Bilhões no fundo, aluguel atrasado na prática
O Gabinete do Primeiro-Ministro do Nepal informa que, até Kartik 13, haviam sido arrecadados 18,31 bilhões de rúpias nepalesas (Rs) em seu fundo de assistência a desastres, mas apenas Rs 1 bilhão havia sido transferido desse fundo para a Autoridade Nacional de Redução e Gestão do Risco de Desastres. Famílias desalojadas pelas enchentes dos rios Bhotekoshi e Trishuli ainda aguardavam o prometido auxílio mensal de Rs 15.000 para moradia.
Conteúdo
- Bilhões no fundo, aluguel atrasado na prática
- O que significam os diferentes totais de recursos
- Famílias alugam quartos enquanto a assistência não chega
- Como deveria funcionar o auxílio-moradia
- O cadastro impede que os pagamentos avancem
- Algumas famílias já receberam dinheiro emergencial
- Custos de resgate e abrigos temporários vazios
- Parlamento cobra registros rastreáveis dos gastos
- A recuperação custará muito mais que a assistência imediata
- O que o fundo pode financiar e quais são os próximos passos
- Principais pontos
A autoridade afirma ter liberado Rs 370 milhões para 15 governos locais afetados e órgãos de segurança. Seu porta-voz, Ram Bahadur KC, diz que o principal entrave ao pagamento da assistência habitacional é a falta de conclusão do cadastro e da verificação das famílias afetadas, seguida pela ausência de pedidos formais de recursos por parte dos governos locais.
O resultado é uma operação de assistência que avança em dois ritmos: bilhões de rúpias ficam retidos no governo central, enquanto famílias lutam para encontrar quartos, pagar proprietários e retomar o trabalho. A fiscalização parlamentar agora se concentra em quanto dinheiro chegou a cada município e bairro e em como foi gasto.
A avaliação das enchentes identifica 26 de agosto de 2026 como a data do desastre. Uma decisão do Conselho de Ministros, em Bhadra 25, prometeu auxílio mensal para aluguel às famílias desalojadas por até seis meses. O pagamento ainda estava pendente para pessoas entrevistadas cerca de dois meses após as enchentes.
O que significam os diferentes totais de recursos
O Gabinete do Primeiro-Ministro registrou a transferência de Rs 1 bilhão em Bhadra 16. Dos Rs 18,31 bilhões arrecadados, restam Rs 17,31 bilhões sem registro de transferência adicional nessa conta. A liberação posterior de Rs 370 milhões pela autoridade representa 37% da verba de Rs 1 bilhão.
Outras declarações oficiais apresentam saldos com abrangências diferentes. O secretário do Gabinete do Primeiro-Ministro, Narayan Prasad Sharma Duwadi, disse a uma comissão parlamentar que o Fundo de Assistência a Desastres Naturais do Primeiro-Ministro e o Fundo de Assistência do Primeiro-Ministro somavam Rs 18.280.532.593. O vice-presidente da Comissão Nacional de Planejamento, Gunakar Bhatta, também citou um saldo de cerca de Rs 18,28 bilhões.
KC disse que a autoridade de gestão de desastres já tinha Rs 7 bilhões antes de receber o Rs 1 bilhão adicional. Um funcionário do Gabinete do Primeiro-Ministro informou que o saldo do fundo de assistência a desastres, antes das enchentes, era de Rs 2,17 bilhões. Portanto, as duas instituições já dispunham de recursos além das doações mais recentes.
O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, disse que Rs 10 bilhões foram arrecadados nos oito dias seguintes ao desastre. Jensen Huang, fundador e diretor-executivo da Nvidia, foi apontado como o maior doador, com uma contribuição de US$ 10 milhões. Cidadãos, organizações e doadores internacionais também contribuíram.
O comitê gestor do fundo afirma que novas alocações dependem de pedidos da autoridade. KC, falando em nome da autoridade, disse que recursos adicionais haviam sido prometidos para quando fossem necessários.
"Foi-nos garantido que recursos adicionais serão liberados assim que forem necessários", disse KC.
Famílias alugam quartos enquanto a assistência não chega
Meera Nagarkoti, 50 anos, moradora do bairro 4 do município de Bidur, alugava por Rs 2.500 mensais um quarto perto do escritório da administração distrital para sua família de quatro pessoas. Seu marido estava sem conseguir mover o braço e a perna esquerdos havia três meses. Ela contou que tinha dificuldade para pagar o aluguel, custear o tratamento e alimentar a família, enquanto ia repetidamente ao escritório do bairro para se cadastrar e receber assistência.
Manoj Lama, 61 anos, também do bairro 4, passou cerca de 27 ou 28 dias em um centro de acolhimento antes de alugar um quarto, depois de saber do pagamento mensal prometido pelo governo. Ele disse que não havia recebido essa assistência e que começou a trabalhar como diarista, ganhando de Rs 700 a Rs 800 nos dias em que havia serviço. O aluguel continuava atrasado.
No bairro 1 de Bidur, Januka Mijar perdeu tanto o quarto que alugava quanto o prédio onde mantinha uma loja de tambores madal. Ela disse que recebeu utensílios e alimentos, mas nenhuma outra assistência do governo. Um valor para reabrir a loja ajudaria a recuperar a renda perdida junto com sua moradia.
Para esses moradores, a demora afeta várias necessidades ao mesmo tempo. Pagar aluguel compete com comprar comida e remédios, enquanto perder uma loja ou ferramentas dificulta ganhar o suficiente para se manter sem assistência.
Como deveria funcionar o auxílio-moradia
A decisão do Conselho de Ministros de Bhadra 25 prevê Rs 15.000 por mês para famílias de até quatro pessoas, mais Rs 2.000 por cada integrante adicional. A assistência deve durar até seis meses, enquanto as famílias providenciam uma moradia temporária.
Assim, uma família elegível de quatro pessoas receberia até Rs 90.000 ao longo de seis meses. Uma família de seis receberia Rs 19.000 por mês, ou até Rs 114.000 no mesmo período. Esses cálculos mostram por que a falta de vários pagamentos pode abrir um rombo considerável no orçamento doméstico.
KC disse que os pagamentos seriam calculados a partir da data das enchentes e depositados diretamente em contas bancárias depois que os governos locais verificassem os beneficiários e inserissem seus dados no Sistema de Informação de Gestão da Reconstrução, conhecido como RMIS. Esse é o cadastro on-line usado para registrar as famílias afetadas e processar a assistência.
De acordo com a autoridade, as Normas de Concessão para Construção de Moradias Temporárias, 2081, exigem que as famílias afetadas construam moradias temporárias ou intermediárias em até seis meses. O auxílio para aluguel deve cobrir esse período. As autoridades não deram uma data definida para concluir os pagamentos a todas as famílias elegíveis.
O cadastro impede que os pagamentos avancem
Antes de solicitar os recursos, os governos locais precisam identificar as famílias afetadas, conferir seus documentos, confirmar a elegibilidade e inserir as informações no RMIS. A vice-prefeita de Bidur, Prabha Bogati, disse que o governo federal só enviou recentemente os formulários e procedimentos necessários, atrasando o trabalho local.
Os números preliminares de Bidur apontam 1.786 casas totalmente destruídas e 2.657 terrenos danificados. O município decidiu solicitar Rs 30 milhões para uma primeira alocação, mas Bogati disse que o dinheiro ainda não havia entrado na conta bancária municipal.
O secretário do bairro 1, Bishnu Gajurel, descreveu um escritório com um computador e dois funcionários responsáveis por mais de 450 famílias cujas casas foram totalmente destruídas. Os funcionários precisam conferir documentos de cidadania, registros de terras, documentos de seguro e recomendações, coletar impressões digitais e inserir os dados on-line, além de manter os serviços públicos de rotina.
Bogati estabeleceu como meta encaminhar os cadastros concluídos pelos trâmites municipais e distritais até a segunda ou terça-feira seguinte. Gajurel disse que a verificação em um bairro muito afetado poderia levar mais de 15 a 20 dias. Danos causados pelas enchentes a escritórios e registros, moradores desalojados vivendo em outros lugares e informações incompletas sobre inquilinos e famílias sem terra complicaram a tarefa.
A autoridade enviou equipes para treinar funcionários locais no uso do RMIS em Rasuwa, Nuwakot e Dhading. KC também mencionou dificuldades para verificar o tamanho das famílias. Na prática, o dinheiro pode continuar disponível no governo central enquanto os registros necessários para autorizar cada pagamento não ficam prontos nos municípios.
Algumas famílias já receberam dinheiro emergencial
O Gabinete do Primeiro-Ministro informou que, até Asoj 28, 4.108 famílias de Rasuwa, Nuwakot e Dhading haviam recebido Rs 45.000 cada por meio de uma assistência financiada pelo Programa Mundial de Alimentos. O total destinado a essas famílias foi de Rs 184,86 milhões.
Outras distribuições emergenciais incluíram Rs 15.000 por família da Cruz Vermelha no bairro 5 de Bidur, Rs 15.000 da Plan International nos bairros 1 e 7 e Rs 45.000 do Programa Mundial de Alimentos no bairro 5. Bogati disse que o município autorizou organizações parceiras a distribuir dinheiro enquanto os recursos do governo não chegavam.
Os pagamentos emergenciais e o auxílio mensal prometido para aluguel são modalidades distintas de assistência. KC disse que a ajuda já fornecida por organizações parceiras seria contabilizada em relação às subvenções do governo. Para as famílias, a questão prática é como esses pagamentos anteriores afetarão o valor que ainda têm a receber pelo programa habitacional.
O governo orientou os parceiros de desenvolvimento que distribuem dinheiro a seguir as Normas de Proteção Social e Distribuição de Assistência Sensíveis a Desastres, 2081. Os registros dos pagamentos são importantes porque uma família pode ter recebido dinheiro emergencial e ainda aguardar o auxílio mensal para moradia.
Custos de resgate e abrigos temporários vazios
A autoridade informou que havia 11 centros de acolhimento abrigando 425 pessoas: 67 em Nuwakot, 229 em Rasuwa e 129 em Dhading. Governos locais e organizações não governamentais administravam os centros e pagavam os custos de funcionamento.
Outras 50 unidades habitacionais temporárias foram concluídas em Bidur antes do Dashain, com financiamento de organizações não governamentais internacionais. O Departamento de Desenvolvimento Urbano e Construção de Edifícios providenciou o terreno e os projetos. Funcionários do departamento disseram que nenhuma família desalojada havia se mudado para lá até então; algumas alegaram que a localização era inconveniente.
As operações de busca e resgate com helicópteros geraram custos estimados em Rs 260 milhões. Operadores privados apresentaram contas que totalizavam Rs 130 milhões por 2.794 voos. O Exército do Nepal realizou outros 2.068 voos, com custos provisoriamente estimados em Rs 130 milhões; a conta ainda era aguardada.
A autoridade informou 1.457 mortes e 5.285 pessoas desaparecidas. Além dos gastos com abrigos emergenciais e operações de resgate, as autoridades precisaram lidar com a identificação, a assistência às famílias e as consequências administrativas do desaparecimento de pessoas.
Parlamento cobra registros rastreáveis dos gastos
A comissão parlamentar especial que estuda os desastres nos corredores de Bhotekoshi e Kaligandaki pediu a divulgação dos recursos recebidos, das fontes das doações, das alocações, dos gastos e dos valores destinados a cada município e bairro. O presidente da comissão, Krishna Prasad Paudel, também solicitou detalhes sobre a assistência e as indenizações entregues localmente.
O secretário das Finanças, Ghanshyam Upadhyaya, disse à comissão que Rs 242 milhões haviam chegado aos governos locais afetados por meio da autoridade de gestão de desastres. O valor de Rs 370 milhões citado por KC abrangia repasses tanto aos governos locais quanto aos órgãos de segurança, um grupo mais amplo de destinatários.
Upadhyaya também informou que foi aprovada uma verba de Rs 2,54 bilhões para instituições de segurança: Rs 970 milhões para a Polícia do Nepal, Rs 660 milhões para a Força Policial Armada e Rs 910 milhões para o Exército do Nepal. Ele disse que Rs 260,535 milhões haviam sido liberados para a polícia, a polícia armada, o Exército e os presídios. A aprovação da verba define o valor autorizado; a liberação é a transferência posterior do dinheiro.
O Gabinete do Primeiro-Ministro disse que extrairia de suas planilhas os detalhes sobre as fontes das doações para apresentá-los à comissão. A divulgação desses registros, junto com os gastos locais, permitiria aos moradores acompanhar o percurso desde uma doação central até a alocação, o recebimento pelo município e o pagamento à família.
Bhishma Raj Angdembe, líder da oposição do Congresso Nepalês, acusou o governo de negligenciar os sobreviventes das enchentes apesar dos recursos arrecadados. Após se reunir com o presidente da Câmara, questionou para onde havia ido a assistência e pediu que o Parlamento se reunisse em breve.
A recuperação custará muito mais que a assistência imediata
Uma avaliação preliminar da Comissão Nacional de Planejamento estimou em Rs 79,17 bilhões os prejuízos privados causados pelas enchentes de 26 de agosto. O levantamento apontou cerca de Rs 69 bilhões em perdas para famílias e Rs 9,69 bilhões para empresas. Cinquenta e oito equipes de campo realizaram pesquisas digitais em 15 governos locais.
A avaliação abrangeu 6.817 famílias, 32.872 pessoas e 499 empresas em Dhading, Gorkha, Nuwakot e Rasuwa, além de 2.989 casas totalmente destruídas. A decisão do Conselho de Ministros sobre a assistência considerou um total mais amplo de 7.570 casas particulares danificadas em Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Gorkha e Chitwan.
As perdas em terrenos residenciais foram avaliadas em Rs 13,26 bilhões, e as casas danificadas ou destruídas, em Rs 11,95 bilhões. Outros 507,97 hectares de terras particulares pertencentes a 3.610 famílias sofreram danos avaliados em Rs 35,44 bilhões. As perdas de safras que afetaram 2.951 famílias ultrapassaram Rs 232 milhões, enquanto os veículos danificados foram avaliados em Rs 1,24 bilhão.
Para o esforço mais amplo de recuperação dos desastres discutido pela comissão parlamentar, Upadhyaya citou perdas preliminares de Rs 408,29 bilhões e necessidades de reconstrução de Rs 723,31 bilhões. Os cerca de Rs 18,28 bilhões mantidos nos dois fundos do primeiro-ministro equivalem a aproximadamente 2,5% dessa estimativa de reconstrução.
O conselho de desastres aprovou projetos de reconstrução no valor de Rs 225,7708 bilhões. Os ministérios estavam preparando prioridades e propostas de contratação para aprovação do Ministério das Finanças. Upadhyaya disse que a reconstrução usaria o orçamento regular e os recursos dos ministérios, enquanto o fundo de assistência a desastres do primeiro-ministro financiaria resgate e assistência imediatos. O governo também decidiu conceder às empresas afetadas benefícios relacionados a impostos, seguros, empréstimos e juros.
O que o fundo pode financiar e quais são os próximos passos
O Regulamento de Operação do Fundo de Assistência a Desastres do Primeiro-Ministro, 2063, permite gastos com resgate, abrigos temporários, alimentos, roupas, medicamentos, materiais escolares, tratamento, auxílio funerário, moradias temporárias, reabilitação e reparos em casas ou ferramentas usadas para o trabalho. Também permite financiar a preparação para desastres e medidas para lidar com resíduos e poluição causados por desastres.
As regras proíbem usar o fundo para salários, adicionais, benefícios ou despesas de viagem de funcionários. Doações, presentes, prêmios e assistência financeira sem relação com desastres naturais também são proibidos. As finalidades permitidas oferecem às autoridades diversas maneiras de atender às necessidades urgentes assim que os pedidos e os registros dos beneficiários estiverem prontos.
As principais etapas descritas pelas autoridades são:
- 26 de agosto de 2026: enchentes atingiram o sistema dos rios Bhotekoshi e Trishuli.
- Bhadra 16: Rs 1 bilhão foi transferido do fundo de assistência a desastres do primeiro-ministro para a autoridade de gestão de desastres.
- Bhadra 25: o Conselho de Ministros aprovou auxílio-moradia mensal para famílias desalojadas.
- Asoj 28: o Gabinete do Primeiro-Ministro registrou pagamentos emergenciais de Rs 45.000 cada para 4.108 famílias.
- Kartik 13: o Gabinete do Primeiro-Ministro informou que Rs 18,31 bilhões haviam sido arrecadados no fundo de assistência a desastres.
Concluir os cadastros locais, formalizar os pedidos de recursos e publicar registros detalhados dos gastos são agora as tarefas mais urgentes. Para os moradores desalojados, a conclusão dessas etapas determina quando o anúncio de assistência se transforma em dinheiro para pagar aluguel, comprar alimentos e se recuperar.
Principais pontos
- O Gabinete do Primeiro-Ministro registrou Rs 18,31 bilhões arrecadados e a transferência de Rs 1 bilhão para a autoridade de gestão de desastres.
- A autoridade afirma ter liberado Rs 370 milhões para governos locais e órgãos de segurança.
- O auxílio-moradia prometido começa em Rs 15.000 mensais para famílias de até quatro pessoas, por até seis meses.
- A falta de conclusão da verificação das famílias, os registros danificados e o número limitado de funcionários locais estão atrasando os pagamentos.
- Dinheiro emergencial de organizações humanitárias chegou a algumas famílias, enquanto o auxílio-moradia mensal continua pendente.
- Uma comissão parlamentar quer que as fontes das doações e os gastos sejam divulgados até o nível de município e bairro.






