Xangai reúne 4.142 expositores estrangeiros
A China abriu sua nona Exposição Internacional de Importação da China em Xangai em 5 de novembro de 2026, reunindo um número recorde de 4.142 expositores estrangeiros, enquanto empresas de outros países buscam clientes, distribuidores e oportunidades de investimento no mercado chinês. O evento de seis dias vai até 10 de novembro, no Centro Nacional de Exposições e Convenções.
Conteúdo
- Xangai reúne 4.142 expositores estrangeiros
- Participação cresce, com estreantes representando quase metade
- O que as edições anteriores geraram
- Empresas tailandesas usam a feira para testar o mercado
- Empresas médicas conectam exposições ao tratamento
- Investimentos levam a relação além das importações
- Marcas de consumo buscam clientes específicos
- Economias menores ganham espaço, enquanto os serviços se expandem
- Mudanças alfandegárias permitem que empresas comecem antes
- Principais pontos
O encontro reúne participantes de 162 países, regiões e organizações internacionais. A área total de exposição superou 440 mil metros quadrados pela primeira vez, dos quais mais de 370 mil metros quadrados são dedicados à exposição empresarial. Mais de 300 empresas da lista Fortune Global 500 e líderes do setor participam, também em número recorde.
A abertura ocorre em meio a preocupações com os desequilíbrios comerciais da China, chamando atenção tanto para o quanto o país compra do exterior quanto para o quanto vende. As importações chinesas chegaram a 16,7 trilhões de yuans nos primeiros nove meses de 2026, alta de 22,3% e o crescimento mais rápido desde 2021. Não foram divulgados um total correspondente das exportações nem um valor que mensurasse o desequilíbrio recorde relatado.
Há superávit comercial quando um país exporta mais do que importa. O crescimento mais rápido das importações pode reduzir essa diferença se as exportações avançarem em ritmo menor, mas o saldo depende dos dois lados da balança comercial. Para os expositores em Xangai, a tarefa imediata é mais concreta: transformar reuniões e demonstrações em compras, acordos de distribuição e negócios que continuem depois que os estandes fecharem.
A feira oferece vários caminhos para alcançar esse objetivo. Redes tailandesas de cafeterias testam sabores e preços, empresas europeias de equipamentos médicos buscam ampliar o uso de suas tecnologias e marcas de consumo consolidadas procuram conquistar seus primeiros clientes chineses.
Participação cresce, com estreantes representando quase metade
Os 4.142 expositores estrangeiros superam os 4.108 da oitava edição da feira, em 2025, e os 3.617 da primeira edição, em 2018. Isso representa um aumento de 34 empresas, ou cerca de 0,8%, em relação ao ano passado e de aproximadamente 14,5% desde o início do evento.
Mais de 2.000 empresas expõem pela primeira vez, o equivalente a mais de 48% do total de expositores estrangeiros. Quase 200 empresas e instituições participaram de todas as nove edições. A combinação reúne um grande grupo de participantes recorrentes e um contingente expressivo de empresas que ainda estão explorando o mercado.
As empresas estrangeiras vêm de 148 países e regiões. O total mais amplo de participantes, de 162, também inclui a exposição nacional e organizações internacionais. Na exposição nacional, participam 65 países e quatro organizações internacionais, com Canadá e Sri Lanka como convidados de honra.
Empresas americanas ocupam mais de 50 mil metros quadrados, a maior área de exposição corporativa de um país pelo oitavo ano consecutivo. As empresas canadenses e neozelandesas têm as maiores áreas de exposição de suas histórias, enquanto a área australiana cresceu 25% em relação ao ano passado.
O que as edições anteriores geraram
O valor das transações previstas na feira passou de US$ 57,83 bilhões na primeira edição para US$ 83,49 bilhões na oitava, um aumento de cerca de 44%. Esses valores representam intenções de compra e acordos anunciados em torno do evento; o comércio efetivamente realizado depende de pedidos e entregas posteriores.
Algumas datas mostram como a feira se desenvolveu e como os preparativos agora se estendem para além da abertura oficial:
- 2018: Foi aberta a primeira feira de importação, que atraiu 3.617 expositores estrangeiros.
- 2025: A oitava edição reuniu 4.108 expositores e registrou US$ 83,49 bilhões em transações previstas.
- 26 de outubro de 2026: Um expositor italiano de joias iniciou uma apresentação prévia em um armazém alfandegado em Xangai.
- 5 de novembro de 2026: Foram abertas a nona feira e o Fórum Econômico Internacional de Hongqiao.
- 10 de novembro de 2026: Está previsto o encerramento da edição deste ano.
As empresas presentes em 2026 buscam mais do que vendas imediatas. Seus planos incluem o uso clínico de equipamentos médicos, parcerias de pesquisa, presença no varejo e serviços que ajudem outras empresas a operar além das fronteiras.
Empresas tailandesas usam a feira para testar o mercado
Paijit Viboontanasarn, vice-presidente e secretário-geral da Câmara de Comércio da Tailândia na China, afirma que algumas pequenas e médias empresas tailandesas encontraram clientes e parceiros depois de participar de apenas uma ou duas edições. A câmara ajudou redes de cafeterias e casas de chá a abrir lojas de demonstração, nas quais as vendas reais revelam a reação dos consumidores a preços e sabores.
Paijit descreveu o valor comercial desses testes:
"Além de garantir pedidos, a CIIE permite que as empresas testem se seus produtos e modelos de negócio agradam aos consumidores chineses", afirmou.
Outras empresas tailandesas discutiram a venda de joias em lojas chinesas. Esses acordos dão ao fornecedor acesso a uma rede de vendas já existente, em vez de exigir que ele abra suas próprias lojas imediatamente. Paijit quer que mais empresas tailandesas conquistem papéis duradouros nas cadeias de suprimentos e industriais da China, ampliando seus relacionamentos para além de pedidos individuais de produtos.
Empresas romenas buscam uma transição semelhante, da participação em uma feira para a manutenção de uma presença local. A organização empresarial romena participante abriu um escritório de representação em Xangai para oferecer orientação sobre entrada no mercado e conectar empresas a associações comerciais do delta do rio Yangtzé. Mais de 60 empresas e instituições romenas manifestaram interesse em atividades relacionadas, incluindo oportunidades para vinhos, água mineral, produtos energéticos e peças automotivas.
Empresas médicas conectam exposições ao tratamento
A exposição médica reúne 16 das 20 maiores empresas farmacêuticas do mundo, além de líderes em equipamentos de diagnóstico por imagem e radioterapia. Em toda a feira, mais de 480 produtos e tecnologias fazem sua estreia mundial, asiática ou chinesa, o maior número da história do evento.
A Novo Nordisk, presente em todas as edições, destaca medicamentos que passaram dos estandes de exposição para o mercado chinês. Mike Doustdar, presidente e diretor-executivo da empresa, descreveu essa evolução:
A CIIE se tornou uma parte importante do nosso trabalho na China", afirmou Mike Doustdar. "Este é nosso nono ano consecutivo de participação, e muitos medicamentos que apresentamos pela primeira vez na feira já chegaram ao mercado chinês.
A Elekta oferece um exemplo concreto envolvendo equipamentos. Um sistema que combina ressonância magnética com radioterapia estreou na Ásia na primeira edição da feira e agora é usado em 17 instituições médicas chinesas. As imagens ajudam os médicos a visualizar a área tratada enquanto a radiação é direcionada ao tumor.
A Novartis afirma que mais de 60 novos medicamentos e novas indicações aprovadas para medicamentos receberam autorização na China desde que a empresa começou a participar, em 2018. Neste ano, planeja apresentar pela primeira vez na China um tratamento experimental em imunologia, área que estuda as defesas do organismo. A Bayer levará quase 30 produtos e tecnologias em estreia nas áreas de medicamentos sob prescrição, saúde do consumidor e ciências agrícolas.
Investimentos levam a relação além das importações
A AstraZeneca anunciou em março de 2025 um investimento de US$ 2,5 bilhões para instalar em Pequim seu sexto centro global estratégico de pesquisa e desenvolvimento. Um produto que apresentou na primeira edição da feira agora está disponível em mais de 7.000 hospitais chineses. A atuação da empresa mostra como a venda na China pode se desenvolver junto com pesquisas realizadas no próprio país.
A Bayer tem seis centros de pesquisa e inovação e quatro centros de fornecimento na China. Sua colaboração com a Universidade Tsinghua e a Universidade de Pequim incluiu mais de 110 projetos conjuntos de pesquisa. A liderança da Pfizer na China afirma que o compromisso de investir mais US$ 1 bilhão no mercado foi cumprido antes do prazo, com investimentos efetivos acima da meta original.
A GE HealthCare também ampliou suas operações locais. Um centro de pesquisa e inovação para sistemas de ressonância magnética foi inaugurado em suas instalações de Tianjin em dezembro de 2025, seguido pelo início das operações de uma linha automatizada de produção de detectores para tomografia computadorizada em Pequim, em abril de 2026. A empresa afirma que mais de 1.800 engenheiros locais trabalham em quatro centros chineses de pesquisa e inovação.
Os números de Xangai colocam esses planos empresariais em um contexto mais amplo. A cidade recebeu US$ 11,59 bilhões em investimento estrangeiro efetivamente utilizado entre janeiro e agosto de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Até agosto, abrigava 1.120 sedes regionais de multinacionais e 675 centros de pesquisa e desenvolvimento financiados por empresas estrangeiras.
Marcas de consumo buscam clientes específicos
Uma nova área dedicada a marcas globais reúne cerca de 100 marcas estrangeiras, mais de 30 delas com mais de um século de história. Suas estratégias de vendas costumam mirar públicos específicos, e não o mercado consumidor chinês como um todo.
A produtora espanhola de espumantes Mestres remonta a história de produção de vinho da família a 1312. O representante David Aura Font afirma que a produção limitada havia impedido a entrada de seus vinhos na China. Depois de reservar um estoque para a feira, a empresa espera conhecer sommeliers e compradores de restaurantes. Seu ciclo de produção mais curto é de quatro anos, enquanto alguns vinhos envelheceram por mais de meio século.
A canadense Walter's Shoe Care, fundada em 1893, vê na cultura de tênis da China uma oportunidade para seus produtos de limpeza e conservação. A fabricante britânica de porcelana Royal Crown Derby, fundada em 1750, apresenta jogos de chá semelhantes aos exibidos na série de televisão Downton Abbey. A Avalon Dairy, que começou em Vancouver em 1906 com seis vacas, busca ampliar os relacionamentos construídos em visitas anteriores à feira.
A Lululemon participa pelo terceiro ano consecutivo, e a China já é seu segundo maior mercado. San Yan Ng, presidente regional para a China e a Ásia-Pacífico, descreveu o papel do evento na aproximação da empresa com pessoas além de sua base imediata de clientes:
A CIIE é muito mais do que uma plataforma para apresentar produtos", afirmou San Yan Ng. "Ela também nos dá a oportunidade de manter diálogos mais profundos e criar vínculos mais fortes com clientes, parceiros, representantes do governo e amigos de diversos setores na China.
Economias menores ganham espaço, enquanto os serviços se expandem
O espaço gratuito nos estandes para os países menos desenvolvidos aumentou 17% neste ano. Entre os produtos promovidos estão mel da Zâmbia, pimentas de Ruanda e tapetes de lã feitos à mão do Afeganistão. A China ampliou para 63 países as políticas de tarifa zero, reduzindo os impostos de importação dos produtos abrangidos por esses acordos.
A exposição também está indo além dos produtos físicos. Suas seis principais áreas abrangem equipamentos técnicos, bens de consumo, alimentos e agricultura, veículos e mobilidade inteligente, produtos médicos e serviços, além de uma área dedicada à incubação de inovações.
Entre os estreantes de Singapura na seção de serviços estão empresas que oferecem apoio em tributação, contabilidade e recursos humanos. A exposição de serviços tem quatro áreas dedicadas à inovação financeira, aos serviços profissionais, a exposições e turismo cultural e à logística. Essas empresas podem ajudar fornecedores a lidar com os aspectos práticos da entrada em um novo mercado, do transporte de mercadorias à organização de equipes e pagamentos.
O Fórum Econômico Internacional de Hongqiao acontece paralelamente à feira, com 23 sessões paralelas e sete reuniões a portas fechadas. Sua programação inclui o primeiro Relatório sobre o Desenvolvimento da Capacidade de Exportação para a China, destinado a ajudar países, especialmente economias em desenvolvimento, a ampliar sua capacidade de vender para a China. A publicação do Relatório Mundial de Abertura também está prevista pelo sexto ano consecutivo.
Mudanças alfandegárias permitem que empresas comecem antes
Os preparativos de Xangai incluem um procedimento que permite apresentar produtos a potenciais clientes antes de levá-los ao local principal da feira. Em 26 de outubro, a empresa italiana de joias Vitifa, também expositora italiana, iniciou uma apresentação prévia em um armazém alfandegado no Bund Finance Center.
Um armazém alfandegado mantém mercadorias importadas sob supervisão da alfândega antes do pagamento dos impostos de importação normalmente devidos. A representante da empresa de joias, Chen Haiyan, afirmou que antes os produtos precisavam permanecer lacrados no depósito até a feira. Pelo procedimento deste ano, a empresa pôde apresentá-los e iniciar conversas comerciais enquanto ainda estavam em regime alfandegado, antes de transportá-los à exposição principal por meio de um esquema dedicado de transporte.
O ganho prático é mais tempo com potenciais compradores. Junto com lojas de demonstração, apresentações a varejistas e serviços profissionais, a mudança mostra como o evento está sendo organizado em torno das etapas entre apresentar um produto e vendê-lo. Essas etapas determinarão quanto da atividade em Xangai se transformará em comércio contínuo após 10 de novembro.
Principais pontos
- A nona Exposição Internacional de Importação da China acontece em Xangai de 5 a 10 de novembro de 2026.
- Um número recorde de 4.142 expositores estrangeiros participa, incluindo mais de 2.000 estreantes.
- As importações da China chegaram a 16,7 trilhões de yuans nos primeiros nove meses de 2026, alta de 22,3%.
- Mais de 480 produtos e tecnologias fazem sua estreia mundial, asiática ou chinesa.
- Além de pedidos de produtos, empresas buscam acesso ao varejo, adoção de tecnologias médicas, parcerias de pesquisa e investimentos.
- O espaço gratuito nos estandes para os países menos desenvolvidos aumentou 17%.






