Revisão abrangerá a Constituição de 2013 e as mudanças de 2025
O secretário-geral e presidente do Vietnã, To Lam, pediu em 6 de novembro de 2026 uma revisão da implementação da Constituição de 2013, incluindo as emendas adotadas em 2025, para preparar as bases para estudar e propor mudanças constitucionais abrangentes.
Conteúdo
- Revisão abrangerá a Constituição de 2013 e as mudanças de 2025
- Por que a implementação é central para a revisão
- O que a revisão constitucional examinaria
- Da primeira Constituição à nova revisão
- Parlamentares terão mais responsabilidade pelo cumprimento da Constituição
- Delegar poderes exige recursos e fiscalização
- Participação pública e direitos fazem parte da agenda
- Orçamentos e recursos devem levar em conta as futuras gerações
- Metas de desenvolvimento orientam os próximos trabalhos do Legislativo
- Principais pontos
Ao discursar no Edifício da Assembleia Nacional, em Hanói, Lam relacionou esse trabalho à Conclusão nº 17 do Politburo e às metas de desenvolvimento do país para 2030, com perspectiva até 2045. Ele disse que a revisão deve identificar os valores constitucionais a preservar, as disposições que precisam ser aprimoradas e os problemas práticos no exercício do poder estatal.
A cerimônia, realizada no Salão Dien Hong durante a segunda sessão da 16ª Assembleia Nacional, marcou os 80 anos da adoção da primeira Constituição do Vietnã, em 9 de novembro de 1946. O primeiro-ministro Le Minh Hung e o presidente da Assembleia Nacional Tran Thanh Man estavam entre as autoridades de alto escalão presentes.
O comunicado de aniversário do governo apresenta três diretrizes de Lam: aplicar a Constituição vigente enquanto se estudam melhorias, proteger a participação pública e os direitos, e aprimorar as instituições e as decisões de política nacional.
Lam disse que os preparativos devem ser conduzidos sob a liderança do Partido Comunista, aproveitar o conhecimento da população e seguir as competências e os procedimentos constitucionais. Não foi anunciado um cronograma para a elaboração de uma proposta, consulta pública ou votação de emendas.
Por que a implementação é central para a revisão
Lam apontou lacunas entre as normas legais e sua aplicação, e entre as atribuições conferidas às instituições e os recursos e as competências de que dispõem. Também mencionou responsabilidades pouco claras, coordenação deficiente e demora na defesa dos interesses legítimos da população.
Esses problemas vinculam a revisão constitucional ao desempenho cotidiano do governo. Um órgão público pode ter responsabilidade formal por uma tarefa, mas não contar com pessoal, verba ou capacidade para concluí-la. Com isso, os cidadãos enfrentam atrasos mesmo quando a lei já estabelece seus direitos.
Lam defendeu melhorias coordenadas na forma como o poder é exercido, fiscalizado e explicado à população. As autoridades devem lidar tanto com agentes públicos que extrapolam suas atribuições quanto com aqueles que evitam assumir responsabilidades, afirmou.
Ele também pediu aos parlamentares que distingam falhas na formulação de políticas de problemas na implementação. A resposta depende da causa: uma norma conflitante pode exigir revisão legal, enquanto uma norma adequada, mas mal aplicada, requer medidas das instituições responsáveis.
O que a revisão constitucional examinaria
A Constituição de 2013 e as disposições emendadas em 2025 deverão ser avaliadas. Lam pediu uma base teórica e prática sólida para considerar revisões abrangentes, combinando a análise dos princípios constitucionais com evidências sobre o funcionamento do governo.
A Constituição é o marco jurídico máximo de um país. Ela estabelece as principais instituições do Estado, define os limites de suas atribuições e reconhece direitos. As leis ordinárias e as decisões oficiais devem respeitar esse marco.
Lam disse que a pesquisa deve ser conduzida de forma científica, democrática e cautelosa. O processo deve preservar os fundamentos políticos e jurídicos do sistema, proteger a participação da população no exercício do poder estatal e atender às necessidades de desenvolvimento do país.
Suas orientações colocam a pesquisa constitucional ao lado da aplicação contínua da Constituição vigente. Órgãos e autoridades continuam responsáveis por cumprir as normas atuais enquanto a revisão avança.
Da primeira Constituição à nova revisão
A primeira Assembleia Nacional adotou a primeira Constituição do Vietnã em sua segunda sessão, em 9 de novembro de 1946. Lam recordou seus princípios de que o poder estatal pertence ao povo, da unidade nacional e das liberdades democráticas, relacionando a independência nacional à organização do governo por meio de uma Constituição.
O presidente da Assembleia Nacional, Tran Thanh Man, disse que o Legislativo promulgou cinco constituições e quase 700 leis. O aniversário reuniu essa história legislativa a uma nova orientação para examinar o funcionamento do atual marco constitucional.
- 9 de novembro de 1946: a primeira Assembleia Nacional adotou a primeira Constituição do Vietnã em sua segunda sessão.
- 2013: o Vietnã adotou a Constituição que agora serve de base para a proposta de revisão da implementação.
- 2025: foram adotadas emendas e complementações, e Lam disse que essas disposições também devem ser avaliadas.
- 6 de novembro de 2026: Lam pediu que fossem preparados estudos sobre emendas abrangentes durante a cerimônia de aniversário em Hanói.
- 2030 e 2045: as metas de desenvolvimento e a perspectiva nacional de longo prazo citadas por Lam orientam a agenda institucional do governo.
Lam disse que as sucessivas mudanças constitucionais preservaram valores fundamentais de 1946 e, ao mesmo tempo, desenvolveram a organização do poder estatal. Ele também afirmou que os direitos humanos e os direitos dos cidadãos receberam atenção crescente.
Parlamentares terão mais responsabilidade pelo cumprimento da Constituição
A Assembleia Nacional e seus órgãos devem assumir maior responsabilidade por garantir que a legislação esteja de acordo com a Constituição, disse Lam. Isso significa verificar a compatibilidade das políticas propostas com as normas constitucionais durante a análise, o debate e a tomada de decisões, sobretudo quando estiverem em questão os poderes do Estado e os direitos individuais.
Constitucionalidade significa que uma lei ou ação oficial está de acordo com as normas jurídicas máximas do país. As orientações de Lam pedem que essa verificação faça parte do processo legislativo, com violações corrigidas, suas consequências reparadas e as responsabilidades apuradas.
Órgãos e autoridades devem respeitar a Constituição e a lei ao cumprir suas funções e exercer os poderes delegados. Os comitês do Partido devem liderar e fiscalizar a implementação das políticas partidárias, enquanto as organizações e os integrantes do Partido devem cumprir a lei e permanecer sujeitos à supervisão pública.
A mensagem sobre responsabilização vem após o apelo feito por Lam em outubro pela substituição de autoridades com desempenho insuficiente antes que suas falhas levem a medidas disciplinares. Em seu discurso de novembro, ele inseriu a responsabilidade pelo desempenho em uma discussão mais ampla sobre deveres constitucionais e controle do poder estatal.
Delegar poderes exige recursos e fiscalização
Lam disse que a descentralização e a delegação devem vir acompanhadas de condições adequadas para a implementação e de supervisão apropriada. A descentralização transfere a tomada de decisões das autoridades centrais, enquanto a delegação permite que outra instituição ou autoridade exerça poderes específicos.
Sua preocupação era prática: ter autoridade não garante que uma instituição disponha de dinheiro, pessoal ou competências para agir. Atribuir responsabilidades sem essas condições pode deixar agentes públicos sem meios para cumprir suas funções e moradores à espera de decisões.
Lam pediu que as responsabilidades sejam mais claras e a coordenação entre órgãos, mais estreita. A fiscalização também deve determinar quem precisa responder quando poderes são mal utilizados, tarefas são negligenciadas ou instituições transferem a responsabilidade umas para as outras.
Para a administração pública, a abordagem proposta reúne três requisitos: definir quem pode decidir, oferecer as condições necessárias para executar a decisão e verificar o resultado. Lam apresentou esses elementos como partes interligadas para que o poder estatal funcione com eficácia.
Participação pública e direitos fazem parte da agenda
Lam defendeu que a população participe da elaboração de políticas, fiscalize as autoridades públicas e tome parte nas decisões, conforme previsto na Constituição e na lei. Ele disse que os deputados da Assembleia Nacional devem manter contato próximo com os eleitores e representar fielmente suas aspirações legítimas.
Em seu discurso de aniversário, o presidente e secretário-geral do Partido descreveu a relação entre os cidadãos e o governo:
A força do Estado vem do povo e deve ser exercida para servir ao povo.
Lam pediu à Frente da Pátria do Vietnã e às organizações sociopolíticas que reforcem a fiscalização e a crítica social, isto é, a análise e a manifestação de opiniões sobre políticas públicas e a conduta de autoridades. Os órgãos estatais devem responder às manifestações da população e corrigir prontamente deficiências e violações.
Os órgãos judiciais devem defender a justiça e proteger os direitos humanos e os direitos dos cidadãos, disse Lam. Ele também afirmou que o exercício dos direitos deve respeitar os direitos e interesses legítimos de terceiros e o interesse nacional.
Suas orientações vinculam a participação ao dever de resposta das instituições. O contato com os eleitores, as manifestações públicas e a fiscalização devem contribuir para as decisões e ajudar a identificar problemas no exercício da autoridade pública.
Orçamentos e recursos devem levar em conta as futuras gerações
Lam disse que as decisões sobre orçamentos, investimentos e recursos naturais devem considerar a eficácia, a disponibilidade de recursos e os efeitos sobre diferentes grupos sociais. Cada decisão importante deve estar alinhada à estratégia nacional de desenvolvimento.
O desenvolvimento de hoje deve criar capacidade para o futuro, afirmou, sem permitir que benefícios imediatos prejudiquem o meio ambiente, a estabilidade ou as oportunidades das próximas gerações. Isso exige considerar os custos duradouros das decisões públicas junto com seus ganhos imediatos.
O governo, os órgãos que propõem políticas e as instâncias que as analisam devem fundamentar suas recomendações em evidências práticas, avaliar plenamente os impactos e explicar as escolhas e as condições de implementação. Lam disse que devem assumir responsabilidade por suas recomendações e impedir que interesses restritos ou influências indevidas distorçam os objetivos das políticas.
Ele também pediu leis coerentes entre diferentes áreas. Uma norma que permite determinada atividade pode ser inviabilizada por outra que a proíbe. Sua orientação foi eliminar barreiras injustificadas, permitindo a inovação responsável e gerenciando os riscos em favor do interesse público.
Metas de desenvolvimento orientam os próximos trabalhos do Legislativo
Lam vinculou a reforma institucional às metas para 2030 e à perspectiva até 2045 do 14º Congresso Nacional do Partido. As mudanças na ciência e na tecnologia, junto com um cenário internacional complexo, exigem normas funcionais e instituições estatais capazes de transformar políticas em resultados, disse.
Em política externa, ele pediu à Assembleia Nacional que proteja os interesses nacionais, fortaleça a capacidade de autossuficiência do país e estabeleça uma base jurídica sólida para a integração internacional. O Vietnã também deve cumprir seus compromissos internacionais.
O presidente Man disse que o Legislativo continuará reformando seus trabalhos constitucionais e legislativos e examinará cuidadosamente questões difíceis, novas e sem precedentes. Ele relacionou esse trabalho a uma governança mais eficaz, à inovação e ao desenvolvimento rápido e sustentável.
A 16ª Assembleia Nacional coordenará ações com o governo, os órgãos judiciais, a Frente da Pátria do Vietnã e as autoridades de diferentes setores e localidades, disse Man. Também contará com contribuições de cientistas, especialistas e gestores, além do trabalho dos deputados.
A tarefa imediata é avaliar o marco atual e preparar as bases para possíveis revisões. Paralelamente à pesquisa, as orientações de Lam exigem que parlamentares e autoridades aprimorem o cumprimento das normas, a prestação de contas à população e a qualidade das decisões tomadas sob a Constituição vigente.
Principais pontos
- To Lam pediu em 6 de novembro de 2026 uma revisão da Constituição de 2013, incluindo as emendas de 2025.
- A revisão pretende preparar as bases para estudar e propor mudanças constitucionais abrangentes.
- Lam citou a Conclusão nº 17 do Politburo e defendeu liderança do Partido, participação pública e respeito aos procedimentos constitucionais.
- Ele pediu maior fiscalização da legislação, responsabilização de autoridades e recursos adequados quando poderes forem delegados.
- Participação pública, direitos, proteção ambiental e efeitos duradouros das decisões sobre orçamentos e recursos estiveram entre os temas centrais.
- O presidente da Assembleia Nacional, Tran Thanh Man, prometeu dar continuidade à reforma dos trabalhos constitucionais e legislativos.






