Mais indonésios estão trabalhando, mas muitos ainda precisam de empregos melhores
A Indonésia tinha 147,99 milhões de pessoas ocupadas em agosto de 2026, um aumento de 1,44 milhão em relação ao ano anterior, segundo a Statistics Indonesia (BPS). O desemprego caiu para 7,38 milhões, mas uma parcela crescente dos trabalhadores tinha empregos informais, e 12,84 milhões trabalhavam menos horas do que gostariam ou estavam disponíveis para trabalhar.
Conteúdo
- Mais indonésios estão trabalhando, mas muitos ainda precisam de empregos melhores
- O emprego cresceu mais rápido que a força de trabalho
- As datas por trás da comparação
- O emprego formal cresceu, mas perdeu participação
- Por que o trabalho informal importa para as famílias
- O subemprego aumentou apesar da queda do desemprego
- Quase um terço trabalhou menos de 35 horas
- Participação e desemprego entre as mulheres tiveram evolução desfavorável
- A agricultura liderou o emprego enquanto o nível de escolaridade mudou
- Principais pontos
A BPS apresentou os números em uma coletiva de imprensa em Jacarta, em 5 de novembro de 2026. A taxa de desemprego caiu de 4,85% em agosto de 2025 para 4,75% em agosto de 2026, enquanto o número de desempregados diminuiu cerca de 77 mil.
O emprego formal também cresceu, com a inclusão de 410 mil trabalhadores. Ainda assim, sua participação no total de pessoas ocupadas recuou para 42,07%, pois o emprego fora da categoria formal cresceu mais rapidamente. Os trabalhadores informais representavam os 57,93% restantes, ou quase seis em cada 10 indonésios ocupados.
Os números mostram avanços na inclusão de mais pessoas no mercado de trabalho, mas também revelam a pressão contínua sobre a qualidade e a quantidade das vagas disponíveis. Para uma família, conseguir alguma atividade remunerada pode garantir renda imediata. Obter horas suficientes, rendimentos confiáveis e proteção trabalhista é um passo a mais.
O emprego cresceu mais rápido que a força de trabalho
A força de trabalho da Indonésia chegou a 155,37 milhões de pessoas em agosto, um aumento de 1,366 milhão em relação a agosto de 2025. A força de trabalho inclui as pessoas ocupadas e aquelas classificadas como desempregadas.
O emprego cresceu um pouco mais rápido que esse total, ajudando a reduzir o desemprego. O aumento de 1,44 milhão de pessoas ocupadas é a variação líquida entre as duas medições de agosto: algumas pessoas conseguiram emprego, enquanto outras deixaram de trabalhar ao longo do ano.
O vice da BPS, Edy Mahmud, informou o total de desempregados durante a coletiva em Jacarta:
Em agosto de 2026, havia 7,38 milhões de pessoas desempregadas, o equivalente a uma taxa de desemprego aberto de 4,75%.
Uma taxa de 4,75% significa que cerca de cinco em cada 100 pessoas da força de trabalho estavam desempregadas. A queda em relação aos 4,85% foi de 0,10 ponto percentual, a diferença direta entre as duas taxas.
As datas por trás da comparação
Agosto é o período abrangido pelos dados de emprego mais recentes, enquanto 5 de novembro é a data em que a BPS os apresentou. Portanto, a comparação anual acompanha as mudanças entre agosto de 2025 e agosto de 2026.
- Agosto de 2025: O desemprego era de 4,85%, os trabalhadores formais correspondiam a 42,20% das pessoas ocupadas e o subemprego era de 7,91%.
- Agosto de 2026: O número de pessoas ocupadas chegou a 147,99 milhões, o desemprego caiu para 4,75% e o subemprego subiu para 8,68%.
- 5 de novembro de 2026: A BPS apresentou os dados de agosto em uma coletiva de imprensa em Jacarta.
A taxa de desemprego de 4,75% em agosto também difere do índice de 4,65% citado pelo Ministério Coordenador de Assuntos Econômicos em 27 de outubro, em uma discussão sobre as dificuldades enfrentadas por candidatos mais velhos a vagas de emprego. Não foi apresentada nenhuma explicação para a diferença entre o dado do ministério e a taxa de agosto divulgada em 5 de novembro.
Para a comparação anual, os dados de agosto oferecem uma base consistente: 4,85% em 2025 e 4,75% em 2026. Eles mostram uma redução modesta do desemprego, e não uma queda acentuada.
O emprego formal cresceu, mas perdeu participação
Os trabalhadores formais somavam 62,25 milhões em agosto de 2026, ante 61,84 milhões um ano antes. Edy atribuiu o aumento ao crescimento do número de trabalhadores braçais, empregados e servidores públicos.
Edy, vice da BPS responsável pelas contas e análises estatísticas, descreveu a mudança:
Impulsionado pelo aumento do número de trabalhadores braçais, empregados e servidores públicos, o total de trabalhadores formais chegou a aproximadamente 62,25 milhões em agosto de 2026.
O aumento de 410 mil trabalhadores formais equivaleu a cerca de 28,5% do crescimento líquido de 1,44 milhão no número de pessoas ocupadas. Em termos simples, menos de três em cada 10 pessoas a mais empregadas foram contabilizadas no aumento da categoria formal.
A participação do emprego formal caiu 0,13 ponto percentual, de 42,20% para 42,07%. A participação do emprego informal subiu na mesma proporção, de 57,80% para 57,93%. Uma categoria pode aumentar em número de pessoas e, ainda assim, perder participação quando o total cresce mais rápido.
Por que o trabalho informal importa para as famílias
O emprego informal inclui muitas pessoas que trabalham por conta própria, trabalhadores temporários e familiares sem remuneração. Esse tipo de trabalho gera renda e sustenta empresas em toda a Indonésia, embora os rendimentos possam ser menos previsíveis e as proteções trabalhistas mais limitadas do que nos empregos formais.
Edy disse que é preciso dar mais atenção à ampliação do emprego formal e à melhoria da situação dos trabalhadores. Como os trabalhadores informais são maioria, muitas famílias querem saber se o trabalho garante um sustento confiável.
Um trabalhador demitido por uma empresa pode passar a atuar na informalidade e continuar sendo contabilizado como ocupado, explicou Edy. Sua situação profissional muda, embora ele continue obtendo renda por meio do trabalho.
Essa transição liga os números do desemprego à experiência cotidiana. Quem troca um emprego regular em uma empresa por um trabalho temporário continua ocupado, mas pode ter uma jornada diferente, menos certeza sobre quando receberá o próximo pagamento e outras formas de proteção. As categorias de emprego da BPS ajudam a descrever essas mudanças junto com o número total de pessoas trabalhando.
O subemprego aumentou apesar da queda do desemprego
A BPS contabilizou 12,84 milhões de pessoas subempregadas em agosto de 2026, o equivalente a 8,68% de todas as pessoas ocupadas. A proporção subiu em relação aos 7,91% de agosto de 2025, um aumento de 0,77 ponto percentual.
As pessoas subempregadas trabalham menos de 35 horas por semana e procuram trabalho adicional ou estão disponíveis para aceitá-lo. Elas têm trabalho, mas sua jornada permite que trabalhem mais.
O aumento significa que uma parcela maior dos indonésios ocupados estava nessa situação, mesmo com a queda da taxa de desemprego. Desemprego e subemprego descrevem pressões diferentes: o primeiro diz respeito a quem está sem trabalho; o segundo, a pessoas ocupadas que precisam ou podem aceitar mais trabalho.
Para quem recebe por hora, tarefa ou dia, a falta de trabalho pode limitar os rendimentos. Por isso, o total de 12,84 milhões acrescenta uma importante medida da demanda por trabalho não atendida ao número de 7,38 milhões de pessoas desempregadas.
Quase um terço trabalhou menos de 35 horas
A BPS dividiu as pessoas ocupadas em três grupos, de acordo com as horas trabalhadas por semana e se queriam ou estavam disponíveis para trabalhar mais. O maior grupo era o de trabalhadores em tempo integral, com 99,85 milhões, ou 67,47% das pessoas ocupadas.
- Trabalhadores em tempo integral: trabalhavam pelo menos 35 horas por semana; 99,85 milhões de pessoas, ou 67,47%.
- Trabalhadores em tempo parcial: trabalhavam menos de 35 horas e não procuravam trabalho adicional nem estavam disponíveis para aceitá-lo; 35,29 milhões, ou 23,85%.
- Trabalhadores subempregados: trabalhavam menos de 35 horas e procuravam trabalho adicional ou estavam disponíveis para aceitá-lo; 12,84 milhões, ou 8,68%.
Cerca de 48,14 milhões de pessoas trabalhavam entre uma e 34 horas por semana, o equivalente a 32,53% das pessoas ocupadas. Nesse grupo, aproximadamente uma em cada quatro era classificada como subempregada, cálculo baseado nos 12,84 milhões de subempregados e no total de pessoas que trabalhavam menos horas.
Edy explicou que a definição de emprego segue os padrões da Organização Internacional do Trabalho e inclui quem realiza trabalho remunerado por pelo menos uma hora durante a semana de referência. A semana de referência é o período usado para medir a atividade profissional de uma pessoa. As categorias de horas trabalhadas mostram, então, quanto as pessoas trabalharam e se procuravam mais trabalho.
Participação e desemprego entre as mulheres tiveram evolução desfavorável
A taxa de participação da força de trabalho da Indonésia caiu de 70,59% em agosto de 2025 para 70,33% em agosto de 2026. Esse indicador mede a proporção da população em idade ativa que faz parte da força de trabalho.
O número de pessoas na força de trabalho aumentou, enquanto a taxa de participação caiu, porque esses indicadores medem coisas diferentes: um é uma contagem de pessoas e o outro, uma proporção da população. A força de trabalho cresceu, mas não tão rápido quanto a população em idade ativa, usada como referência para calcular a participação.
A participação era de 84,16% entre os homens e 56,37% entre as mulheres, uma diferença de 27,79 pontos percentuais. As duas taxas foram menores que um ano antes.
Edy também afirmou que o desemprego caiu entre os homens, mas aumentou entre as mulheres. A menor participação das mulheres e a alta do desemprego entre elas indicam duas dificuldades distintas: uma parcela menor fazia parte da força de trabalho, enquanto uma proporção maior das mulheres que integravam esse grupo estava desempregada. Assim, a queda nacional do desemprego registrada pela BPS ocorreu ao mesmo tempo que resultados menos favoráveis para as mulheres.
A agricultura liderou o emprego enquanto o nível de escolaridade mudou
A agricultura continuou sendo o maior setor empregador da Indonésia, com 28,20% das pessoas ocupadas. O comércio atacadista e varejista veio em seguida, com 17,86%, e a indústria de transformação respondeu por 13,75%.
Juntos, esses três setores empregavam 59,81% dos trabalhadores, quase três em cada cinco. Aplicando as proporções informadas ao total de pessoas ocupadas, chega-se a aproximadamente 41,73 milhões de pessoas na agricultura, 26,43 milhões no comércio atacadista e varejista e 20,35 milhões na indústria de transformação.
A BPS também registrou uma mudança gradual na escolaridade dos trabalhadores. As pessoas com ensino fundamental ou menos continuavam sendo o maior grupo, com 33,89% dos ocupados. Aquelas com ensino superior ou diploma representavam 13,37%.
Edy descreveu como essas proporções mudaram ao longo do ano:
Em comparação com agosto do ano passado, caiu a proporção de trabalhadores com ensino fundamental ou menos, enquanto aumentou a parcela de trabalhadores com diploma ou ensino superior.
O panorama do emprego reúne várias mudanças: mais pessoas trabalhando, uma parcela menor de desempregados, dependência contínua do trabalho informal e aumento do subemprego. Para os trabalhadores e suas famílias, os ganhos são mais concretos quando o emprego também garante horas suficientes e renda confiável.
Principais pontos
- O número de pessoas ocupadas chegou a 147,99 milhões em agosto de 2026, 1,44 milhão a mais que um ano antes.
- O número de desempregados caiu cerca de 77 mil, para 7,38 milhões, e a taxa recuou de 4,85% para 4,75%.
- O emprego formal ganhou 410 mil trabalhadores, mas sua participação caiu para 42,07%; o trabalho informal respondeu por 57,93%.
- O subemprego subiu de 7,91% para 8,68%, atingindo 12,84 milhões de pessoas ocupadas.
- A participação na força de trabalho caiu para 70,33%, e o desemprego aumentou entre as mulheres enquanto diminuiu entre os homens.
- A agricultura, o comércio atacadista e varejista e a indústria de transformação empregavam, juntos, 59,81% dos trabalhadores.






