Minuta de pedido de impeachment pressiona o Partido Democrático
O Partido da Reconstrução da Coreia do Sul apresentou em 19 de outubro uma minuta de pedido de impeachment do presidente da Suprema Corte, Jo Hee-de, acusando-o de violar a neutralidade política, obstruir nomeações judiciais e usar dinheiro público de forma indevida. O Partido Democrático, que ocupa 161 das cadeiras da Assembleia Nacional, começou a consultar seus parlamentares, mas ainda não havia adotado o impeachment como posição oficial.
Conteúdo
- Minuta de pedido de impeachment pressiona o Partido Democrático
- Como a campanha avançou
- Por que o caso eleitoral de Lee está no centro da disputa
- Uma disputa sobre quem indica os ministros da Suprema Corte
- O que os auditores encontraram sobre os gastos públicos
- Quem autorizou os pagamentos?
- Duas agências investigam as denúncias
- O que mudaria com uma votação na Assembleia
- Divergências jurídicas e risco político
- Principais pontos
Os 12 parlamentares do partido menor não podem apresentar o pedido sozinhos. Em uma Assembleia com 300 membros, são necessárias ao menos 100 assinaturas para protocolá-lo e 151 votos para aprová-lo. A participação do Partido Democrático transformaria, portanto, um pedido de renúncia de Jo em uma medida capaz de suspender imediatamente o chefe do Judiciário.
O confronto se ampliou no mesmo dia, quando a unidade regional de Seul da Agência de Investigação de Crimes Graves encaminhou para análise de seu departamento anticorrupção uma denúncia relacionada às despesas oficiais de Jo. As alegações sobre gastos agora fazem parte tanto da campanha política pelo impeachment quanto de denúncias apresentadas a órgãos de investigação.
O Partido da Reconstrução da Coreia propôs a criação de uma força-tarefa conjunta e uma reunião de emergência de parlamentares com os democratas. Seu líder, Shin Jang-sik, apresentou a campanha como uma questão de fazer cumprir a lei:
O presidente da Suprema Corte, Cho Hee-dae, é apenas um símbolo de ilegalidade e artimanhas jurídicas. Se o deixarmos como está, não teremos como dizer à população que cumpra a lei.
O Partido do Poder Popular rejeitou esse argumento e acusou o bloco governista de tentar impedir a retomada do julgamento do presidente Lee Jae-myung por violação da lei eleitoral. A disputa agora reúne questões sobre a conduta judicial, o controle das nomeações para os tribunais e as consequências de afastar um presidente da Suprema Corte do exercício de suas funções.
Como a campanha avançou
O líder do Partido Democrático, Kim Min-seok, incluiu o impeachment nas discussões da cúpula do partido em 16 de outubro. Até então, as cobranças vinham principalmente de parlamentares individualmente e de pedidos para que Jo renunciasse por vontade própria.
A sequência a seguir mostra a rapidez com que a iniciativa passou da discussão à publicação de uma minuta:
- 13 de outubro: O chefe do Escritório de Investigação de Corrupção de Altos Funcionários, Oh Dong-woon, disse em uma auditoria parlamentar que sua agência havia recebido ao menos seis denúncias envolvendo Jo.
- 16 de outubro: Kim afirmou que o Partido Democrático havia começado a discutir formas e caminhos para responder às ações de Jo, incluindo o impeachment. Cidadãos que apresentaram denúncias também protocolaram uma queixa sobre despesas na Agência de Investigação de Crimes Graves.
- 18 de outubro: O porta-voz do Partido Democrático, Lee Yong-woo, disse que o partido avaliava várias opções, entre elas o impeachment, e continuava a exigir a renúncia de Jo.
- 19 de outubro: O Partido da Reconstrução da Coreia apresentou sua minuta de pedido e propôs uma ação conjunta. A Agência de Investigação de Crimes Graves encaminhou a denúncia sobre despesas para análise.
O porta-voz do Partido Democrático, Cho Gye-won, disse que o partido se concentraria em ouvir os parlamentares. A abordagem anunciada era definir como responder depois de reunir opiniões após a auditoria parlamentar. Não foi anunciada uma data para apresentar o pedido nem para realizar uma votação em plenário.
Por que o caso eleitoral de Lee está no centro da disputa
A minuta contesta a decisão da Suprema Corte de anular e devolver a julgamento uma decisão no caso de Lee sob a Lei Eleitoral dos Funcionários Públicos. O plenário da corte tomou essa decisão em maio do ano anterior, entendendo que o caso deveria voltar a uma instância inferior com uma conclusão que apontava para a culpa.
Uma devolução determina que o caso retorne para novas etapas, conforme o entendimento jurídico do tribunal superior. Aqui, as implicações políticas são particularmente diretas porque o réu se tornou presidente posteriormente, enquanto a condução do processo por parte do presidente da Suprema Corte agora é citada como motivo para o impeachment.
O Partido da Reconstrução da Coreia alega que Jo violou o dever de neutralidade política e o direito de Lee a um julgamento justo. Lee Yong-woo também mencionou a alegação de que juízes teriam sido solicitados a examinar o caso antes de sua distribuição formal, pouco antes da eleição presidencial.
O Partido do Poder Popular afirma que o verdadeiro objetivo da campanha de impeachment é proteger Lee de novos procedimentos judiciais. Seu líder, Jang Dong-hyeok, disse que o bloco governista queria suspender Jo antes das nomeações judiciais regulares, em fevereiro do ano seguinte. Essa alegação diz respeito às motivações do bloco governista e é contestada pelos partidos que defendem o impeachment.
Uma disputa sobre quem indica os ministros da Suprema Corte
A minuta também invoca o parágrafo 2º do artigo 104 da Constituição para contestar a recusa de Jo em indicar novamente um candidato a ministro da Suprema Corte, após um pedido presidencial. As nomeações para a Suprema Corte envolvem tanto a indicação pelo presidente da corte quanto a autoridade de nomeação do presidente da República, tornando a divergência uma disputa sobre como esses poderes se articulam.
Os partidos governistas argumentam que a recusa de Jo interferiu na autoridade constitucional de Lee e deixou vagas que afetaram o direito da população a julgamentos sem demora. Lee Yong-woo descreveu a recusa como uma falha no cumprimento de um dever oficial.
Lee também alegou que Jo ignorou recomendações do Escritório de Administração dos Tribunais para considerar outra indicação e recusou pedidos parlamentares de documentos relacionados à disputa. Outros motivos citados por integrantes do Partido Democrático incluem sua resposta a convocações parlamentares de testemunhas e a suposta recusa em prestar o juramento de testemunha durante uma auditoria.
O Partido da Reconstrução da Coreia pretende entregar a minuta e cartas assinadas pelos 12 parlamentares aos integrantes do Partido Democrático, seguidas de consultas entre os líderes das bancadas. A campanha conjunta mais ampla proposta por Shin também incluía extinguir o Ministério da Legislação Governamental, embora o impeachment do presidente da Suprema Corte exija procedimentos parlamentares e constitucionais próprios.
O que os auditores encontraram sobre os gastos públicos
As conclusões do Conselho de Auditoria e Inspeção dão valores e datas específicos à controvérsia sobre as despesas. A auditoria regular, anunciada em agosto, constatou que 12 ministros da Suprema Corte receberam pagamentos de incentivo em dinheiro, em média de 2 milhões de won por pessoa ao mês, de 2022 a abril de 2024, sem base legal.
A auditoria também identificou 108,92 milhões de won em compras de vinho entre 2022 e 2025, sem documentação comprobatória adequada. Os documentos de compra descreviam a finalidade apenas como suprimentos para eventos da Suprema Corte, sem esclarecer detalhes como a data de uso, o local e os destinatários.
O conselho informou que 99,5 milhões de won dessas compras de vinho foram feitos após as 23h, nos fins de semana ou em feriados. Isso corresponde a cerca de 91% do total de 108,92 milhões de won. Os registros de gastos tornaram-se uma parte central da cobrança dos partidos governistas por explicações sobre o uso de recursos oficiais.
Segundo a resposta por escrito do conselho ao parlamentar do Partido Democrático Kim Eui-kyeom, o Escritório de Administração dos Tribunais não forneceu os registros solicitados que identificariam os eventos realizados, alegando não manter os documentos pertinentes. A auditoria também identificou cerca de 16,25 milhões de won gastos em estabelecimentos que servem bebidas alcoólicas sem o procedimento de justificativa exigido.
Quem autorizou os pagamentos?
O envolvimento pessoal de Jo é uma questão controversa. O Escritório de Administração dos Tribunais afirmou que ele não esteve envolvido nos assuntos objeto da denúncia e que os números incorretos de participantes em refeições foram resultado de erros de funcionários. Parlamentares dos partidos governistas alegam que os números de participantes foram inflados quando recursos oficiais foram usados para pagar refeições.
Os pagamentos de incentivo provocaram um confronto mais específico durante a fiscalização parlamentar. Na auditoria de 6 de outubro, Jo afirmou que um responsável separado pelas despesas cuidava dos pagamentos e que o presidente da Suprema Corte não participava deles.
Posteriormente, o ministro da Administração dos Tribunais, Noh Kyung-pil, corrigiu essa explicação, dizendo que cabe ao presidente da Suprema Corte tomar a decisão final sobre os pagamentos de incentivo. Em resposta por escrito divulgada pelo gabinete de Kim Eui-kyeom em 12 de outubro, o Conselho de Auditoria e Inspeção afirmou que documentos contábeis e uma confirmação do setor financeiro mostravam que o presidente da Suprema Corte havia pago valores de incentivo a ministros e ao ministro da Administração dos Tribunais.
Os investigadores precisarão examinar os registros de autorização, a finalidade de cada despesa e o papel de Jo em sua aprovação. Essas questões colocam o rastro contábil no centro do caso, ao lado da discussão política sobre se a conduta justifica o afastamento.
Duas agências investigam as denúncias
O encaminhamento feito pela Agência de Investigação de Crimes Graves em 19 de outubro ocorreu após uma denúncia apresentada em 16 de outubro pelo grupo cívico Ação dos Cidadãos pela Justiça Judicial. A denúncia citou Jo, Noh e outras pessoas, e alegou crimes que incluem abuso de autoridade, quebra de confiança e prejuízo aos cofres públicos.
O Escritório de Investigação de Corrupção de Altos Funcionários conduz separadamente investigações sobre denúncias relacionadas a indicações judiciais, pagamentos de incentivo e despesas oficiais. O caso das indicações foi encaminhado à sua primeira divisão de investigação.
Oh Dong-woon disse aos parlamentares em 13 de outubro que haviam sido recebidas ao menos seis denúncias envolvendo Jo. Questionado se seu escritório havia solicitado documentos à Suprema Corte sobre as indicações judiciais atrasadas, ele respondeu que não havia feito um pedido específico. Mais tarde, o escritório se recusou a confirmar se havia solicitado documentos sobre despesas, alegando que a investigação estava em andamento.
Kang Sung-shin, advogado-gerente do escritório de advocacia Haenae, disse que os investigadores precisariam primeiro determinar se os gastos serviram a uma finalidade privada ou a uma finalidade legítima de trabalho. Kim Seung-hyun, advogado-gerente do escritório JR, afirmou que, para estabelecer a responsabilidade criminal pessoal de Jo, seriam necessárias provas de sua intenção e participação, inclusive uma análise para determinar se os funcionários conduziram as transações de forma independente.
O que mudaria com uma votação na Assembleia
A aprovação do pedido pela Assembleia Nacional suspenderia imediatamente os poderes de Jo enquanto a Corte Constitucional avalia se deve afastá-lo do cargo. Durante esse período, a liderança interina permaneceria em vigor.
As 161 cadeiras do Partido Democrático são 10 a mais que os 151 votos necessários em uma Assembleia com 300 membros. Se seus parlamentares votassem unidos, o partido poderia aprovar o pedido sem o apoio do Partido da Reconstrução da Coreia ou da oposição. A tarefa imediata do partido menor é, portanto, convencer a liderança democrata a comprometer seus votos.
Após a aprovação, o presidente da Comissão de Legislação e Judiciário da Assembleia encaminharia a resolução de impeachment à Corte Constitucional, na condição de representante parlamentar responsável pelo caso. A corte designaria um ministro para conduzir a análise e realizaria audiências orais públicas.
A lei estabelece um prazo de 180 dias para a decisão, contado a partir do recebimento do caso. O afastamento exige o apoio de ao menos seis dos nove ministros da Corte Constitucional. Eles examinariam se Jo violou a Constituição ou a lei e se a violação foi grave o suficiente para justificar o encerramento de seu mandato.
Lee Chang-hyun, professor da Faculdade de Direito da Universidade Hankuk de Estudos Estrangeiros, alertou que processos importantes do plenário poderiam ser adiados durante a suspensão. Para as pessoas que aguardam decisões, a preocupação prática é como uma ausência prolongada no comando afetaria o trabalho da corte.
Divergências jurídicas e risco político
Especialistas em direito constitucional citados na reportagem divergem sobre a força do caso proposto. Lee Chang-hyun disse ter dificuldade para identificar violações constitucionais ou legais na recusa de indicar novamente um ministro ou na devolução do caso eleitoral de Lee. Kim Dae-hwan, da Faculdade de Direito da Universidade de Seul, também questionou se as alegações atendiam ao padrão jurídico exigido.
Lim Ji-bong, professor da Faculdade de Direito da Universidade Sogang, adotou uma visão diferente sobre as vagas, afirmando que elas violaram o direito a um julgamento sem demora. Ainda assim, considerou provável que o impeachment fosse rejeitado, pois a conduta conhecida poderia não atingir a gravidade necessária para o afastamento. Kim Sun-taek, professor emérito da Universidade da Coreia, considerou que a recusa declarada em fazer uma nova indicação constitui uma violação constitucional capaz de atingir esse padrão.
A Corte Constitucional estabeleceu pela primeira vez seu critério de violação grave no caso de impeachment do presidente Roh Moo-hyun, em 2004. Para juízes, também é relevante a confiança em processos independentes e justos: três ministros que apoiaram o impeachment no caso de 2021 envolvendo o ex-juiz Lim Seong-geun discutiram danos graves a essa confiança. O caso terminou sem decisão de afastamento porque o mandato de Lim havia expirado.
Os parlamentares do Partido Democrático estão divididos quanto ao custo político. Kim Gi-pyo, integrante da comissão de Justiça da Assembleia, defende que os motivos são suficientes e que o impeachment deve avançar agora. Outros parlamentares do partido alertaram que uma iniciativa voltada a mobilizar apoiadores poderia afastar eleitores preocupados com a separação de poderes.
Uma pesquisa telefônica da Gallup Korea realizada de 13 a 15 de outubro constatou que 47% queriam que candidatos da oposição conquistassem mais cadeiras nas eleições gerais de 2028, em comparação com 34% que preferiam candidatos dos partidos governistas, uma diferença de 13 pontos percentuais. A pergunta mediu preferências para uma eleição futura, e não o apoio ao impeachment de Jo, mas ajuda a explicar a preocupação da liderança com uma reação política negativa.
Tensões internas também envolvem a indicação de Kim Ji-yong para comandar a Agência de Investigação de Crimes Graves. Enquanto isso, o período de detenção da ex-primeira-dama Kim Keon-hee deve terminar em 31 de outubro, e promotores especiais solicitaram um mandado de prisão adicional. Alguns integrantes do bloco governista esperam que uma eventual libertação dela intensifique as cobranças por medidas contra Jo.
O Partido da Reconstrução da Coreia pressiona por um calendário definido. Cho Kuk, chefe de seu instituto de políticas públicas, exigiu uma data para votação em plenário, enquanto o integrante veterano do partido Hwang Hyun-seon argumenta que deixar de agir decepcionaria os apoiadores. O líder da bancada do Partido do Poder Popular, Jeong Jeom-sik, prometeu usar todos os meios disponíveis para resistir ao impeachment. O próximo passo decisivo cabe às consultas do Partido Democrático e à decisão de sua liderança sobre transformar a discussão em um pedido formal.
Principais pontos
- O Partido da Reconstrução da Coreia apresentou em 19 de outubro uma minuta de pedido de impeachment do presidente da Suprema Corte, Jo Hee-de.
- O Partido Democrático está consultando seus parlamentares e ainda não adotou o impeachment como posição oficial.
- Os motivos propostos envolvem o caso eleitoral de Lee Jae-myung, indicações judiciais, pagamentos de incentivo e despesas oficiais.
- Auditores identificaram 108,92 milhões de won em compras de vinho sem documentação comprobatória adequada.
- A votação na Assembleia exigiria 151 votos em uma casa com 300 membros e suspenderia imediatamente os poderes de Jo.
- O afastamento definitivo exigiria o apoio de ao menos seis ministros da Corte Constitucional.
- Agências de investigação apuram denúncias relacionadas a nomeações e gastos, enquanto o Escritório de Administração dos Tribunais contesta o envolvimento de Jo nas supostas irregularidades contábeis.






