Ministério de Assuntos Religiosos planeja aulas sobre diferentes religiões
O Ministério de Assuntos Religiosos da Indonésia pretende incluir materiais para prevenir o que chama de disseminação da cultura LGBTQ nos currículos escolares existentes até o fim de 2026 ou, no mais tardar, no início do ano letivo de 2027. A iniciativa se estenderia a instituições de ensino ligadas ao islamismo, protestantismo, catolicismo, hinduísmo, budismo e confucionismo.
Conteúdo
- Ministério de Assuntos Religiosos planeja aulas sobre diferentes religiões
- O que mudaria nas salas de aula?
- Famílias e conselheiros religiosos teriam um papel
- Pesquisador alerta para bullying e abandono escolar
- Revisão anterior sobre educação pediu mais informações
- Como a proposta chegou ao debate sobre defesa nacional
- Propostas de tratamento e interpretações divergentes de Pancasila
- Datas e decisões a acompanhar
- Principais pontos
O vice-ministro de Assuntos Religiosos, Muhammad Syafi'i, afirmou que os materiais curriculares estavam quase prontos, em declarações divulgadas em 5 de novembro. Conselheiros religiosos também receberiam materiais relacionados para seu trabalho nas comunidades, ampliando o alcance da iniciativa para além das salas de aula.
A proposta reúne educação religiosa, orientação familiar e as preocupações declaradas pelo governo com a defesa nacional. Syafi'i citou o Decreto Presidencial nº 111, de 2025, que, segundo ele, inclui a disseminação da cultura LGBT entre as ameaças à defesa nacional que não envolvem força militar.
O pesquisador de diversidade de gênero Dr. Dede Oetomo alertou que as aulas poderiam incentivar o bullying contra estudantes cuja aparência ou comportamento não corresponda às expectativas convencionais de masculinidade. Sua preocupação também se estende a professores que poderiam ser alvo de fofocas e assédio.
Uma manifestação da sociedade civil preparada para a Revisão Periódica Universal da Indonésia de 2017 oferece outro ponto de comparação. O documento argumentou que a exclusão da orientação sexual e da identidade de gênero da educação em saúde reprodutiva contribuiu para a incompreensão e a rejeição de pessoas LGBT.
Para as escolas, a questão imediata envolve tanto o conteúdo das novas aulas quanto o tratamento dado aos estudantes. O ministério anunciou um prazo, mas ainda não especificou a redação final do material para as salas de aula, o cronograma detalhado de implementação nem as medidas de proteção contra o bullying.
O que mudaria nas salas de aula?
Syafi'i descreveu uma abordagem que incluiria o conteúdo nos currículos existentes. Os estudantes teriam contato com o material em disciplinas já oferecidas, e não em uma nova matéria independente anunciada para esse fim.
O ministério afirma que seus preparativos levam em conta os ensinamentos e as interpretações das diferentes religiões da Indonésia. O público-alvo inclui estudantes, educadores, líderes religiosos e conselheiros que trabalham diretamente com famílias e comunidades.
Syafi'i descreveu a abrangência dos preparativos em declarações divulgadas em 5 de novembro. Em tradução do indonésio, ele afirmou:
O Ministério de Assuntos Religiosos está quase terminando de preparar a inclusão, nos currículos, de conteúdos para prevenir a disseminação da cultura desviante em todas as instituições de ensino, sejam elas islâmicas, protestantes, católicas, hindus, budistas ou confucionistas.
A caracterização da cultura LGBTQ como desviante é o enquadramento do ministro. LGBTQ se refere a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgênero e queer. Orientação sexual diz respeito à atração; identidade de gênero, à percepção que uma pessoa tem do próprio gênero. Expressão de gênero é a forma como alguém se apresenta, por exemplo, por meio das roupas ou dos gestos.
Essas diferenças são importantes para o debate sobre as aulas porque o alerta de Oetomo diz respeito a estudantes que podem ser visados pela aparência ou pelo comportamento. Um aluno pode se tornar alvo de estereótipos de gênero independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Famílias e conselheiros religiosos teriam um papel
O ministério também discute como fortalecer a vida religiosa em casa e incentivar uma comunicação aberta e respeitosa entre familiares. Syafi'i descreveu as famílias como uma fonte central de proteção para as crianças contra o que considera influência LGBTQ.
Conselheiros religiosos usariam os materiais educativos em conversas com as comunidades. A participação deles conectaria as aulas nas instituições de ensino à orientação oferecida fora da escola, incluindo discussões sobre relacionamentos, criação dos filhos e expectativas religiosas.
Syafi'i pediu a estudiosos religiosos, dirigentes de internatos islâmicos e educadores que trabalhem com o governo. A abordagem atribui grande responsabilidade aos adultos que orientam os jovens, tornando a escolha de palavras e a reação ao assédio fatores centrais para o impacto da política sobre as crianças.
Pesquisador alerta para bullying e abandono escolar
Oetomo, pesquisador de diversidade de gênero, alertou em entrevista em 30 de outubro de 2026 que um currículo voltado a prevenir a cultura LGBTQ poderia dar aos estudantes permissão para assediar colegas que não se enquadram nas normas de masculinidade aceitas.
Ele apontou características cotidianas que podem atrair o bullying, como roupas, escolhas de cores e comportamento. Em tradução do indonésio, Oetomo afirmou:
O bullying geralmente se baseia na expressão de gênero de alguém, por exemplo, em estudantes considerados menos masculinos ou na maneira como se vestem, inclusive na escolha das cores das roupas.
Oetomo disse que o assédio pode prejudicar a saúde mental, levar crianças a se afastar das outras ou abandonar a escola e contribuir para o risco de suicídio. Ele apresentou essas situações como possíveis consequências do bullying, não como resultados já medidos no âmbito do currículo proposto.
Professores homens vistos como afeminados também poderiam ser alvo de fofocas e bullying, afirmou, particularmente entre estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio. O alerta inclui o bem-estar dos funcionários entre as preocupações com a segurança dos alunos no debate sobre a aplicação do material.
A preocupação prática é saber se uma aula apresentada como forma de prevenir uma influência indesejada incentivaria estudantes a identificar colegas ou professores como exemplos dessa influência. O argumento de Oetomo é que os efeitos poderiam atingir qualquer pessoa cuja aparência atraia preconceito.
Revisão anterior sobre educação pediu mais informações
Uma manifestação apresentada em 2017 por uma coalizão da sociedade civil à Revisão Periódica Universal da Indonésia descreveu o ensino de saúde reprodutiva como restrito, em grande parte, à biologia. Segundo o documento, o currículo nacional abordava órgãos reprodutivos, concepção e doenças sexualmente transmissíveis.
A Revisão Periódica Universal é um processo das Nações Unidas que examina o histórico dos países em direitos humanos. O documento era uma manifestação de uma coalizão nesse processo, com conclusões e recomendações da sociedade civil.
A coalizão argumentou que excluir a orientação sexual e a identidade de gênero das aulas de saúde reprodutiva contribuiu para a falta de compreensão da diversidade sexual. Também afirmou que a controvérsia e a rejeição dirigidas a pessoas LGBT haviam desestimulado instituições de ensino a promover discussões sobre questões LGBT.
O documento relacionou a falta de educação abrangente em sexualidade e o acesso limitado a serviços de saúde reprodutiva a problemas como HIV, gravidez precoce, aborto inseguro, casamento infantil e violência sexual. Educação abrangente em sexualidade significa ensinar sobre corpo, saúde, relacionamentos e decisões relacionadas, em vez de abordar apenas a reprodução.
Entre as recomendações estavam capacitar professores, trabalhar com a sociedade civil e envolver jovens e educadores no desenvolvimento de ações educativas dentro e fora das escolas. O documento pediu que fossem consideradas as Orientações Técnicas Internacionais sobre Educação em Sexualidade e as diretrizes da UNESCO.
As duas abordagens dão prioridades diferentes ao mesmo espaço educacional. A coalizão buscava ampliar as informações para melhorar as decisões sobre saúde e a compreensão do tema; a iniciativa anunciada pelo ministério pretende prevenir uma influência cultural que considera prejudicial.
Como a proposta chegou ao debate sobre defesa nacional
O Ministério de Assuntos Religiosos e a Comissão VIII da Câmara dos Representantes realizaram em Jacarta uma discussão sobre como prevenir a disseminação da cultura LGBTQ. Participaram reitores de universidades religiosas públicas e chefes de escritórios regionais do ministério em toda a Indonésia.
Husain Insawan, reitor da Universidade Islâmica Pública de Kendari, participou da discussão. A universidade declarou apoio a uma educação baseada em valores religiosos, a um papel mais forte das famílias e a medidas concretas de prevenção.
Na discussão, o presidente da comissão parlamentar, Marwan Dasopang, disse que os parlamentares aguardavam um estudo acadêmico para embasar uma proposta de lei que proibiria o LGBTQ. Esse tipo de estudo apresenta os argumentos e as pesquisas que devem fundamentar uma proposta legislativa.
Syafi'i disse que o foco da política era uma cultura de liberdade sexual, e não os indivíduos. Sua referência a uma ameaça fora da esfera militar insere a iniciativa em um argumento mais amplo do governo sobre resiliência nacional, levando a discussão para além do planejamento curricular.
O ministério também prepara um estudo acadêmico e outros fundamentos jurídicos para agir contra partes que considera promotoras da disseminação da cultura LGBT. A proposta legislativa e esses preparativos são etapas distintas da inclusão de conteúdo nas aulas escolares.
Propostas de tratamento e interpretações divergentes de Pancasila
Syafi'i também defendeu tratamento médico, assistência e reabilitação para pessoas com diferentes orientações sexuais. Essa proposta incluiria serviços de saúde em uma iniciativa descrita, de resto, em termos de educação, religião e defesa nacional.
A orientação sexual não é uma doença. Descrevê-la como algo que exige tratamento pode afetar a forma como os estudantes se entendem e como as famílias reagem a eles, tornando a abordagem médica do ministro uma parte importante do debate sobre a política.
Pancasila, os cinco princípios fundamentais da Indonésia, é outro ponto de divergência. Syafi'i argumentou que a liberdade sexual à qual se opõe entra em conflito com Pancasila e com a Constituição de 1945.
Oetomo chegou à conclusão oposta sobre a iniciativa de prevenção. Ele argumentou que excluir pessoas LGBTQ entra em conflito com o terceiro princípio, Persatuan Indonesia, que significa unidade indonésia. Também citou o segundo princípio, Kemanusiaan yang Adil dan Beradab, que significa humanidade justa e civilizada.
O argumento de Oetomo é que estigmatizar pessoas LGBTQ coloca membros da mesma nação em uma posição inferior. A controvérsia, portanto, diz respeito a como os valores nacionais devem orientar o tratamento das pessoas, além do que as instituições religiosas devem ensinar.
Datas e decisões a acompanhar
A discussão pública passou do planejamento educacional para propostas relacionadas à legislação e à defesa nacional. As principais datas mostram como esses temas se desenvolveram:
- 2017: Uma manifestação da sociedade civil à Revisão Periódica Universal da Indonésia pediu uma educação sexual mais abrangente e melhor preparação dos professores.
- 30 de outubro de 2026: Oetomo alertou que o currículo planejado poderia aumentar o bullying e prejudicar a saúde mental dos estudantes.
- 2 de novembro de 2026: Foram publicados detalhes da discussão em Jacarta, que reuniu o ministério, parlamentares e dirigentes da educação religiosa.
- 5 de novembro de 2026: As declarações de Syafi'i indicaram que a inclusão de conteúdos no currículo estava quase concluída e detalharam preparativos jurídicos relacionados.
- Fim de 2026 ou início do ano letivo de 2027: Prazo previsto pelo ministério para introduzir os materiais.
O próximo passo importante para as escolas é a publicação dos materiais didáticos propriamente ditos. A redação mostrará como o foco declarado pelo ministério na cultura se traduzirá em aulas sobre pessoas, famílias e relacionamentos.
Para estudantes e professores, os impactos imediatos são concretos: o que será dito em sala, se os adultos intervirão quando houver assédio e se os estudantes se sentirão capazes de continuar na escola e buscar apoio.
Principais pontos
- O Ministério de Assuntos Religiosos da Indonésia prevê introduzir materiais curriculares sobre como prevenir a cultura LGBTQ até o fim de 2026 ou o início do ano letivo de 2027.
- A iniciativa abrangeria instituições de ensino ligadas a seis tradições religiosas e forneceria materiais para conselheiros religiosos.
- O pesquisador Dede Oetomo alerta que estudantes e professores que não se enquadram em estereótipos de gênero poderiam enfrentar mais bullying.
- Uma manifestação da sociedade civil de 2017 pediu uma educação sexual mais abrangente, capacitação de professores e participação dos jovens.
- Autoridades também discutem estudos acadêmicos e preparativos jurídicos, enquanto os materiais didáticos finais e os detalhes de implementação continuam sem especificação.






