Perda de terrenos e casas destruídas moldam a recuperação
A Comissão Nacional de Planejamento do Nepal estimou preliminarmente em Rs79,17 bilhões os danos a propriedades privadas causados pelas enchentes de 26 de agosto de 2026 nos rios Rasuwa e Bhotekoshi, sendo os terrenos a maior parcela. O levantamento domiciliar registra 32.872 pessoas afetadas em 15 áreas de governos locais nos distritos de Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Gorkha.
Conteúdo
- Perda de terrenos e casas destruídas moldam a recuperação
- Por que a estimativa mais ampla dos danos é muito maior
- Nuwakot concentra a maior população afetada
- Terrenos destruídos dificultam a reconstrução
- A maioria das estruturas danificadas não pode voltar a ser usada
- Famílias querem diferentes tipos de moradia permanente
- Fazendas e lojas perderam os meios de gerar renda
- Energia, estradas e serviços públicos aumentam o peso da recuperação
- Dívidas, documentação legal e segurança continuam urgentes
- Principais pontos
Os resultados apontam danos de Rs69,57 bilhões às famílias e de Rs9,60 bilhões a empresas e estabelecimentos. Resumos preliminares também apresentaram um total de Rs7,917 bilhões, dividido em Rs6,957 bilhões para as famílias e Rs960 milhões para os estabelecimentos. Os valores maiores são repetidos no relato detalhado em nepalês do levantamento, inclusive nos desdobramentos sobre terrenos e moradias.
Para as famílias que precisam decidir onde reconstruir, os números mais urgentes dizem respeito à moradia. Das 4.151 estruturas danificadas, 2.989 foram completamente destruídas e 3.194 foram consideradas inutilizáveis. Entre as 3.067 famílias consultadas sobre moradia permanente, 797 queriam voltar ao local onde viviam antes da enchente, enquanto 939 preferiam terrenos fornecidos pelo governo.
O levantamento também expõe a distância entre contabilizar propriedades destruídas e reconstruir uma comunidade. As famílias perderam terras agrícolas, alimentos armazenados, animais, veículos e bens domésticos. Empresas perderam instalações e equipamentos e ainda precisam lidar com parcelas de empréstimos bancários. Alguns sobreviventes, deslocados uma vez pelo terremoto de 2015 e novamente por esta enchente, agora vivem em abrigos temporários em Nuwakot.
A comissão mobilizou 58 equipes, com 156 funcionários técnicos e administrativos, para coletar informações. Os resultados ainda são preliminares, enquanto prossegue a avaliação mais ampla dos danos à infraestrutura, à atividade econômica, aos serviços públicos e ao meio ambiente.
Por que a estimativa mais ampla dos danos é muito maior
A Avaliação Rápida de Danos e Necessidades (RDNA, na sigla em inglês) feita anteriormente pelo governo estimou os efeitos totais do desastre em Rs408,29 bilhões e as necessidades de recuperação em Rs723,32 bilhões. Esse trabalho abrangeu cinco distritos, incluindo Chitwan, e uma gama muito mais ampla de ativos e perdas econômicas do que o levantamento domiciliar.
Uma avaliação rápida usa registros do governo, mapeamento e imagens de satélite para produzir uma estimativa inicial que oriente decisões emergenciais. A Avaliação Pós-Desastre de Necessidades, mais detalhada, acrescenta visitas às famílias e inspeções de engenharia para determinar o que precisa ser reconstruído e quanto isso pode custar.
Dano físico é o valor dos bens destruídos ou danificados, como uma loja, uma casa ou uma usina elétrica. Perda econômica inclui a renda que deixa de ser gerada enquanto esses bens ficam fora de uso. As necessidades de recuperação abrangem os gastos necessários para restabelecer serviços e meios de subsistência, incluindo medidas para tornar mais seguros os assentamentos e a infraestrutura reconstruídos.
A estimativa de Rs723,32 bilhões para a recuperação na RDNA equivale a cerca de 1,8 vez a estimativa de Rs408,29 bilhões em danos e perdas econômicas. O total de danos a propriedades privadas do levantamento domiciliar tem escopo mais restrito e não inclui estradas, energia hidrelétrica e outras avaliações setoriais ainda em elaboração.
O processo de avaliação e recuperação se estendeu por várias semanas:
- 26 de agosto de 2026: As enchentes atingiram o corredor dos rios Bhotekoshi e Trishuli, destruindo assentamentos, empresas e infraestrutura.
- 13 de setembro: Foi divulgada a avaliação rápida do governo, abrangendo Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Gorkha e Chitwan.
- 17 de outubro: Os resultados preliminares detalhados do levantamento domiciliar descreveram os danos em quatro distritos.
- 19 de outubro: Sobreviventes abrigados temporariamente em Bada Chautara relataram a contínua incerteza sobre moradia e trabalho.
Nuwakot concentra a maior população afetada
Nuwakot reúne 17.954 das 32.872 pessoas registradas como diretamente afetadas no levantamento domiciliar, cerca de 55%. Em seguida vêm Rasuwa, com 9.676 pessoas, Dhading, com 4.584, e Gorkha, com 658.
O levantamento registra 16.714 homens e 16.080 mulheres afetados, além de 78 pessoas cujo gênero foi registrado em outra categoria ou não foi especificado. Nos quatro distritos, contabiliza 6.817 famílias afetadas e 499 empresas ou estabelecimentos, totalizando 7.316.
Nuwakot teve 4.164 famílias e estabelecimentos afetados, ante 1.977 em Rasuwa, 1.052 em Dhading e 123 em Gorkha. As tabelas de danos a empresas listam separadamente 1.638 estabelecimentos. A relação entre esse número e os 499 estabelecimentos do total combinado do levantamento não foi explicada.
Nuwakot também teve o maior número de estruturas danificadas: 2.256. Rasuwa teve 1.236, Dhading, 630, e Gorkha, 29. Essa concentração significa que a assistência habitacional, os reparos e a retomada do comércio local exigirão esforços especialmente grandes em Nuwakot.
Terrenos destruídos dificultam a reconstrução
Os danos a terrenos afetaram 3.610 famílias e atingiram 507,97 hectares, avaliados em cerca de Rs35,44 bilhões nos números detalhados do levantamento. Isso corresponde a aproximadamente 45% do total de Rs79,17 bilhões em danos a propriedades privadas, tornando os terrenos a maior categoria registrada.
Os danos aos terrenos sob casas de propriedade privada foram estimados em Rs13,26 bilhões, enquanto os danos aos investimentos na construção de edificações foram calculados em Rs11,95 bilhões. As estruturas danificadas ocupavam 54,65 hectares.
Uma família cuja casa desabou pode precisar de dinheiro e materiais para reconstruí-la. Se o terreno também foi erodido, soterrado ou ficou exposto a novas enchentes, surge outra decisão: existe um local adequado para construir a casa substituta? As preferências habitacionais registradas pela comissão tornam essa escolha central para o planejamento da recuperação.
Os resultados detalhados também avaliam em Rs5,02 bilhões as perdas de dinheiro, objetos de valor, bens culturais e peças arqueológicas de 2.330 famílias. Bens domésticos permanentes de 3.187 famílias tiveram danos de Rs1,45 bilhão, enquanto os bens domésticos temporários de 2.769 famílias responderam por mais Rs663,5 milhões.
Os veículos das famílias acrescentaram Rs1,24 bilhão aos danos, envolvendo 1.423 veículos pertencentes a 1.115 famílias. Somadas, essas perdas vão muito além das paredes de uma casa: incluem economias, transporte e os bens do dia a dia necessários para retomar a vida normal.
A maioria das estruturas danificadas não pode voltar a ser usada
Os resultados detalhados da comissão listam 4.151 estruturas danificadas pertencentes a 3.067 proprietários. Um resumo preliminar informou 3.967 proprietários. Entre as estruturas havia 2.792 casas, 651 estruturas com treliças, 263 abrigos temporários, 288 currais e depósitos ou construções tradicionais auxiliares, além de 142 outras estruturas. Outras 15 não tinham tipo registrado.
A destruição total atingiu 2.989 estruturas, ou 72,01%. Outras 508 foram soterradas por terra e lama, 302 sofreram danos parciais, 141 ficaram inclinadas e 192 tiveram danos leves. A categoria de dano não foi especificada para 19.
Engenheiros consideraram inutilizáveis 3.194 estruturas, ou 76,95%. Uma contagem preliminar menor indicou 3.104, mantendo o mesmo percentual. O total detalhado de 3.194 corresponde à proporção informada para as 4.151 estruturas.
Apenas 332 estruturas poderiam voltar a ser usadas após grandes reparos e 320, após pequenos reparos. Outras 97 podiam ser usadas sem reparos, enquanto a situação de reutilização de 208 não foi especificada. Esses números indicam que a maioria dos proprietários terá de substituir suas estruturas, em vez de simplesmente repará-las.
Famílias querem diferentes tipos de moradia permanente
A comissão perguntou a 3.067 famílias afetadas onde queriam morar permanentemente. Quase metade, 49,59%, preferia o antigo local de residência ou outro terreno de sua propriedade. Esse total reúne várias opções distintas.
Voltar ao local onde moravam antes era a preferência de 797 famílias, ou 25,99%. Outras 565 famílias, 18,42%, queriam usar terrenos que possuíam em outra parte do distrito. Mais 159, ou 5,18%, escolheram um terreno próprio em outra parte do Nepal.
O apoio do governo era a opção preferida por outro grupo numeroso. Cerca de 939 famílias, 30,62%, escolheram terrenos fornecidos pelo governo sem direito de propriedade. Outras 590, ou 19,24%, preferiam moradias comunitárias organizadas pelo governo. Dezessete famílias não manifestaram preferência.
Essas escolhas apontam para a necessidade de vários programas habitacionais, e não de uma solução única. A assistência para reconstruir em terrenos privados, o acesso a outro terreno e a moradia comunitária atenderiam a necessidades diferentes. O relato detalhado estima em cerca de Rs12 bilhões a construção de moradias para as 3.067 famílias; a RDNA mais ampla calcula quase Rs95,83 bilhões para a recuperação habitacional em sua área de abrangência maior.
Os moradores de Khalte Nangsi e Singhbir Tamang mostram por que a estabilidade é importante. A comunidade havia se mudado depois que o terremoto de 2015 deixou as aldeias nas montanhas vulneráveis a deslizamentos. Cerca de 250 famílias se transferiram para o assentamento às margens do rio, inicialmente como uma solução temporária. A enchente de agosto arrasou Khalte, forçando uma nova mudança.
Em 19 de outubro, 511 pessoas estavam abrigadas em Bada Chautara, em Nuwakot, incluindo 212 crianças. Nangsi e Singhbir trocaram uma barraca doada por um quarto com telhado de zinco, mas continuavam preocupados todos os dias com o tempo que poderiam permanecer ali.
Fazendas e lojas perderam os meios de gerar renda
As lavouras em pé de 2.951 famílias tiveram danos de Rs232,1 milhões. As perdas de alimentos armazenados chegaram a Rs104,1 milhões em 1.876 famílias, enquanto prejuízos com criação de animais, aves e peixes afetaram 1.011 famílias e somaram Rs214,2 milhões.
As famílias perderam 664 animais de grande porte, 4.601 animais menores, 63.633 aves e 24.508 quilos de peixes. As empresas, separadamente, perderam 130 animais de grande porte, 2.058 animais menores, 153.052 aves e 28.150 quilos de peixes. Para esses proprietários, repor os animais e as instalações de produção é parte da retomada da renda.
As tabelas empresariais listam 774 comerciantes atacadistas e varejistas, 337 estabelecimentos de hospedagem e alimentação, 166 empresas de agricultura, silvicultura e pesca e 136 prestadores de outros serviços. Esses grupos representam a maior parte dos 1.638 estabelecimentos dessa classificação. As empresas também registraram Rs940 milhões em danos a 403 veículos.
Gopal Bahadur Sharki, dono de uma sapataria em Devighat, reabriu uma loja temporária entre os escombros, depois que a enchente destruiu suas instalações. Ele explicou por que voltou ao trabalho:
"Agora estou tocando minha loja aqui, nessas condições, para sobreviver",
A RDNA mais ampla estimou que quase 4.800 empresas sofreram danos. Calculou em cerca de Rs146,19 bilhões os danos comerciais e as perdas econômicas combinados, incluindo a renda perdida durante as interrupções, e estimou em Rs45,45 bilhões o custo para reconstruir estabelecimentos comerciais.
Energia, estradas e serviços públicos aumentam o peso da recuperação
A avaliação rápida atribuiu quase Rs300 bilhões dos efeitos estimados do desastre a empresas privadas, famílias e infraestrutura de propriedade privada. Arjun Bhandari, secretário adjunto da Comissão Nacional de Planejamento e coordenador da RDNA, descreveu onde ocorreu grande parte dos danos físicos:
"A maior parte dos danos físicos ocorreu em empresas privadas, moradias particulares, projetos hidrelétricos, escolas, veículos e infraestrutura de comunicação",
Treze projetos hidrelétricos foram afetados, oito deles de propriedade privada. Cinco usinas solares também sofreram danos. A avaliação apontou 759 megawatts de capacidade energética afetada, incluindo instalações em operação ou em construção, e estimou em cerca de Rs151 bilhões os danos e as perdas em hidrelétricas e linhas de transmissão.
A RDNA também registrou 69 quilômetros de estradas danificadas ao longo do corredor Galchhi-Trishuli-Rasuwagadhi. A interrupção das ligações de transporte dificulta o acesso das empresas a fornecedores e clientes, enquanto os danos às vias de acesso complicam os reparos nos projetos de energia.
Os danos aos serviços públicos incluíram 18 escolas, com 56 edifícios e 308 salas ou espaços afetados. Dessas salas, 156 foram completamente danificadas e 152 sofreram danos parciais. Sete unidades de saúde foram afetadas, incluindo quatro postos de saúde completamente destruídos.
Os serviços bancários e de comunicação também foram interrompidos. Dezessete agências de 12 bancos e instituições financeiras sofreram danos, assim como três torres da Nepal Telecom e uma torre da Ncell. Restabelecer esses serviços é parte de tornar os assentamentos afetados novamente viáveis para morar e trabalhar.
Dívidas, documentação legal e segurança continuam urgentes
Os empresários que perderam suas instalações continuam preocupados com as parcelas dos empréstimos bancários. O Conselho de Ministros aprovou uma primeira fase de medidas de recuperação, incluindo isenções de tarifas alfandegárias para veículos comerciais e de carga substitutos, alívio tributário e linhas de crédito em condições favoráveis. As medidas anunciadas não estabelecem um cronograma completo para que cada tomador de empréstimo receba assistência.
Famílias com parentes desaparecidos enfrentam outra barreira à recuperação financeira. O processo simplificado para declarar uma morte no Nepal, introduzido em outubro, pretendia permitir que famílias afetadas pelo desastre buscassem reconhecimento legal após 45 dias. O registro da morte pode determinar o acesso a indenizações por falecimento, seguros, pensões e transferência de bens.
Em Bada Chautara, sobreviventes falaram sobre parentes desaparecidos, além da perda de moradia e trabalho. Suas necessidades, portanto, envolvem vários sistemas ao mesmo tempo: definição de abrigos, documentos de identidade e propriedade, assistência financeira e apoio durante o luto.
Ativistas também pediram atenção especial ao tráfico de pessoas nos distritos afetados pelas enchentes dos rios Bhotekoshi e Trishuli. Mulheres e crianças deslocadas por desastres podem correr mais riscos em meio à desorganização da moradia e dos meios de subsistência. Iqbal Hawari, superintendente adjunto da Polícia de Nuwakot, participou de uma entrevista sobre essa preocupação.
A comissão ainda está preparando a avaliação mais ampla das necessidades, e nenhuma data de conclusão foi informada. A próxima tarefa é relacionar os danos verificados, as preferências das famílias e os custos de recuperação dos setores a decisões concretas de financiamento. Para os sobreviventes, as prioridades imediatas são um lugar estável para morar e uma forma confiável de gerar renda.
Principais pontos
- Os números detalhados preliminares do levantamento estimam em Rs79,17 bilhões os danos a propriedades privadas, embora totais menores também circulem em resumos preliminares.
- O levantamento domiciliar registra 32.872 pessoas afetadas em quatro distritos; Nuwakot representa cerca de 55% do total.
- Os danos a terrenos estão avaliados em Rs35,44 bilhões em 507,97 hectares.
- Das 4.151 estruturas danificadas, 2.989 foram completamente destruídas e 3.194 foram consideradas inutilizáveis.
- Entre as 3.067 famílias consultadas sobre moradia permanente, 797 queriam voltar ao antigo local, 939 preferiam terrenos fornecidos pelo governo e 590 escolheram moradias comunitárias.
- A avaliação rápida mais ampla estima em Rs408,29 bilhões os efeitos do desastre e em Rs723,32 bilhões as necessidades de recuperação em cinco distritos.
- Moradia, dívidas empresariais, interrupção de serviços e documentação legal continuam sendo questões centrais para a recuperação.






