Debate sobre assistência social chega à Presidência
O número de domicílios multiculturais na Coreia do Sul passou de 299.241, em 2015, para 451.492, em 2025, um aumento de 50,9%. Agora, o presidente Lee Jae-myung questiona se os benefícios criados para ajudar essas famílias a se estabelecer devem continuar dando prioridade a elas independentemente de sua situação financeira.
Conteúdo
- Debate sobre assistência social chega à Presidência
- Por que a Coreia do Sul criou os programas de apoio
- Prioridade em creches traz o debate para a vida cotidiana
- Apoio habitacional inclui vagas e empréstimos mais baratos
- Assistência educacional segue regras diferentes
- Governos locais tentam manter as famílias na região
- Renda e localização dos domicílios mudaram
- Indignação nas redes mistura preocupações reais com alegações generalizadas
- Proposta de passar da fixação à integração
- Principais pontos
Lee levantou a questão em 28 de outubro de 2026 e voltou a abordá-la em publicações nas redes sociais nos dias 29 e 30. Seus comentários intensificaram o debate sobre o acesso a creches, cuidados após o parto, moradia e educação, especialmente quando outras famílias disputam as mesmas vagas limitadas.
Lee, presidente da Coreia do Sul, escreveu que a assistência deve permanecer dentro de seu propósito original:
Algumas políticas não devem se afastar de seu propósito original e se transformar em tratamento preferencial excessivo ou discriminação reversa contra famílias coreanas.
Ele também apontou as diferentes situações financeiras dentro desse grupo:
Há muitas famílias multiculturais que não passam por dificuldades financeiras.
A controvérsia diz respeito a como a Coreia do Sul distribui assistência entre cerca de 1,255 milhão de pessoas que vivem em domicílios multiculturais. Alguns benefícios dependem da condição familiar, enquanto outros já exigem que os candidatos atendam a limites de renda ou a condições adicionais. Assim, uma família pode se qualificar para um programa e não ser elegível para outro.
Os comentários de Lee motivaram discussões sobre alterar ou encerrar as prioridades, mas ainda não foram anunciados um pacote definitivo de reformas, uma data de implementação ou um cronograma legislativo. Para pais que buscam vagas em creches ou estudantes que se preparam para se candidatar à universidade, a questão imediata é quais regras atuais poderão mudar.
Por que a Coreia do Sul criou os programas de apoio
A Coreia do Sul começou a ampliar o apoio em 2006, com o aumento dos casamentos internacionais, especialmente em comunidades rurais. Mulheres estrangeiras que chegavam ao país pelo casamento enfrentavam dificuldades como pobreza, discriminação e problemas de adaptação à vida em um novo país.
Na época, cerca de 90 mil mulheres estrangeiras e outras pessoas que haviam se mudado para o país por meio de casamentos internacionais faziam parte da população atendida. Em 2006, o governo introduziu medidas de integração social para mulheres imigrantes por casamento e suas famílias. Em 2008, o Parlamento aprovou a Lei de Apoio às Famílias Multiculturais, que estabeleceu uma base legal para a assistência.
O apoio educacional e à infância foi posteriormente complementado por assistência financeira e taxas de juros preferenciais em empréstimos. Governos municipais também criaram seus próprios programas, especialmente em lugares que tentam reter moradores diante do declínio populacional.
Os principais acontecimentos abrangem duas décadas:
- 2006: O governo iniciou uma grande ampliação do apoio a imigrantes por casamento e suas famílias.
- 2008: O Parlamento aprovou a Lei de Apoio às Famílias Multiculturais.
- 2015: O número de domicílios multiculturais chegou a 299.241.
- 2024: Andong começou a oferecer a famílias elegíveis apoio para passagens aéreas para visitar seus países de origem, no valor de até 4 milhões de won.
- 2025: O número de domicílios multiculturais chegou a 451.492, com cerca de 1,255 milhão de moradores.
- De 28 a 30 de outubro de 2026: Lee questionou repetidamente as políticas de preferência e pediu equidade para os demais domicílios.
Prioridade em creches traz o debate para a vida cotidiana
O acesso a creches é uma questão sensível no debate porque uma vaga pode determinar se um dos pais conseguirá trabalhar. Famílias multiculturais têm prioridade nas categorias de admissão de creches públicas e privadas. Famílias com crianças de até 12 anos também podem ter prioridade na designação de profissionais de cuidado, além de acesso preferencial a centros comunitários infantis e apoio pedagógico no contraturno escolar.
A prioridade afeta a posição da família na fila quando a demanda supera o número de vagas disponíveis. Pais que não pertencem às categorias prioritárias expressaram frustração por disputar serviços difíceis de conseguir.
As unidades que oferecem cuidados após o parto adotam diferentes modalidades. Algumas colocam mães de famílias multiculturais em uma segunda categoria de prioridade nos sorteios de vagas, a mesma usada para pessoas reconhecidas por serviços prestados à nação. Unidades públicas em Yeoju, Pocheon e Siheung realizam sorteios separados para grupos elegíveis a descontos nas tarifas, entre eles as famílias multiculturais.
A comparação com pessoas reconhecidas por serviços prestados à nação aumentou as críticas à política. A preocupação prática é o acesso a um serviço específico: qual mãe consegue uma vaga quando várias famílias precisam de cuidados ao mesmo tempo.
Apoio habitacional inclui vagas e empréstimos mais baratos
Os programas habitacionais são outro exemplo de como a condição familiar pode afetar o acesso. Há reservas especiais de unidades habitacionais nacionais para famílias multiculturais elegíveis que não possuem imóvel e vivem juntas como cônjuges há pelo menos três anos.
Em Pyeongtaek, o empreendimento residencial Hillstate Godeok Elist reservou sete unidades para famílias multiculturais residentes na província de Gyeonggi. Em Suwon, o Gwanggyo Jayeon & Centreville planejou três unidades desse tipo para o lançamento das vendas em novembro de 2026. São oportunidades específicas para se candidatar à moradia, sujeitas a critérios de elegibilidade.
Algumas linhas de crédito habitacional do governo para compra de imóveis e depósitos de jeonse oferecem às famílias multiculturais uma redução anual de 0,2 ponto percentual na taxa de juros. Jeonse é uma modalidade de aluguel em que o inquilino paga um depósito elevado em vez de um aluguel mensal convencional. Bancos comerciais também oferecem linhas de crédito com condições preferenciais.
Uma redução de 0,2 ponto percentual significa, por exemplo, que uma taxa de 4% passa a 3,8%. Sobre um saldo devedor constante de 100 milhões de won, a diferença seria de cerca de 200 mil won em juros ao longo de um ano. A economia efetiva depende do saldo, dos pagamentos e das condições do empréstimo.
Um funcionário de 30 anos de uma grande empresa, identificado apenas pelo sobrenome Kim, trouxe a questão da equidade para o centro do debate. Ele tinha 400 milhões de won em dinheiro e buscava um empréstimo para comprar um apartamento com sua companheira chinesa. Depois de saber do desconto nos juros, o casal oficializou o casamento antes do previsto. A experiência ajuda a entender por que críticos querem que a situação financeira tenha mais peso nos critérios de elegibilidade.
Assistência educacional segue regras diferentes
A Universidade da Coreia criou uma modalidade de admissão para famílias multiculturais, com 20 vagas, incluindo uma em medicina, quatro em administração e três em engenharia elétrica e eletrônica. Os candidatos por essa modalidade não precisam atingir uma pontuação mínima no exame nacional de admissão à universidade.
A Universidade Nacional de Educação de Cheongju também oferece uma modalidade especial de admissão para famílias multiculturais sem exigência de pontuação mínima nesse exame. Essas regras geraram objeções de estudantes e pais preocupados com a equidade no acesso às universidades.
A ajuda financeira para atividades escolares já está sujeita a um critério de renda. Um domicílio multicultural de quatro pessoas com renda mensal de até 6,495 milhões de won pode se qualificar para receber assistência anual de 400 mil a 600 mil won para atividades educacionais. O dinheiro pode ser usado em despesas como materiais de aprendizagem, salas de estudo e custos com educação.
As modalidades de admissão universitária e os pagamentos para atividades educacionais, portanto, atendem a necessidades diferentes por meio de regras distintas. Uma trata do acesso a uma instituição concorrida; a outra ajuda famílias elegíveis a custear a aprendizagem dos filhos. Qualquer revisão precisaria decidir separadamente como cada programa deve funcionar.
Governos locais tentam manter as famílias na região
Desde 2024, Andong oferece a famílias multiculturais elegíveis ajuda para passagens aéreas a fim de visitarem seus países de origem, no valor de até 4 milhões de won. O condado de Boeun e Samcheok concedem assistência de até 3 milhões de won. Em programas municipais selecionados, incluindo os de Gimje e Sinan, o apoio para passagens varia de cerca de 2 milhões a 5 milhões de won.
Esses programas locais selecionam beneficiários, em vez de oferecer um pagamento idêntico a todos os domicílios multiculturais. O alcance e as condições variam de um município para outro.
Busan também seleciona cinco estudantes do ensino médio de famílias multiculturais para receber bolsas de 4 milhões de won cada. Outras formas de assistência local incluem ajuda prática após o parto, como dar banho em recém-nascidos, apoiar a alimentação da mãe e lavar roupas. Um programa descrito em Gwangju oferece até 70 horas de ajuda gratuita, em visitas diárias de cinco horas e meia.
Municípios que enfrentam declínio populacional têm um motivo para apoiar as famílias além de aliviar a pobreza imediata: querem que os moradores permaneçam. O debate nacional sobre equidade entre domicílios, portanto, se cruza com a preocupação local de manter as comunidades. Mesmo uma mudança nas regras nacionais de elegibilidade ainda exigiria que as autoridades analisassem os objetivos e as condições de cada programa municipal.
Renda e localização dos domicílios mudaram
A pesquisa nacional sobre famílias multiculturais do Ministério da Igualdade de Gênero e da Família indica que 65,8% desses domicílios têm renda mensal de pelo menos 3 milhões de won. Outros 22,8% relataram renda mensal de pelo menos 5 milhões de won.
Em 2018, 58,2% ganhavam menos de 3 milhões de won por mês, o que significa que 41,8% estavam nesse patamar ou acima dele. Em comparação com o número posterior de 65,8%, a parcela que atingiu esse nível de renda subiu 24 pontos percentuais. Os valores em won correspondem à época de cada pesquisa; a alta dos preços também afeta o poder de compra desse dinheiro.
Os dados nacionais de renda oferecem outra referência. Os domicílios no quinto mais baixo da distribuição de renda tinham renda média mensal de 1,29 milhão de won, enquanto os do segundo quinto tinham média de 2,98 milhões. Um quinto, também chamado de quintil, é um dos cinco grupos de mesmo tamanho ordenados por renda.
Os números dos domicílios multiculturais mostram uma ampla variedade de situações financeiras. Além das famílias que ganham pelo menos 5 milhões de won, 34,2% ganham menos de 3 milhões. O tamanho do domicílio, os gastos com moradia e as responsabilidades de cuidado também influenciam o alcance de uma determinada renda.
A localização das famílias também mudou. Embora o esforço inicial de apoio tivesse forte foco na fixação de moradores em áreas rurais, atualmente 56,3% das famílias multiculturais vivem na região metropolitana de Seul. A maioria, portanto, enfrenta os mercados metropolitanos de moradia e creches, e não as condições rurais que ajudaram a moldar a política em 2006.
Indignação nas redes mistura preocupações reais com alegações generalizadas
Uma tabela publicada na internet, que listava 22 supostos benefícios sociais, circulou no Instagram e em outras plataformas à medida que o debate se intensificava. Ela reunia alegações sobre formas de assistência que iam de despesas com casamento a contas de celular, dando a impressão de que uma família multicultural poderia receber o pacote inteiro.
Os critérios de elegibilidade variam conforme o programa. A assistência para atividades educacionais tem um limite de renda, as reservas habitacionais têm condições próprias e os programas municipais de passagens selecionam os beneficiários. Algumas prioridades de atendimento não dependem de um teste de renda, e é aí que se concentra boa parte do debate sobre beneficiários mais ricos.
As discussões online também se concentraram em um ator não identificado que se casou com uma mulher estrangeira em 2023. Usuários questionaram se um domicílio de celebridade rica deveria se qualificar para receber assistência. Não foi informado se essa família havia solicitado ou recebido algum benefício específico.
Pais compartilharam reclamações mais imediatas sobre a disputa por vagas em creches. Um responsável anônimo disse que três das seis crianças de uma turma de creche para crianças de 1 ano eram de famílias multiculturais. Publicações como essa ajudam a explicar a intensidade do debate, enquanto os números nacionais descrevem a população muito mais ampla que seria afetada por uma revisão da política.
Proposta de passar da fixação à integração
Kim Hak-joo, professor de assistência social na Universidade Dongguk, argumenta que o objetivo do apoio deve mudar à medida que as famílias se estabelecem. Ele defendeu uma transição da ajuda para que recém-chegados se fixem para o apoio à convivência das famílias na comunidade mais ampla:
É hora de mudar o objetivo do sistema de apoio às famílias multiculturais de 'apoio à fixação' para 'integração', promovendo a convivência com os moradores locais.
Kim também pediu uma análise mais cuidadosa da situação dos domicílios na distribuição de recursos limitados:
Como os empregos e os benefícios sociais são limitados, é necessário examinar detalhadamente as condições de vida das famílias multiculturais, incluindo a renda, e identificar quem realmente precisa de apoio.
Pessoas com experiência em ajudar famílias multiculturais pediram que se mantenha a atenção às dificuldades educacionais e de adaptação. Um participante de fóruns online que relatou anos de trabalho voluntário em um centro multicultural defendeu a manutenção da ajuda educacional e a redução de assistências desnecessárias. Um agente matrimonial identificado pelo sobrenome Lee, de 60 anos, disse que, apesar do crescente conforto financeiro de algumas famílias, muitas ainda têm dificuldade para se adaptar à sociedade coreana.
A escolha concreta de política pública é como distinguir necessidade financeira, acesso a serviços públicos escassos e ajuda à integração. Limites de renda poderiam mudar quem recebe dinheiro ou taxas de juros preferenciais. As regras de admissão em creches determinam quem tem prioridade para uma vaga. O apoio educacional atende a outro conjunto de necessidades. Analisar cada uma dessas medidas individualmente responderia a questões mais práticas do que tratar duas décadas de programas como um único benefício.
Principais pontos
- O presidente Lee Jae-myung questionou as prioridades para famílias multiculturais entre 28 e 30 de outubro de 2026.
- O número de domicílios multiculturais aumentou 50,9% entre 2015 e 2025, chegando a 451.492.
- Os benefícios incluem prioridade em creches, reservas habitacionais, descontos nos juros e assistência educacional, com diferentes critérios de elegibilidade.
- Alguns programas de apoio já têm limites de renda, como os pagamentos anuais de 400 mil a 600 mil won para atividades educacionais.
- A pesquisa nacional constatou que 65,8% dos domicílios multiculturais ganhavam pelo menos 3 milhões de won por mês, enquanto 34,2% ganhavam menos.
- Nenhum pacote definitivo de reformas ou cronograma de implementação foi anunciado.






