Superávit em conta corrente da Coreia do Sul bate recorde de US$ 61,46 bilhões em setembro, com disparada das exportações de chips

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South Korea's September Current Account Surplus Hits Record $61.46 Billion as Chip Exports Surge

Exportações de chips elevam superávit de setembro para mais de US$ 60 bilhões

A Coreia do Sul registrou superávit em conta corrente de US$ 61,46 bilhões em setembro de 2026, superando o recorde de junho, de US$ 49,73 bilhões, após as exportações de semicondutores dispararem 260,3% em relação ao ano anterior, para US$ 60,5 bilhões, segundo dados alfandegários. Os dados preliminares do balanço de pagamentos do Banco da Coreia mostram uma diferença crescente entre o forte desempenho das exportações de tecnologia do país e os ganhos mais modestos em outros setores.

Conteúdo
  1. Exportações de chips elevam superávit de setembro para mais de US$ 60 bilhões
  2. Como o recorde foi alcançado
  3. Por que chips e dispositivos de armazenamento predominam
  4. O boom das exportações beneficia alguns setores mais do que outros
  5. Importações avançam junto com as receitas de exportação
  6. Serviços continuam gerando pagamentos ao exterior
  7. Dividendos elevam rendimentos recebidos do exterior
  8. Investidores direcionam mais recursos a ativos no exterior
  9. O que a previsão anual exige
  10. Principais pontos

O superávit de setembro aumentou em relação aos US$ 46,11 bilhões de agosto e aos US$ 14,22 bilhões de um ano antes. As exportações de bens chegaram a US$ 130,72 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 67,97 bilhões, resultando em um superávit recorde de US$ 62,75 bilhões na balança de bens.

O superávit da Coreia do Sul entre julho e setembro chegou a US$ 149,65 bilhões. Esse valor foi US$ 26,60 bilhões superior ao superávit de todo o ano de 2025, de US$ 123,05 bilhões, que já era um recorde anual. Em três meses, o país obteve um superávit cerca de 22% maior que o acumulado no ano anterior.

A conta corrente mede o dinheiro recebido do exterior e enviado a outros países por bens, serviços, rendimentos de investimentos e transferências. Há superávit quando os recebimentos superam os pagamentos. O resultado de setembro veio principalmente da venda de bens, sobretudo chips e dispositivos de armazenamento de computadores usados na infraestrutura que dá suporte à inteligência artificial.

O boom da tecnologia também levou a compras substanciais no exterior. As importações de equipamentos e outros bens de capital cresceram 42,3%, incluindo chips e máquinas usados na fabricação de semicondutores. A Coreia do Sul passou a ganhar mais com as exportações de tecnologia e a gastar mais com produtos usados na produção.

Como o recorde foi alcançado

Setembro prolongou uma sequência de quatro meses consecutivos com exportações de bens acima de US$ 100 bilhões. O superávit em conta corrente ficou US$ 11,73 bilhões acima do pico mensal anterior, um aumento de cerca de 23,6% em relação a junho.

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Os principais marcos mostram a rapidez com que o saldo externo se ampliou:

  • Maio de 2023: a Coreia do Sul iniciou uma sequência ininterrupta de superávits mensais em conta corrente.
  • Junho de 2026: o superávit em conta corrente chegou ao então recorde de US$ 49,73 bilhões, enquanto o superávit na balança de bens alcançou US$ 47,89 bilhões.
  • Agosto de 2026: o superávit em conta corrente ficou em US$ 46,11 bilhões, e as projeções econômicas do Banco da Coreia apontavam um superávit de US$ 450 bilhões no ano.
  • Setembro de 2026: o superávit em conta corrente chegou a US$ 61,46 bilhões, e o superávit na balança de bens subiu para US$ 62,75 bilhões.
  • Janeiro a setembro de 2026: o superávit acumulado em conta corrente chegou a US$ 340,66 bilhões.

Kim Young-hwan, diretor-geral do Departamento de Estatísticas Econômicas do Banco da Coreia, atribuiu o resultado de setembro na balança de bens às exportações fortes e ao momento das transações perto do fim do trimestre.

O saldo de bens de setembro registrou o maior superávit da história, com a combinação de exportações robustas e efeitos de fim de trimestre,

A comparação trimestral vem depois de a Coreia do Sul superar o superávit combinado da Alemanha e do Japão entre abril e junho. A Coreia do Sul registrou US$ 116,63 bilhões naquele trimestre, ante US$ 52,28 bilhões da Alemanha e US$ 50,62 bilhões do Japão. Os US$ 149,65 bilhões do terceiro trimestre ficaram outros US$ 33,02 bilhões acima do resultado sul-coreano do segundo trimestre.

Por que chips e dispositivos de armazenamento predominam

As exportações de tecnologia da informação cresceram 195,8% em relação a setembro do ano anterior. Os embarques de semicondutores aumentaram 260,3%, enquanto as exportações de unidades de estado sólido, conhecidas como SSDs, subiram 392,3%. Os SSDs armazenam dados eletronicamente e são usados em computadores e em grandes centros de processamento que operam sistemas de inteligência artificial.

A demanda por chips de memória avançados e dispositivos de armazenamento usados na infraestrutura de IA ajudou a impulsionar a expansão. Os chips de memória guardam informações que os processadores precisam para funcionar, enquanto os dispositivos de armazenamento retêm os conjuntos maiores de dados usados por esses sistemas.

Os números mostram o crescimento do valor das exportações. Uma alta de 260,3% significa que o valor em dólares dos embarques de semicondutores foi cerca de 3,6 vezes maior que o de um ano antes. O valor das exportações de SSDs quase quintuplicou.

O número de US$ 60,5 bilhões em semicondutores vem das estatísticas alfandegárias, enquanto o total de US$ 130,72 bilhões em exportações de bens é calculado pelo balanço de pagamentos. Os registros alfandegários acompanham os bens que cruzam as fronteiras; os dados do balanço de pagamentos usam ajustes para acompanhar transações entre residentes e agentes no exterior. Os dois conjuntos de dados descrevem atividades estreitamente relacionadas, mas usam critérios contábeis diferentes.

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O boom das exportações beneficia alguns setores mais do que outros

As exportações fora do setor de tecnologia da informação cresceram 13,4% em relação ao ano anterior. Foi um avanço expressivo, mas muito inferior à alta de 195,8% dos produtos de TI. A diferença entre as duas taxas de crescimento foi de 182,4 pontos percentuais.

As exportações de derivados de petróleo subiram 73,3%, as de produtos siderúrgicos avançaram 6,7% e as de máquinas e equipamentos de precisão cresceram 6,3%. As exportações de automóveis de passeio caíram 5,6%, deixando um importante setor manufatureiro na direção oposta à dos semicondutores.

O crescimento das exportações também variou conforme o destino. Os embarques para os Estados Unidos aumentaram 136,9%, os destinados à China cresceram 123,1% e as exportações para o Sudeste Asiático avançaram 113,2%. Em todos esses casos, os valores foram mais que o dobro dos registrados um ano antes.

O Japão e a União Europeia tiveram altas menores, de 25,2% e 21,2%, respectivamente. As exportações para o Oriente Médio recuaram 14,1%, enquanto as destinadas à América Latina caíram 3,6%. Para empresas e trabalhadores, portanto, o recorde nacional representa situações muito diferentes, dependendo do que vendem e de onde estão seus clientes.

Importações avançam junto com as receitas de exportação

As importações de bens cresceram 29,4% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 67,97 bilhões, ante US$ 57,99 bilhões em agosto. As exportações cresceram muito mais rápido, com alta de 92,4% na comparação anual, e passaram de US$ 104,80 bilhões em agosto para US$ 130,72 bilhões em setembro.

Os cálculos mensais explicam o aumento do superávit na balança de bens. As exportações cresceram US$ 25,92 bilhões entre agosto e setembro, enquanto as importações avançaram US$ 9,98 bilhões. A diferença ampliou o superávit de US$ 46,81 bilhões para US$ 62,75 bilhões.

Os bens de capital lideraram o crescimento das importações. As importações de semicondutores aumentaram 92,8%, as de equipamentos para fabricação de semicondutores subiram 49,2% e as de equipamentos de informação e comunicação avançaram 37,3%. Bens de capital são produtos que as empresas usam para fabricar outros bens ou prestar serviços, e não produtos comprados principalmente para uso doméstico.

As importações de matérias-primas cresceram 21,3%, com altas de 42,5% para o gás, 38,4% para o petróleo bruto e 24,2% para o carvão. O preço de importação do petróleo bruto chegou a US$ 98 por barril, alta de 34,5% em relação ao ano anterior. As importações de bens de consumo subiram bem menos, 2,0%.

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Serviços continuam gerando pagamentos ao exterior

O déficit da Coreia do Sul em serviços aumentou para US$ 3,35 bilhões, ante US$ 1,68 bilhão em agosto, uma ampliação de US$ 1,67 bilhão. Os serviços incluem transporte, viagens, consultoria e pagamentos pelo uso de propriedade intelectual, como patentes e tecnologia licenciada.

O superávit em transportes diminuiu de US$ 520 milhões para US$ 130 milhões com o aumento dos pagamentos pelo afretamento de navios. O déficit nos pagamentos por propriedade intelectual aumentou de US$ 390 milhões para US$ 770 milhões. Outros serviços empresariais, incluindo pesquisa e consultoria, também registraram um déficit maior.

As viagens geraram um déficit de US$ 770 milhões, praticamente inalterado em relação a agosto. Tanto as chegadas quanto as partidas diminuíram com o fim da temporada de viagens de verão. Os dados detalhados sobre viagens indicam que a principal piora mensal ocorreu em outras áreas da conta de serviços.

O superávit de US$ 62,75 bilhões na balança de bens foi maior que o superávit de US$ 61,46 bilhões em conta corrente porque os serviços e outras transações reduziram o saldo final. As vendas de produtos físicos geraram receitas líquidas suficientes para compensar o déficit em serviços e os demais pagamentos ao exterior.

Dividendos elevam rendimentos recebidos do exterior

O superávit de rendas primárias subiu para US$ 2,65 bilhões, ante US$ 1,92 bilhão em agosto. As rendas primárias incluem ganhos com investimentos, como dividendos e juros, além de remunerações recebidas através das fronteiras.

Dentro desse total, o superávit de rendimentos de dividendos aumentou de US$ 1,18 bilhão para US$ 2,24 bilhões. O valor de US$ 2,24 bilhões se refere aos dividendos, enquanto US$ 2,65 bilhões correspondem ao saldo mais amplo de rendas primárias. Os recebimentos e pagamentos de dividendos responderam pela maior parte do superávit de rendas em setembro.

O Banco da Coreia atribuiu a melhora, em parte, ao fim da concentração sazonal de pagamentos trimestrais de dividendos sobre títulos. Esses pagamentos tendem a se concentrar em maio, agosto e novembro, afetando o saldo mensal entre os rendimentos recebidos do exterior e os pagos a outros países.

A conta de rendas secundárias, que abrange transferências, e não pagamentos por bens, serviços ou rendimentos de investimentos, registrou déficit de US$ 590 milhões. O valor foi menor que os US$ 940 milhões de agosto. Com base nos componentes arredondados publicados, o superávit de US$ 62,75 bilhões na balança de bens, o déficit de US$ 3,35 bilhões em serviços, o superávit de US$ 2,65 bilhões em rendas primárias e o déficit de US$ 590 milhões em transferências somam o superávit de US$ 61,46 bilhões em conta corrente.

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Investidores direcionam mais recursos a ativos no exterior

Os ativos líquidos da conta financeira aumentaram um valor recorde de US$ 54,34 bilhões, superando o recorde anterior de junho, de US$ 46,71 bilhões. A conta financeira acompanha transações em ativos e passivos, incluindo investimentos diretos, ações, títulos e empréstimos.

Os residentes sul-coreanos ampliaram em US$ 11,43 bilhões seus investimentos diretos no exterior, enquanto o investimento direto estrangeiro na Coreia do Sul cresceu US$ 6,52 bilhões. Em geral, o investimento direto envolve uma participação duradoura em uma empresa, em vez da simples compra de títulos para uma carteira de investimentos.

Os residentes também aumentaram em US$ 16,63 bilhões os investimentos em carteira no exterior, a segunda maior alta mensal, depois dos US$ 17,29 bilhões de outubro de 2025. As compras em setembro somaram US$ 9,91 bilhões em ações e US$ 6,72 bilhões em títulos. O investimento em títulos no exterior bateu recorde pelo segundo mês consecutivo.

Os investimentos estrangeiros em carteira na Coreia do Sul caíram US$ 13,81 bilhões. Investidores estrangeiros reduziram em US$ 13,74 bilhões suas posições em ações sul-coreanas, com vendas concentradas em grandes empresas de semicondutores, e diminuíram em US$ 70 milhões suas posições em títulos.

A conta financeira registra outra parte das relações da Coreia do Sul com o resto do mundo. Quando residentes compram ativos estrangeiros, aumentam suas posições no exterior; quando investidores estrangeiros vendem ativos sul-coreanos, diminuem os passivos perante investidores de outros países. Ambos os movimentos podem elevar os ativos financeiros líquidos, mesmo com a saída de recursos estrangeiros do mercado de ações doméstico.

O que a previsão anual exige

O Banco da Coreia esperava que o superávit em conta corrente de 2026 superasse sua previsão de agosto, de US$ 450 bilhões. Os US$ 340,66 bilhões acumulados até setembro já correspondiam a cerca de 75,7% dessa projeção.

Para chegar exatamente a US$ 450 bilhões, seriam necessários outros US$ 109,34 bilhões entre outubro e dezembro, uma média de cerca de US$ 36,45 bilhões por mês. O total de US$ 149,65 bilhões do terceiro trimestre ficou bem acima desse valor.

A principal comparação para o período de janeiro a setembro aponta um total de US$ 83,89 bilhões no ano anterior, fazendo com que o resultado de 2026 fosse cerca de 4,1 vezes maior. O total anterior também é informado como US$ 89,39 bilhões; usando esse valor, o resultado seria cerca de 3,8 vezes maior. A comparação entre setembro e o mesmo mês do ano anterior, de US$ 61,46 bilhões contra US$ 14,22 bilhões, também mostra um aumento superior a quatro vezes.

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Kim Young-hwan, diretor-geral do Departamento de Estatísticas Econômicas do Banco da Coreia, afirmou que efeitos sazonais poderiam levar a um novo pico antes do fim do ano.

Com a expectativa de efeitos de fim de ano também em dezembro, poderemos ver outro recorde mensal de superávit ainda neste ano,

O banco também esperava que outubro registrasse o segundo maior superávit mensal da história. Essas eram projeções; os saldos finais de outubro e dezembro ainda estavam pendentes, e os números de setembro continuavam preliminares.

A próxima decisão de política monetária estava marcada para 26 de novembro. O Banco da Coreia havia interrompido os aumentos dos juros em outubro, após duas altas consecutivas. Assim, os formuladores de política monetária se aproximavam da reunião com receitas de exportação excepcionais, mas também com resultados mais fracos nos automóveis de passeio, um déficit maior em serviços e a continuidade das vendas de ações sul-coreanas por investidores estrangeiros.

Principais pontos

  • O superávit em conta corrente da Coreia do Sul chegou ao recorde de US$ 61,46 bilhões em setembro de 2026, ante US$ 46,11 bilhões em agosto.
  • As exportações de bens somaram US$ 130,72 bilhões e as importações, US$ 67,97 bilhões, gerando um superávit recorde de US$ 62,75 bilhões na balança de bens.
  • Dados alfandegários mostraram alta de 260,3% nas exportações de semicondutores, para US$ 60,5 bilhões, enquanto as exportações de SSDs cresceram 392,3%.
  • As exportações fora do setor de TI cresceram 13,4%, mas as de automóveis de passeio caíram 5,6%.
  • O déficit em serviços aumentou para US$ 3,35 bilhões, enquanto o superávit de rendas primárias subiu para US$ 2,65 bilhões.
  • Os residentes compraram US$ 16,63 bilhões em títulos no exterior, enquanto os investimentos estrangeiros em carteira na Coreia caíram US$ 13,81 bilhões.
  • O superávit em conta corrente acumulado em nove meses chegou a US$ 340,66 bilhões, e o Banco da Coreia esperava que o total anual superasse US$ 450 bilhões.
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