Zalameda escolhido para presidir a Suprema Corte até 2033
O presidente Ferdinand Marcos Jr. nomeou Rodil V. Zalameda como o 28º presidente da Suprema Corte das Filipinas, escolhendo o autor da decisão que absolveu sua mãe, Imelda Marcos, de sete acusações de corrupção, em detrimento de dois ministros mais antigos da Suprema Corte. A nomeação foi anunciada em 5 de novembro de 2026, um dia antes da aposentadoria compulsória do presidente da Corte, Alexander Gesmundo.
Conteúdo
- Zalameda escolhido para presidir a Suprema Corte até 2033
- Por que o Palácio o escolheu
- A decisão sobre Imelda Marcos e as dúvidas sobre independência
- Um histórico que abrange direitos, orçamento e poder político
- O que o presidente da Suprema Corte pode fazer
- Fóruns, tecnologia e a espera por Justiça
- Os candidatos preteridos por Marcos
- Como foi o processo de escolha
- Outra aposentadoria vai mudar a composição da Corte
- Principais pontos
Zalameda, de 63 anos, deve permanecer no cargo até agosto de 2033, quando atingirá a idade compulsória de aposentadoria, 70 anos. Seu mandato se estenderá além da atual Presidência, dando a ele vários anos para orientar um Judiciário que enfrenta processos longos, demandas por melhor acesso à Justiça e casos envolvendo as figuras políticas mais poderosas do país.
O anúncio da nomeação da Agência Filipina de Informação confirmou a escolha de Marcos e apontou a experiência de Zalameda em diferentes governos como um dos motivos da decisão. O secretário interino do Escritório de Comunicações Presidenciais, Lino Edgardo Cayetano, anunciou a nomeação durante uma coletiva no Palácio.
Zalameda foi escolhido entre cinco indicados apresentados pelo Conselho Judicial e da Ordem dos Advogados, ou JBC, em 29 de outubro. Marcos preteriu o ministro associado sênior Marvic Leonen e o ministro associado Alfredo Benjamin Caguioa, ambos nomeados para a Corte pelo ex-presidente Benigno Aquino III. Os outros indicados eram os ministros associados Japar Dimaampao e Jose Midas Marquez.
O ex-presidente Rodrigo Duterte nomeou Zalameda, Dimaampao e Marquez para a Suprema Corte. Zalameda agora assume o comando de uma Corte cuja composição continua dominada por indicados de Duterte, embora tenha o mesmo voto individual que cada um dos demais integrantes.
Por que o Palácio o escolheu
Cayetano destacou a atuação de Zalameda como servidor do Judiciário, promotor, magistrado de segunda instância e ministro da Suprema Corte. Ao explicar a escolha do presidente, o secretário interino de Comunicações descreveu uma carreira construída em diferentes níveis do sistema de Justiça.
"O ministro Zalameda traz mais de três décadas de serviço notável ao nosso sistema judiciário. Desde os primeiros anos como servidor da Justiça e promotor público, passando por sua atuação no Tribunal de Apelações e, por fim, na Suprema Corte. Ele dedicou sua vida profissional à administração da Justiça", disse Cayetano.
Zalameda se formou em Direito pela Universidade Ateneo de Manila em 1987, com bolsa de estudos, e foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados de 1988. Trabalhou como escrivão em uma vara do Tribunal Regional de Primeira Instância de Makati antes de atuar na advocacia privada, de 1990 a 1995.
Ele voltou ao serviço público como promotor em 1995 e tornou-se promotor da cidade de Mandaluyong em 2002. Em 5 de setembro de 2008, foi nomeado para o Tribunal de Apelações. Passou quase 11 anos na instituição e presidiu sua 17ª Câmara antes de ingressar na Suprema Corte, em agosto de 2019.
Cayetano disse que a atuação em diferentes governos pesou na decisão de Marcos. O Palácio apresentou essa experiência como preparação para liderar o Judiciário com integridade, imparcialidade e respeito ao Estado de Direito.
A decisão sobre Imelda Marcos e as dúvidas sobre independência
Entre as decisões de Zalameda está a de junho de 2026 que absolveu a ex-primeira-dama Imelda Marcos de sete acusações de corrupção relacionadas a fundações suíças. Ele redigiu a decisão da Primeira Câmara da Suprema Corte, que anulou a condenação imposta a ela em novembro de 2018 pelo Sandiganbayan, tribunal que julga casos de corrupção envolvendo funcionários públicos.
A decisão tinha 50 páginas e contou com a concordância dos demais integrantes da Câmara, entre eles Marquez. O texto apontou falhas na autenticação adequada de documentos importantes e na comprovação da culpa além de qualquer dúvida razoável. Autenticar significa demonstrar que um documento é genuíno e pode ser considerado prova confiável.
A escolha, por Marcos, do ministro que redigiu a decisão que absolveu sua mãe colocou a independência do Judiciário no centro das atenções em torno da nomeação. Questionado sobre as preocupações com a independência, Cayetano mencionou o caráter coletivo da decisão e disse confiar na imparcialidade da Corte.
"A decisão a que você se refere é uma decisão de uma Câmara. Confiamos na imparcialidade e esperamos trabalhar com o novo presidente da Suprema Corte", disse ele.
As Câmaras da Suprema Corte decidem os casos por meio dos votos de vários ministros. O autor da decisão, também chamado de relator, redige os fundamentos da Corte em nome da maioria. A autoria de Zalameda e os votos de seus colegas fazem parte do registro da absolvição.
Um histórico que abrange direitos, orçamento e poder político
Zalameda também foi o relator de Deduro v. Vinoya, decisão que reconheceu que a rotulação como comunista pode ameaçar os direitos à vida, à liberdade e à segurança de uma pessoa. Essa prática consiste em rotular alguém publicamente como ligado a rebeldes comunistas, o que pode expor essa pessoa a ameaças ou ataques.
A decisão reconheceu o perigo que esse tipo de rotulação pode criar e sua relação com o mandado de amparo. Esse instrumento jurídico permite que pessoas sob ameaça à vida, à liberdade ou à segurança peçam proteção a um tribunal. Para ativistas e outras pessoas acusadas de vínculos com insurgentes, a decisão criou um caminho para solicitar proteção judicial.
Em relação aos gastos públicos, Zalameda discordou quando a Corte derrubou um aumento de 449,5 bilhões de pesos filipinos nas dotações não programadas do orçamento nacional de 2024. Essas dotações são autorizações de gastos que podem ser ativadas quando determinadas condições de financiamento são atendidas. As disputas sobre elas envolvem tanto a gestão do dinheiro público quanto os limites constitucionais das decisões orçamentárias.
Seu histórico de votos também inclui apoio a decisões sobre a cooperação das Filipinas com o Tribunal Penal Internacional e à decisão que declarou inconstitucional a denúncia de impeachment apresentada em 2025 contra a vice-presidente Sara Duterte. Em um processo sobre a transferência de 60 bilhões de pesos filipinos de recursos da Corporação Filipina de Seguro de Saúde, ele considerou a transferência inconstitucional, embora tenha admitido que o governo poderia ter agido de boa-fé.
Esses casos situam a liderança de Zalameda no cruzamento entre finanças públicas, direitos individuais e responsabilização política. A Corte continuará decidindo essas disputas coletivamente, com a participação do presidente ao lado de 14 ministros associados.
O que o presidente da Suprema Corte pode fazer
Zalameda liderará o Judiciário e ajudará a definir sua orientação administrativa. O cargo envolve a responsabilidade pelo funcionamento dos tribunais em todo o país, além do trabalho da Suprema Corte de interpretar as leis e a Constituição.
O presidente da Suprema Corte é frequentemente descrito como o primeiro entre iguais. Em uma Corte com 15 integrantes, ele tem um voto, assim como cada ministro associado. As principais disputas constitucionais são decididas pela Corte reunida em plenário, enquanto as Câmaras julgam outros casos.
O cargo também inclui a presidência do JBC, por força da função, e a condução de um julgamento de impeachment contra um presidente. O conselho avalia candidatos a vagas no Judiciário e apresenta nomes ao presidente da República, ligando o papel de liderança do presidente da Suprema Corte ao processo de escolha de futuros juízes.
Zalameda disse ao JBC que lideraria com respeito aos colegas e aceitação das divergências. Essa postura é importante em uma Corte cujos integrantes podem chegar a conclusões muito diferentes sobre a mesma lei, prova ou disposição constitucional.
Fóruns, tecnologia e a espera por Justiça
Zalameda apontou a construção de mais fóruns, maiores investimentos em tecnologia e melhores benefícios para os funcionários do Judiciário como prioridades durante sua entrevista ao JBC. Ele também prometeu enfrentar os atrasos que deixam as partes à espera de decisões.
Ao explicar como pretende lidar com o volume de trabalho dos tribunais, o futuro presidente da Suprema Corte disse que os casos devem ser avaliados conforme suas exigências, em vez de serem tratados como se todos demandassem o mesmo esforço.
"O Judiciário também precisa enfrentar os atrasos que continuam sobrecarregando as partes. Reconheço que nem todos os casos exigem a mesma quantidade de tempo e esforço. Devemos considerar sua natureza e complexidade, o número de partes e testemunhas, o volume de provas, a duração dos processos e as questões que precisam ser resolvidas", disse Zalameda.
Para quem recorre aos tribunais, essas prioridades dizem respeito a necessidades práticas: um local para as audiências, registros confiáveis, funcionários disponíveis e uma decisão dentro de um prazo razoável. Um caso com muitas testemunhas e grande volume de provas exige algo diferente de uma disputa que depende de uma questão jurídica específica.
O anúncio da nomeação não veio acompanhado de um cronograma detalhado de implementação nem de um pacote de financiamento. As propostas passam agora a integrar a agenda que Zalameda deverá levar adiante com os demais ministros e as instituições responsáveis pelo financiamento público.
Os candidatos preteridos por Marcos
Nomeado em novembro de 2012, Leonen chegou à disputa como o indicado mais antigo. Ex-diretor da Faculdade de Direito da Universidade das Filipinas, ele também liderou as negociações de paz do governo com a Frente Moro de Libertação Islâmica, que resultaram no acordo-quadro de 2012 sobre Bangsamoro.
Durante sua entrevista ao JBC, Leonen propôs um estudo independente dos principais casos de corrupção desde a Revolução do Poder Popular de 1986. Ele queria examinar a responsabilização e os motivos pelos quais os processos haviam demorado tanto. Entre suas decisões judiciais recentes estavam as relativas às dotações não programadas e ao processo de impeachment de Sara Duterte.
Nomeado em janeiro de 2016, Caguioa foi conselheiro jurídico presidencial-chefe e secretário da Justiça de Aquino. Ele redigiu uma decisão que invalidou buscas em veículos sem mandado por drogas quando baseadas apenas em informações anônimas não verificadas. Ao pleitear o cargo de presidente da Suprema Corte, defendeu mecanismos de integridade mais robustos e maior poder de investigação para o Escritório de Integridade Judicial.
Leonen e Caguioa discordaram da decisão de 2016 que autorizou o sepultamento de Ferdinand Marcos Sr. no Cemitério dos Heróis. As abordagens dos dois também ficaram evidentes em sustentações orais no caso Baluyot v. Antonio-Baluyot, sobre o reconhecimento de divórcios no exterior envolvendo filipinos: Leonen destacou as consequências humanas das normas jurídicas, enquanto Caguioa analisou como uma interpretação proposta se encaixaria na legislação vigente.
Dimaampao, também indicado por Duterte, defendeu um Judiciário mais humano, que trate as pessoas com igualdade. Ele apoiou uma decisão que anulou cobranças de impostos contra empresas contratadas no projeto de gás de Malampaya, depois que a Corte concluiu que a parcela do governo nos lucros do projeto havia coberto os impostos em questão entre 2002 e 2009.
Marquez tem ampla experiência na administração de tribunais inferiores. Começou na Suprema Corte como aprendiz em 1991, atuou por quase 12 anos como administrador dos tribunais e tornou-se ministro associado em novembro de 2021. Seu Plano Estratégico para Inovações Judiciais 2.0, proposto para o período de 2028 a 2032, tinha como meta eliminar até 2032 a sobrecarga dos tribunais, com medidas como peticionamento eletrônico, digitalização de registros e revisão do quadro de funcionários.
Como foi o processo de escolha
O JBC abriu as inscrições para o cargo de presidente da Suprema Corte em 28 de agosto, antes da aposentadoria de Gesmundo. Os ministros associados Ramon Paul Hernando e Henri Inting retiraram suas candidaturas, deixando os cinco nomes que acabaram sendo apresentados a Marcos.
Manifestações de apoio a candidatos específicos surgiram antes da decisão. A Associação de Promotores da Região da Capital Nacional apoiou Zalameda por meio da Resolução nº 03, Série de 2026, aprovada em 2 de setembro. O ex-presidente da Suprema Corte Reynato Puno apoiou Marquez em uma carta de 14 de outubro, citando suas décadas de serviço e sua experiência de coordenação com outros Poderes do governo.
As principais datas do processo de escolha foram:
- 28 de agosto de 2026: O JBC abriu as inscrições para o cargo de presidente da Suprema Corte.
- 2 de setembro: A associação de promotores aprovou seu apoio a Zalameda.
- 14 de outubro: Puno escreveu a Marcos para apoiar Marquez.
- 29 de outubro: O JBC apresentou ao presidente seus cinco indicados.
- 5 de novembro: O Palácio anunciou a nomeação de Zalameda.
- 6 de novembro: Gesmundo atinge a idade compulsória de aposentadoria.
- Agosto de 2033: Zalameda deve atingir a idade compulsória de aposentadoria, 70 anos.
Os integrantes da Suprema Corte devem ser cidadãos filipinos natos, ter pelo menos 40 anos e contar com ao menos 15 anos de experiência como juiz de primeira instância ou advogado em exercício nas Filipinas. Para entrar na lista final, um candidato precisava de pelo menos quatro votos favoráveis dos integrantes do JBC. A Constituição dá ao presidente 90 dias, a partir da vacância de uma vaga na Suprema Corte, para preenchê-la; Marcos anunciou sua escolha antes da aposentadoria de Gesmundo.
Outra aposentadoria vai mudar a composição da Corte
A ministra associada Amy Lazaro-Javier deve se aposentar em 16 de novembro, abrindo outra vaga na Suprema Corte. O JBC selecionou 11 candidatos para o posto.
Entre os indicados estão a presidente do Tribunal de Apelações, Fernanda Peralta, outros ministros de segunda instância, a procuradora-geral Darlene Berberabe, o presidente da Comissão de Auditoria Gamaliel Cordoba e o comissário da Comissão de Eleições Ernesto Maceda Jr.
A promoção de Zalameda também leva um ministro associado em exercício ao cargo de presidente da Suprema Corte, tornando a escolha de integrantes da Corte parte de uma transição de liderança mais ampla. Sua nomeação define quem comandará a instituição; as escolhas para os cargos de ministro associado ajudarão a determinar os votos disponíveis quando futuros casos chegarem à Corte.
Para os cidadãos, os testes imediatos são concretos: a rapidez com que os casos avançam, se os tribunais protegem pessoas sob ameaça e como os juízes aplicam os limites constitucionais aos gastos públicos e ao poder político. Zalameda assume o cargo com decisões sobre cada um desses temas já em seu histórico.
Principais pontos
- Marcos escolheu Rodil Zalameda como o 28º presidente da Suprema Corte das Filipinas; a nomeação foi anunciada em 5 de novembro de 2026.
- Zalameda sucede Alexander Gesmundo e deve permanecer no cargo até agosto de 2033.
- O presidente preteriu os ministros mais antigos Marvic Leonen e Alfredo Benjamin Caguioa.
- Zalameda foi o relator da decisão que absolveu Imelda Marcos de sete acusações de corrupção e de Deduro v. Vinoya, que reconheceu os perigos da rotulação como comunista.
- Entre as prioridades anunciadas estão mais fóruns, tecnologia, benefícios para funcionários e redução dos atrasos nos processos.
- A aposentadoria de Amy Lazaro-Javier, prevista para 16 de novembro, abrirá outra vaga na Suprema Corte.






