Comissão da Verdade das Filipinas oferece apoio a famílias em casos de certidões de óbito contestadas na guerra às drogas

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Philippine Truth Commission Offers Help to Families Over Disputed Drug War Death Certificates

Treze mortes, cinco médicos e registros médicos contestados

MANILA, Filipinas: Treze pessoas cujos corpos apresentavam ferimentos de bala foram registradas como mortas por doenças, entre elas pneumonia, acidente vascular cerebral e sepse, segundo constatações apontadas pela patologista forense Raquel Fortun. As divergências levaram a Comissão da Verdade da sociedade civil a pedir uma investigação sobre cinco médicos e a oferecer assistência jurídica às famílias afetadas.

Conteúdo
  1. Treze mortes, cinco médicos e registros médicos contestados
  2. Por que a causa da morte importa
  3. O que o órgão regulador da profissão médica pode fazer
  4. Processos disciplinares e acusações criminais seguem caminhos diferentes
  5. O caso Baylon mostra quanto tempo uma correção pode levar
  6. Investigadores precisariam apurar quem fez o quê
  7. Famílias enfrentam custos, medo e falta de documentos
  8. Como os registros podem repercutir no caso de Duterte
  9. Principais pontos

Os casos envolvem mortes em Caloocan e Quezon City durante a campanha contra as drogas ilegais do ex-presidente Rodrigo Duterte. Os corpos foram exumados e examinados por Fortun, integrante da comissão, que identificou discrepâncias entre os ferimentos e as causas registradas nas certidões de óbito.

Um dos cinco médicos morreu. Esse médico e outro atuaram como profissionais de saúde nos departamentos de saúde de Caloocan e Quezon City. As acusações dizem respeito a pessoas baleadas na cabeça, no tronco, no braço ou no pescoço cujos documentos atribuíram as mortes a doenças.

A comissão planeja procurar as famílias, analisar os registros e enviar certidões de óbito e documentos comprobatórios à Comissão de Regulação Profissional (PRC). Também pretende escrever à Associação Médica das Filipinas (PMA), solicitando uma investigação.

Carlos Conde, porta-voz da Comissão da Verdade, disse que a assistência dependeria do que as famílias desejassem fazer.

"E, se quiserem apresentar uma petição, certamente vamos ajudá-las", disse.

Neri Colmenares, advogado que representa famílias de vítimas e ex-deputado do Bayan Muna, disse que, no momento, as famílias não planejavam tomar medidas contra os médicos. Ele argumentou que os promotores do governo deveriam ser responsáveis por investigar possíveis crimes, em vez de deixar esse ônus para os familiares.

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Por que a causa da morte importa

Uma certidão de óbito é um registro oficial que pode se tornar uma prova importante quando uma família busca uma investigação ou entra com um processo. Registrar uma doença quando houve um tiroteio fatal pode obrigar os familiares a contestar o registro médico e, ao mesmo tempo, tentar estabelecer quem matou a pessoa querida.

Ephraim Cortez, presidente da União Nacional de Advogados dos Povos (NUPL), disse que alguns casos apresentavam um conflito direto entre os relatos policiais e a documentação médica: os relatórios policiais descreviam mortes durante operações apresentadas como legítimas, enquanto as certidões de óbito indicavam causas naturais.

Cortez disse que muitas famílias não tinham condições de pagar por uma autópsia ou por um laudo médico preparado para processos judiciais. A autópsia examina o corpo para determinar como alguém morreu; suas conclusões podem ajudar investigadores a relacionar os ferimentos à morte.

Famílias sem essas conclusões enfrentam um problema prático difícil. Podem saber que o familiar foi baleado, mas o documento oficial que precisam apresentar registra uma doença. Obter novas provas médicas e corrigir o registro pode exigir dinheiro, assistência jurídica e tempo.

Colmenares descreveu as consequências para as famílias e pediu uma investigação sobre possível colaboração entre médicos e policiais.

"O impacto dessa certificação incorreta não é trivial. São atos muito graves, e o médico deve ser investigado; aqueles que tiverem colaborado com a polícia devem ir para a prisão", disse.

O que o órgão regulador da profissão médica pode fazer

A PRC reconheceu o pedido de providências e afirmou que seu Conselho de Regulamentação Profissional de Medicina avaliaria as provas. Citando a Lei de Modernização Profissional de 2000, o órgão disse que os conselhos profissionais têm autoridade para investigar supostas violações cometidas por profissionais.

O conselho poderia considerar uma investigação motu proprio, ou seja, iniciada por iniciativa própria. A Comissão da Verdade também poderia apresentar uma denúncia administrativa acompanhada das certidões contestadas e de outras provas.

A PRC apresentou em comunicado a primeira medida que o conselho poderia tomar.

"A Comissão, por meio do Conselho de Regulamentação Profissional de Medicina, avaliará as provas disponíveis para determinar a providência cabível e verificar se há fundamentos suficientes para iniciar uma investigação motu proprio", afirmou.

Médicos cuja violação da legislação profissional, da ética médica ou de outras normas aplicáveis seja comprovada por provas substanciais podem ter o registro para exercer a medicina suspenso ou revogado. A PRC disse que qualquer investigação seguirá a lei e respeitará os direitos dos profissionais envolvidos.

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Processos disciplinares e acusações criminais seguem caminhos diferentes

Theodore Te, presidente interino do Grupo de Assistência Jurídica Gratuita, disse que a PRC está mais bem posicionada para avaliar se os médicos agiram de acordo com as normas profissionais e éticas. Ele também mencionou a possibilidade de responsabilização por negligência profissional.

Um processo disciplinar profissional examina se um médico violou as normas que regem a prática médica. Um processo criminal avalia se alguém cometeu uma infração punível pela legislação penal. A mesma conduta pode ser alvo dos dois tipos de análise, mas as provas exigidas e as possíveis penalidades são diferentes.

Te disse que a responsabilidade criminal dependeria das provas, inclusive se um registro incorreto resultou de negligência ou de uma intenção deliberada de induzir ao erro. Ele apontou a falsificação de documentos públicos como possível acusação caso se comprovasse uma fraude intencional e mencionou a possibilidade de conspiração se as provas demonstrassem participação em um plano mais amplo.

Os tribunais criminais exigem prova além de qualquer dúvida razoável, um padrão probatório mais elevado que o das provas substanciais mencionado pela PRC para processos disciplinares. Te disse que isso tornaria mais difícil apresentar acusações criminais.

Colmenares argumentou que médicos que falsificaram registros deliberadamente para proteger os autores dos crimes deveriam ser investigados como possíveis cúmplices dos delitos originais. Essa é uma possível via jurídica que depende de provas sobre as ações e o conhecimento de cada pessoa.

O caso Baylon mostra quanto tempo uma correção pode levar

A morte de Lenin Baylon ilustra as dificuldades que as famílias podem enfrentar ao contestar um registro oficial. Baylon tinha nove anos quando foi morto por uma bala perdida em dezembro de 2016. Colmenares descreveu a ação de homens armados mascarados que, segundo ele, perseguiam suspeitos de envolvimento com drogas.

A família de Baylon disse que foi obrigada a assinar um termo de renúncia aceitando a broncopneumonia como causa da morte antes que o corpo fosse liberado. Cortez afirmou que a família não tinha condições de pagar por uma autópsia.

Cortez citou uma decisão do Tribunal de Apelações de 2022 que determinou a correção da certidão. Colmenares disse que a correção ocorreu quase nove anos após a morte de Baylon. A decisão e a correção posterior correspondem a etapas diferentes do esforço da família para alterar o registro.

  • Dezembro de 2016: Lenin Baylon, de nove anos, foi morto a tiros, enquanto sua certidão de óbito registrava broncopneumonia.
  • 2022: O Tribunal de Apelações determinou a correção da certidão de óbito, segundo Cortez.
  • Quase nove anos após a morte: Colmenares disse que a certidão foi corrigida.

Cortez disse que as famílias podem pedir a um tribunal uma ordem para alterar uma certidão de óbito, mas descreveu o processo como demorado. Para os familiares, mudar um registro médico pode se tornar uma batalha judicial por si só, além de qualquer tentativa de investigar o assassinato.

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Investigadores precisariam apurar quem fez o quê

Conde disse que a comissão só poderia especular sobre os motivos pelos quais os cinco médicos assinaram as certidões. Questões sobre intenção, pressão, responsabilidade e possível coordenação precisariam ser investigadas.

Conde apontou as circunstâncias da campanha contra as drogas como um possível fator.

"O contexto é a guerra às drogas e só Deus sabe que tipos de pressão ou coerção muitas pessoas sofreram", disse.

Algumas preocupações também envolvem médicos particulares que, segundo as acusações, não tinham autorização para assinar as certidões em questão. Conde mencionou a observação de Fortun de que familiares ansiosos para enterrar seus entes queridos podem ter recorrido a médicos particulares para obter a documentação necessária.

Cortez disse que os supostos acordos envolveram, além dos médicos, funerárias. Sua acusação amplia o escopo da investigação proposta para incluir o processo de liberação dos corpos, obtenção das certidões e organização dos enterros.

Uma investigação precisaria estabelecer o papel de cada envolvido, examinar as constatações médicas e comparar as certidões com registros policiais e outros documentos. O material que a comissão planeja enviar permitiria aos órgãos reguladores fazer uma avaliação antes de decidir como proceder.

Famílias enfrentam custos, medo e falta de documentos

Colmenares disse que a falta de acesso aos registros, a falta de cooperação da polícia e a ausência de apoio do Departamento de Justiça dificultavam a abertura de processos pelas famílias. Também afirmou que os familiares tinham medo porque os policiais envolvidos ainda estavam vivos.

Esses obstáculos ajudam a explicar a diferença entre a oferta de assistência da comissão e a posição atual das famílias sobre a apresentação de denúncias. Ter assistência jurídica disponível não elimina os custos para obter provas nem o medo de contestar a atuação de policiais.

Colmenares disse que as autoridades públicas deveriam assumir a responsabilidade principal por investigar possíveis crimes.

"Os promotores, o governo, são os que têm a principal responsabilidade de fazer isso", disse.

Conde convidou famílias com certidões suspeitas a procurar a comissão, para que ela possa verificar as informações e ajudá-las a avaliar medidas junto à PRC. Um processo profissional e um pedido judicial para corrigir um registro civil tratariam de aspectos diferentes do problema: a conduta do médico e a exatidão da certidão.

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Como os registros podem repercutir no caso de Duterte

Cristina Palabay, secretária-geral da Karapatan, descreveu as certidões contestadas como provas de um encobrimento de crimes cometidos durante o governo Duterte. Ela disse que a proteção contra punições era uma política declarada e citou as garantias de proteção dadas por ele a soldados e policiais que matassem seguindo suas ordens.

Colmenares também argumentou que certidões falsificadas podem ter ajudado a proteger os autores dos crimes, dificultando a investigação dos assassinatos. Ele disse que uma investigação poderia contribuir com provas para os processos no Tribunal Penal Internacional (TPI), onde Duterte está detido, em Haia, e responde a acusações de crimes contra a humanidade por assassinato.

Colmenares disse que os médicos não foram incluídos nas acusações, mas que sua conduta poderia aparecer nas provas e nos depoimentos. Ele relacionou a investigação proposta à tarefa dos promotores de estabelecer se os assassinatos fizeram parte de um ataque generalizado ou sistemático, isto é, realizado em grande escala ou segundo um padrão organizado.

O número de mortes continua sendo objeto de controvérsia: a cifra oficial mais citada sobre a campanha é de pelo menos 6 mil, enquanto grupos de direitos humanos estimam até 30 mil. Esses números dão o contexto mais amplo para uma investigação centrada em 13 registros médicos contestados.

Foi noticiado que o julgamento de Duterte no TPI estava marcado para 30 de novembro, embora a data tenha sido divulgada sem indicação do ano ou confirmação do tribunal. Quanto às acusações relacionadas às certidões, os próximos passos imediatos são o envio planejado de documentos pela comissão e a avaliação do conselho médico sobre a existência de fundamentos para uma investigação.

Principais pontos

  • Fortun apontou 13 mortes com ferimentos de bala cujas certidões atribuíram os óbitos a doenças ou outras causas naturais.
  • Cinco médicos são citados nas acusações; um deles morreu.
  • A Comissão da Verdade planeja enviar os registros aos órgãos reguladores da profissão médica e ajudar as famílias que busquem providências.
  • O conselho médico da PRC pode considerar uma investigação por iniciativa própria ou uma denúncia administrativa.
  • As possíveis sanções profissionais incluem a suspensão ou revogação do registro médico; acusações criminais exigiriam uma avaliação probatória separada.
  • As famílias enfrentam os custos das provas médicas, processos demorados para corrigir registros e o medo de levar os casos adiante.
  • Colmenares afirma que os promotores do governo devem liderar os esforços para investigar possíveis crimes.
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