Aumento de US$ 66,4 bilhões em uma década
A dívida externa do Paquistão chegou a US$ 135,107 bilhões no fim de 2025, ante US$ 68,673 bilhões em 2015, segundo dados atribuídos ao Relatório Internacional da Dívida 2026 do Banco Mundial. O aumento de cerca de US$ 66,4 bilhões, ou 96,7%, deixa o país devendo a credores estrangeiros quase o dobro do que devia uma década antes.
Conteúdo
- Aumento de US$ 66,4 bilhões em uma década
- Quem deve o dinheiro?
- China lidera amplo grupo de credores
- Por que os empréstimos privados custam mais
- Exportações mostram a dimensão do peso
- O que mudou com o apoio da China e do FMI
- Países em desenvolvimento tomaram mais empréstimos com a reabertura dos mercados
- Os tomadores mais pobres enfrentaram as taxas mais altas
- O financiamento aumentou, mas os pagamentos continuaram subindo
- Principais pontos
O aumento anual mais recente foi menor: a dívida cresceu cerca de 4% em relação aos aproximadamente US$ 129,9 bilhões de 2024. O desafio imediato do Paquistão está tanto nas condições de seus empréstimos quanto no volume da dívida. Novos compromissos com credores privados tinham taxa de juros média de 8,6%, ante 3,6% para o financiamento oficial, e prazos de pagamento muito mais curtos.
Os pagamentos da dívida também absorveram o equivalente a 33% das receitas de exportação do Paquistão em 2025. Essa medida compara o peso dos pagamentos com uma importante fonte de moeda estrangeira, necessária para pagar credores no exterior e comprar importações.
A China prorrogou os prazos de pagamento de cerca de US$ 2 bilhões em empréstimos durante 2025, enquanto o Fundo Monetário Internacional desembolsou US$ 2,3 bilhões no âmbito de dois acordos de financiamento. Essas medidas deram ao Paquistão mais tempo ou recursos adicionais enquanto o país administrava suas obrigações externas.
A experiência do Paquistão se insere em uma tendência mais ampla. A dívida externa dos países de baixa e média renda chegou ao recorde de US$ 9,4 trilhões em 2025, enquanto os pagamentos anuais de principal e juros subiram para US$ 1,4 trilhão. Os credores internacionais estavam mais dispostos a fornecer recursos, mas o acesso continuava caro, sobretudo para países com recursos financeiros limitados.
Dívida externa é o dinheiro devido por residentes, empresas ou entidades públicas a credores de fora do país. Portanto, o total inclui obrigações do governo e empréstimos contraídos por empresas privadas.
Quem deve o dinheiro?
A dívida pública e a dívida com garantia pública somavam US$ 107,076 bilhões das obrigações externas do Paquistão, segundo o detalhamento. Empréstimo com garantia pública significa que o governo se comprometeu a pagar a dívida caso o tomador original não consiga fazê-lo.
A dívida privada sem garantia do governo era de US$ 17,58 bilhões, enquanto as obrigações de curto prazo somavam cerca de US$ 10,451 bilhões. Essas três categorias totalizam os US$ 135,107 bilhões informados.
As obrigações públicas e com garantia pública representavam aproximadamente 79% do total, cálculo feito dividindo US$ 107,076 bilhões por US$ 135,107 bilhões. A dívida privada sem garantia correspondia a cerca de 13%, e as obrigações de curto prazo, a aproximadamente 8%.
Um dado separado aponta que os empréstimos de longo prazo do setor público e com garantia pública somavam cerca de US$ 92,9 bilhões. O detalhamento registra US$ 107,076 bilhões em dívida pública e com garantia pública; a razão da diferença de abrangência não é especificada.
A tabela por país do Paquistão no Relatório Internacional da Dívida 2025 do Banco Mundial oferece uma referência separada para 2024. A tabela de Dados Resumidos da Dívida Externa, expressa em milhões de dólares, informa estoques totais de dívida externa de US$ 129,718 bilhões, estoques de dívida externa de longo prazo de US$ 107,788 bilhões e uma série intitulada "Dívida pública e com garantia pública de:" de US$ 89,556 bilhões. As tabelas do relatório se baseiam principalmente no banco de dados de Estatísticas da Dívida Internacional do Banco Mundial, elaborado com dados enviados pelos países por meio do Sistema de Notificação de Dívidas. Esses dados de 2024 não identificam a tabela ou série de origem dos valores de 2025 sobre o Paquistão citados neste artigo.
No Sistema de Notificação de Dívidas, a dívida externa de longo prazo do setor público e com garantia pública abrange empréstimos contraídos por entidades públicas e empréstimos privados garantidos por uma entidade pública do país devedor. Esses registros são mantidos empréstimo por empréstimo, enquanto os empréstimos privados sem garantia são informados de forma agregada. Os estoques totais de dívida externa também incluem dívida privada de longo prazo sem garantia, uso de crédito do FMI, alocações de direitos especiais de saque e dívida externa de curto prazo. O material fornecido pelo relatório não define o valor separado de US$ 92,9 bilhões nem determina sua abrangência; portanto, não esclarece a diferença em relação ao detalhamento de US$ 107,076 bilhões.
Os principais pontos de referência da década mostram como o saldo se acumulou:
- 2015: A dívida externa somava US$ 68,673 bilhões.
- 2024: A dívida externa chegou a aproximadamente US$ 129,9 bilhões.
- 2025: A dívida externa cresceu cerca de 4%, chegando a US$ 135,107 bilhões.
- Durante 2025: A China prorrogou os vencimentos de cerca de US$ 2 bilhões em empréstimos, e o FMI forneceu US$ 2,3 bilhões em novos desembolsos.
China lidera amplo grupo de credores
Instituições multilaterais, que contam com o respaldo de grupos de países-membros, detinham US$ 56,832 bilhões da dívida externa pública e com garantia pública do Paquistão. Credores bilaterais, ou seja, governos estrangeiros e suas entidades de crédito, detinham US$ 42,439 bilhões. Credores privados detinham outros US$ 7,805 bilhões.
A China era o maior credor individual do Paquistão, com créditos pendentes de US$ 22,419 bilhões. O Banco Mundial, incluindo os financiamentos da Associação Internacional de Desenvolvimento, respondia por US$ 19,214 bilhões, enquanto o Banco Asiático de Desenvolvimento detinha US$ 16,830 bilhões.
Outros credores bilaterais apareciam com US$ 11,850 bilhões em créditos. Juntas, as categorias multilateral e bilateral correspondiam a cerca de 93% da dívida externa pública e com garantia pública, considerando US$ 99,271 bilhões em créditos oficiais frente ao total de US$ 107,076 bilhões.
Essa concentração torna o financiamento oficial central para a gestão dos pagamentos do Paquistão. Decisões de governos e instituições internacionais sobre novos empréstimos, cronogramas de pagamento e condições dos empréstimos afetam a maior parte das obrigações externas públicas do país.
Por que os empréstimos privados custam mais
Os novos compromissos de credores oficiais com o Paquistão em 2025 tinham prazo médio de 16 anos, período de carência de quatro anos e taxa de juros média de 3,6%. O prazo é o período até o pagamento final; em geral, o período de carência permite ao tomador adiar o pagamento do principal, conforme as condições do empréstimo.
Os novos compromissos com credores privados tinham taxa de juros média de 8,6%, prazo médio de três anos e período de carência de um ano. A diferença entre as taxas de juros era de cinco pontos percentuais, enquanto o prazo final para pagamento era, em média, 13 anos menor.
Como exemplo simplificado, aplicar essas taxas a um saldo inalterado de US$ 1 bilhão por um ano resultaria em US$ 36 milhões de juros a 3,6%, ante US$ 86 milhões a 8,6%. Os pagamentos efetivos dependem do cronograma de amortização, das tarifas e de outras condições de cada acordo.
Prazos mais curtos geram outra pressão: o tomador precisa conseguir recursos mais cedo para pagar o principal ou contratar um novo empréstimo. Substituir um empréstimo que está vencendo por outro é chamado de refinanciamento. Se os credores exigirem taxas mais altas nesse momento, os pagamentos futuros da dívida podem aumentar mesmo sem uma grande elevação do valor tomado.
Exportações mostram a dimensão do peso
A dívida externa do Paquistão equivalia a 324% das receitas anuais de exportação em 2025. Em termos mais simples, a dívida pendente era cerca de 3,24 vezes o valor das exportações de um ano. A dívida externa também equivalia a 34% da renda nacional bruta, medida da renda obtida pelos residentes e pelas empresas do país.
O serviço da dívida, isto é, o principal e os juros efetivamente pagos durante o ano, equivalia a 33% das exportações e a 3% da renda nacional bruta. Para cada US$ 100 em receitas de exportação, o país pagou o equivalente a cerca de US$ 33 em dívida externa.
Para comparação, a tabela Panorama do Paquistão 2024, no Relatório Internacional da Dívida 2025, indica que o serviço da dívida externa correspondia a 40% das exportações e a 4% da renda nacional bruta. A tabela informa estoques de dívida externa equivalentes a 315% das exportações e 36% da renda nacional bruta. São indicadores específicos do Paquistão para 2024, e não os dados subjacentes aos indicadores de 2025 apresentados acima.
As receitas de exportação são importantes porque geram moeda estrangeira. Uma base exportadora maior pode facilitar a gestão das obrigações no exterior, enquanto um cronograma pesado de pagamentos disputa a moeda estrangeira necessária para importações e outros pagamentos internacionais.
A região do Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão registrou melhora nos indicadores de serviço da dívida e de juros. No entanto, a dívida externa em relação à renda nacional bruta subiu de 26,7% para 29,4%, aumento de 2,7 pontos percentuais e o maior crescimento anual entre as regiões analisadas.
O que mudou com o apoio da China e do FMI
A China prorrogou os vencimentos de acordos que abrangiam cerca de US$ 2 bilhões com vencimento em 2025. Adiar um prazo de pagamento dá ao tomador mais tempo para obter os recursos necessários para quitar a obrigação. O Paquistão ainda precisa fazer os pagamentos previstos no cronograma revisado.
O FMI forneceu US$ 2,3 bilhões em novos desembolsos por meio dos acordos da Linha de Crédito Ampliada e da Linha de Crédito para Resiliência e Sustentabilidade. O financiamento apoiou os esforços do Paquistão para alcançar estabilidade e crescimento econômico duradouros.
As duas medidas funcionaram de maneiras diferentes. As prorrogações da China alteraram o cronograma dos pagamentos, enquanto os desembolsos do FMI forneceram financiamento adicional. Ambas ajudaram o Paquistão a administrar suas necessidades de recursos externos durante o ano, além de suas obrigações de pagamento contínuas.
Países em desenvolvimento tomaram mais empréstimos com a reabertura dos mercados
A dívida externa dos países de baixa e média renda aumentou 5,5%, chegando a US$ 9,4 trilhões em 2025, o crescimento mais rápido em quatro anos. A retomada da emissão de títulos, a maior disposição dos investidores para emprestar e a desvalorização do dólar americano contribuíram para o aumento.
A dívida com credores privados cresceu 5,2%, chegando a cerca de US$ 5 trilhões, frente a uma alta de apenas 0,6% em 2024. Dentro dessa categoria, a dívida com detentores de títulos aumentou 5,7%, para cerca de US$ 2,4 trilhões, enquanto as obrigações com bancos comerciais e outros credores privados cresceram 4,7%, para cerca de US$ 2,7 trilhões.
Títulos permitem que governos ou empresas tomem empréstimos de investidores em troca da promessa de pagamentos de juros e da devolução do valor em uma data acordada. A retomada do acesso a esse mercado deu aos tomadores outra fonte de financiamento, embora as taxas de juros elevadas tornassem os recursos caros.
A renda nacional bruta das economias de baixa e média renda cresceu 5,1%. O crescimento mais forte da renda ajudou a sustentar alguns indicadores da dívida e estimulou os empréstimos, embora o valor devido continuasse aumentando.
A desvalorização do dólar também elevou o valor, em dólares, das dívidas denominadas em outras moedas. Variações cambiais responderam por 28,2% do aumento da dívida externa pública e com garantia pública nessas economias. Um empréstimo denominado em outra moeda pode parecer maior quando convertido em dólares, mesmo que o tomador continue fazendo os pagamentos.
Os tomadores mais pobres enfrentaram as taxas mais altas
Os países elegíveis a financiamentos da Associação Internacional de Desenvolvimento do Banco Mundial, que oferece apoio em condições concessionais às economias mais pobres, registraram alta de 8,1% na dívida externa, que chegou a US$ 1,3 trilhão. O aumento superou o crescimento de 5,5% registrado nos países de baixa e média renda.
Os países de baixa renda registraram um aumento ainda mais rápido, de 8,9%, elevando sua dívida externa para US$ 262,4 bilhões. Foi o maior aumento anual desde 2020.
Os países elegíveis para a AID enfrentaram taxa de juros média de 8,2% em novos compromissos, a mais alta desde o fim dos anos 1980. A diferença entre as taxas dos empréstimos oficiais e privados aumentou de 3,4 pontos percentuais em 2016 para 5,5 pontos percentuais em 2025.
Os tomadores de empréstimos do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento enfrentaram condições diferentes. A taxa de juros média de seus novos compromissos caiu para 5,5%, ante 5,8% no ano anterior.
O contraste mostra como a retomada dos empréstimos foi desigual. Países com acesso a financiamento mais acessível conseguiram tomar empréstimos em condições melhores, enquanto os tomadores mais pobres enfrentaram custos mais altos. O Banco Mundial alertou que o aumento da dívida e dos custos dos empréstimos pode limitar os recursos para infraestrutura, educação, saúde e outros investimentos em desenvolvimento.
O financiamento aumentou, mas os pagamentos continuaram subindo
Os países de baixa e média renda pagaram US$ 1,4 trilhão em principal e juros em 2025, alta de 1,9% e quinto aumento anual consecutivo. Os pagamentos a detentores de títulos cresceram muito mais rápido, com alta de 13,7%, para US$ 363,1 bilhões.
Entre 2022 e 2025, essas economias pagaram aproximadamente US$ 436,1 bilhões a mais em serviço da dívida do que receberam em novos financiamentos. Essa saída acumulada reduziu o financiamento restante após o pagamento da dívida externa.
As transferências líquidas de dívida de longo prazo ficaram positivas em 2025. Depois de uma saída líquida de US$ 118,4 bilhões em 2024, os países registraram uma entrada líquida de US$ 45,4 bilhões, o que significa que o novo financiamento de longo prazo superou os pagamentos relacionados de principal e juros naquele ano.
Os números da dívida do Paquistão refletem a mesma tensão entre acesso a financiamento e custo dos pagamentos. Credores oficiais detêm a maior parte das obrigações externas públicas, e as prorrogações de pagamento dão mais tempo. Os empréstimos privados oferecem outra fonte de financiamento, mas suas taxas mais altas e prazos mais curtos aproximam os pagamentos e os tornam mais caros.
Principais pontos
- A dívida externa do Paquistão subiu de US$ 68,673 bilhões em 2015 para US$ 135,107 bilhões em 2025, aumento de cerca de 96,7%.
- O aumento anual mais recente foi de cerca de 4%, ante aproximadamente US$ 129,9 bilhões em 2024.
- A dívida pública e com garantia pública somava US$ 107,076 bilhões, segundo o detalhamento.
- A China era o maior credor individual, seguida pelo Banco Mundial e pelo Banco Asiático de Desenvolvimento.
- O novo financiamento privado tinha taxa de juros média de 8,6%, ante 3,6% para os compromissos oficiais.
- O serviço da dívida externa do Paquistão equivalia a 33% das receitas de exportação em 2025.
- A China prorrogou os vencimentos de cerca de US$ 2 bilhões em empréstimos, enquanto o FMI desembolsou US$ 2,3 bilhões.
- A dívida externa dos países de baixa e média renda chegou a US$ 9,4 trilhões, com serviço anual da dívida de US$ 1,4 trilhão.






