Desemprego na Indonésia se aproxima do menor nível desde 1994, mas trabalhadores mais velhos enfrentam dificuldades para encontrar emprego estável

10 min de leitura
Indonesia's Unemployment Nears 1994 Low, but Older Job Seekers Struggle to Find Stable Work

Taxa de desemprego menor, busca por trabalho mais difícil

A taxa de desemprego aberto da Indonésia caiu para 4,65% em 2026, segundo dados da Statistics Indonesia (BPS) citados pelo Ministério Coordenador de Assuntos Econômicos em 27 de outubro. O índice está apenas 0,29 ponto percentual acima dos 4,36% registrados em 1994, embora a força de trabalho do país tenha crescido para 155,41 milhões de pessoas.

Conteúdo
  1. Taxa de desemprego menor, busca por trabalho mais difícil
  2. O que o índice de 4,65% mede
  3. Quão perto a Indonésia está de seu menor índice anterior?
  4. Milhões continuam sem trabalho
  5. Quando a experiência esbarra no limite de idade
  6. Emprego efetivo substituído por renda incerta
  7. Por que é difícil voltar ao emprego formal
  8. Apoio durante o período entre empregos
  9. O próximo desafio do governo na área do emprego
  10. Principais pontos

O governo atribui o resultado a programas de apoio aos investimentos e ao setor real, formado por empresas que produzem bens e serviços. O porta-voz do ministério, Haryo Limanseto, afirmou que os números refletem uma demanda maior por trabalhadores e prometeu novos esforços para aprimorar as habilidades profissionais e a qualidade dos empregos.

Para quem busca uma renda estável, porém, a melhora nacional convive com uma realidade diária difícil. Dados de fevereiro de 2026 da Pesquisa Nacional da Força de Trabalho, conhecida como Sakernas, registraram 7.243.605 pessoas desempregadas. Em uma feira de empregos em Jacarta, em outubro, candidatos na faixa dos 40 anos relataram vagas com limite de idade, salários abaixo do esperado e poucas oportunidades compatíveis com sua experiência.

A questão central, portanto, envolve tanto o número de pessoas que conseguem trabalho quanto o tipo de trabalho que podem obter. Um ex-funcionário efetivo que ganha mal o suficiente para cobrir o combustível trabalhando como motorista enfrenta uma situação familiar diferente da de alguém que recebe um salário mensal confiável, mesmo que ambos estejam trabalhando.

O que o índice de 4,65% mede

A BPS usa a taxa de desemprego aberto, ou TPT, para expressar o número de pessoas desempregadas como proporção da força de trabalho. A força de trabalho é composta pelas pessoas empregadas e pelas classificadas como desempregadas segundo os critérios da pesquisa.

Uma taxa de 4,65% significa que aproximadamente 4,65 em cada 100 pessoas da força de trabalho estão desempregadas. O denominador é importante: estudantes, pessoas que cuidam da casa e outras que não fazem parte da força de trabalho são contabilizados separadamente nas estatísticas populacionais.

Publicidade

Os dados de fevereiro compilados pelo Centro de Tecnologia da Informação e Dados do Ministério da Mão de Obra estimaram a população em idade ativa da Indonésia em 219,54 milhões. Desse total, 147,67 milhões estavam empregados, 16,86 milhões se dedicavam principalmente aos estudos, 39,28 milhões cuidavam da casa e 8,49 milhões estavam envolvidos em outras atividades.

Os números de fevereiro sobre emprego e desemprego somam uma força de trabalho de cerca de 154,91 milhões, em comparação com os 155,41 milhões citados junto ao anúncio do governo sobre a taxa de 4,65%. As publicações não explicam essa diferença. Cada conjunto de dados precisa de seu próprio denominador para o cálculo da taxa.

Quão perto a Indonésia está de seu menor índice anterior?

A comparação histórica mostra uma queda expressiva em relação a períodos de maior pressão econômica. A taxa de desemprego da Indonésia chegou a 11,24% em 2005, em meio à contratação fraca e às pressões econômicas internas após a crise financeira, e a 7,07% em 2020, durante a pandemia de COVID-19.

A taxa de 2026 está 6,59 pontos percentuais abaixo do índice de 2005 e 2,42 pontos percentuais abaixo do registrado durante a pandemia. Um ponto percentual mede a diferença direta entre duas taxas: subtrair 4,65 de 7,07 resulta em 2,42.

  • 1994: O desemprego aberto ficou em 4,36%, referência histórica citada na comparação do governo.
  • 2005: A taxa chegou a 11,24% em um período de pressão econômica e contratação fraca.
  • 2020: O desemprego subiu para 7,07% com a interrupção da atividade econômica pela COVID-19.
  • Fevereiro de 2026: A Sakernas registrou cerca de 7,24 milhões de pessoas desempregadas.
  • 23 de outubro de 2026: Candidatos em uma feira de empregos no sul de Jacarta relataram obstáculos para voltar a um emprego estável.
  • 27 de outubro de 2026: O governo destacou a taxa de 4,65% e seus planos para qualificação e emprego.

A Indonésia está se aproximando da taxa de 1994 com uma força de trabalho muito maior. Os 155,41 milhões de trabalhadores citados para 2026 representam 72,09 milhões a mais do que os cerca de 83,32 milhões mencionados para os anos 1990, um aumento de aproximadamente 86,5%. Essa comparação mostra o crescimento da força de trabalho ao longo de décadas, não o número de empregos criados em um único ano.

Milhões continuam sem trabalho

O total de desempregados em fevereiro incluía 4.556.224 homens e 2.687.381 mulheres. Os homens correspondiam a 62,9% das pessoas desempregadas, e as mulheres, a 37,1%, segundo os dados da Sakernas compilados pelo Ministério da Mão de Obra e citados em 21 de outubro.

Os mesmos dados registraram 88,75 milhões de homens empregados e 58,92 milhões de mulheres empregadas. Para calcular as taxas de desemprego de homens e mulheres, é preciso comparar a população desempregada de cada grupo com sua própria força de trabalho, e não apenas comparar os dois números de desempregados.

Publicidade

A idade também influencia o quadro. Pessoas de 35 a 44 anos correspondiam a 10,13% dos desempregados em fevereiro, enquanto as de 45 a 54 anos representavam 7,46%. Juntos, esses grupos respondiam por 17,59% do desemprego, ou aproximadamente 1,27 milhão de pessoas, quando aplicado ao total de 7,24 milhões.

As pessoas de 15 a 24 anos formavam a maior parcela dos desempregados. O número expressivo entre os grupos mais velhos mostra que encontrar trabalho também é uma preocupação urgente para quem tem anos de experiência e famílias para sustentar.

Quando a experiência esbarra no limite de idade

Samuel Arthur, 45, participou da Feira de Carreiras para a Força de Trabalho Independente de Jacarta 2026, no prédio da Smesco Indonesia, no sul de Jacarta, em 23 de outubro. Sua carreira no setor bancário terminou com uma demissão no fim de 2023, e ele continuava buscando outra vaga quase três anos depois.

Samuel, morador de Ceger, no leste de Jacarta, relatou encontrar vagas com idade máxima de 35 ou até 25 anos. Nessas empresas, a exigência de idade poderia barrar sua candidatura antes que sua experiência no setor financeiro fosse considerada. Ele explicou o que buscava em uma vaga:

"Estou procurando um emprego compatível com minha experiência e minhas habilidades. Mas, acima de tudo, que também seja adequado à minha idade",

Samuel considerou abrir um pequeno negócio e vender pela internet para ajudar a sustentar a família. Ele disse que a renda era menor do que recebia no emprego formal. Para ele, encontrar uma atividade que gere algum dinheiro e reconstruir uma fonte de sustento confiável são etapas distintas da recuperação.

Emprego efetivo substituído por renda incerta

Ananto, 43, viajou do leste de Bekasi para a mesma feira de empregos após perder o cargo efetivo em uma empresa de logística em dezembro de 2025. Ele havia trabalhado por mais de nove anos na empresa, em Penjaringan, no norte de Jacarta, como coordenador de compras e auditor das operações em toda a Indonésia.

A empresa o demitiu durante uma rodada anual de cortes para aumentar a eficiência. Depois de cerca de duas décadas no mercado de trabalho, ele passou a dirigir para um serviço de transporte por aplicativo. Ele relatou dias em que os ganhos mal cobriam o combustível, deixando sua família sem a contribuição confiável que seu antigo salário proporcionava.

Ananto encontrou poucas vagas na área de compras adequadas a candidatos na faixa dos 40 anos. Algumas ofertas salariais também ficavam abaixo do que considerava justo para sua experiência e suas qualificações. Embora a esposa trabalhe, ele disse que continuava procurando um emprego estável para ajudar a sustentar a família.

Publicidade

Sarif Saipul, 45, enfrentou uma busca semelhante depois de perder o emprego em um depósito de uma empresa de óculos em junho de 2026. Por cerca de quatro meses, viveu de suas economias e de um pequeno negócio de venda de óculos. Com esposa e dois filhos para sustentar, ele queria uma renda mensal estável, mas disse que muitas das vagas disponíveis para pessoas de sua idade se concentravam em vendas e direção.

Por que é difícil voltar ao emprego formal

Deni Friawan, pesquisador de economia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), afirmou que trabalhadores de meia-idade enfrentam pressão tanto da reestruturação das empresas quanto da concorrência por novas vagas. Ele relacionou as medidas de eficiência à perda de poder de compra, à concorrência mais acirrada entre setores e às mudanças tecnológicas.

Segundo Deni, funcionários mais experientes podem ser afetados quando os empregadores tentam reduzir os custos com salários. Depois de demitidos, eles podem disputar vagas com candidatos mais jovens, que as empresas consideram mais baratos para contratar, mais fáceis de treinar e mais familiarizados com novas tecnologias.

Deni afirmou que eliminar as restrições de idade não impediria que os candidatos mais velhos continuassem enfrentando essas preferências de contratação. Em uma entrevista em 23 de outubro, ele descreveu a dificuldade de voltar ao mercado de trabalho sem uma habilidade específica:

"Quando alguém sai do mercado de trabalho formal aos 30 ou 40 anos, fica difícil encontrar um novo emprego. Isso é especialmente verdade quando a pessoa não tem habilidades especializadas, porque seu trabalho pode ser substituído por qualquer um",

A avaliação dele relaciona dois problemas visíveis na feira de empregos: conseguir que uma candidatura seja considerada e encontrar uma vaga que valorize a experiência anterior. A qualificação profissional ajuda a resolver a questão das habilidades, enquanto as decisões de contratação determinam se essas habilidades terão uma oportunidade justa.

Apoio durante o período entre empregos

Deni recomendou proteção social para trabalhadores afetados por demissões, incluindo a Garantia de Perda do Emprego, conhecida como JKP. Segundo ele, o apoio financeiro dá às pessoas tempo para procurar outra vaga sem deixar de garantir o próprio sustento.

A renda menor de Samuel com seu negócio, os gastos de Ananto com combustível e a dependência de Sarif de suas economias mostram por que essa transição importa. As despesas da família continuam enquanto uma candidatura é analisada, e aceitar um trabalho irregular pode gerar renda sem recuperar a segurança de um antigo salário.

A requalificação e a atualização das habilidades também estavam entre as principais recomendações de Deni. Ele argumentou que trabalhadores deslocados precisam de competências compatíveis com as mudanças tecnológicas e a demanda dos empregadores. Para candidatos experientes, isso significa relacionar o que já sabem aos requisitos das vagas que podem realmente ocupar.

Publicidade

O próximo desafio do governo na área do emprego

Haryo, porta-voz do ministério coordenador, afirmou que o governo dará continuidade à formação profissional, aos programas de atualização de habilidades dos trabalhadores e aos esforços para ampliar o uso da capacidade industrial. A formação profissional ensina habilidades práticas para ocupações específicas; ampliar o uso da capacidade industrial significa utilizar mais as fábricas e outras estruturas de produção.

O objetivo declarado pelo ministério também inclui empregos que melhorem o padrão de vida. Para os trabalhadores que participaram da feira de Jacarta, isso significaria vagas abertas para sua faixa etária, salários suficientes para cobrir as despesas da família e um caminho mais confiável de volta ao trabalho regular.

A taxa de 4,65% representa um resultado nacional de emprego melhor do que durante a pandemia ou o período de pressão de 2005. As experiências dos trabalhadores demitidos mostram onde as políticas de emprego também precisam produzir resultados: na busca entre perder um trabalho e conseguir outro capaz de sustentar uma família.

Principais pontos

  • A taxa de desemprego aberto da Indonésia em 2026, de 4,65%, está 0,29 ponto percentual acima dos 4,36% registrados em 1994.
  • O governo citou uma força de trabalho de 155,41 milhões, em comparação com aproximadamente 83,32 milhões nos anos 1990.
  • Os dados da Sakernas de fevereiro de 2026 registraram 7.243.605 pessoas desempregadas.
  • Pessoas de 35 a 54 anos representavam 17,59% dos desempregados, aproximadamente 1,27 milhão.
  • Candidatos na faixa dos 40 anos relataram limites de idade, poucas vagas adequadas e renda incerta após demissões.
  • O governo prometeu treinamento profissional e melhores empregos, enquanto o pesquisador do CSIS Deni Friawan defendeu proteção de renda e requalificação para trabalhadores demitidos.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar