Ministério é instado a assumir o controle de bens
Promotores do tribunal de Bangladesh pediram ao Ministério do Interior que assuma o controle dos bens da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina e do ex-ministro do Interior Asaduzzaman Khan Kamal, dando início à execução de ordens de confisco destinadas a indenizar as famílias das pessoas mortas no levante de julho de 2024 e outras vítimas.
Conteúdo
- Ministério é instado a assumir o controle de bens
- O que as cartas pedem às autoridades
- Por que os promotores dizem que a execução pode avançar
- Todos os bens ou venda de 50%?
- O que Hasina declarou e o que os investigadores apuraram
- A titularidade determinará o inventário
- Bens de Khan também serão examinados
- Do levante à execução patrimonial
- Principais pontos
As cartas pedem a implementação da sentença de 17 de novembro de 2025 do Tribunal Internacional de Crimes 1, que condenou os dois ex-líderes à morte por crimes contra a humanidade. O memorando relativo a Hasina identifica o processo como ICT BD Case No. 02/2025 e pede ao secretário sênior do ministério que providencie um inventário completo dos bens dela.
Os promotores alertaram que a demora poderia permitir a venda, transferência ou outro uso dos bens, frustrando a ordem do tribunal. O pedido imediato, portanto, é garantir os bens antes de organizar a indenização.
Os valores envolvidos ainda são incertos. Hasina declarou bens avaliados em aproximadamente Tk 4,34 crore em sua declaração para as eleições parlamentares de 2024. Khan declarou aproximadamente Tk 10,25 crore, sem incluir ouro. Um crore equivale a 10 milhões de takas, o que coloca os valores declarados em cerca de Tk 43,4 milhões e Tk 102,5 milhões, respectivamente.
O promotor-chefe Md Aminul Islam afirmou que os bens seriam apreendidos e vendidos, e que os recursos seriam distribuídos às famílias das pessoas mortas. Sua declaração também levantou uma questão ainda sem resposta sobre a parcela a ser vendida: as cartas pedem o controle de todos os bens, enquanto ele mencionou a venda de 50%. O ministério terá de determinar como implementar as ordens nos termos da legislação aplicável.
O que as cartas pedem às autoridades
O Gabinete do Promotor-Chefe solicitou três medidas práticas: identificar os bens, colocá-los sob controle do Estado e organizar sua distribuição como indenização, conforme a sentença do tribunal. Um memorando semelhante foi enviado a respeito de Khan.
O pedido abrange bens imóveis, como terrenos e edifícios, e bens móveis, como dinheiro, veículos e investimentos. Para assumir o controle desses diferentes bens, as autoridades precisam verificar a titularidade e elaborar um inventário antes de calcular seu valor.
Islam anunciou o envio das cartas em 3 de novembro. Ele disse que cabia ao Ministério do Interior implementar as sentenças e ordens do tribunal e citou a Lei de Recuperação de Créditos Públicos e a Seção 386 do Código de Processo Penal como possíveis meios de execução. Também afirmou que seria preferível haver regras específicas.
Para as vítimas e as famílias enlutadas, o processo proposto converteria bens de ex-integrantes do governo condenados em indenização. A promotoria não estimou os valores que poderão ser obtidos, o prazo para a venda nem o cronograma dos pagamentos. A avaliação será feita depois da identificação dos bens.
Por que os promotores dizem que a execução pode avançar
Islam afirmou que não foi apresentado recurso em nome de Hasina no prazo de 30 dias previsto na Seção 21 da Lei dos Tribunais de Crimes Internacionais. Por isso, a promotoria considera que não há impedimento legal para executar a ordem de confisco.
A Seção 21 concede ao governo e ao acusado um prazo para contestar uma decisão do tribunal. Islam disse que os incisos 21(1) e 21(2) preveem 30 dias, enquanto o inciso 21(3) impede recursos apresentados depois desse prazo.
O promotor-chefe explicou que um recurso envolvendo outro réu se aplicaria à parte do processo referente àquela pessoa:
O recurso de uma pessoa não abrange a parte de outra. Não foi apresentado recurso por [Hasina].
Islam afirmou que, na avaliação da promotoria, a Lei de Prescrição, que trata dos prazos legais, não se aplica a essa lei especial. Também disse que a Divisão de Apelação ainda não havia decidido um caso envolvendo recurso apresentado fora do prazo e que os promotores apontariam o descumprimento do prazo em um recurso pendente.
Hasina foi condenada à revelia. A execução patrimonial e o cumprimento de sua pena criminal envolvem medidas práticas diferentes: as autoridades podem buscar o controle dos bens em Bangladesh enquanto o governo continua tentando obter seu retorno da Índia.
Todos os bens ou venda de 50%?
O memorando relativo a Hasina descreve uma ordem de confisco de todos os seus bens para indenizar as famílias das pessoas mortas e outras vítimas. Islam, no entanto, descreveu a venda proposta em termos mais restritos.
O promotor-chefe disse que o governo realizaria a venda e a distribuição:
A sentença do tribunal determina a venda de 50% dos bens do acusado e a distribuição dos recursos entre as famílias dos mártires de julho. O governo fará isso.
Questionado sobre por que as sentenças anteriores relativas a Hasina e Khan não especificavam expressamente o confisco de 50%, Islam mencionou o Estatuto de Roma, que, segundo ele, permite ordens de confisco que abrangem até 75% dos bens. Ele disse que os promotores orientariam o ministério a implementar as ordens de acordo com a lei.
O percentual afeta diretamente o fundo de indenização. Garantir todos os bens identificados coloca-os sob controle do Estado; a parcela que será vendida determinará quanto desse patrimônio será convertido em dinheiro para os beneficiários. As regras escritas para a implementação terão de resolver essa questão.
O que Hasina declarou e o que os investigadores apuraram
A declaração de Hasina para as eleições de 2024 listou bens de aproximadamente Tk 4,34 crore em seu nome. A declaração incluía cerca de Tk 2,39 crore em bancos e instituições financeiras, além de certificados de poupança, depósitos a prazo, veículos, ouro e móveis.
Os imóveis declarados incluíam 15,3 bighas de terras agrícolas, um lote em Purbachal e um edifício de três andares com o terreno correspondente em Tungipara. Bigha é uma unidade de medida de terras usada em Bangladesh.
A Comissão Anticorrupção também investigou as terras de Hasina. Segundo a comissão, Hasina declarou uma área de terras menor do que a que possuía em sua declaração para as eleições de 2008. A verificação da comissão identificou mais de 28 acres e 41 decimais de imóveis em nome dela. Decimal equivale a um centésimo de acre.
A comissão está conduzindo processos relacionados a alegações de que seis lotes, cada um com 10 kathas, foram destinados em Purbachal a Hasina e familiares. Esses processos tratam da legalidade das destinações, enquanto a ordem de confisco do tribunal diz respeito aos bens da pessoa condenada.
A titularidade determinará o inventário
Dois imóveis de destaque associados à família de Hasina têm estruturas de propriedade que as autoridades precisarão levar em conta. A casa em Dhanmondi 32 pertence ao Bangabandhu Sheikh Mujibur Rahman Memorial Trust. Sudha Sadan pertence a Sajeeb Wazed e Saima Wazed.
Um trust é uma estrutura pela qual bens são mantidos e administrados para uma finalidade determinada. Assim, as autoridades encarregadas do inventário precisarão examinar os registros de propriedade e verificar se cada bem pertence pessoalmente a Hasina, a um trust ou a outro familiar.
As declarações eleitorais fornecem uma lista inicial dos bens declarados. Um inventário atualizado também precisa considerar os registros de propriedade, as transações posteriores e os valores atuais. O valor declarado em 2024 e o montante que será recuperado ao final têm funções diferentes: um registra a declaração da candidata, enquanto o outro determinará os recursos disponíveis para indenização.
Bens de Khan também serão examinados
A declaração eleitoral de Khan listava dinheiro em espécie, depósitos bancários, títulos e ações, certificados de poupança ou depósitos a prazo, veículos, capital de empresas e ouro. Também registrava terras agrícolas e não agrícolas, casas e apartamentos.
Seus bens declarados, sem incluir ouro, valiam cerca de Tk 10,25 crore. Isso correspondia a aproximadamente 2,4 vezes os Tk 4,34 crore declarados por Hasina, embora os valores reflitam as declarações de cada um, e não preços atuais de venda.
A Comissão Anticorrupção investigou o patrimônio de Khan e abriu um processo. Em juízo, alegou que ele adquiriu e manteve bens no valor de Tk 16,42 crore, incompatíveis com sua renda conhecida.
A alegação da comissão supera em cerca de Tk 6,17 crore o total de bens declarados por ele, sem incluir ouro. Os investigadores e as autoridades responsáveis pela execução do confisco terão de verificar quais bens pertencem a Khan e como os processos pertinentes se aplicam a eles.
Para quem receberá indenização, o valor efetivo dependerá dos bens recuperados e do dinheiro obtido com eventuais vendas. Saldos bancários, investimentos, edifícios e terrenos exigem verificações diferentes antes que possam ser transferidos ou convertidos em pagamentos.
Do levante à execução patrimonial
A iniciativa de confisco ocorre após o processo contra ex-líderes pela repressão aos protestos de julho e agosto de 2024. O governo de Hasina caiu em agosto, e ela fugiu para a Índia.
Os principais acontecimentos abrangem o levante, a sentença do tribunal e o atual pedido de execução:
- Julho e agosto de 2024: ocorreram os protestos e a repressão que se tornaram objeto do processo por crimes contra a humanidade.
- Agosto de 2024: Hasina deixou Bangladesh rumo à Índia após a queda de seu governo.
- 17 de novembro de 2025: o Tribunal Internacional de Crimes 1 condenou Hasina e Khan à morte e ordenou o confisco de bens para fins de indenização.
- Outubro de 2026: Hasina renovou sua promessa de voltar a Bangladesh, contestando sua condenação.
- 3 de novembro: Islam anunciou as cartas que pedem ao Ministério do Interior que tome providências para executar as ordens de confisco.
As condenações à morte de novembro de 2025 foram proferidas após conclusões sobre incitação, ordens para matar e omissão em impedir atrocidades. Bangladesh posteriormente pediu à Índia o retorno de Hasina e Khan.
Hasina rejeitou a condenação e acusou as autoridades de usar processos criminais contra ela e sua Liga Awami. Durante sua promessa de retorno em outubro, ela apontou dezembro de 2026 como o período em que pretendia voltar; seu filho disse posteriormente que nenhuma data havia sido definida.
Islam afirmou que as ordens de confisco também abrangiam Obaidul Quader, secretário-geral da Liga Awami, e outras pessoas. Após verificação, os promotores identificaram cerca de 11 a 12 pessoas abrangidas por essas ordens. A tarefa imediata do ministério é transformar as ordens em inventários verificados e em um processo operacional de indenização.
Principais pontos
- Os promotores pediram ao Ministério do Interior que assuma o controle dos bens de Sheikh Hasina e Asaduzzaman Khan Kamal.
- O pedido decorre da sentença de 17 de novembro de 2025 do tribunal, que determinou o confisco de bens para indenizar vítimas do levante e famílias enlutadas.
- Hasina declarou cerca de Tk 4,34 crore em bens em 2024; Khan declarou aproximadamente Tk 10,25 crore, sem incluir ouro.
- Os promotores afirmam que Hasina não recorreu dentro do prazo legal de 30 dias e defendem que a execução pode prosseguir.
- As cartas pedem o controle de todos os bens, enquanto o promotor-chefe mencionou a venda de 50%. A implementação terá de definir a parcela a ser vendida.
- Não foram anunciados estimativas dos valores obtidos com as vendas nem um cronograma para os pagamentos de indenização.






