Exportações mais fortes melhoram projeções, mas não alteram os juros
O Banco da Tailândia manteve sua taxa básica de juros em 1,00% em 28 de outubro de 2026 e elevou as projeções de crescimento econômico, com a demanda relacionada à inteligência artificial impulsionando as exportações e os investimentos. A decisão mantém condições de crédito favoráveis em uma economia na qual empresas de tecnologia ganham espaço, mas muitas famílias e pequenas empresas continuam sob pressão.
Conteúdo
- Exportações mais fortes melhoram projeções, mas não alteram os juros
- Como a Tailândia chegou à quarta manutenção consecutiva
- Por que uma perspectiva mais favorável ainda deixa o banco cauteloso
- Demanda por IA impulsiona forte revisão para cima das exportações
- Consumo das famílias e turismo continuam sendo pontos fracos
- Inflação está dentro da meta, mas petróleo e clima trazem riscos
- Pequenas empresas enfrentam restrição ao crédito apesar dos juros baixos
- Reação discreta do baht vem após um ano de desvalorização
- Próxima reunião em dezembro, mas trajetória futura dos juros é incerta
- Principais pontos
Os seis membros presentes do Comitê de Política Monetária votaram por unanimidade, com uma ausência. Foi a quarta reunião consecutiva sem alteração dos juros, mantendo a taxa de recompra de um dia em seu menor nível desde setembro de 2022. A taxa orienta os custos dos empréstimos de curto prazo no sistema financeiro e influencia os juros cobrados pelos bancos de seus clientes.
Agora, o banco central espera que o produto interno bruto (PIB), valor dos bens e serviços produzidos na Tailândia, cresça 2,4% em 2026 e 2,1% em 2027. Em junho, as projeções eram de 2,3% e 1,8%, respectivamente. Ainda assim, o banco afirmou que a economia continuava crescendo abaixo de seu potencial, e que os benefícios dos investimentos em tecnologia estavam concentrados em determinadas empresas e entre certos trabalhadores.
A inflação de setembro, de 2,82%, permaneceu dentro da meta do banco, de 1% a 3%, dando aos formuladores de política monetária espaço para continuar apoiando a recuperação, apesar dos custos mais altos de energia. A próxima reunião sobre juros está marcada para 23 de dezembro.
A decisão imediata era amplamente esperada. Todos os economistas consultados em três pesquisas separadas, com 26, 23 e 14 participantes, previam a manutenção dos juros. A questão mais importante é por quanto tempo a Tailândia poderá manter os juros baixos enquanto as exportações aceleram, o consumo das famílias permanece fraco e os preços do petróleo ameaçam elevar novamente o custo de vida.
Como a Tailândia chegou à quarta manutenção consecutiva
O banco central cortou os juros seis vezes entre outubro de 2024 e fevereiro de 2026, reduzindo-os em um total de 150 pontos-base. Um ponto-base equivale a um centésimo de ponto percentual; portanto, os cortes reduziram a taxa em 1,5 ponto percentual, de 2,5% para 1,0%.
As reduções buscavam apoiar a segunda maior economia do Sudeste Asiático diante da fraca demanda interna e do elevado endividamento das famílias. Desde então, os formuladores de política monetária mantiveram a taxa estável enquanto avaliam até que ponto o apoio está chegando às empresas e às famílias.
- De outubro de 2024 a fevereiro de 2026: seis cortes levaram a taxa básica a 1,00%.
- 26 de agosto de 2026: o comitê manteve a taxa em 1,00%.
- 12 de outubro de 2026: o presidente do banco central, Vitai Ratanakorn, demonstrou confiança em um crescimento de 2,3% no ano, apoiado pelas exportações e pelo investimento estrangeiro direto.
- 28 de outubro de 2026: o comitê manteve novamente a taxa e elevou as projeções de crescimento.
- 23 de dezembro de 2026: está prevista a próxima reunião do comitê para decidir sobre os juros.
Por que uma perspectiva mais favorável ainda deixa o banco cauteloso
A economia da Tailândia cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior no segundo trimestre, desacelerando em comparação com os 2,8% do primeiro trimestre. Essa queda de 0,9 ponto percentual ajuda a explicar por que os formuladores de política monetária continuam cautelosos, apesar da perspectiva mais favorável para as exportações.
A nova projeção de crescimento de 2,4% para 2026 igualaria a expansão registrada em 2025. A maior revisão para cima diz respeito a 2027, quando o banco elevou sua estimativa em 0,3 ponto percentual, em comparação com o aumento de 0,1 ponto percentual para 2026.
O Fundo Monetário Internacional também elevou sua projeção de crescimento para 2026, de 1,9% para 2,1%, e prevê expansão de 2,1% em 2027. A estimativa do Fundo para este ano continua abaixo da projeção do banco central tailandês, embora ambas as instituições esperem a mesma taxa de crescimento no próximo ano.
Crescer abaixo do potencial significa que a economia está se expandindo mais lentamente do que os formuladores de política monetária consideram sustentável. No caso da Tailândia, a atividade intensa em determinados setores exportadores ocorre ao mesmo tempo que o poder de compra permanece fraco, as condições de emprego são frágeis e as empresas menores enfrentam dificuldades.
Demanda por IA impulsiona forte revisão para cima das exportações
Agora, o Banco da Tailândia projeta crescimento de 22% das exportações em 2026, acima dos 14% previstos em junho e da estimativa de 17% a 18% feita no início de outubro. Para 2027, espera alta de 15%, ante a projeção de 4,6% feita em junho.
As exportações de setembro aumentaram 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionadas pela demanda por produtos eletrônicos, que se beneficiou do ciclo global de investimentos em inteligência artificial. Os gastos com equipamentos e serviços usados em IA estão sustentando pedidos e investimentos privados ligados aos setores de tecnologia da Tailândia.
As importações cresceram ainda mais rápido, com alta de 50,4% em setembro, impulsionada por combustíveis e bens de capital. Bens de capital são máquinas e equipamentos usados pelas empresas para produzir outros bens ou serviços. Sua aquisição pode apoiar a produção futura, enquanto os combustíveis importados atendem às necessidades imediatas de energia.
O salto das importações também ajuda a explicar por que uma forte revisão para cima das exportações resulta em uma mudança muito menor na projeção do PIB. No cálculo do PIB, as importações são subtraídas para medir a produção interna, pois os bens produzidos no exterior já estão incluídos nos dados de gastos. Assim, parte do aumento dos gastos na Tailândia vai para fornecedores estrangeiros.
O banco central espera que a conta corrente, uma medida ampla dos fluxos comerciais e de outras rendas com o resto do mundo, fique aproximadamente equilibrada em 2026. Para 2027, projeta superávit de US$ 18 bilhões, acima da estimativa anterior de US$ 8 bilhões.
Consumo das famílias e turismo continuam sendo pontos fracos
O elevado endividamento das famílias continua restringindo o consumo privado. Famílias que destinam uma parcela significativa da renda ao pagamento de dívidas têm menos dinheiro disponível para outras compras, enquanto as condições frágeis do mercado de trabalho e o baixo poder de compra aumentam a pressão. O banco central destacou que as famílias de baixa renda estão particularmente expostas ao custo de vida.
Os ganhos com tecnologia continuam concentrados entre empresas e trabalhadores ligados aos setores industriais e de serviços relevantes. Para as famílias fora dessas atividades, números melhores de exportação podem trazer pouco alívio imediato ao orçamento doméstico.
As projeções para o turismo pioraram, mesmo com a melhora das previsões para as exportações. O banco espera 32 milhões de visitantes estrangeiros em 2026 e 34,5 milhões em 2027, reduzindo cada estimativa em um milhão. O banco citou os preços mais altos do petróleo como um fator que pesa sobre a chegada de turistas, embora as novas projeções ainda indiquem um aumento de 2,5 milhões de visitantes entre os dois anos.
Inflação está dentro da meta, mas petróleo e clima trazem riscos
A inflação cheia anual de setembro, de 2,82%, ficou próxima do limite superior da meta, de 1% a 3%. A inflação cheia mede as variações de preços de uma ampla cesta de bens e serviços comprados pelas famílias, incluindo alimentos e energia.
Apesar disso, o banco central reduziu sua projeção para a inflação cheia média de 2026 para 2,1%, ante 2,2% no início de outubro e 2,8% em junho. Para 2027, reduziu a estimativa de 1,4% para 1,3%. A leitura anual de um mês e a projeção para a média do ano abrangem períodos diferentes, o que explica por que a inflação de setembro pode superar a projeção anual.
A projeção para a inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, é de 1,2% em 2026 e 1,3% em 2027. As estimativas estão abaixo das projeções feitas em junho, de 1,5% e 1,4%. A inflação subjacente ajuda os formuladores de política monetária a acompanhar as pressões sobre os preços além dos gastos domésticos mais voláteis.
O comitê espera que os preços mais altos da energia e o El Niño elevem temporariamente a inflação no restante de 2026 e no início de 2027. O El Niño é um fenômeno climático que pode afetar as chuvas e a produção agrícola. O conflito no Oriente Médio, os limites das medidas para amortecer o impacto dos preços de energia e o repasse dos custos mais altos aos consumidores pelas empresas podem levar a inflação para além das projeções.
O banco espera que a inflação diminua mais adiante, à medida que a demanda interna continua fraca e os efeitos de comparação passam a refletir um período anterior de preços mais altos. As autoridades acompanham se os custos de energia se disseminam para a inflação subjacente e alteram as expectativas sobre aumentos futuros de preços.
Pequenas empresas enfrentam restrição ao crédito apesar dos juros baixos
O crédito total está crescendo, mas o aumento beneficia principalmente as grandes empresas. Os empréstimos para pequenas e médias empresas, conhecidas como PMEs, continuam diminuindo em quase todos os setores, enquanto o crédito às famílias avança lentamente.
As grandes empresas tomam empréstimos sobretudo para capital de giro, o dinheiro necessário às operações diárias, para manter a liquidez e cobrir custos mais altos. Parte do crédito também financia novos investimentos. Os bancos continuam cautelosos com tomadores que consideram mais propensos a ter dificuldades para pagar as dívidas.
O resultado é um fluxo desigual de apoio financeiro: a taxa básica baixa ajuda a manter estáveis os custos dos empréstimos, mas as empresas menores ainda enfrentam dificuldades para conseguir crédito. O comitê afirmou que a qualidade dos empréstimos estava estável e apontou a capacidade de pagamento das PMEs e das famílias vulneráveis como um aspecto que exige acompanhamento atento.
O vice-presidente do banco central, Don Nakornthab, afirmou que a política monetária ampla estava chegando ao limite para lidar com uma recuperação desigual e mencionou medidas financeiras direcionadas. O programa SME Credit Boost utilizou todo o orçamento disponível em 10 meses, ilustrando a demanda por apoio voltado especificamente às empresas menores.
As autoridades também estimaram que as enchentes recentes reduziriam o PIB real em menos de 0,1%, considerando a atividade de reparos e reconstrução. Esse impacto já estava incluído na projeção econômica.
Reação discreta do baht vem após um ano de desvalorização
O baht pouco mudou logo após o anúncio dos juros, como o mercado já esperava. Em um período mais longo, porém, a moeda havia se desvalorizado cerca de 7% em relação ao dólar americano desde o início de 2026 e aproximadamente 2% desde a reunião anterior do comitê.
O banco central atribuiu parte dessa desvalorização à expectativa de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos e aos preços mais altos do petróleo. Um baht mais fraco eleva, em moeda local, o custo das compras cotadas em dólares, ampliando a pressão quando a energia importada já está cara.
Os rendimentos dos títulos públicos tailandeses subiram moderadamente, em linha com os mercados financeiros globais. Os custos dos empréstimos bancários, principal fonte de financiamento do setor privado, permaneceram estáveis, assim como a taxa básica. Portanto, as condições enfrentadas pelas empresas variaram conforme elas tomavam empréstimos em bancos ou captavam recursos nos mercados de títulos.
As decisões de política monetária na região também variaram. As Filipinas elevaram sua taxa em 50 pontos-base em 22 de outubro para combater a inflação, enquanto Indonésia e Singapura mantiveram recentemente suas políticas inalteradas. A fraqueza da demanda interna e as perspectivas de inflação permitiram ao banco central da Tailândia continuar apoiando o crescimento.
Próxima reunião em dezembro, mas trajetória futura dos juros é incerta
O Kasikorn Research espera nova manutenção na reunião de dezembro, segundo sua avaliação da política monetária em outubro. A maioria dos economistas consultados antes da decisão de outubro esperava que a taxa permanecesse em 1% até o fim de 2027.
Outras projeções apontam em direções opostas. A Capital Economics espera mais um corte de 25 pontos-base em 2027, enquanto JPMorgan Chase, OCBC e Bank of America destacaram a crescente possibilidade de um aperto monetário no próximo ano.
Don, vice-presidente do banco central e secretário do Comitê de Política Monetária, explicou durante a entrevista coletiva por que o banco estava considerando os efeitos de longo prazo dos juros baixos:
"O comitê de política monetária considera que os juros baixos terão um efeito de longo prazo. Se a economia estiver forte o suficiente, os juros poderão subir gradualmente para preservar o espaço de atuação da política monetária",
Espaço de atuação significa a possibilidade de reduzir os juros quando ocorrer um choque no futuro. Uma elevação gradual durante uma recuperação mais forte poderia restabelecer parte dessa margem. Don também afirmou que juros baixos por um período prolongado poderiam levar investidores a subestimar riscos ou buscar retornos mais altos em investimentos mais arriscados, mas descreveu essas preocupações como aspectos a acompanhar, e não como problemas atuais que exijam medidas.
O vice-presidente do banco central, Piti Disyatat, afirmou no início de outubro que a política continuaria favorável até que a economia estivesse pronta para que os juros voltassem a níveis mais normais. O banco não definiu uma data para a mudança. Em dezembro, avaliará o impulso das exportações diante do consumo das famílias, do acesso ao crédito e do risco de os efeitos do petróleo e do clima se disseminarem pelos preços.
Principais pontos
- O Banco da Tailândia manteve a taxa básica em 1,00% em 28 de outubro de 2026, pela quarta reunião consecutiva.
- Os seis membros presentes do comitê votaram por unanimidade; um membro estava ausente.
- As projeções de crescimento subiram para 2,4% em 2026 e 2,1% em 2027, apoiadas pelas exportações e pelos investimentos em tecnologia.
- A projeção de crescimento das exportações é de 22% em 2026 e 15% em 2027, enquanto as estimativas para o turismo foram reduzidas.
- O elevado endividamento das famílias, o fraco poder de compra e a contração do crédito às PMEs continuam limitando a recuperação.
- A projeção para a inflação cheia média é de 2,1% em 2026 e 1,3% em 2027, com os preços do petróleo e o El Niño como fatores de risco.
- A próxima reunião sobre juros será em 23 de dezembro; o Kasikorn Research espera nova manutenção.






