Seis milhões de chips encomendados, mas apenas uma fração deve chegar em breve
Alibaba, Tencent, ByteDance e outras empresas chinesas de tecnologia encomendaram cerca de seis milhões de chips Nvidia RTX Pro 5500, avaliados em aproximadamente US$ 70 bilhões. No entanto, os planos de entrega confirmados cobririam apenas cerca de 1% desse total nos próximos quatro meses, segundo pessoas familiarizadas com as compras.
Conteúdo
- Seis milhões de chips encomendados, mas apenas uma fração deve chegar em breve
- O que representam os valores de US$ 35 bilhões e US$ 70 bilhões
- Por que uma placa para estações de trabalho virou prioridade para IA
- Quando os compradores esperam receber as placas
- Prioridades das fábricas limitam a velocidade de expansão da oferta
- Dois governos influenciam a janela de compra
- Alternativas chinesas também enfrentam pressão na oferta
- A expansão da nuvem depende de mais do que processadores
- Principais pontos
As empresas esperam receber vários milhares de chips até o fim de 2026, seguidos por dezenas de milhares por volta de fevereiro de 2027. Grandes provedores chineses de serviços em nuvem esperam receber cerca de 700 mil até o fim de 2027, à medida que a Nvidia aumenta a produção, embora essa estimativa possa mudar conforme a distribuição da capacidade de fabricação.
No centro da escassez está um processador gráfico profissional que compradores chineses podem obter conforme as atuais regras de exportação dos EUA. Washington restringe o acesso aos produtos mais potentes da Nvidia, o que torna o RTX Pro 5500 uma das opções mais avançadas disponíveis para empresas que expandem serviços de inteligência artificial.
A demanda que a Nvidia enfrenta supera a produção planejada. A empresa também está direcionando recursos de fabricação para seus produtos mais avançados e lucrativos, usados por empresas americanas de IA, como OpenAI e Anthropic. Assim, mesmo quando um chip atende às exigências de exportação, os clientes chineses enfrentam uma limitação prática: a autorização para comprar não cria capacidade adicional nas fábricas.
As encomendas relatadas custam mais de US$ 11 mil por chip, e alguns compradores receberam cotações de cerca de US$ 11.400. A Nvidia não comentou os números de envio, e Nvidia, Alibaba, Tencent e ByteDance não confirmaram publicamente os totais das encomendas. Os números se referem a compras e expectativas de entrega informadas por pessoas familiarizadas com o negócio.
O que representam os valores de US$ 35 bilhões e US$ 70 bilhões
ByteDance, Alibaba e Tencent respondem por mais de três milhões de placas, avaliadas em mais de US$ 35 bilhões. A estimativa maior, de cerca de seis milhões de placas, no valor aproximado de US$ 70 bilhões, inclui outros clientes chineses de IA e computação em nuvem. Os dois números se referem a grupos diferentes de compradores.
A cerca de US$ 11.400 cada, seis milhões de placas custariam US$ 68,4 bilhões, valor próximo do total relatado de US$ 70 bilhões. Três milhões ao mesmo preço custariam US$ 34,2 bilhões. Os totais divulgados são aproximados, e os preços podem variar entre contratos.
Segundo relatos, a Nvidia indicou que poderia fabricar no máximo três milhões de placas RTX Pro 5500 em todo o mundo em 2027. A demanda chinesa, sozinha, equivaleria a cerca do dobro dessa produção anual potencial, antes mesmo de qualquer placa ser destinada a clientes de outros lugares.
Alguns parceiros foram informados de que talvez recebam apenas de 5% a 10% das quantidades solicitadas. Essas estimativas dizem respeito às cotas destinadas a parceiros específicos, enquanto o número de cerca de 1% se refere às entregas confirmadas para os próximos quatro meses. Portanto, os compradores enfrentam tanto um início lento quanto incertezas sobre quanto de suas encomendas será efetivamente entregue.
Por que uma placa para estações de trabalho virou prioridade para IA
O RTX Pro 5500 é baseado na arquitetura Blackwell da Nvidia e foi lançado em setembro de 2026. Ele foi projetado para computadores profissionais de alto desempenho, conhecidos como estações de trabalho, e não para os enormes clusters de computação montados com os principais processadores da Nvidia para data centers.
A placa tem 84 gigabytes de memória GDDR7 e o mesmo número de núcleos de computação CUDA do processador para jogos RTX 5090 da Nvidia. Os núcleos CUDA realizam muitos cálculos simultaneamente, o que é útil quando um software de IA precisa processar grandes volumes de informação. A memória armazena o modelo e os dados necessários enquanto esses cálculos são executados.
As empresas chinesas querem essas placas principalmente para inferência, o trabalho realizado por um modelo de IA depois de treinado. Quando um chatbot responde a uma pergunta ou um software gera uma resposta a um documento, está realizando inferência. O treinamento é a etapa anterior, em que o modelo aprende padrões a partir de grandes conjuntos de informações.
Em geral, a inferência exige menos poder de computação do que treinar um grande modelo do zero, o que torna o hardware para estações de trabalho útil para alguns serviços. O RTX Pro 5500 oferece aos compradores uma combinação de capacidade de processamento e memória ampla em um momento em que o acesso aos produtos mais potentes da Nvidia é limitado.
Os clientes também estão reagindo à redução das alternativas na linha de produtos da Nvidia. O RTX 6000D, lançado para a China em 2025, teria oferecido desempenho semelhante, mas despertou pouco interesse no início, pois os compradores esperavam que chips mais potentes fossem disponibilizados. O produto foi descontinuado desde então, e seu preço no mercado chinês teria dobrado.
Quando os compradores esperam receber as placas
O cronograma inicial de entregas da Nvidia vai de pequenos lotes no fim de 2026 a remessas comerciais maiores no início de 2027. As amostras permitem que os clientes avaliem o hardware e preparem os sistemas antes da implementação em larga escala, enquanto as entregas comerciais fornecem as quantidades necessárias para ampliar os serviços em operação.
O cronograma relatado reúne decisões de compra, discussões governamentais e previsões de envio:
- Setembro de 2026: a Nvidia lança o RTX Pro 5500.
- Fim de setembro de 2026: o Ministério da Indústria da China consulta empresas sobre as compras pretendidas e os usos planejados e, segundo relatos, sinaliza que pretende aprovar as encomendas.
- 13 de outubro de 2026: a Tansun Technology divulga um acordo para comprar 20 mil placas.
- Dezembro de 2026: são esperadas as primeiras amostras e os primeiros lotes, de vários milhares de placas.
- Primeiro trimestre de 2027: devem começar as entregas comerciais, com expectativa de dezenas de milhares de placas por volta de fevereiro.
- Fim de 2027: grandes provedores chineses de serviços em nuvem esperam receber cerca de 700 mil placas, sujeito a mudanças na produção.
Cerca de 1% de seis milhões de placas corresponderia a 60 mil. A expectativa de longo prazo de 700 mil cobriria aproximadamente 12% do total da mesma encomenda. Mesmo essa cota maior deixaria sem atendimento a maior parte da demanda relatada.
A Tansun Technology, empresa listada em Shenzhen, mostra como a escassez também afeta empresas além dos maiores grupos de internet da China. Em comunicado de 13 de outubro, a empresa alertou que a falta de oferta, a demanda e os controles sobre tecnologias estrangeiras poderiam atrasar as entregas ou reduzir os volumes previstos no acordo.
Prioridades das fábricas limitam a velocidade de expansão da oferta
As decisões de produção da Nvidia são influenciadas pela demanda por várias gerações de processadores ao mesmo tempo. Fabricar mais placas RTX Pro 5500 exige encontrar capacidade enquanto a empresa fornece sistemas avançados de IA e prepara produtos mais novos.
A partir de 2027, espera-se que a Nvidia destine grande parte de sua capacidade na Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. à Rubin, sua próxima plataforma para grandes data centers. A TSMC não comentou esses planos de produção. Segundo relatos, a Nvidia também interrompeu a produção do RTX 5090 enquanto redireciona recursos para seu negócio de IA empresarial.
Assim, os compradores chineses disputam tanto cotas de produção quanto placas prontas. Mesmo uma grande encomenda pode deixar um cliente à espera quando o fornecedor já destinou a produção a outros produtos.
A Nvidia enfrentou um descompasso semelhante com seu processador H200. Clientes chineses haviam feito encomendas superiores a dois milhões, ante um estoque relatado de cerca de 700 mil chips. Isso levou a discussões sobre a ampliação da fabricação, enquanto as vendas também dependiam de decisões em Washington e Pequim.
O RTX Pro 5500 oferece outra alternativa para ampliar a capacidade de computação, pois atende aos limites atuais de exportação dos EUA. Ainda assim, o acúmulo de encomendas relatado mostra que trocar de produto não resolve automaticamente a falta de hardware disponível.
Dois governos influenciam a janela de compra
As regras dos EUA impedem que os produtos de IA mais potentes da Nvidia cheguem à China. O Blackwell B300 não pode ser exportado para o país conforme as regras descritas nos relatos, enquanto a venda do H200 depende de decisões caso a caso e de condições de licenciamento. O RTX Pro 5500 fica abaixo dos limites de restrição relevantes.
Pequim também influencia a decisão de empresas chinesas de prosseguir com as compras. No fim de setembro, o Ministério da Indústria da China teria perguntado à ByteDance, à Alibaba e a outras empresas quantas placas queriam e como pretendiam usá-las. O ministério indicou que pretendia aprovar as encomendas. A ByteDance, sozinha, avaliava comprar cerca de um milhão de placas.
A Nvidia afirma que as restrições impostas pelos dois lados limitam seus negócios. Um porta-voz da empresa descreveu as pressões enfrentadas pelos fornecedores americanos:
As empresas dos EUA continuam limitadas por uma combinação de controles de exportação americanos ultrapassados, que abrangem produtos para jogos lançados há quase meia década, e pelas próprias restrições da China às importações dos EUA.
Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas incentivam a compra de chips nacionais. Para os provedores de serviços em nuvem, comprar hardware da Nvidia e investir em alternativas chinesas são medidas que podem ocorrer em paralelo: cada opção oferece uma possível fonte de capacidade de computação quando outra via está limitada.
Alternativas chinesas também enfrentam pressão na oferta
Huawei, Cambricon e T-Head, subsidiária de design de chips da Alibaba, são alternativas potenciais para tarefas de inferência. As entregas limitadas da Nvidia dão às empresas chinesas de computação em nuvem mais um motivo para recorrer a esses fornecedores, em vez de esperar a chegada de toda a encomenda estrangeira.
Os fabricantes nacionais também enfrentam restrições. Os controles dos EUA sobre equipamentos avançados para fabricação de chips e serviços relacionados limitam o acesso às ferramentas necessárias para ampliar a produção. A escassez prolongada de memória de alta largura de banda, que transfere informações rapidamente junto a poderosos processadores de IA, também restringe a produção e eleva os preços.
O RTX Pro 5500 usa GDDR7 em vez de memória de alta largura de banda. Os fabricantes chineses que produzem outros processadores de IA precisam garantir o tipo de memória adequado a seus projetos. Assim, a escassez em uma categoria de produto pode redirecionar a demanda para outra, sem aliviar a pressão sobre a cadeia de suprimentos como um todo.
A Huawei já havia reduzido a vantagem da Nvidia nos embarques de aceleradores de IA na China. Dados da IDC citados em outubro indicaram que a participação de mercado da Huawei chegou a 28% no primeiro semestre de 2026, ante 34% da Nvidia. A Nvidia enviou 678 mil aceleradores no período, contra 572 mil da Huawei.
Esses números de envio mostram a expansão da oferta nacional ao lado da demanda contínua por placas da Nvidia. As seis milhões de encomendas relatadas do RTX Pro 5500 sugerem que os clientes chineses ainda querem grandes quantidades de hardware da Nvidia, embora os fabricantes locais estejam conquistando mais negócios.
A expansão da nuvem depende de mais do que processadores
Alibaba, Tencent e ByteDance também tentam garantir a memória necessária para operar mais servidores. A busca por acordos de fornecimento de memória da Coreia do Sul inclui pedidos à Samsung Electronics e à SK hynix por compromissos que se estendam até 2035, prazo muito superior aos habituais três a cinco anos.
Essas negociações abrangem memórias DDR para servidores e DDR de baixo consumo. Elas têm funções diferentes da memória integrada a um processador gráfico, mas todas são necessárias para montar sistemas de computação funcionais. Uma empresa de computação em nuvem precisa coordenar processadores, memória e outros equipamentos antes que o hardware adicional se transforme em capacidade utilizável.
A Samsung e a SK hynix já negociaram compromissos substanciais com grandes clientes. Estimativas do setor indicam que acordos com empresas globais de tecnologia poderiam absorver de 70% a 80% da produção de memória planejada pelos fabricantes para o ano seguinte. Os clientes chineses buscam mais oferta em um mercado no qual grande parte da produção futura já está reservada.
Para as empresas que expandem serviços de IA, a consequência imediata é a diferença entre os planos de compra e a capacidade de computação que pode ser efetivamente colocada em operação. Os próximos marcos são os primeiros lotes do RTX Pro 5500, esperados para dezembro de 2026, e as entregas mais amplas no início de 2027. O volume desses lotes determinará a rapidez com que os compradores poderão transformar essas grandes encomendas em sistemas operacionais.
Principais pontos
- Empresas chinesas teriam encomendado cerca de seis milhões de placas RTX Pro 5500, avaliadas em aproximadamente US$ 70 bilhões.
- As entregas confirmadas para os próximos quatro meses cobririam cerca de 1% dessas encomendas.
- Segundo relatos, a Nvidia poderia produzir no máximo três milhões de placas em todo o mundo em 2027.
- As placas atendem aos limites atuais de exportação dos EUA e são procuradas principalmente para executar modelos de IA já treinados.
- Grandes provedores chineses de serviços em nuvem esperam receber cerca de 700 mil placas até o fim de 2027, sujeito a mudanças na produção.
- Huawei, Cambricon e T-Head oferecem alternativas, enquanto a falta de capacidade de fabricação e de memória também limita a oferta nacional.






