Um lugar de memória e um desafio político
O primeiro-ministro Tarique Rahman inaugurou, na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, no Osmani Udyan, em Daca, um memorial com os nomes de 834 pessoas mortas no levante de julho de 2024. Acompanhado por pais enlutados, ele abriu o monumento e, em seguida, criticou líderes da oposição por não terem comparecido.
Conteúdo
- Um lugar de memória e um desafio político
- Pais enlutados participaram da inauguração
- 834 nomes em meio a uma história mais longa
- O que mudou no Osmani Udyan?
- Alerta sobre a proteção das árvores
- Por que a presença da oposição virou tema?
- Rahman pede debate no Parlamento
- Apoio às famílias para além do monumento
- Dengue se torna um apelo à ação conjunta
- Principais pontos
O Memorial de Julho tem 90 pés de altura e ocupa uma área de cerca de um acre. Sua inauguração ocorreu junto com a reabertura do parque reformado, um espaço público de 23 acres ao lado da Secretaria, onde a antiga e a nova Daca se encontram. Rahman chegou às 10h, e a cerimônia foi realizada por volta desse horário.
A cerimônia reuniu dois objetivos: preservar a memória dos mortos no levante e devolver aos moradores um espaço de lazer reformado. Os visitantes agora têm acesso a cerca de 3,1 quilômetros de trilhas para caminhada, fontes e espelhos d'água, instalações para exercícios e uma biblioteca.
Rahman também aproveitou a ocasião para pedir cooperação no Parlamento e no combate à dengue. Ele acusou a oposição de se opor ao governo por princípio e alertou que uma conduta política que permita o retorno do autoritarismo trairia os sacrifícios do levante de julho e da Guerra de Libertação de 1971.
Pais enlutados participaram da inauguração
Quatro pais acompanharam o primeiro-ministro na abertura do memorial: Md Mokbul Hossain, pai de Abu Sayeed; Mir Mostafizur Rahman, pai de Mir Mahfuzur Rahman Mugdho; Sanjida Khan Dipti, mãe de Shahriar Khan Anas; e Mohammad Shafiul Alam, pai de Wasim Akram.
Após a inauguração, Rahman plantou uma muda de árvore no terreno do memorial. Em seguida, abriu o parque reformado, caminhou pelo local e visitou a biblioteca.
Familiares também discursaram no evento. Entre eles estavam o pai de Mugdho e a mãe de Anas, dando aos parentes enlutados um papel que foi além da participação na cerimônia de abertura.
O administrador da Corporação Municipal Sul de Daca, Abdus Salam, presidiu o evento. O ministro do Interior, Salahuddin Ahmed, o ministro do Governo Local, Abdul Moyeen Khan, o ministro de Estado Mir Shahe Alam e o assessor político do primeiro-ministro, Mirza Abbas, estiveram entre os que discursaram.
834 nomes em meio a uma história mais longa
Os nomes de 834 pessoas mortas no levante de julho foram gravados no monumento por corte a laser. Vinte lápides simbólicas ficam à frente, criando um espaço separado de homenagem dentro da área maior do memorial.
Dois relevos fazem a ligação entre o levante de julho e movimentos anteriores em Bangladesh. Relevo é uma escultura cujas figuras se projetam de uma superfície de fundo, permitindo representar cenas e pessoas ao longo de uma parede.
O relevo externo tem 163 pés de comprimento e 4,5 pés de altura. O interno tem 171 pés de comprimento e 7,5 pés de altura. Juntos, seus painéis apresentam uma sequência de lutas por língua, direitos políticos e independência:
- 1952: O Movimento pela Língua, que reivindicava o reconhecimento do bangla.
- 1969: O levante popular contra o regime autoritário.
- 1971: A Guerra de Libertação que levou Bangladesh à independência.
- 1990: O movimento popular contra o regime militar.
- 2024: O levante de julho homenageado pelo novo memorial.
O monumento dá aos nomes dos mortos um espaço público permanente e insere sua memória ao lado de acontecimentos que já ocupam lugar central na história do país. O discurso de Rahman recorreu à mesma conexão, relacionando as aspirações dos participantes de julho às da luta de libertação.
O que mudou no Osmani Udyan?
A reforma do parque incluiu reparos em um espelho d'água existente e a construção de outros cinco. Também foram feitos novos plantios e ilhas verdes, além de trabalhos descritos como medidas de preservação das árvores existentes.
Os moradores agora contam com cerca de 3,1 quilômetros de percursos para caminhada, uma área para exercícios, um pagode, banheiros públicos, estacionamento e escadas que descem até a água. A biblioteca visitada por Rahman acrescenta um espaço de leitura às opções de lazer do parque.
O Osmani Udyan foi organizado em dois níveis. Um percurso destinado ao deslocamento mais rápido fica dois metros acima da via adjacente, separando essa parte do sistema de circulação do nível da rua.
O sistema de armazenamento de água da chuva tem capacidade para 50 mil litros. Isso equivale a 50 metros cúbicos de água e dá uma medida da capacidade do sistema, que complementa os novos espelhos d'água e os que foram recuperados.
Alerta sobre a proteção das árvores
Durante a inauguração, Rahman manifestou preocupação ambiental e disse que muitas árvores foram cortadas durante as obras no Osmani Udyan. Reportagens sobre o parque reformado também descreveram as árvores existentes como preservadas, além de mencionar novos plantios e ilhas verdes. Os relatos não informam quantas árvores foram mantidas ou removidas.
O primeiro-ministro pediu a arquitetos e urbanistas que causem o mínimo possível de danos às árvores e à natureza ao projetar futuros projetos. Ele disse que a infraestrutura é necessária para atender às pessoas, mas que proteger o meio ambiente acabará beneficiando a população.
Seus comentários colocaram a qualidade da reforma do parque em perspectiva junto às novas instalações. Trilhas, construções e áreas plantadas atendem a objetivos diferentes, e o apelo foi para que mais do ambiente natural existente seja preservado quando novas estruturas forem acrescentadas.
Rahman também pediu aos visitantes que mantenham o Osmani Udyan limpo e não joguem lixo no chão. Ele descreveu o parque e o memorial como patrimônio público e do Estado e pediu a colaboração dos visitantes com os responsáveis por sua conservação. Assim, a responsabilidade pela manutenção do local foi estendida para além dos órgãos que realizaram a reforma, abrangendo também quem vai usá-lo.
Por que a presença da oposição virou tema?
Rahman disse que importantes representantes da oposição, incluindo o líder da oposição, foram convidados para a cerimônia, mas não compareceram. Ele argumentou que o distanciamento político do governo não deveria tê-los impedido de estar ao lado das famílias dos mortos.
O primeiro-ministro questionou o compromisso deles com o levante de julho e disse que a ausência também foi um desrespeito às famílias enlutadas. Ao explicar sua crítica, afirmou:
Eles não precisavam sentar neste palco. Mas, se realmente acreditam no espírito de julho, poderiam ter vindo e se sentado entre as famílias dos mártires. Não os vemos aqui hoje.
Os comentários de Rahman foram uma acusação contra seus adversários políticos. A oposição não apresentou uma explicação para sua ausência.
Outros representantes políticos compareceram e discursaram, entre eles Mahmudur Rahman Manna, presidente da Nagorik Oikya, e Saiful Haque, secretário-geral do Partido dos Trabalhadores Revolucionário. O evento também contou com integrantes do gabinete, parlamentares e famílias afetadas pelo levante.
A divergência transformou a inauguração do memorial em uma discussão sobre como os partidos devem homenagear julho: comparecendo às cerimônias, oferecendo apoio concreto às famílias e conduzindo a política após o levante.
Rahman pede debate no Parlamento
Rahman mencionou o mandato conferido pela 13ª eleição parlamentar e disse que os eleitores atribuíram ao Partido Nacionalista de Bangladesh a responsabilidade de governar e aos demais partidos a de atuar na oposição. Segundo ele, os dois lados representam a população.
O primeiro-ministro rejeitou a ideia de que qualquer um dos lados possa reivindicar o monopólio da defesa dos interesses populares. Ele pediu o fim da política de acusações:
Tanto o governo quanto a oposição representam as pessoas. Devemos deixar para trás essa cultura de culpas e acusações.
Ele também pediu uma oposição construtiva:
"Se continuarmos com essa velha cultura política de se opor por se opor, como poderemos fazer o país avançar? A oposição certamente deve se opor, mas de forma construtiva", disse.
Rahman afirmou que emendas constitucionais e reformas são temas legítimos de divergência. O Parlamento é o espaço para os partidos apresentarem argumentos, debaterem suas posições e chegarem a decisões. Ele pediu cooperação em segurança pública, independência, saúde, educação e emprego.
Seu alerta mais contundente foi sobre a possibilidade de retorno do autoritarismo. Rahman afirmou:
Abrir caminho para o autoritarismo enquanto se faz oposição ao governo certamente não trará bons resultados para o país. Isso seria uma traição aos mártires de julho e, da mesma forma, aos combatentes da liberdade de 1971.
Rahman também pediu aos partidos que evitem bloqueios de estradas e atos de protesto que prejudiquem o comércio, o trabalho, a educação e a saúde. Ele apresentou a estabilidade como uma necessidade prática para quem tenta ganhar a vida, ir à escola ou receber tratamento.
Apoio às famílias para além do monumento
Rahman disse que o governo está organizando gradualmente atendimento médico para os feridos no levante de julho, assistência às famílias enlutadas e apoio para que familiares consigam emprego.
Ele descreveu essas iniciativas como parte do compromisso do Partido Nacionalista de Bangladesh com julho e traçou um paralelo com sua ligação à Guerra de Libertação de 1971. Seus comentários relacionaram a homenagem no monumento às responsabilidades contínuas para com as pessoas que vivem as consequências do levante.
O primeiro-ministro disse que as aspirações dos que morreram incluíam direitos democráticos, liberdade de expressão e o direito de votar. Também citou a educação, o atendimento à saúde, empregos para os jovens e um ambiente seguro como parte dessas aspirações.
Para as famílias reunidas no Osmani Udyan, a cerimônia combinou, portanto, o reconhecimento público com uma declaração de responsabilidade do governo. O memorial registra nomes, enquanto as medidas mencionadas por Rahman dizem respeito a tratamento, apoio às famílias e meios de subsistência.
Dengue se torna um apelo à ação conjunta
Rahman usou a prevenção da dengue como exemplo concreto de uma iniciativa que deveria unir governo e oposição. Ele disse que campanhas de limpeza estavam sendo realizadas em Bangladesh havia cerca de um mês e meio, com a participação do Corpo Nacional de Cadetes de Bangladesh, escoteiros, estudantes, organizações voluntárias e trabalhadores da limpeza urbana.
O primeiro-ministro fez um apelo direto aos parlamentares da oposição:
Gostaria de dizer aos parlamentares da oposição que o mosquito Aedes não reconhece quem está no governo nem quem está na oposição. Vamos trabalhar juntos para eliminar a dengue, em benefício do país e de seu povo.
Os mosquitos Aedes transmitem a dengue e se reproduzem em água parada. Limpar os bairros e cuidar dos locais onde a água se acumula são medidas práticas de prevenção, o que torna a manutenção rotineira importante em casas, instituições e espaços públicos.
Rahman disse que as atividades de limpeza no início da manhã, vistas logo após a posse do governo, se tornaram menos frequentes. Seus comentários recordaram uma iniciativa pública do líder da oposição e chefe do Jamaat-e-Islami, Dr. Shafiqur Rahman, que limpou uma rua em seu distrito eleitoral de Mirpur depois das orações da manhã, no dia seguinte à sua posse como líder da oposição. Shafiqur havia dito que militantes do partido trabalhariam na região todos os dias.
O primeiro-ministro também mencionou visitas recentes a instituições de ensino, hospitais públicos e moradias destinadas a servidores públicos. Ele disse que as instituições de ensino estavam relativamente mais limpas, enquanto hospitais e áreas residenciais precisavam de mais atenção.
"Manter a higiene é a primeira condição para cuidar da saúde", disse, pedindo que as autoridades hospitalares e os servidores públicos assumam maior responsabilidade pela limpeza de seus locais de trabalho e áreas residenciais.
Seu apelo trouxe a cerimônia de volta às condições cotidianas da cidade. Um parque reformado precisa de cuidados contínuos, assim como as campanhas de limpeza exigem trabalho regular depois dos primeiros dias. Rahman encerrou pedindo pelas pessoas mortas em julho e desejando pronta recuperação aos feridos.
Principais pontos
- O primeiro-ministro Tarique Rahman inaugurou o Memorial de Julho e o Osmani Udyan reformado em 19 de outubro de 2026, por volta das 10h.
- O monumento tem 90 pés de altura, traz 834 nomes e conta com 20 lápides simbólicas à frente.
- O parque ocupa 23 acres e inclui cerca de 3,1 quilômetros de trilhas para caminhada, cinco novos espelhos d'água e armazenamento de água da chuva com capacidade para 50 mil litros.
- Pais enlutados participaram da inauguração, e familiares discursaram no evento.
- Rahman criticou a ausência de líderes da oposição e pediu um debate construtivo no Parlamento.
- Ele pediu apoio às famílias afetadas por julho, esforços conjuntos contra a dengue e maior proteção das árvores durante as obras, dizendo que muitas foram cortadas durante a reforma do parque.






