TIB pede afastamento do chefe da polícia por declarações sobre tiroteios e cobra explicações do governo

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TIB Seeks Police Chief's Removal Over Crossfire Remarks, Demands Government Explanation

Declarações do chefe da polícia geram cobranças por responsabilização

A Transparency International Bangladesh (TIB) pediu o afastamento do inspetor-geral da Polícia, Md Ali Hossain Fakir, até que haja responsabilização, depois que ele afirmou que a polícia recorreria a tiroteios, se necessário e com autorização do governo. As declarações feitas em Daca na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, foram criticadas por organizações de defesa dos direitos humanos e por um parlamentar, colocando sob escrutínio a posição do governo sobre execuções extrajudiciais.

Conteúdo
  1. Declarações do chefe da polícia geram cobranças por responsabilização
  2. O que Fakir disse sobre os poderes da polícia
  3. Por que a autorização do governo está no centro da controvérsia
  4. Quando o uso de força letal é permitido
  5. Uma promessa em setembro e um questionamento em outubro
  6. Mortes anteriores dão peso ao alerta da TIB
  7. Chefe da polícia cita medidas contra agentes
  8. Hasnat cobra neutralidade antes das eleições locais
  9. Críticas públicas e espaço para escrutínio
  10. Principais pontos

Em comunicado divulgado em 26 de outubro, a TIB pediu uma explicação formal do chefe da polícia, a retratação de suas declarações, um pedido público de desculpas sem ressalvas e responsabilização administrativa. A organização afirmou que apresentar tiroteios como forma de controlar o crime transmite uma mensagem perigosa aos agentes responsáveis por proteger a população.

Fakir fez os comentários na inauguração do serviço bancário islâmico do Community Bank Bangladesh PLC, o Community Islamic, em Chawkbazar. Ele também é presidente do banco. Ao falar sobre os poderes da polícia e a ordem pública, condicionou o uso de tiroteios à autorização do governo.

O chefe da polícia disse aos presentes:

Se o governo autorizar e isso se tornar necessário para manter a lei e a ordem e reprimir crimes, não hesitaremos em recorrer a tiroteios.

A principal objeção da TIB foi que a autorização do governo não pode substituir a lei. Seu diretor-executivo, Dr. Iftekharuzzaman, afirmou que a polícia deve investigar crimes, reunir provas aceitas pelos tribunais e levar os acusados a julgamento. Matar alguém fora desse processo, disse ele, não se torna legal simplesmente porque o Poder Executivo aprova.

A Human Rights Support Society (HRSS) também condenou as declarações. A entidade pediu ao governo que esclareça se considera admissíveis as execuções extrajudiciais ou se Fakir expressou uma opinião pessoal. As duas organizações atribuíram ao governo a responsabilidade de explicar sua posição e garantir que a polícia atue dentro dos limites da lei.

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O que Fakir disse sobre os poderes da polícia

Fakir fez suas declarações sobre tiroteios junto de apelos para fortalecer a polícia, obter a cooperação da população e respeitar a Constituição. Pouco antes de falar sobre tiroteios, afirmou que os agentes aplicariam a lei e cumpririam suas responsabilidades de acordo com a Constituição.

O chefe da polícia argumentou que os agentes eram criticados tanto quando agiam com firmeza quanto quando recuavam. Disse que a polícia era chamada de fascista quando usava cassetetes e de fraca quando permanecia em silêncio. Pediu um ambiente em que os agentes pudessem cumprir seus deveres e afirmou que tentativas de tornar a corporação ineficaz dificultariam a manutenção da ordem social.

Fakir também pediu à população que evitasse boatos e falsas acusações contra a polícia, não fizesse justiça com as próprias mãos e cooperasse com os agentes. Disse que tanto a polícia quanto os cidadãos devem obedecer à lei e à Constituição.

A TIB apontou uma contradição direta entre esses compromissos e a sugestão de que tiroteios poderiam se tornar uma opção com a aprovação do governo. Para a organização, a questão é quais métodos estão disponíveis à polícia e se eles respeitam as proteções legais.

Por que a autorização do governo está no centro da controvérsia

Os artigos 31 e 32 da Constituição de Bangladesh fundamentam as objeções apresentadas pela TIB e pela HRSS. O artigo 31 trata da proteção da lei, enquanto o artigo 32 protege a vida e a liberdade pessoal. Em termos simples, o Estado deve seguir a lei ao lidar com as pessoas, inclusive as acusadas de crimes graves.

Iftekharuzzaman, diretor-executivo da TIB, explicou por que rejeita a ideia de que uma autorização do Poder Executivo possa permitir uma morte fora do processo judicial:

Nenhuma autorização do governo pode legitimar uma execução extrajudicial. Os direitos à proteção legal, à vida e à liberdade pessoal, garantidos pelos artigos 31 e 32 da Constituição, não podem ser deixados de lado por decisões do Poder Executivo. Independentemente da gravidade de uma acusação, a polícia não tem autoridade para matar ninguém ignorando o devido processo legal.

O devido processo legal consiste em seguir as etapas previstas em lei para investigar e julgar acusações. A polícia identifica suspeitos e reúne provas; os tribunais determinam a responsabilidade criminal. A TIB afirmou que tiroteios não podem servir de alternativa a essa divisão de responsabilidades.

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Quando o uso de força letal é permitido

A TIB afirmou que qualquer uso da força pela polícia deve ser legal, necessário e proporcional. Esses requisitos significam que os agentes precisam de fundamento legal para agir, só devem usar a força quando necessário e devem limitá-la ao que a situação justifica.

Segundo os padrões internacionais citados pela TIB, o uso intencional de armas de fogo com resultado letal só é permitido quando for estritamente inevitável para proteger vidas. A organização descreveu isso como uma exceção de aplicação restrita, e não como autorização para matar pessoas como método de combate ao crime.

A HRSS apresentou argumento semelhante em comunicado assinado por seu diretor-executivo, Ijazul Islam. A entidade afirmou que a segurança pública deve ser promovida por meio de procedimentos legais, investigações imparciais e respeito à autoridade do Judiciário. Acusações de atividade criminosa, disse, não retiram de ninguém os direitos à vida e à justiça.

A questão prática é o que o agente pretende alcançar. Proteger alguém de uma ameaça iminente à vida exige uma justificativa legal diferente da punição de um suspeito. A TIB e a HRSS insistiram que a punição por crimes deve ocorrer no âmbito do processo judicial.

Uma promessa em setembro e um questionamento em outubro

A TIB citou uma declaração do ministro da Justiça em 14 de setembro, segundo a qual o governo não recorreria a tiroteios para combater o terrorismo porque as leis existentes eram suficientes. As declarações posteriores de Fakir apresentaram a autorização do governo como uma possível condição para usá-los.

A sequência coloca lado a lado a política anunciada pelo governo e as declarações do chefe da polícia:

  • 14 de setembro: O ministro da Justiça afirmou que o governo não usaria tiroteios para combater o terrorismo e que as leis existentes eram suficientes.
  • 26 de outubro: Fakir disse, durante o evento bancário em Chawkbazar, que a polícia recorreria a tiroteios se fosse necessário e autorizado pelo governo.
  • 26 de outubro: A TIB pediu uma explicação, a retratação das declarações, um pedido de desculpas e responsabilização administrativa. A HRSS também pediu ao governo que esclarecesse sua posição.

Nos comunicados e declarações descritos aqui, não foi anunciada nenhuma decisão do governo sobre as demandas da TIB, retratação do chefe da polícia ou prazo para uma resposta. A TIB pediu ao governo que explicasse a inconsistência e especificasse como faria valer a posição anunciada.

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Mortes anteriores dão peso ao alerta da TIB

Iftekharuzzaman citou três casos para explicar por que as palavras do chefe da polícia tinham peso especial: o caso do assassinato de Sinha, a morte de Ekramul Haque, vereador de Teknaf, e o caso dos sete assassinatos de Narayanganj.

A TIB lembrou as condenações de policiais no caso Sinha. Também mencionou alegações discutidas em conexão com o veredito, segundo as quais tiroteios teriam sido usados para extorquir dinheiro, torturar pessoas e matá-las. A organização apresentou esses episódios como motivos para fortalecer as investigações legais e a responsabilização.

A morte de Ekramul Haque em um suposto tiroteio levantou sérias dúvidas depois que sua família divulgou uma gravação de áudio e alegou que ele havia sido assassinado, afirmou a TIB. A organização citou as alegações da família como parte do histórico que torna alarmadas as novas declarações sobre tiroteios.

As condenações de ex-integrantes do Batalhão de Ação Rápida (RAB) no caso dos sete assassinatos de Narayanganj são outro exemplo judicial de abuso criminoso dos poderes de aplicação da lei, segundo a TIB.

Iftekharuzzaman alertou que agentes em serviço poderiam interpretar as declarações do chefe da polícia como uma licença implícita para usar força ilegal. Com as expectativas da população voltadas à reforma da polícia e do Estado, ele questionou que lições a corporação havia aprendido com os crimes do passado.

Chefe da polícia cita medidas contra agentes

Fakir defendeu as medidas internas de responsabilização da corporação, afirmando que cerca de 27 policiais haviam sido presos nos dois meses anteriores. Disse que os agentes envolvidos em atividades criminosas não estavam sendo poupados e que a polícia tinha seus próprios mecanismos de controle e equilíbrio.

O chefe da polícia reconheceu que alguns policiais haviam participado do tráfico de drogas e que alguns continuavam envolvidos. Também acusou figuras do antigo governo da Liga Awami de proteger a expansão das drogas e afirmou que a polícia seguia uma política de tolerância zero.

Fakir descreveu as medidas contra os agentes como um esforço para enfrentar irregularidades dentro da corporação:

Estamos começando a arrumar a casa, como vocês podem ver. Ainda assim, até isso está sendo alvo de várias interpretações equivocadas.

A demanda da TIB vai além de medidas contra policiais individualmente. A organização pediu que a cúpula da corporação seja responsabilizada por uma declaração pública sobre como a atividade policial poderia ser conduzida. Segundo a entidade, fragilidades institucionais exigem soluções profissionais, incluindo investigações melhores e processos judiciais baseados em provas admissíveis.

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Hasnat cobra neutralidade antes das eleições locais

Hasnat Abdullah, coordenador-chefe do Partido Nacional dos Cidadãos (NCP) para a região sul e deputado por Cumilla-4, criticou Fakir em um evento público de aproximação com a população em Mugda, Daca, na tarde de segunda-feira. Chamou o chefe da polícia de bandido e comparou suas declarações à conduta do ex-chefe da polícia Benazir Ahmed e do ex-chefe da Divisão de Investigação Criminal Harun Or Rashid durante o governo da Liga Awami.

Hasnat relacionou a controvérsia à neutralidade da polícia antes das próximas eleições locais. Pediu aos policiais e administradores que trabalhem para a população, e não para o BNP, o NCP, a Jamaat ou qualquer outro partido político.

Dirigindo-se aos policiais, Hasnat disse:

Vocês não são a polícia do ministro do Interior nem a polícia do primeiro-ministro. O uniforme que vestem é pago com os impostos do povo. Não se esqueçam disso.

Hasnat também pediu a libertação de uma mulher em Mymensingh que, segundo relatos, foi presa após expressar nas redes sociais arrependimento por ter votado no BNP. Ele mencionou o desaparecimento de Miraj Sheikh em Mongla havia mais de seis meses e alegou que a Guarda Costeira o havia levado. Essas foram alegações e demandas feitas por Hasnat durante seu discurso.

Seu apelo sobre as eleições ampliou a controvérsia para além das palavras de Fakir. O líder do NCP pediu policiamento imparcial e neutralidade administrativa enquanto fazia campanha para Nasiruddin Patwary, candidato do partido à prefeitura da Corporação Municipal de Daca Sul.

Críticas públicas e espaço para escrutínio

Fakir também respondeu, no evento bancário, a uma declaração de 101 cidadãos sobre a prisão de 85 pessoas durante uma operação na casa de um oficial de alta patente da polícia. Ele contestou as críticas à operação, mencionou o suposto consumo de álcool e drogas e afirmou que a liberdade exige que as pessoas respeitem a lei.

O chefe da polícia argumentou que as pessoas devem agir de acordo com a ética e os valores do país. Seus comentários vieram acompanhados de um apelo mais amplo para que a população evite acusações falsas e permita que a polícia cumpra suas responsabilidades.

A TIB abordou outro aspecto da relação entre a polícia e o escrutínio público: alegações de que jornalistas criticavam a polícia por não terem recebido dinheiro. A organização afirmou que qualquer acusação específica de conduta criminosa contra um jornalista deve ser investigada e tratada por meio de medidas legais baseadas em provas.

Acusações generalizadas contra jornalistas, alertou a TIB, enfraquecem o papel da imprensa na fiscalização e na responsabilização e podem desestimular a cobertura independente. A entidade reconheceu a necessidade de capacidade policial adequada e de um ambiente de trabalho apropriado, mas insistiu que essas necessidades não justificam evitar críticas legítimas.

A resposta solicitada pela TIB é concreta: uma explicação de Fakir, a retratação das declarações, um pedido público de desculpas e responsabilização administrativa, incluindo seu afastamento até que haja responsabilização. A HRSS pede um compromisso claro do governo para manter as forças de segurança dentro da lei. As duas organizações colocam a proteção da vida e o acesso à justiça no centro do combate ao crime.

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Principais pontos

  • O chefe da polícia, Md Ali Hossain Fakir, afirmou em 26 de outubro de 2026 que os policiais recorreriam a tiroteios se fosse necessário e autorizado pelo governo.
  • A TIB pediu uma explicação, a retratação das declarações, um pedido de desculpas sem ressalvas e responsabilização administrativa, incluindo o afastamento de Fakir até que haja responsabilização.
  • A TIB e a HRSS citaram as proteções constitucionais à vida, à liberdade pessoal e ao acesso à lei.
  • A TIB afirmou que o ministro da Justiça havia declarado em 14 de setembro que as leis existentes eram suficientes para combater o terrorismo sem tiroteios.
  • Fakir disse que cerca de 27 policiais haviam sido presos nos dois meses anteriores.
  • O deputado do NCP Hasnat Abdullah condenou as declarações e pediu neutralidade policial nas próximas eleições locais.
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