Três marketplaces prometem aliviar os custos dos vendedores tailandeses
Shopee, TikTok e Lazada prometeram ao Ministério do Comércio da Tailândia reduzir em pelo menos 10% as comissões sobre vendas, conhecidas como GP, enquanto os reguladores investigam aumentos repetidos de taxas e reclamações de pequenos negócios. Estimativas preliminares apontam uma redução de receita de cerca de 1 bilhão de baht para cada plataforma, embora o período abrangido por essa estimativa não tenha sido especificado.
Conteúdo
- Três marketplaces prometem aliviar os custos dos vendedores tailandeses
- O que significaria uma redução de 10%?
- Reguladores adotam várias medidas ao mesmo tempo
- Aumentos repetidos colocaram as comissões sob investigação
- Plataformas de entrega teriam de explicar seus custos
- Por que as regras se concentram nas grandes plataformas
- Entregadores e restaurantes podem pagar pelo mesmo pedido
- Registros de reclamações mostram a dimensão e a situação das disputas
- Pequenos negócios querem mudanças além das comissões
- Principais pontos
A vice-primeira-ministra e ministra do Comércio, Suphajee Suthumpun, deve anunciar a cooperação em 28 de outubro de 2026. A promessa vem acompanhada de uma restrição temporária a aumentos de taxas e de regras propostas que exigiriam que grandes plataformas de transporte e entrega expliquem como calculam as cobranças.
Para pequenas e médias empresas, ou PMEs, a questão é quanto dinheiro sobra após uma venda online. Os vendedores precisam pagar por mercadorias, salários, aluguel e entrega, além de arcar com as taxas das plataformas. Uma comissão menor pode deixar mais recursos disponíveis para comprar estoque e cobrir despesas diárias.
O anúncio inicial descreve cobranças atuais que, em média, variam de 30% a 35%. O presidente da Confederação Tailandesa de PMEs, Dr. Noppong Teeraworn, detalha melhor esse peso: comissões, GP e taxas de marketing podem, somadas, chegar a 30% a 35% das vendas. Por isso, a taxa exata abrangida pela redução prometida será determinante para definir a economia que os comerciantes terão.
O que significaria uma redução de 10%?
GP é o termo comumente usado na Tailândia para designar uma comissão ou parcela das vendas cobrada por uma plataforma. Outras cobranças podem ser feitas à parte, incluindo pagamentos por marketing ou serviços específicos. Portanto, o valor total pago por um comerciante depende de mais do que a comissão anunciada.
Uma redução de 10% sobre uma taxa existente significa multiplicar essa taxa por 0,9. Por exemplo, uma cobrança de 30% cairia para 27%, enquanto uma de 35% passaria para 31,5%. Essas mudanças equivalem a três e 3,5 pontos percentuais, respectivamente.
Em vendas de 1.000 baht, esse cálculo ilustrativo reduziria uma cobrança de 300 baht para 270 baht, ou uma de 350 baht para 315 baht. A economia seria de 30 a 35 baht, antes de outras despesas. Uma redução de 10 pontos percentuais geraria uma economia muito maior, por isso a redação do acordo final é importante.
Os detalhes ainda não foram anunciados, incluindo a data de início, a duração, os comerciantes elegíveis e quais cobranças serão reduzidas. O anúncio de 28 de outubro é a próxima ocasião prevista para que o ministério e as plataformas expliquem como a promessa aparecerá nas faturas dos vendedores.
Reguladores adotam várias medidas ao mesmo tempo
Suphajee trabalha com a Comissão de Concorrência Comercial, ou OTCC, e a Agência de Desenvolvimento de Transações Eletrônicas, ou ETDA, após reclamações de comerciantes, restaurantes e entregadores. As preocupações envolvem tanto marketplaces online quanto plataformas que intermedeiam viagens de passageiros, entregas de encomendas e pedidos de comida.
O Comitê Central de Preços de Bens e Serviços, presidido por Suphajee, convidou as plataformas a explicar seus custos, comissões e outras taxas. A análise avaliará se as cobranças são razoáveis e justas, e poderá determinar reduções quando o comitê as considerar inadequadas.
A autoridade de concorrência também invocou o Artigo 60 da Lei de Concorrência Comercial de 2017 para proibir grandes plataformas de aumentar o GP e outras taxas durante um período declarado de seis meses, de agosto de 2026 a fevereiro de 2027. As plataformas devem apresentar informações sobre suas estruturas de taxas para análise.
As reduções prometidas pelos marketplaces, o congelamento temporário e as regras de transparência propostas têm efeitos práticos diferentes. A redução diminuiria as cobranças abrangidas. O congelamento impediria aumentos durante o período especificado. As regras de transparência exigiriam que as plataformas explicassem os critérios usados para definir e alterar as taxas.
O Escritório do Conselho de Estado também foi encarregado de acelerar a elaboração de uma lei específica para empresas de plataformas digitais. Suphajee descreveu a fiscalização atual como dispersa entre várias agências. Esse esforço legislativo mais amplo ocorre paralelamente ao trabalho mais imediato da comissão de concorrência sobre as taxas.
Aumentos repetidos colocaram as comissões sob investigação
A apuração da autoridade de concorrência constatou que a Shopee aumentou taxas relacionadas ao GP 10 vezes entre 2022 e 2026, com alta acumulada de 433%. A Lazada fez sete aumentos no período, totalizando 367%. As mudanças nas taxas da TikTok ainda estão sendo investigadas.
Os números descrevem aumentos ao longo do tempo. Os custos atuais dos comerciantes dependem das cobranças aplicadas a seus produtos, serviços e condições de venda, o que torna importante o pedido do regulador por estruturas detalhadas de taxas para entender o peso sobre cada negócio.
As plataformas de transporte e entrega também estão sob investigação. A autoridade identificou oito rodadas de aumentos de GP entre três grandes operadoras, de abril a agosto de 2026. Grab, LINE MAN e Bolt estão entre as empresas que devem explicar suas cobranças.
A investigação dá continuidade a medidas regulatórias anteriores que afetaram o mesmo setor de marketplaces. Em outubro de 2025, a ETDA incluiu a TikTok Shop na categoria de marketplaces de alto impacto, sujeitando-a a obrigações mais rigorosas de verificação de comerciantes, gestão de riscos e prestação de informações. As medidas atuais sobre taxas ampliam o foco para as condições comerciais enfrentadas por empresas que usam plataformas.
Plataformas de entrega teriam de explicar seus custos
A Comissão de Concorrência Comercial aprovou, em 19 de outubro de 2026, uma minuta de comunicado sobre a estrutura das cobranças por transporte público reservado por plataformas e serviços de entrega sob demanda. A consulta pública vai de 21 de outubro a 20 de novembro.
A proposta abrange cinco categorias de cobranças das plataformas. Entre as descrições divulgadas estão taxas de serviço, outros benefícios cobrados pelas plataformas, participações na receita e cobranças por espera. As operadoras abrangidas teriam de fornecer informações e justificativas razoáveis ao definir taxas ou alterá-las, para mais ou para menos.
Os custos operacionais e os investimentos em tecnologia estão entre os fatores que as plataformas poderiam usar para justificar uma mudança. A autoridade quer provas que relacionem esses fatores ao valor cobrado. No caso de um serviço de transporte, os custos relevantes também podem variar conforme o combustível, o tipo de veículo e o horário da viagem.
A comissária de Concorrência Comercial Worawan Chitarun afirmou que o objetivo do comunicado proposto é tornar o sistema de pagamentos mais fácil de fiscalizar e mais justo para as empresas e os prestadores de serviços envolvidos.
"O objetivo do comunicado é tornar as cobranças das plataformas mais transparentes e verificáveis, ao mesmo tempo que promove maior justiça para as empresas e os prestadores de serviços envolvidos", disse ela.
A minuta exigiria justificativas, em vez de estabelecer um limite máximo para a taxa de GP. Worawan afirmou que o trabalho da comissão se concentra nas relações entre empresas, buscando equilibrar a capacidade das plataformas de obter lucro com a possibilidade de comerciantes e prestadores de serviços manterem seus negócios.
Por que as regras se concentram nas grandes plataformas
A estrutura proposta tem como alvo grandes operadoras com poder de mercado substancial. As descrições do escopo incluem um limite de receita ou vendas de cerca de 500 milhões de baht, além de critérios relacionados à posição dominante e à participação de mercado.
De acordo com os critérios propostos de participação de mercado, uma empresa com pelo menos 10% e no máximo 33% poderia ser classificada como detentora de poder de mercado. Uma participação acima de 33% poderia indicar posição dominante, considerados também outros critérios pertinentes. Poder de mercado significa que uma empresa tem influência suficiente para moldar as condições comerciais de outras.
A autoridade identificou cerca de 14 a 15 operadoras no mercado de plataformas de transporte e entrega, sendo que as duas maiores respondem juntas por aproximadamente 90%. Os 10% restantes ficam divididos entre as outras empresas, o que ajuda a explicar por que os reguladores estão concentrando a atenção nas condições impostas pelas maiores operadoras.
Com essa abordagem direcionada, as operadoras pequenas e médias teriam mais espaço para competir. A comissão também pretende investigar práticas de preços que possam expulsar concorrentes do mercado, além das preocupações com aumentos frequentes.
Marketplaces online como Shopee e Lazada terão uma estrutura regulatória separada, porque seus modelos de negócios diferem dos serviços de transporte e entrega. Ambos os grupos conectam vários tipos de usuários, mas os serviços prestados, os custos incorridos e os pagamentos cobrados são diferentes.
Entregadores e restaurantes podem pagar pelo mesmo pedido
Transações de entrega de comida podem gerar cobranças para os dois lados de um mesmo pedido: um restaurante paga para chegar ao cliente, enquanto o entregador também sofre descontos da plataforma. Worawan afirmou que essa estrutura torna central a questão da distribuição da renda.
Pedidos agrupados acrescentam outra camada de complexidade. Um entregador pode retirar comida em vários restaurantes ao longo de uma rota, enquanto cada restaurante paga sua própria taxa de GP. Os ganhos do entregador dependem de como a plataforma calcula os pagamentos por trajeto, paradas extras e tempo de espera.
Entre as reclamações estão a participação obrigatória em entregas agrupadas e em programas promocionais. Worawan disse que cerca de 90% das reclamações de entregadores e restaurantes eram relacionadas ao GP. Seus comentários também mencionaram 37 reclamações, enquanto as estatísticas detalhadas da autoridade classificam esse total em todo o setor de plataformas: 25 casos de comércio eletrônico e 12 de transporte ou entrega.
Para os restaurantes, a questão concreta é quanto do valor de um pedido chega ao negócio após os descontos e os custos de promoção. Para os entregadores, é quanto recebem pelo tempo e pela distância percorrida, especialmente quando vários pedidos são agrupados em uma única viagem.
Registros de reclamações mostram a dimensão e a situação das disputas
A autoridade de concorrência recebeu 37 reclamações sobre plataformas entre 1º de janeiro e 7 de outubro de 2026, de um total de 100 reclamações em todos os setores. Assim, os casos envolvendo plataformas representaram 37% do total. Em 2025, foram 17 reclamações sobre plataformas, entre 77 casos, ou cerca de 22%.
O número de casos envolvendo plataformas em 2026 já era 20 maior que o total de todo o ano de 2025, embora os períodos tenham durações diferentes. Entre 2023 e 2026, a autoridade registrou 89 reclamações sobre plataformas: 13 em 2023, 22 em 2024, 17 em 2025 e 37 em 2026 até 7 de outubro.
O comércio eletrônico respondeu por 25 dos 37 casos envolvendo plataformas em 2026, cerca de dois terços. As alegações incluíam taxas injustas, uso de poder de mercado para exigir pagamentos por serviços e restrições às opções de entrega. Quatro casos não foram aceitos como reclamações, um foi encerrado após a comissão concluir que não havia fundamento, e 20 continuavam em análise.
As plataformas de transporte e entrega responderam pelos outros 12 casos. Quatro não foram aceitos como reclamações e oito continuavam em análise. Entre as questões investigadas estavam exigências de pagamento de taxas, entregas agrupadas e participação obrigatória em promoções.
Os números mostram que o trabalho da comissão vai além de negociar uma taxa menor. Ela também precisa avaliar práticas comerciais específicas e decidir sobre casos individuais, ao mesmo tempo que desenvolve regras para transações futuras.
Pequenos negócios querem mudanças além das comissões
O presidente da Confederação Tailandesa de PMEs, Dr. Noppong, afirmou que empresas menores dependem de marketplaces, serviços de entrega de comida e comércio social para chegar aos clientes, mas têm pouco poder de negociação. Sair de uma plataforma pode significar perder o acesso a uma base de clientes já estabelecida.
A confederação quer que os comerciantes possam escolher empresas de entrega e sistemas de pagamento, em vez de serem direcionados a um único serviço afiliado. Para um vendedor, essa escolha pode afetar os custos de entrega, a qualidade do serviço e as formas de pagamento disponíveis aos clientes.
A possibilidade de escolha no pagamento também despertou atenção fora dos marketplaces online. Outra preocupação envolve uma grande rede de lojas de conveniência, não identificada, que limita uma determinada opção de pagamento eletrônico a uma carteira digital afiliada, embora continue aceitando dinheiro. Os pedidos de investigação regulatória se concentram nos efeitos dessa restrição sobre os clientes e os provedores de pagamento concorrentes.
As PMEs também manifestaram preocupação com o uso de dados de vendas dos comerciantes pelas plataformas para desenvolver produtos concorrentes e com os sistemas que classificam os anúncios de produtos. Um sistema de classificação determina quais itens aparecem primeiro para os consumidores. A confederação quer regras mais claras para os dados comerciais e mais transparência nesses rankings.
Outras reclamações envolvem mudanças unilaterais de contratos, demora na transferência da receita das vendas e suspensão de contas sem procedimentos claros de recurso. Um pagamento atrasado pode deixar uma pequena loja sem dinheiro para comprar estoque ou pagar salários. Uma conta suspensa pode eliminar imediatamente seu principal canal para chegar aos clientes.
As próximas etapas das regras propostas pela comissão para transporte e entrega estão previstas da seguinte forma:
- 28 de outubro de 2026: Suphajee deve anunciar a cooperação com Shopee, TikTok e Lazada para reduzir as taxas.
- 20 de novembro: termina a consulta pública sobre a minuta para transporte e entrega.
- 23 de novembro: a comissão deve reavaliar a minuta após a consulta.
- 30 de novembro: previsão de conclusão da análise jurídica.
- 4 de dezembro: o presidente da comissão deve assinar o comunicado.
- 18 de dezembro: previsão de entrada em vigor após a publicação no Diário Oficial.
A promessa de reduzir as taxas pode gerar economia direta para os vendedores abrangidos. O programa regulatório mais amplo aborda como as plataformas calculam as cobranças, explicam mudanças e tratam as empresas que dependem delas para obter renda.
Principais pontos
- Shopee, TikTok e Lazada prometeram reduções de pelo menos 10% no GP; os detalhes ainda serão anunciados.
- Estimativas preliminares apontam uma redução de receita de cerca de 1 bilhão de baht por plataforma, sem especificar o período.
- A autoridade de concorrência impôs uma restrição temporária a aumentos de taxas com base no Artigo 60 da Lei de Concorrência Comercial de 2017.
- As regras propostas para transporte e entrega exigiriam justificativas para as cobranças, em vez de impor um limite para o GP.
- A autoridade registrou 37 reclamações sobre plataformas até 7 de outubro de 2026, incluindo 25 casos de comércio eletrônico e 12 de transporte ou entrega.
- As propostas das PMEs também abrangem opções de entrega, sistemas de pagamento, dados de vendas, classificação de produtos e procedimentos de recurso.






