Open Bank obtém autorização enquanto Tansar aguarda licença
O Uzbequistão concedeu à Open Bank sua primeira licença especial para atividades bancárias islâmicas, enquanto o Cazaquistão registrou a Tansar Islamic Bank Ltd como uma empresa que busca entrar no setor. Os acontecimentos de outubro de 2026 colocam dois possíveis provedores em etapas diferentes: a Open Bank tem autorização regulatória para operações bancárias islâmicas, enquanto a Tansar ainda precisa de autorização para exercer atividades financeiras regulamentadas.
Conteúdo
- Open Bank obtém autorização enquanto Tansar aguarda licença
- O que a licença da Open Bank permite
- Como o Uzbequistão criou o marco legal
- Seis formas de estruturar financiamentos
- O que os clientes devem observar
- Regras de conversão vão além dos bancos comerciais
- O que a Tansar registrou no Cazaquistão
- Mais bancos estão se preparando, mas a escala dependerá do uso
- Principais pontos
O Banco Central do Uzbequistão aprovou a licença nº 1-I por meio da Resolução do Conselho nº 28/1, em 23 de outubro, e anunciou a decisão em 26 de outubro. Ela abrange as operações previstas no Artigo 5¹ da Lei sobre Bancos e Atividades Bancárias, após a entrada em vigor da legislação em 29 de junho.
No Cazaquistão, a Tansar Islamic Bank Ltd foi registrada no Centro Financeiro Internacional de Astana em 16 de outubro. O registro oficial da Astana Financial Services Authority, conhecida como AFSA, informa capital social declarado de US$ 12 milhões, a Tansar Group JSC como única acionista e Rustem Baimakhanov como diretor-executivo.
Para empresas e famílias, a questão prática é quando essas novidades se transformarão em serviços que poderão utilizar. O sistema bancário islâmico gera receita por meio de acordos como vendas, arrendamentos e investimentos compartilhados, em vez da cobrança de juros convencionais. Os clientes ainda têm custos de financiamento e obrigações contratuais.
Os preços dos produtos e as datas de lançamento da Open Bank não haviam sido especificados no anúncio do Banco Central. Em 26 de outubro, também não havia confirmação de autorização da AFSA para a Tansar nas informações disponíveis. A mudança imediata, portanto, é uma nova autorização bancária no Uzbequistão e um novo registro empresarial no Cazaquistão.
O que a licença da Open Bank permite
A Open Bank já opera como banco comercial. Antes chamada Smart Bank, mudou de nome em setembro de 2025. O registro do Banco Central lista separadamente sua licença bancária principal, de nº 89, datada de 15 de setembro de 2025.
A autorização adicional para atividades bancárias islâmicas abre caminho para que essa instituição já existente desenvolva serviços sob o novo marco regulatório. O Uzbequistão permite que tanto bancos islâmicos especializados quanto bancos convencionais com a autorização necessária realizem atividades bancárias islâmicas.
A Asia Daily noticiou a decisão sobre a primeira licença em 26 de outubro, incluindo as seis principais estruturas de financiamento permitidas pela legislação. O próximo passo para os clientes é a divulgação e o lançamento de produtos específicos com condições claras.
A Open Bank criou um Conselho de Finanças Islâmicas e manterá contabilidade separada para suas operações islâmicas. Essas medidas atendem aos requisitos aplicáveis quando atividades bancárias convencionais e islâmicas são realizadas pela mesma instituição.
Manter contabilidade separada significa ter registros distintos para a parte islâmica das atividades. Isso permite identificar essas transações e suas receitas e verificar se estão de acordo com as regras aplicáveis. O conselho do banco oferece um mecanismo institucional para analisar a conformidade com os padrões de finanças islâmicas.
Como o Uzbequistão criou o marco legal
A Lei nº ZRU-1126, de 27 de março de 2026, estabeleceu a base legislativa para o sistema bancário islâmico no Uzbequistão. Sua entrada em vigor, em 29 de junho, foi seguida por mudanças nas regras de licenciamento e conversão institucional.
As reformas vão além da concessão de uma única licença. Elas criam caminhos para que bancos e instituições de microfinanças existentes mudem seu status jurídico, além de permitir que bancos convencionais ofereçam serviços islâmicos por meio de operações específicas, comumente chamadas de janelas islâmicas.
- 27 de março de 2026: O Uzbequistão aprovou a Lei nº ZRU-1126, que estabeleceu o novo marco legislativo.
- 29 de junho: A lei entrou em vigor.
- 20 de julho: Entraram em vigor as alterações às regras de licenciamento do Banco Central.
- 1º de agosto: O Ministério da Justiça registrou alterações que regulamentam as conversões institucionais.
- 16 de outubro: A Tansar Islamic Bank Ltd foi registrada no Centro Financeiro Internacional de Astana, no Cazaquistão.
- 23 de outubro: O Banco Central do Uzbequistão aprovou a licença bancária islâmica da Open Bank.
- 26 de outubro: O Banco Central anunciou a licença.
Seis formas de estruturar financiamentos
O marco regulatório do Uzbequistão identifica seis principais operações financeiras islâmicas. Cada uma utiliza uma relação contratual diferente, oferecendo aos bancos várias formas de financiar bens, equipamentos, produção ou investimentos.
- Mudaraba: Uma parte fornece o capital e outra o administra, e os lucros resultantes são divididos conforme o acordo. Essa estrutura pode viabilizar financiamentos e depósitos de investimento.
- Wakala: Uma parte atua como agente de outra com base em um contrato de agência. Os bancos podem utilizá-la para prestar serviços ou administrar fundos.
- Murabaha: Um banco compra bens e os revende a um cliente por um preço acordado que inclui uma margem de lucro, com possibilidade de pagamento em parcelas.
- Salam: O comprador paga antecipadamente pelos bens, que devem ser entregues em uma data posterior acordada.
- Musharaka: Parceiros contribuem com recursos para um projeto ou participam do capital de uma empresa.
- Ijara: O cliente utiliza um ativo por meio de arrendamento, que pode incluir a opção de comprá-lo posteriormente.
Uma empresa que compra máquinas ilustra a diferença entre duas dessas estruturas. Na murabaha, o banco compra a máquina e a revende por um preço acordado. Na ijara, a empresa paga para usar a máquina por meio de um arrendamento.
A salam atende a outra necessidade ao permitir o pagamento antes da entrega dos bens. A musharaka reúne parceiros em um acordo de financiamento, enquanto a mudaraba separa o fornecimento de capital de sua gestão. O contrato determina como os participantes dividem os lucros resultantes.
O que os clientes devem observar
As finanças islâmicas mudam a estrutura de uma transação e a forma como o banco obtém receita. Uma margem de lucro na venda, pagamentos de aluguel ou uma participação nos lucros de investimentos podem gerar retorno para o banco. Portanto, o financiamento tem um custo mesmo quando o contrato não prevê cobrança de juros convencionais.
Ao comparar uma compra por murabaha com outras formas de adquirir equipamentos, o cliente precisa conhecer o preço total da venda, o cronograma de pagamentos e as obrigações contratuais. Uma empresa que considera a ijara precisa entender o valor do aluguel, a duração do contrato e as condições para uma eventual compra posterior.
Clientes que investem precisam de informações igualmente claras sobre como os lucros são calculados e distribuídos, quem administra os fundos e quais riscos são atribuídos a eles pelo acordo específico. Os nomes dos produtos são apenas um ponto de partida para entender essas condições.
O Banco Central recomendou que os clientes verifiquem a licença correspondente em seu site oficial antes de utilizar serviços bancários. No caso da Open Bank, é preciso confirmar tanto seu status já existente de banco comercial quanto a autorização adicional que abrange as atividades islâmicas.
Empreendedores que buscam financiamento para bens, transporte ou equipamentos poderão contar com mais uma opção quando os produtos estiverem disponíveis. A utilidade dessa alternativa dependerá do preço efetivo, das condições de pagamento e da adequação do contrato ao ativo ou negócio financiado.
Regras de conversão vão além dos bancos comerciais
As alterações de agosto do Uzbequistão estabelecem vários caminhos para que instituições mudem seu status. O Ministério da Justiça registrou, em 1º de agosto de 2026, as alterações ao regulamento sobre a mudança das atividades de instituições de microfinanças e bancos, sob o nº 3656-1, em conformidade com a Lei nº ZRU-1126. Uma instituição de microfinanças pode se converter em um banco islâmico de microfinanças, e um banco islâmico de microfinanças pode solicitar a conversão em banco islâmico.
As regras também permitem que um banco islâmico se converta em banco islâmico de microfinanças, que um banco islâmico de microfinanças retorne ao status convencional de instituição de microfinanças e que um banco convencional se converta em banco islâmico. Para passar da categoria de instituição de microfinanças à de banco islâmico, a instituição deve primeiro ser um banco islâmico de microfinanças.
A acessibilidade faz parte do processo de licenciamento. Antes do registro e do licenciamento, um banco islâmico de microfinanças deve obter um parecer da Inspetoria de Controle da Construção e dos Serviços de Habitação e Comunitários confirmando que suas instalações oferecem condições acessíveis a pessoas com deficiência, de acordo com as normas e regras de planejamento urbano.
O Uzbequistão também criou um Conselho de Finanças Islâmicas no âmbito do Banco Central para desenvolver padrões e supervisionar a expansão dos serviços financeiros islâmicos. Esse órgão atua no nível regulatório, enquanto o conselho próprio da Open Bank atende à instituição.
Universidades públicas oferecerão finanças islâmicas como curso de graduação a partir do ano acadêmico de 2026/27. A iniciativa educacional acompanha as reformas legais enquanto as instituições se preparam para oferecer e supervisionar produtos baseados em diferentes estruturas contratuais.
O que a Tansar registrou no Cazaquistão
Os documentos de registro da Tansar Islamic Bank Ltd descrevem um negócio planejado que abrange financiamento bancário islâmico, serviços de pagamento, transferências de dinheiro, câmbio e administração de contas de investimento com participação nos lucros.
O registro da AFSA identifica os proprietários da empresa, seus gestores e o capital social declarado. Essas informações mostram quem está por trás da entidade registrada e quais atividades ela pretende exercer. As operações financeiras regulamentadas dependem de uma autorização adicional da AFSA.
O próximo passo regulatório da Tansar é, portanto, obter autorização para os serviços pertinentes. Seu capital declarado de US$ 12 milhões é um dado do registro empresarial; quem procura um provedor em operação também precisará de informações sobre suas autorizações regulatórias e a disponibilidade dos serviços.
O Cazaquistão tem legislação nacional que rege as finanças islâmicas, enquanto o Centro Financeiro Internacional de Astana tem um marco próprio de regulamentação e autorização. A constituição da Tansar insere o negócio proposto no processo desse centro financeiro.
A decisão de outubro no Uzbequistão diz respeito à concessão de uma licença especial a um banco já existente, conforme a legislação bancária nacional. O registro de outubro no Cazaquistão diz respeito a uma empresa que busca entrar no mercado por meio do centro financeiro. Nos dois casos, a autorização necessária para operações bancárias é fundamental para definir o que a instituição pode oferecer aos clientes.
Mais bancos estão se preparando, mas a escala dependerá do uso
Mais de dez bancos comerciais no Uzbequistão começaram a preparar a infraestrutura para janelas islâmicas, segundo informações atribuídas ao regulador. Entre as instituições citadas estão Agrobank, Asakabank, Ipak Yuli Bank e Orient Finans Bank.
Uma janela islâmica permite que um banco convencional ofereça produtos financeiros islâmicos junto com suas outras atividades, desde que cumpra os requisitos aplicáveis de separação e controle. Assim, instituições existentes podem entrar no mercado sem converter o banco inteiro.
Antes da lei especial, serviços semelhantes estavam disponíveis apenas por meio de algumas organizações de microfinanças. O novo marco oferece aos bancos uma via institucional mais ampla para entrar no setor e abre a possibilidade de mais provedores disputarem clientes.
Uma estimativa que acompanha as reformas prevê investimentos e depósitos adicionais potenciais de aproximadamente US$ 1 bilhão em cinco anos. Trata-se de uma projeção de possíveis entradas de recursos. O valor efetivamente captado dependerá da demanda dos clientes, das condições dos produtos e da capacidade das instituições de cumprir os requisitos regulatórios.
Depósitos e fundos de investimento mostrariam se os clientes estão depositando recursos nos provedores. Os volumes de financiamento indicariam quanto está chegando a empresas e famílias. O número de clientes ajudaria a mostrar a abrangência do uso dos serviços. Em conjunto, essas medidas oferecerão um retrato mais completo do mercado do que apenas a quantidade de registros ou licenças.
Os primeiros produtos da Open Bank e o processo de autorização da Tansar são os próximos acontecimentos a acompanhar. O Uzbequistão chegou à etapa de conceder autorização bancária sob sua nova lei; a possível instituição cazaque ainda precisa concluir uma etapa regulatória antes de oferecer os serviços regulamentados que planeja prestar.
Principais pontos
- O Uzbequistão aprovou a licença bancária islâmica nº 1-I da Open Bank em 23 de outubro de 2026 e a anunciou em 26 de outubro.
- A licença decorre da legislação em vigor desde 29 de junho e abrange operações previstas no Artigo 5¹ da lei bancária.
- A Open Bank criou um Conselho de Finanças Islâmicas e manterá contabilidade separada para as operações islâmicas.
- A Tansar Islamic Bank Ltd foi registrada no Centro Financeiro Internacional de Astana em 16 de outubro, com capital social declarado de US$ 12 milhões.
- A Tansar precisa de autorização da AFSA para atividades financeiras regulamentadas; não havia confirmação disponível em 26 de outubro.
- O acesso dos clientes dependerá do lançamento dos produtos, enquanto o crescimento do mercado será medido pelos recursos captados, financiamentos concedidos e clientes atendidos.






