Bangladesh tem 19 anos para transformar vantagem demográfica em empregos melhores e segurança na velhice

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Bangladesh Has 19 Years to Turn Its Youth Advantage Into Better Jobs and Security in Old Age

Uma janela cada vez menor para 2,2 milhões de novos trabalhadores por ano

Bangladesh tem até por volta de 2045 para aproveitar ao máximo o aumento da proporção de pessoas em idade ativa, mas cerca de 2,2 milhões de pessoas ingressam na força de trabalho todos os anos, enquanto a criação de empregos formais continua fraca. Um relatório do Banco Mundial divulgado em 3 de novembro de 2026 apresenta o desafio em termos concretos: cerca de 84% dos trabalhadores estão na informalidade, e 44% dos formados também trabalham em empregos informais.

Conteúdo
  1. Uma janela cada vez menor para 2,2 milhões de novos trabalhadores por ano
  2. O benefício para o crescimento já está diminuindo
  3. Por que os números do emprego, por si só, não bastam
  4. Habilidades e emprego feminino devem fazer parte do mesmo plano
  5. Empresas precisam de crédito e espaço para crescer
  6. O Sul da Ásia está envelhecendo antes de enriquecer
  7. A segurança na aposentadoria começa com os trabalhadores de hoje
  8. Vidas mais longas exigem mais anos com saúde
  9. Financiar as duas gerações ao mesmo tempo
  10. Principais pontos

O relatório, Mudanças demográficas no Sul da Ásia: dos ventos favoráveis aos obstáculos ao desenvolvimento, afirma que Bangladesh precisa cumprir duas tarefas ao mesmo tempo: ajudar os jovens de hoje a se tornarem mais produtivos e preparar os serviços de saúde, as aposentadorias e os serviços de assistência para uma população idosa crescente.

A proporção de pessoas em idade ativa no país deve atingir o pico por volta de 2045, deixando cerca de 19 anos a partir da publicação do relatório para aproveitar essa vantagem demográfica. A transição para uma sociedade mais envelhecida começa muito antes. A parcela de pessoas com 65 anos ou mais deve chegar a 7% da população em 2027 e a 14% em 2051.

Dividendo demográfico é o impulso econômico que um país pode obter quando uma parcela maior da população tem idade para trabalhar. Mais pessoas com renda podem sustentar famílias, produzir bens e serviços e poupar para o futuro. O desafio de Bangladesh é transformar esse potencial em empregos seguros, rendimentos maiores e proteção financeira antes que a população envelheça.

O principal alerta do Banco Mundial é que o calendário, por si só, pouco fará. Os jovens precisam de habilidades úteis e de empregadores dispostos a contratá-los. As mulheres precisam enfrentar menos barreiras ao trabalho remunerado. Os idosos precisam de sistemas de renda e saúde capazes de amparar vidas mais longas.

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O benefício para o crescimento já está diminuindo

Segundo o relatório, as mudanças na estrutura etária de Bangladesh acrescentaram cerca de 0,4 ponto percentual por ano ao crescimento do produto interno bruto por pessoa entre 2000 e 2024. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos em uma economia; o PIB por pessoa divide essa produção pela população.

A contribuição demográfica deve cair para 0,2 ponto percentual ao ano entre 2025 e 2044, metade do nível anterior. A partir de 2045, espera-se que essa contribuição se torne negativa, à medida que a distribuição etária da população se torne menos favorável ao crescimento.

Assim, Bangladesh enfrenta um enfraquecimento gradual de uma vantagem econômica antes do ponto de inflexão de 2045. A produtividade, ou seja, o quanto os trabalhadores produzem, ganha importância à medida que o impulso da estrutura populacional diminui. Melhores habilidades, equipamentos, infraestrutura e saúde podem ajudar as pessoas a produzir mais durante a vida profissional.

As principais datas do relatório mostram como as pressões sobre o emprego e o envelhecimento se sobrepõem:

  • 2000 a 2024: As mudanças na estrutura etária acrescentaram cerca de 0,4 ponto percentual por ano ao crescimento do PIB por pessoa em Bangladesh.
  • 2025 a 2044: Essa contribuição anual deve cair para 0,2 ponto percentual.
  • 2027: A parcela de pessoas com 65 anos ou mais deve chegar a 7% da população, limite usado para caracterizar uma sociedade envelhecida.
  • 2045: A proporção de pessoas em idade ativa em Bangladesh deve atingir o pico, e a contribuição demográfica para o crescimento se tornará negativa.
  • 2049: O Sul da Ásia deve alcançar o patamar de sociedade envelhecida, com 14% da população com 65 anos ou mais.
  • 2051: Bangladesh deve alcançar o mesmo patamar de 14%.

Por que os números do emprego, por si só, não bastam

Segundo os dados do Banco Mundial, cerca de 58 milhões de trabalhadores em Bangladesh estão na informalidade. Aproximadamente 80% dos trabalhadores no auge da idade profissional têm empregos informais, enquanto a proporção considerando trabalhadores de todas as idades é de cerca de 84%.

O trabalho informal muitas vezes oferece rendimentos menores, pouca estabilidade e acesso limitado a proteções trabalhistas ou planos de aposentadoria. Para uma família, encontrar trabalho pode resolver o problema imediato de renda, mas deixar dificuldades para lidar com doenças, desemprego e aposentadoria.

Os formados também enfrentam essa insegurança. O dado de que 44% trabalham na informalidade liga diretamente o debate sobre educação à escassez de empregos formais. Bangladesh precisa tanto de uma formação alinhada às necessidades dos empregadores quanto de empresas capazes de criar vagas que aproveitem essas habilidades.

As empresas formais estão criando empregos lentamente. Em média, pequenas empresas reduziram recentemente seu quadro de funcionários, e o emprego em empresas de médio porte também diminuiu. Essas tendências dificultam a absorção produtiva dos cerca de 2,2 milhões de trabalhadores que ingressam na força de trabalho todos os anos.

O relatório também projeta que, até 2050, o número de pessoas disponíveis para trabalhar superará o emprego necessário para manter a proporção de referência de 2,5 trabalhadores por idoso. O alerta sobre o mercado de trabalho é direto: Bangladesh precisa criar empregos suficientes para transformar a força de trabalho potencial em pessoas que de fato ganhem renda e sustentem suas famílias.

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Habilidades e emprego feminino devem fazer parte do mesmo plano

Jean Pesme, diretor da Divisão do Banco Mundial para Bangladesh e Butão, apontou a criação de empregos, as habilidades relevantes e o acesso das mulheres ao mercado de trabalho como prioridades imediatas.

"A oportunidade demográfica de Bangladesh depende do que o país fizer agora: ajudar as empresas a criar empregos melhores, preparar os jovens com habilidades relevantes para o mercado e remover as barreiras que afastam as mulheres do trabalho",

Formação prática, empreendedorismo e aprendizado no ambiente de trabalho podem aproximar a educação do emprego. Uma qualificação é mais útil quando o trabalhador consegue aplicá-la a tarefas de que as empresas precisam, enquanto os empregadores também necessitam de crédito e confiança para crescer.

A participação das mulheres é um aspecto central do diagnóstico do relatório, especialmente enquanto Bangladesh busca ampliar o emprego fora da agricultura. Creches e transporte seguro estão entre as medidas práticas apontadas para ajudar as mulheres a ingressar e permanecer no trabalho remunerado.

Um curso de formação e um trajeto seguro até o trabalho enfrentam partes diferentes do mesmo problema. Uma mulher pode ter as habilidades necessárias para uma vaga, mas não conseguir aceitá-la por falta de creche ou de transporte confiável. Aumentar a participação exige, portanto, atenção tanto às condições em torno do emprego quanto ao próprio emprego.

O Banco Mundial também inclui a nutrição e o desenvolvimento na primeira infância nessa agenda. Preparar uma força de trabalho produtiva começa antes da formação profissional ou da universidade: a saúde e o desenvolvimento das crianças influenciam sua capacidade de aprender e trabalhar mais tarde.

Empresas precisam de crédito e espaço para crescer

As micro, pequenas e médias empresas são centrais na resposta proposta pelo Banco Mundial. O relatório recomenda ampliar o acesso delas ao crédito e simplificar as regulamentações empresariais para que possam investir, operar e empregar mais pessoas.

A experiência recente de Bangladesh com zonas industriais oferece um exemplo concreto de investimentos e empregos avançando juntos. Um anúncio feito em outubro informou que cerca de 42 mil empregos foram criados com apoio do Banco Mundial, juntamente com quase US$ 300 milhões em investimentos privados, após iniciativas para desenvolver as zonas econômicas de Bangladesh.

O programa anterior que deu origem a esse trabalho forneceu terrenos industriais, estradas, instalações de eletricidade e água, além de treinamento para mais de 21 mil pessoas. Esses são recursos práticos de que as empresas precisam para transformar uma decisão de investimento em produção e contratações.

Quarenta e dois mil empregos equivalem a cerca de 1,9% dos 2,2 milhões de trabalhadores que ingressam na força de trabalho de Bangladesh a cada ano. O número de empregos nas zonas é um resultado acumulado, enquanto a entrada de trabalhadores se repete anualmente. A comparação mostra a dimensão do desafio de emprego para a economia como um todo.

O relatório demográfico também aponta a mobilidade da mão de obra e tecnologias como a inteligência artificial como ferramentas para aumentar a produtividade. Ajudar as pessoas a chegar às oportunidades de emprego e a usar tecnologias melhores deve complementar o apoio às empresas, à educação e à infraestrutura.

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O Sul da Ásia está envelhecendo antes de enriquecer

O Sul da Ásia tem 1,17 bilhão de pessoas em idade ativa, mas sua janela demográfica está se fechando mais rápido do que a de Bangladesh. Espera-se que a população regional em idade ativa atinja o pico em menos de uma década, e a região deve alcançar o patamar de sociedade envelhecida em 2049, dois anos antes de Bangladesh.

Desde 2000, as mudanças demográficas contribuíram com cerca de 0,4 ponto percentual para o crescimento anual do PIB regional e ajudaram a elevar a produtividade do trabalho em 1,1% ao ano, segundo o relatório. Até 2050, a contribuição anual para o crescimento do PIB deve encolher para cerca de 0,1 ponto percentual.

Johannes Zutt, vice-presidente do Banco Mundial para o Sul da Ásia, descreveu o momento da transição como uma preocupação particular para a região.

"As economias do Sul da Ásia estão envelhecendo mais rápido e mais cedo em sua trajetória de desenvolvimento",

Os países do Sul da Ásia estão chegando a estruturas populacionais mais envelhecidas com níveis de renda inferiores aos de economias emergentes e em desenvolvimento comparáveis. Isso deixa menos margem financeira para os governos criarem serviços enquanto aumenta a demanda por saúde, assistência e apoio à aposentadoria.

O pico mais tardio de Bangladesh lhe dá um pouco mais de tempo do que à maior parte da região. A própria transição do país para uma sociedade envelhecida em 2027 significa que as instituições precisam começar a se adaptar enquanto a vantagem da força de trabalho ainda existe.

A segurança na aposentadoria começa com os trabalhadores de hoje

Segundo dados ilustrativos de 2018 citados no relatório, apenas 3% dos adultos em Bangladesh disseram poupar especificamente para a velhice. Essa medida, já antiga, aponta para uma posição inicial frágil na preparação para a aposentadoria; o relatório não apresenta um dado equivalente mais recente.

As aposentadorias sociais chegam a cerca de metade dos idosos em Bangladesh, mas os valores dos benefícios são insuficientes para oferecer segurança financeira adequada. Aposentadorias sociais são pagamentos destinados a apoiar pessoas idosas, inclusive aquelas que não acumularam uma aposentadoria por meio de contribuições regulares durante a vida profissional.

O sistema previdenciário do Sul da Ásia tem cobertura restrita. Apenas 17% das pessoas em idade ativa contribuem para um plano de aposentadoria, e 10% dos idosos recebem benefícios previdenciários. Os dados de cobertura das aposentadorias sociais em Bangladesh e os números regionais da previdência se referem a medidas e grupos populacionais diferentes.

Trabalhadores informais e de plataformas digitais precisam de atenção especial, pois seus rendimentos e condições de trabalho podem dificultar contribuições regulares para a aposentadoria. Ampliar a proteção social e a cobertura previdenciária conectaria a agenda de emprego à proteção na velhice.

A segurança das poupanças também depende das instituições financeiras. Bangladesh assinou em 30 de outubro de 2026 um acordo para reestruturar o setor bancário no valor de US$ 450 milhões, com o objetivo de fortalecer a proteção dos depósitos, a supervisão bancária e o tratamento de instituições financeiras em dificuldades. O apelo do relatório demográfico por mais poupança está relacionado à necessidade mais ampla de bancos capazes de proteger depósitos e financiar empresas.

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Vidas mais longas exigem mais anos com saúde

Segundo o relatório, há uma diferença de cerca de 10 anos entre a expectativa de vida e a expectativa de vida saudável em Bangladesh. A expectativa de vida indica por quanto tempo, em média, as pessoas podem esperar viver. A expectativa de vida saudável estima quantos desses anos são vividos com boa saúde.

Uma diferença desse tamanho significa que muitas pessoas passam uma parte considerável da velhice doentes ou com limitações de saúde. As famílias podem enfrentar tanto despesas médicas quanto a necessidade de prestar apoio diário, enquanto os idosos podem perder renda quando a saúde os impede de trabalhar.

Por isso, serviços de saúde mais robustos e cuidados de longa duração fazem parte tanto da preparação econômica quanto da proteção social. Cuidados de longa duração incluem ajuda contínua nas atividades cotidianas para pessoas que não conseguem realizá-las de forma independente.

O relatório aponta oportunidades na economia prateada, formada por bens e serviços destinados aos consumidores mais velhos. Serviços de saúde, cuidados para idosos e atividades relacionadas podem gerar empregos à medida que a demanda aumenta. Preparar trabalhadores para essas funções pode aproximar as necessidades dos jovens em busca de emprego das necessidades das famílias com idosos.

Envelhecer com mais saúde também pode permitir que pessoas aptas continuem contribuindo por meio do trabalho remunerado, do empreendedorismo e de outras atividades. O Banco Mundial descreve um segundo dividendo demográfico, no qual melhores condições de saúde, mais poupança e investimento ajudam a sustentar a produtividade à medida que a população envelhece.

Financiar as duas gerações ao mesmo tempo

Bangladesh precisa financiar a educação e as oportunidades de emprego ao mesmo tempo que amplia os serviços de saúde, as aposentadorias e os cuidados. O relatório recomenda avançar nessas prioridades em conjunto, com o apoio de uma maior capacidade de arrecadar receitas internas e mobilizar recursos públicos e privados.

Pesme afirmou que as necessidades de financiamento da transição para uma população mais envelhecida exigiriam uma mobilização maior de recursos internos. Em termos simples, Bangladesh precisa arrecadar e administrar mais recursos no próprio país para ampliar os serviços essenciais à medida que a demanda muda.

O emprego produtivo pode contribuir para esse esforço ao elevar a renda das famílias e ampliar a economia sobre a qual incide a arrecadação pública. Por sua vez, melhores condições de saúde e educação ajudam as pessoas a trabalhar com mais eficiência. O relatório trata essas prioridades como investimentos interligados ao longo da vida.

O relatório de novembro apresenta recomendações, não um cronograma de implementação para Bangladesh. Ele não estabelece prazos nacionais para realizar as reformas propostas em emprego, aposentadoria ou assistência. O marco demográfico mais próximo é 2027, quando se prevê que o país entre na categoria de sociedade envelhecida.

A oportunidade que ainda resta a Bangladesh é considerável, mas o trabalho é imediato: ajudar os empregadores a criar empregos produtivos, oferecer às mulheres e aos jovens caminhos mais justos para ocupá-los e construir proteção financeira e de saúde antes que os trabalhadores de hoje envelheçam.

Principais pontos

  • A proporção de pessoas em idade ativa em Bangladesh deve atingir o pico por volta de 2045, cerca de 19 anos após a publicação do relatório.
  • Cerca de 2,2 milhões de pessoas ingressam na força de trabalho por ano, enquanto aproximadamente 84% dos empregos são informais.
  • Cerca de 44% dos formados trabalham na informalidade, o que liga o desafio das habilidades à fraca criação de empregos formais.
  • A contribuição demográfica para o crescimento anual do PIB por pessoa deve cair pela metade, de 0,4 para 0,2 ponto percentual, antes de se tornar negativa a partir de 2045.
  • A parcela de pessoas com 65 anos ou mais deve corresponder a 7% da população em 2027 e a 14% em 2051.
  • O Banco Mundial recomenda investir simultaneamente em empregos produtivos, emprego feminino, habilidades, saúde, aposentadorias e cuidados para idosos.
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