Prazo de dezembro pressiona empresas estatais
O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, estabeleceu dezembro de 2026 como prazo para fechar 700 empresas estatais. Segundo ele, negócios que continuam dando prejuízo, operam de forma ineficiente ou apresentam demonstrações financeiras falsas devem dar lugar a empresas que beneficiem a população.
Conteúdo
- Prazo de dezembro pressiona empresas estatais
- O que a meta de 700 abrange
- Dois anos de reestruturação, com poucas semanas para cumprir a meta
- Prabowo afirma que os lucros estão aumentando
- Contas falsas colocam a responsabilização em foco
- Bem-estar da população é o objetivo econômico declarado
- Planos de crédito regional mostram a dimensão da promessa
- Licenças de mineração e concessões florestais sob análise
- Principais pontos
Em discurso no JIEXPO Kemayoran, em Jacarta, em 22 de outubro, Prabowo citou uma rede inicial de 1.074 empresas e um número de cerca de 364, com base em uma atualização que recebeu na noite anterior. A reestruturação está sendo conduzida pela BPI Danantara, órgão de gestão de investimentos estatais.
O número de 364 foi descrito como a quantidade de empresas já consolidadas, fechadas ou enxugadas, mas também como o total restante após a consolidação. O comunicado da Presidência cita Prabowo mencionando esse número sem esclarecer explicitamente a qual contagem se referia. Isso deixa incerto o ponto de partida exato para a meta de dezembro.
O comunicado de 22 de outubro do Ministério do Secretariado de Estado apresenta o programa como uma iniciativa para tornar os ativos estatais mais produtivos e gerar benefícios concretos para os indonésios. Ao explicar quais empresas o governo pretende atingir, Prabowo afirmou, em tradução do indonésio:
As que são ineficientes, as que dão prejuízo, as que vêm produzindo demonstrações financeiras falsas, vamos fechar. Vamos concentrar esforços nas empresas estatais que entregam resultados para a população.
O anúncio reúne três prioridades: reduzir o número de empresas, melhorar o desempenho dos negócios que permanecerem e tomar providências diante de suspeitas de irregularidades financeiras. Essas tarefas envolvem decisões diferentes, mesmo fazendo parte do mesmo programa de reestruturação.
O que a meta de 700 abrange
Ao estabelecer a meta para dezembro, Prabowo falou em fechamento. No entanto, ao descrever o trabalho já realizado, combinou fechamentos com consolidações e enxugamentos. A meta mais ampla de reestruturação também foi descrita como abrangendo as três medidas.
Fechar uma empresa encerra sua existência como entidade empresarial. A consolidação reúne negócios, enquanto o enxugamento simplifica sua estrutura ou suas operações. Assim, uma subsidiária pode desaparecer do organograma, enquanto parte de suas atividades continua em outra empresa.
A contagem inicial de 1.074 também vai além das principais empresas estatais. Prabowo já havia dito que, quando a Danantara foi criada, o governo encontrou uma rede com subsidiárias e outras camadas de empresas abaixo delas. Isso ajuda a explicar a dimensão da redução proposta.
A meta de 700 para dezembro representa cerca de 65% dessa rede inicial, cálculo feito dividindo 700 por 1.074. A comparação mostra a dimensão da reestruturação pretendida. O governo não divulgou uma lista de empresas, uma divisão entre fusões e fechamentos, medidas para funcionários e credores nem uma data precisa para a conclusão em dezembro.
Dois anos de reestruturação, com poucas semanas para cumprir a meta
Prabowo disse que o trabalho estava em andamento durante os dois primeiros anos de seu governo, iniciado em 20 de outubro de 2024. Ele argumentou que mudar a estrutura e o desempenho das empresas estatais leva tempo.
O anúncio mais recente vem após críticas anteriores à gestão da rede de empresas. As principais datas são:
- 20 de outubro de 2024: Prabowo iniciou sua Presidência ao lado do vice-presidente Gibran Rakabuming Raka.
- 14 de agosto, em um discurso anterior no Parlamento: Prabowo questionou a prestação de contas nas empresas estatais e discutiu a criação de um tribunal especial para investigar irregularidades.
- 21 de outubro de 2026: Prabowo recebeu, à noite, a atualização que embasou o número aproximado de 364.
- 22 de outubro de 2026: Ele anunciou a meta na reunião nacional de coordenação das Equipes de Aceleração do Acesso Financeiro Regional, conhecidas como TPAKD.
- Dezembro de 2026: O governo pretende atingir a meta de 700 fechamentos ou outras medidas de reestruturação.
O cronograma deixa cerca de dois meses entre o discurso e o prazo para atingir a meta anunciada. O papel da Danantara coloca a gestão de uma ampla rede de empresas no centro desse trabalho, em vez de deixar o processo apenas a cargo de empresas individuais.
Prabowo afirma que os lucros estão aumentando
Prabowo disse que algumas empresas que antes não davam lucro agora são lucrativas. Também citou aumentos nos lucros de 200%, 300% e até 900% em algumas empresas estatais.
O presidente apresentou esses números como prova de que uma gestão melhor pode gerar resultados junto com os fechamentos. Ao descrever as mudanças durante seus dois primeiros anos de governo, afirmou, em tradução:
Fechamos as empresas estatais que continuavam dando prejuízo. As que antes não conseguiam ter lucro agora são lucrativas.
Um aumento percentual mede a variação em relação a um valor anterior. Um aumento de 200% elevaria um lucro de 100 para 300, enquanto um aumento de 900% o elevaria de 100 para 1.000. O valor inicial importa: um grande aumento percentual a partir de um lucro pequeno ainda pode resultar em um ganho financeiro modesto.
Prabowo não identificou as empresas nem seus setores, os períodos de comparação ou seus lucros em rupias. Os números mencionados descrevem melhorias em empresas selecionadas, enquanto a situação financeira de toda a rede exige a análise das contas de cada empresa e uma avaliação consolidada.
A política, portanto, tem duas frentes. Empresas consideradas incapazes de justificar sua continuidade podem ser fechadas ou consolidadas. Espera-se que as mantidas melhorem suas finanças e ofereçam benefícios mais claros à população.
Contas falsas colocam a responsabilização em foco
Prabowo destacou a apresentação de informações financeiras falsas, ao lado da ineficiência e dos prejuízos persistentes. As demonstrações financeiras informam ao Estado, aos credores e ao público o que uma empresa possui, deve, ganha e gasta. Contas imprecisas podem esconder problemas até que se tornem mais caros de resolver.
Em declarações anteriores no Parlamento, ele também contestou a ideia de que as empresas estatais pertencem a seus diretores ou podem servir como fonte de dinheiro para pessoas no poder. Em vez disso, afirmou que elas pertencem ao povo indonésio.
Naquele discurso, Prabowo propôs um tribunal ad hoc, ou seja, criado para uma finalidade específica, para investigar irregularidades em empresas estatais. Também levantou a possibilidade de alguma forma de perdão para quem reconhecesse ter cometido irregularidades. Essas declarações foram propostas, e o anúncio de outubro não apresentou detalhes sobre sua implementação.
A questão da responsabilização vai além de saber se uma empresa continuará existindo. Uma fusão muda a propriedade e a gestão corporativa; uma investigação apura quem tomou as decisões, se os registros eram verdadeiros e se houve desvio de dinheiro. Ambos os processos podem afetar quanto valor o Estado recupera com a reestruturação.
Bem-estar da população é o objetivo econômico declarado
Prabowo vinculou a reformulação aos artigos 33 e 34 da Constituição da Indonésia de 1945. Esses dispositivos tratam da organização da economia, da gestão dos recursos em benefício da população e das responsabilidades do Estado em relação ao bem-estar social.
O argumento dele é que os ativos estatais devem servir aos indonésios, em vez de permanecerem presos a empresas improdutivas. Isso insere o desempenho financeiro em uma promessa mais ampla sobre o uso da riqueza pública.
O anúncio veio após o pedido de novas economias feito por ele após uma reunião de gabinete em 21 de outubro. O ministro das Finanças, Suahasil Nazara, afirmou que as revisões contínuas do orçamento estatal tinham o objetivo de preservar recursos para despesas necessárias que melhorassem o bem-estar da população.
Para os cidadãos, o que está em jogo são os serviços, empregos, pagamentos e recursos públicos ligados a essas empresas. O objetivo declarado pelo governo é direcionar recursos para atividades produtivas. Para isso, são necessárias decisões sobre o que cada empresa faz, quais atividades continuarão e como serão tratadas as obrigações quando uma entidade corporativa for fechada.
Planos de crédito regional mostram a dimensão da promessa
A reunião de 22 de outubro também abordou o acesso ao crédito fora dos principais centros econômicos da Indonésia. Prabowo elogiou a Autoridade de Serviços Financeiros, o Banco da Indonésia e os governos regionais por criarem equipes TPAKD em todas as províncias, regências e cidades até o fim de 2024.
As equipes ajudaram a direcionar 53 trilhões de rupias em crédito produtivo a cerca de dois milhões de beneficiários. Crédito produtivo é aquele usado em atividades que geram renda, como a compra de insumos agrícolas, equipamentos ou estoque para uma pequena empresa.
Prabowo disse que queria distribuir 400 trilhões de rupias em financiamento no ano seguinte a agricultores, pescadores e moradores de áreas rurais, com uma ambição mais ampla que também alcançaria comunidades urbanas mais pobres e regiões desfavorecidas. A meta anunciada foi de 28 milhões de famílias.
400 trilhões de rupias equivalem a cerca de 7,5 vezes os 53 trilhões. Essa comparação ilustra a dimensão da ambição de financiamento, embora o número anterior conte beneficiários e a nova meta conte famílias. Na reunião, Prabowo também anunciou a criação de um Conselho Nacional para o Bem-Estar Financeiro.
Os planos de crédito explicam por que ele abordou eficiência empresarial e gestão de recursos em um evento sobre acesso financeiro: apresentou todos esses esforços como formas de direcionar mais da riqueza da Indonésia para o bem-estar das famílias.
Licenças de mineração e concessões florestais sob análise
Prabowo estendeu seu argumento sobre os recursos públicos às concessões de mineração e de plantações. Disse que o governo estava analisando dezenas de licenças de mineração e estudos internacionais para determinar o tamanho das reservas da Indonésia.
Também instruiu o ministro da Energia e dos Recursos Minerais a revogar licenças de mineração quando ficasse comprovado que as empresas não haviam realizado nenhuma atividade concreta por mais de dois anos. Uma licença autoriza uma empresa a operar dentro de regras específicas; a instrução do presidente tem como alvo quem deixa essa autorização sem uso.
O comunicado da Presidência também registra as críticas dele a titulares de concessões suspeitos de violações repetidas relacionadas a incêndios florestais e em áreas de turfa. Ele mencionou empresas que supostamente violaram as regras três ou quatro vezes, e uma delas até 19 vezes. Segundo ele, as licenças deveriam ser revogadas após duas violações.
O alerta veio após as reivindicações de estudantes contra os incêndios florestais durante manifestações que marcaram o segundo aniversário de seu governo. Os protestos relacionaram a emergência dos incêndios a preocupações com empregos, custo de vida e uso dos recursos públicos.
Prabowo pediu aos governos regionais e às universidades que identificassem e preparassem jovens indonésios capazes de administrar plantações e outros negócios ligados a recursos naturais. A proposta associa a fiscalização a outra tarefa: encontrar pessoas capazes de gerir as operações quando os atuais titulares perderem suas licenças.
Principais pontos
- Prabowo estabeleceu a meta de fechar 700 empresas estatais até dezembro de 2026; a consolidação e o enxugamento também fazem parte do programa de reestruturação.
- A rede inicial tinha 1.074 entidades, incluindo várias camadas de subsidiárias.
- O número aproximado de 364 continua ambíguo: pode se referir às empresas já reestruturadas ou às que ainda restam.
- As empresas sujeitas a medidas incluem as consideradas ineficientes, persistentemente deficitárias ou responsáveis por relatórios financeiros falsos.
- Prabowo afirmou que empresas estatais não identificadas registraram aumentos nos lucros de 200%, 300% e 900%.
- O presidente vinculou a reformulação ao bem-estar da população, à ampliação do acesso ao crédito e a uma gestão mais rigorosa dos recursos naturais.






