Estimativa de Rp 93,74 trilhões diante de uma promessa mais ampla
A Indonésia está elaborando planos para eliminar tanto as mensalidades regulares quanto as taxas de ingresso nas universidades públicas. Um cálculo anterior estimou em cerca de Rp 93,74 trilhões o custo de atender 2.833.169 estudantes. Os ministros avaliam se a gratuidade será oferecida a todos de imediato ou se começará por grupos específicos, como novos estudantes e pessoas de famílias de baixa renda.
Conteúdo
- Estimativa de Rp 93,74 trilhões diante de uma promessa mais ampla
- O que a gratuidade cobriria?
- Da promessa de setembro aos cálculos de outubro
- Como o governo pagaria?
- Quem receberia apoio primeiro?
- Estudantes já enfrentam contas difíceis de pagar
- Por que vagas oferecidas continuam sem ser preenchidas
- Universidades privadas querem fazer parte do plano
- Garantir o financiamento do ensino e da pesquisa
- O plano mais amplo inclui escolas religiosas e áreas remotas
- Principais pontos
Em uma reunião realizada em 14 de outubro de 2026, em Jacarta, o ministro coordenador do Desenvolvimento Humano e dos Assuntos Culturais, Sugiono, afirmou que a isenção proposta deve valer igualmente para as universidades públicas, conhecidas como PTN, e para as universidades islâmicas públicas, chamadas PTKIN. A orientação inclui as taxas pagas por estudantes admitidos por meio de processos seletivos organizados pelas próprias universidades, frequentemente chamados de processo seletivo independente.
A proposta eliminaria duas cobranças importantes: a Uang Kuliah Tunggal, ou UKT, mensalidade cobrada a cada semestre, e a Iuran Pengembangan Institusi, ou IPI, contribuição para o desenvolvimento institucional geralmente cobrada de estudantes que ingressam pelo processo seletivo independente. Para as famílias, eliminar apenas uma delas poderia manter uma despesa considerável entre a aprovação na seleção e a efetiva vaga na universidade.
Sugiono pediu aos ministérios que preparem, em uma semana, tanto um orçamento ideal quanto um cenário de financiamento mínimo para discussão, antes de apresentar as alternativas ao presidente Prabowo Subianto. O ministro do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Brian Yuliarto, disse que os cálculos determinarão a velocidade com que a cobertura poderá ser ampliada.
O governo ainda não anunciou regras definitivas de elegibilidade, uma dotação orçamentária aprovada nem uma data de início. A principal decisão agora é definir quanto da promessa será cumprido primeiro e como substituir a receita das universidades, mantendo o financiamento adequado do ensino e da pesquisa.
O que a gratuidade cobriria?
O comunicado do Ministério dos Assuntos Religiosos sobre a reunião de outubro oferece a descrição mais clara das cobranças que os ministros querem eliminar. O texto diz que Sugiono defendeu a cobertura tanto da UKT quanto da IPI, incluindo as taxas educacionais associadas ao processo seletivo independente.
Sugiono explicou o alcance pretendido em declarações traduzidas do indonésio:
Especificamente no ensino superior público, a educação gratuita inclui a UKT e as taxas de ingresso. O processo seletivo independente que cobra taxas educacionais também deve ser coberto, para que a educação gratuita se torne de fato realidade e não pese sobre os pais.
Assim, os estudantes seriam considerados de acordo com as regras de financiamento propostas, sem serem excluídos simplesmente por causa da forma de ingresso. A eliminação das cobranças do processo seletivo independente faz parte da proposta de financiamento; os ministros também estão analisando o funcionamento mais amplo do sistema de admissão.
O cálculo anterior de Rp 93,74 trilhões abrange cursos de diploma D3, graduação tecnológica D4 e graduação S1 em instituições públicas, incluindo programas vocacionais e acadêmicos. A orientação de outubro acrescenta a exigência explícita de tratamento igual para as universidades islâmicas públicas. Os cálculos detalhados terão de mostrar como cada grupo de instituições e estudantes se enquadra no orçamento escolhido.
Da promessa de setembro aos cálculos de outubro
Prabowo defendeu publicamente a gratuidade do ensino em instituições públicas durante a comemoração do aniversário do Partido do Mandato Nacional, em 18 de setembro. Cinco dias depois, a proposta chegou a uma reunião ministerial restrita no Palácio Merdeka.
O comunicado do gabinete de setembro da Secretaria de Estado informa que o presidente ordenou a criação de uma equipe especial liderada pelo então ministro coordenador Pratikno, com participação da Secretaria de Estado e dos ministérios responsáveis por religião, finanças e ensino superior. Inicialmente, Brian esperava cálculos mais definidos e etapas de implementação em cerca de duas semanas a um mês.
- 18 de setembro de 2026: Prabowo anuncia sua defesa da gratuidade do ensino público até a universidade.
- 23 de setembro: Uma reunião ministerial determina cálculos financeiros mais detalhados e cria uma equipe especial.
- 30 de setembro: Os ministros analisam o plano de trabalho da equipe e as prioridades para o orçamento de 2027.
- 14 de outubro: Sugiono defende a cobertura da UKT e das taxas de ingresso e pede orçamentos alternativos em uma semana.
A orientação de outubro aponta para uma nova discussão por volta de 21 de outubro, seguida do envio de uma proposta ao presidente. Os comunicados de setembro identificam Pratikno como ministro coordenador, enquanto o comunicado de outubro do Ministério dos Assuntos Religiosos aponta Sugiono no cargo.
Como o governo pagaria?
Os cálculos de Brian analisam as receitas das universidades provenientes de mensalidades, contribuições para o desenvolvimento institucional e outras atividades. Ele disse que algumas instituições usam a renda de programas de pós-graduação para ajudar a financiar o ensino de graduação. Por isso, substituir as taxas pagas pelos estudantes exige uma análise mais detalhada da circulação de recursos em cada campus.
O governo pretende usar o orçamento nacional, conhecido como APBN, em vez da agência de investimentos Danantara. O ministro das Finanças, Suahasil Nazara, afirmou que o financiamento seria planejado dentro da dotação existente para a educação, sem a criação de uma nova categoria orçamentária separada.
A proposta de orçamento nacional para 2027 prevê Rp 820 trilhões para a educação, em comparação com os Rp 769 trilhões citados para 2026. Desse total proposto de Rp 820 trilhões, a estimativa de Rp 93,74 trilhões para as universidades públicas representa cerca de 11,4%. Os gastos com educação também precisam financiar escolas, professores, programas de assistência e outros compromissos.
O plano de trabalho de setembro do Ministério Coordenador prioriza inicialmente o uso mais eficiente e a realocação dos recursos já previstos para 2027. Os planos de longo prazo incluem a revisão dos mecanismos de financiamento e a reformulação da gestão educacional. A capacidade orçamentária dos governos central e regionais, a conciliação dos registros de beneficiários de assistência e o mapeamento das necessidades de professores também fazem parte desse trabalho.
Os cálculos dos custos padrão das universidades estão em elaboração desde 2024 e levam em conta o curso, a região e o número de estudantes. Um curso com laboratório tem custos diferentes dos de um curso baseado em aulas em sala, por isso uma fórmula nacional de financiamento precisa considerar mais do que o número de matrículas.
Quem receberia apoio primeiro?
Brian descreveu várias opções: atender todos os estudantes elegíveis, começar pelos novos ingressantes ou priorizar grupos específicos por renda familiar. As autoridades mencionam decis de renda, que dividem as famílias em dez grupos classificados por situação econômica.
Um programa que começasse pelos novos estudantes mudaria de imediato os custos da próxima turma, enquanto os atuais continuariam sujeitos às regras de transição que o governo vier a adotar. Priorizar famílias de baixa renda direcionaria os primeiros pagamentos a quem mais precisa. Atender a todos alcançaria mais estudantes desde o início, mas exigiria um compromisso financeiro imediato maior.
O plano de trabalho de setembro prioriza pessoas de baixa renda e regiões desfavorecidas onde é preciso ampliar a participação na educação. Essa prioridade vincula a proposta para as universidades ao programa mais amplo do governo, que prevê 13 anos de escolaridade obrigatória.
Os programas de assistência existentes oferecem um ponto de partida. Brian disse que 28,2% dos novos estudantes das universidades públicas em 2025 receberam financiamento do governo por meio do KIP Kuliah ou de bolsas de estudo. Em 2025, o KIP Kuliah teve um orçamento de Rp 14,9 trilhões para 1,04 milhão de beneficiários; para 2026, foram destinados Rp 15,3 trilhões. Coordenar uma nova isenção com esse apoio será especialmente importante para os estudantes que também precisam de ajuda com as despesas de subsistência.
Estudantes já enfrentam contas difíceis de pagar
Abdullah Umar Al Faruk, estudante de serviço social na Universidade do Norte de Sumatra, inicialmente teve de pagar Rp 5,5 milhões por semestre. Após um recurso, o valor caiu para Rp 3,5 milhões, o que ainda representa Rp 7 milhões por ano em mensalidades.
Sua família, em Aceh Tamiang, foi afetada pelas enchentes e pelos deslizamentos que atingiram Sumatra no fim de 2025. Enquanto estudava em Medan, Umar procurou bolsas de estudo, ficou em uma mesquita e tentou pegar Rp 3 milhões emprestados com o proprietário de uma pensão próxima para pagar a mensalidade.
Naufal Purba, estudante da Universidade Islâmica Estadual do Norte de Sumatra, ingressou pelo processo seletivo independente e paga Rp 4,4 milhões por semestre, ou Rp 8,8 milhões por ano. Mais velho de três irmãos, ele trabalha em um mercadinho enquanto estuda para aliviar o peso sobre os pais, que são professores.
Os dois estudantes manifestaram dúvidas de que a promessa se torne realidade. Suas situações também mostram por que é importante incluir as universidades islâmicas públicas e o processo seletivo independente: nessas categorias, há estudantes que já conciliam os estudos com o trabalho, empréstimos ou outros esforços para continuar a formação.
Por que vagas oferecidas continuam sem ser preenchidas
Um estudo do grupo de trabalho da Comissão X da Câmara dos Representantes sobre seleção de estudantes concluiu que quase 10% da capacidade das universidades públicas permaneceu ociosa e que 60.131 candidatos aprovados não efetivaram a matrícula em 2025. O governo também citou 17.816 candidatos que não concluíram a matrícula naquele ano; o escopo por trás dos dois totais não foi esclarecido.
Ferdiansyah, integrante da Comissão X, apontou como barreiras a UKT inacessível, o acesso desigual ao KIP Kuliah, as despesas de subsistência e a dificuldade de mudar de cidade. Outros candidatos escolheram cursos, instituições ou formas de ingresso diferentes, ou optaram por estudar no exterior.
Eliminar as mensalidades resolveria diretamente uma das despesas. Um estudante que se muda para outra província ainda precisa pagar por moradia, alimentação e transporte. Para estudantes como Umar, que já procurou um lugar barato para ficar, esses custos fazem parte da decisão prática sobre a possibilidade de pagar pela universidade.
Tuti Budirahayu, professora de sociologia da educação na Universidade Airlangga, defende a ampliação de bolsas e subsídios baseados na necessidade financeira, além de melhorias desde a educação básica até a universidade. Sua preocupação é que estudantes de famílias mais ricas recebam um benefício considerável com a eliminação universal das mensalidades, enquanto os mais pobres continuem enfrentando dificuldades para arcar com os outros custos da frequência universitária.
Universidades privadas querem fazer parte do plano
O sistema de ensino superior da Indonésia vai muito além dos campi públicos. Dados do portal do Ministério do Ensino Superior citados no debate listam 3.944 universidades privadas, que representam 91,7% das instituições de ensino superior do país.
Said Abdullah, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes, pediu que se examine melhor como a gratuidade poderia se aplicar às universidades privadas. Estudantes com poucos recursos que não conseguem uma vaga em uma universidade pública podem depender de instituições privadas, bolsas de estudo e trabalho remunerado.
Handi Risza, vice-reitor da Universidade Paramadina, defendeu regulamentações que apoiem as instituições privadas, além da assistência às universidades públicas. Segundo ele, algumas universidades públicas com personalidade jurídica própria admitem até 50% dos estudantes por processos seletivos independentes, nos quais as contribuições para o desenvolvimento institucional podem chegar a centenas de milhões de rupias. Ele também argumenta que um sistema totalmente financiado pelo orçamento nacional poderia exigir limites claros para o número de vagas nas universidades públicas.
A Rede Indonésia de Monitoramento da Educação, conhecida como JPPI, estima que a gratuidade em instituições públicas e privadas exigiria Rp 204,44 trilhões para atender 10,75 milhões de estudantes. Sua estimativa para a educação gratuita em todos os níveis é de Rp 569,73 trilhões. Essas propostas abrangem uma população muito maior que o cálculo de Rp 93,74 trilhões do governo para programas específicos em universidades públicas.
Garantir o financiamento do ensino e da pesquisa
A vice-ministra do Ensino Superior, Stella Christie, afirma que planejar a gratuidade universitária é mais complexo do que eliminar cobranças no ensino fundamental e médio. Ela aponta três objetivos que precisam ser equilibrados: qualidade da educação, acessibilidade e número de estudantes que podem frequentar as instituições.
Stella descreveu o desafio do financiamento em declarações traduzidas do indonésio:
Queremos que a UKT seja baixa ou até gratuita, mas os salários dos professores precisam ser altos e o financiamento para a pesquisa também precisa ser substancial.
Sua comparação com os Estados Unidos se concentrou nos custos de manter a qualidade enquanto se oferece educação a um grande número de estudantes. Na Indonésia, substituir a receita das mensalidades exigiria que os campi continuassem capazes de pagar os funcionários, manter as instalações e realizar pesquisas à medida que o acesso se ampliasse.
Herlambang Perdana Wiratman, professor de direito constitucional da Universidade Gadjah Mada, defendeu a criação de um marco orçamentário e jurídico claro. Ele cita a Lei nº 11 de 2005, que ratificou o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, e o artigo 28I(4) da Constituição da Indonésia.
Herlambang descreve a abordagem relevante como realização progressiva: o Estado amplia o acesso em etapas, usando seus recursos e adotando medidas concretas. Seu argumento dá à implementação gradual um enfoque jurídico, exigindo etapas mensuráveis e financiamento, em vez de apenas uma promessa.
O plano mais amplo inclui escolas religiosas e áreas remotas
A reunião de outubro organizou o planejamento da educação gratuita em três frentes. A primeira abrange escolas públicas, madraças públicas e universidades públicas. A segunda amplia o planejamento para escolas privadas, madraças privadas e instituições de ensino religioso. A terceira se concentra em áreas desfavorecidas, de fronteira e mais remotas, geralmente agrupadas sob a sigla indonésia 3T.
Sugiono vinculou esse trabalho às instruções presidenciais e a uma decisão da Corte Constitucional que exige educação básica obrigatória gratuita em instituições públicas e privadas. A proposta para as universidades faz parte de um programa de políticas mais amplo, enquanto a exigência judicial descrita pelo ministério se refere à educação básica obrigatória.
O ministro dos Assuntos Religiosos, Nasaruddin Umar, afirmou que 95% das unidades de ensino sob sua pasta são privadas e apenas 5% são públicas. Ele também apontou custos específicos dos internatos islâmicos, como hospedagem, refeições, eletricidade, lavanderia e professores que trabalham à noite, além do auxílio operacional escolar regular conhecido como BOS.
Nasaruddin disse que seu ministério combinará dados internos e se coordenará com a Agência Nacional de Planejamento do Desenvolvimento, Bappenas, e o Ministério das Finanças para calcular o apoio. Seu relato mostra por que a definição de educação gratuita precisa ser adaptada às necessidades práticas de cada instituição: eliminar as taxas das aulas e pagar pela estadia de um estudante em um internato exige orçamentos diferentes.
O programa mais amplo também prevê um pagamento anual de Rp 450 mil, a partir de 2027, por meio do Program Indonesia Pintar, para crianças de famílias de baixa renda que frequentam a pré-escola. Os ministros precisam incluir a educação infantil, as escolas, as instituições religiosas e as universidades em um plano de financiamento capaz de sustentar cada compromisso.
Principais pontos
- A Indonésia avalia eliminar tanto as mensalidades semestrais quanto as contribuições de ingresso nas universidades públicas e islâmicas públicas.
- Uma estimativa anterior calculou em Rp 93,74 trilhões o financiamento para 2.833.169 estudantes de cursos de diploma e graduação.
- As opções incluem cobertura universal ou uma implementação gradual, começando pelos novos estudantes ou por famílias de baixa renda.
- Em 14 de outubro, os ministérios receberam a solicitação de preparar, em uma semana, cenários de financiamento ideal e mínimo.
- O financiamento está sendo analisado dentro do orçamento nacional para a educação; ainda não foram anunciados uma data de início nem regras definitivas de elegibilidade.
- As despesas de subsistência, o apoio a estudantes de universidades privadas e a continuidade do financiamento do ensino e da pesquisa seguem entre as principais decisões de política pública.






