Coreia do Sul aprova plano de submarino nuclear para início em 2027, enquanto negociações sobre combustível com os EUA estão paralisadas

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South Korea Approves Nuclear Submarine Plan for 2027 Start as U.S. Fuel Talks Stall

Aprovação da aquisição dá andamento a programa que ainda aguarda acordos sobre combustível

A Coreia do Sul aprovou a estratégia básica de aquisição para seu programa de submarinos nucleares Jang Bogo N em 6 de novembro de 2026, preparando o início formal em 2027, mesmo com as negociações com os Estados Unidos sobre o combustível do reator paralisadas. A previsão é que a primeira embarcação seja lançada em meados da década de 2030, com entrada em operação prevista para o fim da década de 2030 ou depois.

Conteúdo
  1. Aprovação da aquisição dá andamento a programa que ainda aguarda acordos sobre combustível
  2. Por que o estudo de viabilidade habitual foi dispensado
  3. Estaleiros nacionais disputarão o contrato
  4. Seul planeja construir o casco e o reator no país
  5. Aprovação política e fornecimento de combustível seguem caminhos diferentes
  6. Um longo caminho entre a aprovação e a entrada em operação
  7. O que os submarinos mudariam debaixo d'água
  8. Mísseis de maior alcance e outros programas navais também avançam
  9. Helicópteros presidenciais serão substituídos a partir de 2031
  10. Principais pontos

A Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA, na sigla em inglês) informou que a 179ª reunião do Comitê de Promoção do Programa de Aquisição de Defesa aprovou o projeto, também conhecido como KSS-III Batch-III. A decisão leva o plano apresentado em maio à etapa de licitação competitiva, contrato de construção e aquisição, pelo governo, do reator e de determinadas armas.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Park Hong-keun, estimou o custo do programa em 28,9 trilhões de won, cerca de US$ 21,3 bilhões, em maio. A DAPA afirma que o orçamento total ainda está em discussão. Está sendo considerada uma frota de pelo menos três submarinos, cada um com cerca de 8 mil toneladas, o que representa um compromisso importante que se estenderá muito além do atual governo.

Washington deu consentimento político à iniciativa da Coreia do Sul de desenvolver submarinos movidos por reatores que usam urânio enriquecido a menos de 20%. Os acordos práticos para obter esse combustível ainda não foram concluídos: as negociações bilaterais de segurança começaram em junho, mas uma segunda rodada, prevista para julho em Washington, não ocorreu.

As embarcações serão equipadas com armas convencionais. Propulsão nuclear descreve a fonte de energia que move um submarino e alimenta seus equipamentos; o plano da Coreia do Sul é usar um reator para essas funções e manter armamentos convencionais.

Por que o estudo de viabilidade habitual foi dispensado

O Ministério do Planejamento e Orçamento concedeu ao programa, em agosto, uma dispensa do estudo preliminar de viabilidade padrão. Esses estudos normalmente levam de um a dois anos e avaliam se uma grande aquisição deve prosseguir antes que o governo se comprometa com o desenvolvimento.

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As regras de aquisição permitem que o ministro da Defesa ou o diretor da DAPA solicite uma dispensa para projetos altamente sigilosos. O ministério recorreu a uma exceção de segurança nacional devido ao sigilo exigido pelo programa de submarinos. Ainda está prevista uma avaliação detalhada à parte.

Assim, a aprovação da DAPA acelera o trâmite administrativo para o início do desenvolvimento, mas ainda há muito trabalho pela frente em projeto, fornecimento de combustível e construção. O governo ainda precisará transformar uma estratégia de aquisição em um submarino que possa ser construído, testado e aceito pela Marinha.

A Marinha já começou a se preparar para esse trabalho. Em uma auditoria parlamentar realizada em 20 de outubro, informou que uma força-tarefa temporária para submarinos foi criada em 1º de maio, com 17 integrantes distribuídos em três equipes. Os preparativos, detalhados junto com o roteiro da Marinha para submarinos, abrangem construção, testes, implantação e as unidades necessárias para operar as embarcações.

Estaleiros nacionais disputarão o contrato

Hanwha Ocean e HD Hyundai Heavy Industries devem disputar o projeto do casco e a construção. As duas empresas já construíram submarinos para a Marinha sul-coreana, e a DAPA afirma que os estaleiros nacionais têm capacidade suficiente de projeto e construção para participar de uma concorrência.

A agência planeja preparar o plano básico de desenvolvimento do sistema e iniciar a licitação no primeiro semestre de 2027, com contrato formal previsto até o fim do ano. O cronograma exato da seleção está menos definido: o anúncio inicial prevê a escolha do fabricante no primeiro semestre, enquanto um cronograma de aquisição mais detalhado coloca a seleção da contratada no segundo semestre, após a licitação e a avaliação.

A empresa vencedora atuará como integradora do sistema, reunindo o casco, os equipamentos de propulsão, as armas e outros sistemas em um submarino funcional. O governo planeja desenvolver ou adquirir separadamente o reator modular pequeno e determinados sistemas de mísseis e, depois, fornecê-los ao estaleiro.

Essa divisão atribui ao governo responsabilidade direta por alguns dos equipamentos mais sensíveis. Também faz com que o cronograma de construção dependa de mais do que o estaleiro: o casco e os equipamentos fornecidos pelo governo precisam estar prontos para serem integrados no momento certo.

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Seul planeja construir o casco e o reator no país

Autoridades sul-coreanas definiram uma política de construção nacional, apesar de discussões anteriores sobre um possível local de construção nos Estados Unidos. Um alto funcionário do gabinete presidencial afirmou que o casco e o reator serão fabricados na Coreia do Sul, enquanto o combustível de urânio enriquecido virá dos Estados Unidos.

Wi Sung-lac, diretor do Escritório de Segurança Nacional, descreveu a posição do governo durante uma sessão da Assembleia Nacional:

Neste momento, não estamos considerando construí-los nos Estados Unidos. Estamos considerando construí-los nós mesmos.

O gabinete presidencial também afirmou que o submarino deve ser adaptado às necessidades operacionais da Coreia do Sul e ser diferente do projeto da classe Virginia dos Estados Unidos. Isso aponta para um esforço de desenvolvimento nacional, em vez da simples compra de um submarino americano existente.

O local de construção tornou-se uma questão pública depois que o presidente Donald Trump mencionou a Filadélfia, onde a Hanwha é dona de um estaleiro, ao anunciar a aprovação dos EUA em 2025. A estratégia de aquisição atual prevê que o projeto e a construção do casco sejam disputados por estaleiros sul-coreanos, enquanto o governo ficará responsável pelo reator.

Aprovação política e fornecimento de combustível seguem caminhos diferentes

A questão do combustível vincula o programa de submarinos a um conjunto mais amplo de negociações com Washington. A ficha conjunta divulgada após a reunião de cúpula de outubro de 2025 entre o presidente Lee Jae Myung e Trump comprometeu os Estados Unidos a trabalhar com a Coreia do Sul no projeto, incluindo acordos para obtenção de combustível.

As negociações em nível de vice-ministros realizadas em Seul em junho trataram da construção dos submarinos, do enriquecimento de urânio e do reprocessamento de combustível nuclear usado. O enriquecimento aumenta a proporção de urânio-235, a forma do urânio que sustenta a reação em cadeia de um reator. O reprocessamento separa materiais do combustível depois que ele é usado.

A Coreia do Sul planeja usar urânio pouco enriquecido de alto teor, enriquecido a menos de 20%. O reator e o fornecimento de combustível precisam ser planejados em conjunto, o que torna essencial para o desenvolvimento do submarino contar com uma via legal e comercial confiável para obter esse combustível.

Um funcionário do Ministério da Defesa afirmou que o atual acordo de cooperação nuclear entre Coreia do Sul e Estados Unidos diz respeito a usos civis e talvez não precise ser revisado para o projeto do submarino. Outra opção em análise é um acordo separado, com abordagem semelhante à dos entendimentos da Austrália no âmbito do AUKUS.

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O gabinete presidencial tratou o enriquecimento e o reprocessamento de combustível usado como questões separadas do próprio submarino. Durante a preparação da ficha conjunta, também afirmou que Washington precisava consultar órgãos além da Casa Branca e do Departamento de Estado, o que atrasou a divulgação do documento.

Não foi definida uma data para a segunda rodada de negociações, que foi adiada. Um funcionário da DAPA afirmou que iniciar o projeto antes da conclusão das negociações exigiria uma decisão política e de governo. Para Seul, o desafio imediato é coordenar o cronograma nacional de aquisição com um acordo internacional sobre combustível.

Um longo caminho entre a aprovação e a entrada em operação

A meta de lançamento em meados da década de 2030 indica o momento em que o primeiro submarino será colocado na água. A entrada em operação ocorrerá depois, após testes, avaliação e aceitação pela Marinha. A descrição inicial da DAPA prevê a implantação após o fim da década de 2030, enquanto o cronograma de desenvolvimento mais detalhado estabelece como meta a entrada em operação no fim da década de 2030.

Um funcionário da DAPA usou o submarino de projeto nacional já existente na Coreia do Sul para ilustrar o tempo necessário:

O Dosan Ahn Chang-ho, já em operação, levou cerca de quatro anos para ser projetado e cinco anos para ser construído.

O funcionário espera que um submarino movido por reator leve um pouco mais de tempo. A embarcação proposta, de 8 mil toneladas, também teria cerca de 2,7 vezes a tonelagem divulgada do Dosan Ahn Chang-ho, de 3 mil toneladas. Essa comparação mostra a dimensão da embarcação considerada, juntamente com a nova tecnologia de propulsão.

Os principais marcos se estendem por mais de uma década:

  • Outubro de 2025: A cúpula entre Coreia do Sul e Estados Unidos abre caminho político para a cooperação em propulsão nuclear.
  • Maio de 2026: Seul apresenta o roteiro do Jang Bogo N.
  • Junho de 2026: Começam em Seul as negociações bilaterais de segurança.
  • Agosto de 2026: O governo concede a dispensa do estudo de viabilidade.
  • 6 de novembro de 2026: O comitê de aquisição aprova a estratégia básica.
  • 2027: Estão previstos o início formal do desenvolvimento, a licitação competitiva e um contrato de construção.
  • Meados da década de 2030: Meta de lançamento do primeiro submarino.
  • Fim da década de 2030 ou depois: Entrada em operação prevista após testes e avaliação.

O que os submarinos mudariam debaixo d'água

Segundo a DAPA, o Jang Bogo N reforçaria a dissuasão contra as ameaças nucleares e de mísseis da Coreia do Norte e ampliaria as capacidades submarinas no âmbito do sistema Kill Chain da Coreia do Sul. Kill Chain é a parte da arquitetura de defesa de três pilares do país destinada a detectar preparativos para um ataque e atingir alvos ameaçadores antes do lançamento de armas.

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Um reator permitiria à Marinha permanecer submersa por períodos mais longos e ter maior liberdade de movimento do que com os atuais submarinos diesel-elétricos. Embarcações convencionais precisam administrar a energia elétrica armazenada e reabastecê-la periodicamente; a propulsão nuclear pode continuar fornecendo energia sem captar ar da superfície para esse fim.

Operações submersas mais longas apoiariam missões de vigilância, rastreamento e ataque. Essas são as capacidades concretas que a DAPA associa a uma dissuasão mais forte: submarinos capazes de permanecer em missão debaixo d'água por mais tempo e operar a distâncias maiores.

A auditoria parlamentar de outubro da Marinha também revelou divergências sobre prioridades. Parlamentares questionaram se o governo havia definido suficientemente as missões dos submarinos e se outras embarcações poderiam cumpri-las a um custo menor. A decisão de aquisição de novembro dá andamento ao programa, enquanto essas escolhas de gastos continuam fazendo parte do debate político.

Mísseis de maior alcance e outros programas navais também avançam

O comitê aprovou o desenvolvimento do míssil tático terra-terra coreano-I Bloco II, destinado a combater a artilharia norte-coreana que ameaça a região metropolitana de Seul. A versão existente, Bloco I, é conhecida como Ure, e a nova versão deve ampliar o alcance em 30%.

Em uma comparação simples, um alvo a 100 unidades de distância dentro do alcance atual passaria a estar a 130 unidades com o aumento proposto. A DAPA não informou o alcance absoluto no anúncio. O programa está previsto para o período de 2028 a 2035, com custo estimado em 537 bilhões de won, cerca de US$ 395 milhões.

O comitê também aprovou um plano revisado para a produção em larga escala do sistema tático de rádio multibanda e multifunção, conhecido como TMMR, para melhorar as comunicações militares. Também foram aprovados a substituição de embarcações de patrulha portuária e um programa de modernização que inclui um veículo de superfície não tripulado para remoção de minas.

O programa de embarcações de patrulha portuária-II está avaliado em 611 bilhões de won, enquanto o programa de veículo de superfície não tripulado para guerra de minas está avaliado em 591 bilhões de won. Em conjunto, as decisões abrangem patrulha costeira, remoção de minas perigosas, comunicações e ataques contra artilharia, além do esforço muito mais longo de desenvolvimento dos submarinos.

Helicópteros presidenciais serão substituídos a partir de 2031

O S-92A+ da Sikorsky, também chamado S-92A Plus, foi escolhido para substituir os antigos helicópteros presidenciais. A Sikorsky é subsidiária da Lockheed Martin, e a Lockheed Martin foi a única concorrente.

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O programa de substituição está avaliado em 873 bilhões de won, e os novos helicópteros devem começar a substituir a frota atual a partir de 2031. A aeronave atendeu aos padrões de desempenho exigidos e deve oferecer maior alcance do que o modelo existente.

A aquisição dos helicópteros já tem aeronave, fornecedor e valor definidos. O Jang Bogo N está em uma etapa anterior de desenvolvimento: ainda falta um contrato de construção competitivo, e os acordos sobre o combustível do reator aguardam conclusão. As duas aprovações criam compromissos de gastos futuros, mas seus caminhos até a entrega são diferentes.

Principais pontos

  • A Coreia do Sul aprovou a estratégia de aquisição do Jang Bogo N em 6 de novembro de 2026, com início formal do programa previsto para 2027.
  • Uma dispensa por motivos de segurança nacional elimina o estudo de viabilidade habitual, mas ainda está prevista uma avaliação detalhada à parte.
  • Estaleiros nacionais disputarão a construção, enquanto o governo fornecerá separadamente o reator e determinadas armas.
  • As negociações com os Estados Unidos sobre o combustível estão paralisadas desde junho, e a reunião de acompanhamento prevista para julho não ocorreu.
  • O lançamento do primeiro submarino está previsto para meados da década de 2030, seguido pela entrada em operação no fim da década de 2030 ou depois.
  • O orçamento estimado de 28,9 trilhões de won para o programa de submarinos ainda não foi finalizado.
  • O comitê também aprovou melhorias em mísseis, equipamentos de comunicação, embarcações de patrulha, operações de remoção de minas e a substituição dos helicópteros presidenciais.
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