Combustíveis e alimentos elevam os custos das famílias
A inflação cheia anual da Tailândia chegou a 3,90% em outubro de 2026, com a alta de 29,18% nos preços dos combustíveis pressionando os gastos das famílias com deslocamentos, transporte público e refeições do dia a dia. O diesel custava 42,70 baht por litro, ante 31,35 baht um ano antes, enquanto os preços dos alimentos e das bebidas não alcoólicas subiram 4,26%.
Conteúdo
- Combustíveis e alimentos elevam os custos das famílias
- O que os números da inflação significam
- Diesel mostra a dimensão do choque energético
- Tarifas de transporte ampliam o impacto para além dos motoristas
- Contas de alimentos sobem com a redução das enchentes
- Queda na conta de luz e nos preços de alguns produtos traz alívio
- Famílias pedem alívio nos custos de energia e apoio à renda
- Como a Tailândia se compara aos países vizinhos
- Por que a previsão anual permanece em 2,0%
- Principais pontos
Nuntapong Jiralertpong, diretor do Escritório de Política Comercial e Estratégia do Ministério do Comércio, afirmou que o índice de preços ao consumidor chegou a 103,90 em outubro, alta de 0,94% em relação a setembro. A inflação anual acelerou em comparação aos 2,82% de setembro, uma elevação de 1,08 ponto percentual em um mês.
O ministério manteve sua previsão para a inflação média em 2026 entre 1,8% e 2,2%, com ponto médio de 2,0%. A inflação cheia média de janeiro a outubro foi de 1,77% em comparação com o mesmo período de 2025. Esperava-se que a inflação de novembro permanecesse positiva.
Os números mostram por que as famílias podem enfrentar contas bem mais altas mesmo quando a média anual permanece relativamente moderada. Combustíveis, ovos, refeições prontas e vários serviços de transporte ficaram mais caros, enquanto a eletricidade, alguns artigos domésticos e produtos de higiene pessoal ficaram mais baratos.
O que os números da inflação significam
A inflação cheia mede como os preços de uma cesta de bens de consumo e serviços mudam ao longo do tempo. A taxa anual de 3,90% em outubro significa que a cesta custava 3,90% mais do que em outubro de 2025. A alta mensal de 0,94% compara outubro com setembro de 2026.
A inflação subjacente, que exclui alimentos frescos e energia, ficou em 1,58%. Essas categorias são excluídas porque seus preços podem variar bastante conforme o clima, as safras e os mercados internacionais de energia. A diferença entre a inflação cheia e a subjacente mostra o quanto esses custos voláteis influenciaram o resultado de outubro.
A experiência de cada família depende do que ela compra. Uma família que gasta muito com combustível e refeições prontas enfrentaria uma variação diferente nas despesas em comparação com outra que compra eletrodomésticos com desconto ou paga uma conta de luz menor.
Diesel mostra a dimensão do choque energético
Os aumentos dos combustíveis em outubro refletiram a pressão contínua da crise energética no Oriente Médio após ataques a áreas produtoras de petróleo da Arábia Saudita. Os preços médios do petróleo bruto de Dubai chegaram ao nível mais alto em sete meses, elevando o custo de um insumo importante para o transporte e a distribuição.
Os dados do ministério sobre combustíveis mostram quanto os preços mudaram em relação a outubro de 2025:
- O diesel subiu de 31,35 baht para 42,70 baht por litro, aumento de 11,35 baht, ou cerca de 36,2%.
- A gasolina com etanol Gasohol 95 subiu de 32,27 baht para 41,47 baht por litro, aumento de 9,20 baht, ou cerca de 28,5%.
- A gasolina com etanol Gasohol 91 subiu de 31,68 baht para 40,92 baht por litro, aumento de 9,24 baht, ou cerca de 29,2%.
Para quem compra 50 litros de diesel, esses preços representam uma conta de 2.135 baht, ante 1.567,50 baht um ano antes. A diferença é de 567,50 baht pela mesma quantidade de combustível.
Os preços relativamente baixos dos combustíveis um ano antes também ampliaram o aumento anual de outubro. O cálculo da inflação anual compara dois níveis de preços; por isso, o preço inicial importa tanto quanto o atual.
Tarifas de transporte ampliam o impacto para além dos motoristas
Os preços da categoria de veículos, transporte e comunicações subiram 10,93% em relação ao ano anterior. Os aumentos abrangeram combustíveis e vários serviços usados em deslocamentos para o trabalho, trajetos escolares e viagens entre províncias.
Ficaram mais caros o transporte escolar, as vans interprovinciais, os ônibus com ar-condicionado, os mototáxis e os micro-ônibus. Os preços também subiram para os songthaews, caminhonetes compartilhadas usadas em muitas rotas locais. Assim, famílias sem veículo particular enfrentaram algumas das mesmas pressões no transporte que os motoristas.
A categoria mais ampla que reúne bens e serviços, exceto alimentos e bebidas, subiu 3,66%. Dentro dela, lazer, leitura, educação e atividades religiosas tiveram alta de 1,51%, com aumentos nos preços de excursões nacionais e internacionais, viagens para visitar parentes ou fazer mérito e ração para animais de estimação. O tabaco e as bebidas alcoólicas subiram 0,04%, incluindo aumentos nos preços da cerveja e do vinho.
Contas de alimentos sobem com a redução das enchentes
Os preços dos alimentos e das bebidas não alcoólicas subiram 4,26% em relação a outubro de 2025. As enchentes em importantes áreas produtoras de hortaliças elevaram os preços de alguns produtos frescos no início do mês, embora eles tenham voltado gradualmente para níveis mais próximos do normal até o fim de outubro, com a diminuição dos impactos.
Limões, manjericão-sagrado, couve-chinesa, berinjelas, cebolinha, feijão-de-metro e couve-flor chinesa estiveram entre as hortaliças que ficaram mais caras. Também subiram os preços da carne suína, do frango fresco, da cavala fresca e cozida no vapor, do camarão-branco e da lula.
Os preços das refeições prontas subiram 4,06%. A alta afetou pratos prontos, macarrão, arroz com curry, arroz com refogado de manjericão-sagrado e arroz frito. São compras rotineiras para muitos trabalhadores e estudantes, o que torna o aumento relevante tanto para os gastos diários quanto para o orçamento do supermercado.
Os ovos e os laticínios registraram alta maior, de 6,90%, incluindo aumentos nos preços de ovos de galinha e de pata, leite de soja e bebidas lácteas fermentadas. O arroz branco, o arroz glutinoso e o pão de forma também ficaram mais caros.
As bebidas não alcoólicas subiram 1,94%, incluindo água potável purificada, refrigerantes, café instantâneo e café quente e gelado. Outros aumentos atingiram doces, sorvete, açúcar mascavo, molho de peixe, pasta de camarão, óleo vegetal, glutamato monossódico, temperos e molho de soja.
Queda na conta de luz e nos preços de alguns produtos traz alívio
Os preços da eletricidade caíram, compensando parte dos aumentos em outras despesas das famílias. Também diminuíram as cobranças por reparos residenciais contratados, incluindo mão de obra e materiais.
Vários artigos domésticos ficaram mais baratos, como lençóis, cobertores, toalhas, produtos de limpeza para banheiro e piso, máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado. Entre os produtos de higiene pessoal que tiveram queda de preço estão protetores e produtos para a pele, condicionador de cabelo, perfume, sabonete, pó facial, produtos de limpeza facial e pasta de dente.
Os preços de roupas e calçados também caíram para alguns produtos, incluindo camisas e calças masculinas e femininas, tênis masculinos e camisetas infantis. Os preços das frutas frescas caíram 0,15%, com reduções para longkong, mangas, pitaias e bananas Nam Wa.
O momento da compra influencia o alívio para as famílias. A redução na conta de luz pode afetar uma despesa recorrente, enquanto máquinas de lavar ou aparelhos de ar-condicionado mais baratos ajudam principalmente as famílias que compram esses eletrodomésticos. Os custos mais altos de alimentação e transporte pesam no orçamento por meio de compras frequentes.
Famílias pedem alívio nos custos de energia e apoio à renda
Uma pesquisa nacional com 5.553 pessoas, realizada de 5 a 26 de outubro, constatou que havia demanda por medidas para reduzir as despesas cotidianas, especialmente os custos de combustíveis e eletricidade. Os entrevistados também queriam medidas de coparticipação do governo, apoio ao emprego e ajuda para aumentar a renda.
Nas medidas de coparticipação, o consumidor e o governo dividem o custo de uma compra elegível. Elas podem reduzir o valor pago pela família no caixa, enquanto as medidas de apoio ao emprego e à renda tratam de quanto dinheiro as pessoas têm disponível para gastar.
Os programas Thai Chuai Thai e Thong Fah do Ministério do Comércio incluíam 3.036 pontos de venda de produtos com preços reduzidos por 90 dias. Uma iniciativa conjunta com 27 empresas privadas ofereceu descontos em 4.223 bens e serviços durante outubro e novembro, com reduções de até 78%.
O ministério também encarregou os órgãos comerciais de todas as 76 províncias de monitorar os preços e manter o abastecimento suficiente para atender à demanda. O monitoramento incluiu custos de energia, tarifas de transporte e preços de produtos. O desconto máximo anunciado valia para produtos selecionados; a economia de cada família dependeria do que ela comprasse.
Como a Tailândia se compara aos países vizinhos
Os dados de setembro, a comparação internacional mais recente citada pelo ministério, colocaram a taxa de inflação cheia da Tailândia, de 2,82%, como a 37ª mais baixa entre 139 economias que divulgaram dados. A Tailândia ficou em quinto lugar entre as 10 economias da ASEAN incluídas, considerando as taxas mais baixas.
A taxa da Tailândia em setembro ficou abaixo das registradas na Indonésia, no Vietnã, no Camboja, nas Filipinas e no Laos. O dado doméstico de outubro, de 3,90%, foi divulgado depois; portanto, a classificação internacional retrata as condições antes da aceleração mais recente.
A sequência de números e medidas ajuda a contextualizar o resultado de outubro:
- Setembro de 2026: a inflação cheia anual ficou em 2,82%, taxa usada na comparação internacional.
- De 5 a 26 de outubro: uma pesquisa com 5.553 pessoas reuniu opiniões sobre o custo de vida e o apoio do governo.
- Outubro de 2026: a inflação cheia anual chegou a 3,90%, enquanto os preços subiram 0,94% em relação a setembro.
- Outubro e novembro de 2026: descontos envolvendo 27 empresas privadas abrangeram 4.223 bens e serviços.
- Novembro de 2026: o ministério esperava que a inflação anual permanecesse positiva.
Por que a previsão anual permanece em 2,0%
O Ministério do Comércio manteve sua faixa de previsão de 1,8% a 2,2% para a inflação cheia média ao longo de 2026. O resultado de 3,90% em outubro supera essa faixa, mas a previsão anual considera as variações de preços durante o ano inteiro, e não apenas um mês.
A média de 1,77% entre janeiro e outubro ajuda a explicar a diferença. Os meses anteriores têm peso no resultado anual, por isso uma alta acentuada no fim do ano pode coexistir com uma média anual menor.
Os preços globais da energia, os custos das refeições prontas, as tarifas de transporte e as condições climáticas que afetam a produção agrícola foram identificados como os principais riscos para novembro. Esperava-se que as medidas governamentais para conter os custos de energia, o monitoramento de preços do ministério e a diminuição das enchentes reduzissem a pressão sobre os custos das famílias.
O ministério não apresentou uma previsão numérica para novembro em sua avaliação. A expectativa de que a inflação permanecesse positiva significa que os preços deveriam continuar acima do nível de um ano antes. A dimensão desse aumento dependeria, em parte, dos custos de energia e da continuidade da recuperação da oferta agrícola.
Principais pontos
- A inflação cheia anual da Tailândia chegou a 3,90% em outubro de 2026, ante 2,82% em setembro.
- Os preços dos combustíveis subiram 29,18%, com o diesel chegando a 42,70 baht por litro.
- Os alimentos e as bebidas não alcoólicas subiram 4,26%, enquanto as refeições prontas tiveram alta de 4,06%.
- A inflação subjacente ficou em 1,58%, e a inflação cheia média de janeiro a outubro foi de 1,77%.
- A eletricidade, alguns artigos domésticos e certos produtos de higiene pessoal ficaram mais baratos.
- O Ministério do Comércio manteve a previsão anual entre 1,8% e 2,2% e esperava que a inflação de novembro permanecesse positiva.






