equipamentos, treinamento de funcionários e verificações de rotina para aplicar a política sobre seringas no dia a dia. As conclusões de Taunsa mostram por que mudanças nos procedimentos escritos precisam ser acompanhadas de verificações das práticas durante os tratamentos.

Hepatite amplia a demanda por cuidados em milhões de pessoas

As respostas parlamentares estimaram em cerca de nove milhões o número de pessoas vivendo com hepatite C e em mais de 3,86 milhões o de pessoas com hepatite B. Um número inicial para a hepatite B era de 3,086 milhões; os dados mais detalhados que acompanharam as respostas usaram 3,86 milhões.

Hepatite é a inflamação do fígado. As hepatites B e C são causadas por vírus diferentes, mas ambas podem provocar infecção persistente e danos graves ao fígado. A segurança do sangue e o uso de equipamentos médicos estéreis são importantes para prevenir sua disseminação, tornando esses serviços relevantes tanto para a prevenção da hepatite quanto do HIV.

O ministério citou mais de 48 mil mortes relacionadas à hepatite por ano e mais de 88 mil novas infecções por hepatite C em 2024. As descrições da posição do Paquistão no ranking mundial da hepatite C variaram entre o décimo país mais afetado e o primeiro em número de pacientes; os dados parlamentares detalhados também o colocaram entre os dez países com mais mortes por hepatite C.

Um programa federal e provincial, orçado em 67,77 bilhões de rúpias, pretende testar 82,5 milhões de pessoas e tratar os casos confirmados até junho de 2027. A meta de longo prazo é eliminar a hepatite C como ameaça à saúde pública até 2030. Isso significa reduzir a transmissão e os casos de doença até atingir metas definidas de saúde pública, e não esperar que todas as infecções desapareçam.

O total previsto de testes é mais de nove vezes superior à estimativa de nove milhões de pessoas vivendo com hepatite C. A testagem precisa alcançar uma população muito maior porque as pessoas podem viver com a infecção durante anos antes que os sintomas as levem a procurar atendimento.

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Saúde mental enfrenta falta de especialistas

Os dados detalhados do ministério estimaram que 32,4 milhões de pessoas tinham problemas de saúde mental em 2023, ante 30 milhões em 2019. Isso representa um aumento de 2,4 milhões, ou 8%, em quatro anos. Um resumo inicial informou o total como 32,04 milhões, em vez de 32,4 milhões.

Islamabad concentrava cerca de 300 mil pessoas com problemas de saúde mental em 2023. Em todo o Paquistão, o ministério contabilizou 1.050 psiquiatras registrados em janeiro de 2026, o equivalente a cerca de um psiquiatra para cada 245.400 habitantes.

O cálculo usa a população total como denominador, não apenas as pessoas com problemas de saúde mental. Psiquiatra é um médico com formação para diagnosticar e tratar esses problemas, inclusive prescrevendo medicamentos quando necessário.

Os números por província incluíam 406 psiquiatras em Punjab, 228 em Sindh, 122 em Khyber Pakhtunkhwa e 44 em Balochistan. O ministério informou que não havia dados disponíveis sobre psicólogos clínicos e outros profissionais de saúde mental capacitados, deixando incompleto o levantamento da força de trabalho.

Pessoas em tratamento para HIV ou hepatite também podem precisar de apoio à saúde mental, sobretudo quando a doença, as exigências do tratamento ou o estigma afetam a vida cotidiana. Serviços que conectam os cuidados de saúde física e mental reduzem o número de sistemas separados que os pacientes precisam acessar.

Dados de vacinação mostram avanços e desafios pendentes

As respostas parlamentares também apontaram uma redução no número de crianças que não receberam a primeira dose da vacina pentavalente, que protege contra cinco doenças. Estimativas da OMS e do UNICEF indicam que esse número chegou a 396 mil em 2024, ante 651 mil em 2021: uma redução de 255 mil, ou cerca de 39%.

Uma pesquisa de terceiros realizada em 2025 estimou que havia menos de 160 mil crianças nessa situação. O ministério informou que ações de busca ativa intensificadas vacinaram quase 488 mil crianças em 2025 e outras 147.709 durante o período de 2026 abrangido pela resposta.

Lacunas anteriores na vacinação de rotina incluíam uma estimativa de aproximadamente 419 mil crianças sem a primeira dose de uma vacina de rotina em 2023. Alcançar as crianças que não receberam essa primeira dose é uma prioridade prática, pois as inclui em um calendário de proteção contínua.

O ministério também citou a Pesquisa Nacional de Nutrição de 2018, a avaliação nutricional oficial mais recente mencionada na resposta. Mais de 40% das crianças tinham baixa estatura para a idade, enquanto 18% apresentavam emaciação, ou peso baixo para a altura. Esses dados apontam necessidades adicionais para o mesmo sistema de saúde responsável por garantir injeções mais seguras, testes de infecção e tratamento contínuo.

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Principais pontos

  • O Paquistão registrou 3.900 crianças vivendo com HIV entre janeiro de 2025 e junho de 2026.
  • Sindh e Punjab concentraram 3.680 registros, ou 94,4% do total.
  • Das 417.214 pessoas estimadas vivendo com HIV, 92.148 estavam registradas e 67.878 recebiam tratamento.
  • A estimativa de novas infecções anuais por HIV subiu de 16 mil em 2010 para 48 mil em 2024.
  • As restrições às seringas convencionais de até 10 mililitros estão previstas para 1º de janeiro de 2027.
  • Um programa de hepatite de 67,77 bilhões de rúpias pretende testar 82,5 milhões de pessoas e tratar os casos confirmados até junho de 2027.
  • O ministério contabilizou 1.050 psiquiatras registrados em todo o país, diante de uma estimativa de 32,4 milhões de pessoas com problemas de saúde mental.
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