Dois grandes projetos navais têm um longo caminho até entrarem em serviço
A Coreia do Sul pretende lançar seu primeiro submarino nuclear em meados da década de 2030 e colocar em serviço um porta-aviões capaz de operar drones, helicópteros e embarcações de desembarque no início da década de 2040, delineando uma expansão naval que se estenderia muito além do mandato do atual governo.
Conteúdo
- Dois grandes projetos navais têm um longo caminho até entrarem em serviço
- O que envolve o plano de submarinos nucleares
- Um porta-aviões maior, com outra combinação de equipamentos
- Por que a Marinha quer ampliar seu alcance no mar
- Parlamentar questiona a finalidade do submarino
- Combustível, segurança e manutenção determinam a frota real
- Destróieres e defesas antimísseis cobrem os anos intermediários
- Mudanças nas aquisições vão além da Marinha
- Fuzileiros navais querem seu próprio comando operacional
- As datas que vão definir o progresso
- Principais pontos
A Marinha apresentou os planos em uma auditoria parlamentar de defesa realizada em 20 de outubro de 2026, no quartel-general militar de Gyeryongdae. Sua força-tarefa temporária para submarinos, criada em 1º de maio, conta com 17 integrantes divididos em três equipes, sob o comando de um oficial-general. O grupo está se preparando para a construção, os testes, o emprego e a criação de unidades para operar as embarcações.
No âmbito do programa Jangbogo-N, liderado pelo governo, o primeiro submarino nuclear deve entrar em serviço operacional no fim da década de 2030. Autoridades militares estariam considerando três embarcações de aproximadamente 8 mil toneladas cada, enquanto um documento de aquisição descreve a meta de construir pelo menos três. As especificações detalhadas e o custo total do programa não foram divulgados publicamente.
A proposta do porta-aviões está em outro estágio de decisão. Em outubro de 2025, a Marinha apresentou ao Estado-Maior Conjunto um requisito militar revisado, substituindo seu conceito anterior de porta-aviões leve. A decisão sobre o requisito revisado é esperada até o fim de 2026.
O almirante Kim Kyung-ryul, chefe de Operações Navais da Coreia do Sul, apresentou a expansão como parte de um esforço mais amplo que envolve inteligência artificial, robótica e tecnologia naval avançada. Ele descreveu o propósito de forças navais mais robustas:
Uma força naval poderosa é a base da segurança marítima e uma capacidade essencial para sustentar nossa soberania marítima, paz e prosperidade,
A auditoria também revelou uma divergência central: se o governo definiu suficientemente quais seriam as funções dos submarinos nucleares e se outras embarcações poderiam cumprir essas missões a um custo menor.
O que envolve o plano de submarinos nucleares
A Administração do Programa de Aquisição de Defesa, conhecida como DAPA, afirma que desenvolverá um sistema de propulsão nuclear e preparará um projeto básico para a construção dos submarinos. O programa vem na esteira de um acordo bilateral firmado em uma cúpula com os Estados Unidos em outubro de 2025.
Propulsão nuclear significa que um reator fornece a energia que movimenta um submarino. O termo nuclear descreve sua fonte de energia; as armas transportadas são uma escolha de projeto à parte. Um reator pode permitir longos períodos submerso, pois a geração de energia para a propulsão não exige captar ar acima da superfície.
A Coreia do Sul planeja usar urânio enriquecido a menos de 20% em urânio-235. Enriquecimento é a proporção do isótopo de urânio capaz de sustentar a reação em cadeia do reator. Essa escolha de combustível torna o projeto do reator, o fornecimento confiável e os procedimentos de manuseio de material nuclear elementos centrais do projeto.
A força-tarefa da Marinha está preparando atividades para todas as etapas de desenvolvimento do submarino, do projeto e da construção aos testes e ao emprego operacional. Também foram criadas organizações específicas no Ministério da Defesa, na DAPA e em empresas de construção naval.
As datas de lançamento e de entrada em serviço representam etapas diferentes. O lançamento coloca na água um casco concluído. O serviço operacional vem depois dos testes, da avaliação, da preparação da tripulação e da aceitação pela Marinha. Portanto, o intervalo previsto entre meados e o fim da década de 2030 inclui as atividades necessárias para transformar um submarino recém-construído em uma unidade militar pronta para emprego.
Um porta-aviões maior, com outra combinação de equipamentos
O porta-aviões proposto, que operaria aeronaves tripuladas e não tripuladas em conjunto, teria aproximadamente 270 metros de comprimento e 70 metros de largura, com deslocamento leve superior a 30 mil toneladas. Deslocamento leve é o peso do navio sem sua carga operacional completa de combustível, provisões e outros suprimentos.
O conceito anterior tinha cerca de 250 metros de comprimento por 40 metros de largura. A proposta revisada acrescenta 20 metros ao comprimento e 30 metros à largura, tornando a largura planejada 75% maior. A Marinha também pretende usar um convés de voo em ângulo para melhorar as operações com aeronaves.
O porta-aviões acomodaria mais de 20 sistemas não tripulados e, no total, mais de 20 aeronaves tripuladas e embarcações de desembarque. Esse segundo número inclui helicópteros e embarcações, e não representa uma frota com mais de 20 aeronaves de combate tripuladas.
Os equipamentos não tripulados previstos incluem aeronaves de combate marítimo, drones de vigilância e drones projetados para atingir alvos colidindo contra eles. Embarcações de superfície não tripuladas apoiariam ataques em enxame e operações de guerra contra minas. Entre os equipamentos tripulados estariam helicópteros para transportar tropas e realizar ataques, além de embarcações rápidas de desembarque.
O navio seria muito maior que o Dokdo, da Marinha, que tem 199 metros de comprimento e é descrito como pertencente à classe de 14 mil toneladas. O porta-aviões proposto teria 71 metros a mais de comprimento e deslocamento declarado superior ao dobro desse valor.
Anteriormente, a Marinha pretendia colocar um porta-aviões em serviço no fim da década de 2030. A meta revisada adia a entrada em serviço para o início da década de 2040 e muda o foco do navio, que deixa de priorizar aeronaves de combate tripuladas para adotar uma combinação mais ampla de equipamentos tripulados e não tripulados.
Por que a Marinha quer ampliar seu alcance no mar
A Marinha afirma que a Coreia do Norte está ampliando o papel marítimo de suas forças nucleares e de mísseis, com submarinos capazes de transportar mísseis balísticos lançados de submarinos e novos destróieres. A Coreia do Sul quer reforçar sua capacidade de monitorar possíveis áreas de lançamento e atacar pontos de lançamento no mar.
O porta-aviões pretende ampliar a cobertura de vigilância e o alcance das operações das forças navais. Drones poderiam levar sensores para além do próprio navio, enquanto diferentes aeronaves e embarcações de superfície dariam aos comandantes várias opções para coletar informações ou atacar um alvo.
Operações anfíbias e assistência humanitária também fazem parte das missões propostas. Helicópteros e embarcações de desembarque poderiam transportar pessoas e suprimentos entre o navio e a costa, permitindo que a embarcação desempenhe funções além da vigilância e do combate.
As propostas de submarino e porta-aviões atendem, portanto, a necessidades operacionais distintas. O programa de submarinos diz respeito à atuação prolongada sob o mar. O porta-aviões funcionaria como uma base móvel para aeronaves, drones e embarcações que operariam acima da superfície e em seu entorno.
Parlamentar questiona a finalidade do submarino
Han Ki-ho, parlamentar do Partido do Poder Popular, questionou o programa de submarinos nucleares durante a auditoria de 20 de outubro. Ele argumentou que a finalidade militar e o conceito operacional do projeto precisam ser examinados com mais rigor antes de o país assumir um compromisso de aquisição tão grande.
Han afirmou que nem a Marinha nem o Estado-Maior Conjunto apresentaram inicialmente a necessidade com base em uma avaliação militar adequada e que não foi tomada uma decisão racional sobre os requisitos. Sua crítica diz respeito ao processo usado para determinar quais capacidades as Forças Armadas precisam e por quê.
Han também apontou os submarinos convencionais como alternativa. Ele disse ter ouvido que melhorias contínuas em submarinos movidos a baterias poderiam permitir embarcações de até 6 mil toneladas e defendeu que suas possíveis vantagens sejam examinadas junto com a propulsão nuclear.
Separadamente, a Marinha propôs o programa de submarinos convencionais KSS-IV para se preparar para o envelhecimento de sua frota Jangbogo-II, ou KSS-II. Assim, a Coreia do Sul está definindo uma necessidade futura de submarinos convencionais enquanto prepara seu projeto de submarinos nucleares.
Han também questionou se os submarinos nucleares atenderiam principalmente às próprias necessidades militares da Coreia do Sul ou serviriam a uma estratégia de contenção da China. Ele citou a política de forças nucleares da Coreia do Norte de 2022 para argumentar que o país precisa se preparar para um possível uso nuclear antes das etapas finais de uma guerra, ao mesmo tempo que cobrou uma justificativa operacional específica para o investimento nos submarinos.
Combustível, segurança e manutenção determinam a frota real
Lee Ki-sik, ex-comandante do Comando de Operações Navais da Coreia do Sul, argumenta que o tamanho da frota deve ser definido pelas missões que os submarinos terão de cumprir. Seu cálculo leva em conta a frequência de emprego, a duração das missões e o tempo que as embarcações passam em manutenção e treinamento.
Ter três submarinos na lista da frota não significa que os três estarão constantemente disponíveis para operações. A manutenção e a preparação das tripulações retiram embarcações da força pronta para emprego. O argumento de Lee coloca a disponibilidade operacional, e não apenas o número de cascos, no centro da decisão sobre o tamanho do programa.
Lee também defende que acordos e contratos definam o fornecimento de combustível a longo prazo, o apoio à manutenção, o acesso ao conhecimento técnico necessário e as responsabilidades de cada país caso o fornecimento ou o apoio sejam interrompidos. Ele argumenta que o pessoal precisa conhecer suficientemente os requisitos de manuseio do combustível para incorporá-los ao projeto, à operação e aos reparos.
Segundo Lee, a Coreia do Sul comunicou à Agência Internacional de Energia Atômica sua intenção de discutir um acordo separado e apresentou informações relacionadas. Esses acordos dizem respeito à gestão de material nuclear, ao mesmo tempo que protegem informações militares.
Lee defende a criação de um órgão regulador independente, capaz de analisar e inspecionar os reatores, o manuseio do combustível e a segurança radiológica. Seu planejamento financeiro abrange desde a construção até a operação, o treinamento e a manutenção, além da gestão de combustível e resíduos, e termina com o desmantelamento das embarcações.
Uma pesquisa do Korea Economic Institute of America citada por Lee mostra que os americanos têm opiniões distintas sobre os dois temas nucleares. Entre os 1.207 adultos americanos entrevistados, 58% apoiavam o desenvolvimento de submarinos nucleares pela Coreia do Sul, enquanto 71% se opunham ao desenvolvimento de armas nucleares pelo país. As perguntas tratavam de políticas diferentes, cada uma com sua própria resposta do público.
Destróieres e defesas antimísseis cobrem os anos intermediários
Entre as prioridades mais próximas da Marinha estão as embarcações do programa Korean Destroyer Next Generation, conhecido como KDDX, e o Maritime Information Ship-III, com construção prevista para o início e meados da década de 2030. A Marinha também busca mísseis balísticos lançados de navios para atacar alvos terrestres, drones de ataque marítimo de longo alcance e mísseis interceptadores SM-3 e SM-6.
A partir do fim da década de 2030, a Marinha planeja novos destróieres baseados no KDDX, à medida que envelhecem as embarcações das classes Chungmugong Yi Sun-sin e Sejong the Great. Interceptadores navais de mísseis desenvolvidos no país devem reforçar sua capacidade de defesa antimísseis.
Esses planos combinam substituição e expansão. Alguns navios ocupariam o lugar de embarcações envelhecidas, enquanto novos mísseis, sensores e sistemas não tripulados acrescentariam meios para detectar ameaças, atacá-las ou interceptar armas em aproximação.
A DAPA também busca acelerar o programa de destróieres Aegis Gwanggaeto-III Batch-II. A terceira embarcação, ROKS Daeho Kim Jong Seo, foi lançada e deve ser entregue à Marinha em dezembro de 2027.
Mudanças nas aquisições vão além da Marinha
A agenda mais ampla de aquisições da DAPA inclui embarcações de superfície de combate não tripuladas, pequenos drones de ataque, armas a laser de defesa antiaérea e sistemas integrados para combater drones perto das áreas de fronteira na linha de frente. A agência também planeja investir em chips de inteligência artificial para mísseis guiados, robótica e motores avançados para caças.
Interceptadores de artilharia de longo alcance, projetados para fazer frente a ataques simultâneos contra a região metropolitana de Seul e seus arredores, devem passar por testes e avaliação operacionais. Eles integram o sistema Korea Air and Missile Defense, junto com outras defesas contra ataques norte-coreanos.
A primeira aeronave da compra adicional de 20 caças F-35A deve ser entregue no segundo semestre de 2027. Projetos militares de reconhecimento e comunicação, incluindo pequenos satélites de vigilância e o programa de satélites 425-II, também fazem parte dos planos da DAPA.
O governo vincula essas aquisições ao esforço para assumir de Washington o controle operacional em tempos de guerra antes do fim do mandato do presidente Lee Jae Myung, em 2030. Controle operacional diz respeito à autoridade para comandar forças designadas durante operações militares. As metas de entrada em serviço do submarino e do porta-aviões ultrapassam esse prazo.
Fuzileiros navais querem seu próprio comando operacional
O Corpo de Fuzileiros Navais planeja criar um Comando de Operações dos Fuzileiros Navais até 2028, como parte de uma iniciativa para ampliar sua independência operacional em relação ao Exército e à Marinha. A reestruturação está ligada à promessa de campanha de Lee de dar aos fuzileiros navais uma posição institucional mais forte.
Segundo a proposta, o quartel-general do Corpo de Fuzileiros Navais seria transferido de Hwaseong para Gyeryongdae, onde ficam os quartéis-generais do Exército, da Marinha e da Força Aérea. O prédio atual do quartel-general passaria então a abrigar o novo comando operacional.
Os fuzileiros navais pretendem assumir do Exército o controle operacional da 1ª Divisão até o fim de 2026 e, em seguida, o da 2ª Divisão até 2028. Entre as prioridades de equipamento estão veículos de assalto anfíbio de nova geração, helicópteros de ataque, embarcações rápidas de combate, tanques K2 e drones para as ilhas do noroeste.
As mudanças no comando e as aquisições de equipamentos se relacionam à função anfíbia proposta para o porta-aviões. Levar tropas à costa exige coordenação entre navios, helicópteros, embarcações de desembarque e as formações que conduzem operações em terra.
As datas que vão definir o progresso
A próxima etapa formal do porta-aviões é a decisão esperada do Estado-Maior Conjunto sobre o requisito revisado até o fim de 2026. No programa de submarinos, o projeto, os acordos de combustível, os preparativos de segurança e os testes terão de caber em um cronograma que se estende pela década seguinte.
As principais datas anunciadas para os planos navais e de aquisição mais amplos são:
- Outubro de 2025: Um acordo em cúpula com os Estados Unidos antecedeu o impulso ao programa de submarinos; naquele mês, a Marinha também apresentou o requisito revisado para o porta-aviões.
- 1º de maio de 2026: A Marinha criou sua força-tarefa temporária para submarinos nucleares.
- Fim de 2026: É esperada uma decisão sobre o requisito revisado do porta-aviões, e os fuzileiros navais têm como meta assumir o controle operacional da 1ª Divisão.
- Segundo semestre de 2027: Está prevista a entrega do primeiro de 20 caças F-35A adicionais.
- Dezembro de 2027: Está prevista a entrega do ROKS Daeho Kim Jong Seo.
- 2028: Os fuzileiros navais pretendem criar seu comando operacional e assumir o controle operacional da 2ª Divisão.
- De meados ao fim da década de 2030: A meta é lançar o primeiro submarino nuclear em meados da década, seguido de sua entrada em serviço operacional no fim da década.
- Início da década de 2040: A meta é colocar o porta-aviões revisado em serviço.
O escrutínio parlamentar acompanhará tanto a finalidade militar dos maiores projetos quanto os recursos necessários para operá-los por décadas. O trabalho imediato da Marinha é transformar a frota proposta em requisitos aprovados, projetos viáveis, unidades treinadas e planos de aquisição financiados.
Principais pontos
- A Coreia do Sul pretende lançar seu primeiro submarino nuclear em meados da década de 2030 e colocá-lo em serviço operacional no fim da década.
- O porta-aviões proposto teria mais de 30 mil toneladas e transportaria mais de 20 sistemas não tripulados, além de mais de 20 aeronaves tripuladas e embarcações de desembarque no total.
- O Estado-Maior Conjunto deve decidir sobre o requisito revisado do porta-aviões até o fim de 2026.
- Parlamentares questionaram a justificativa militar do programa de submarinos e pediram uma comparação com alternativas convencionais.
- O fornecimento de combustível, a segurança nuclear, a manutenção, o pessoal e o eventual desmantelamento são questões centrais do planejamento.
- Aquisições de destróieres, defesas antimísseis e a criação de um Comando de Operações dos Fuzileiros Navais fazem parte das mudanças militares mais amplas.






