Extrema pobreza na Índia cai para 2,6%, mas grandes disparidades salariais persistem

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India's Extreme Poverty Falls to 2.6%, but Wide Earnings Gaps Persist

Queda acentuada da pobreza deixa um desafio maior no emprego

A taxa de extrema pobreza na Índia caiu de 27,1% em 2011 para 2,6% em 2023, segundo dados atribuídos ao informe de outubro de 2026 sobre pobreza e equidade do Banco Mundial. Ainda assim, a mesma avaliação descreve um mercado de trabalho em que os rendimentos medianos dos 10% de trabalhadores mais bem remunerados eram cerca de 13 vezes maiores que os dos 10% com menor remuneração.

Conteúdo
  1. Queda acentuada da pobreza deixa um desafio maior no emprego
  2. O que as duas linhas de pobreza medem, de fato
  3. O que mudou e quando?
  4. Por que a pobreza e a desigualdade de renda podem seguir caminhos diferentes
  5. Mais pessoas trabalhando ajudaram as famílias, mas os salários quase não mudaram
  6. Jovens mulheres rurais enfrentam outro cenário no emprego
  7. A pobreza rural caiu mais rápido, mas continuou maior
  8. As condições de vida melhoraram para além dos gastos diários
  9. São projetadas novas reduções, mas em ritmo mais lento
  10. Principais pontos

Considerando a linha de pobreza mais ampla, de US$ 4,20 por pessoa ao dia, a proporção de indianos vivendo na pobreza caiu de 57,7% para 16,1%. Estima-se que 496 milhões de pessoas, ou 49,6 crore, tenham ultrapassado essa linha no período. A redução foi de 41,6 pontos percentuais, o equivalente a quase três quartos da taxa inicial de pobreza.

O Banco Mundial atribui a melhora principalmente ao aumento do consumo das famílias, à expansão do emprego, sobretudo entre as mulheres, e à ampliação das transferências sociais, incluindo subsídios para alimentos. O avanço mais rápido nas áreas rurais também reduziu a diferença em relação às cidades.

A ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, atribuiu o progresso a esforços sustentados de políticas públicas e afirmou que o governo continuava comprometido com o emprego produtivo, o aumento da renda das famílias e a oferta eficaz de serviços públicos.

O desafio restante está concentrado entre famílias com menos patrimônio, menor escolaridade e acesso limitado a empregos estáveis. Cerca de 57% da população pobre da Índia vive em um corredor interligado de estados que vai de Uttar Pradesh a Bengala Ocidental.

O que as duas linhas de pobreza medem, de fato

O Banco Mundial usa US$ 3 por pessoa ao dia para medir a extrema pobreza e US$ 4,20 ao dia como linha de pobreza para países de renda média-baixa. Os dois limites usam a paridade do poder de compra, ou PPC, a preços de 2021.

A PPC ajusta as diferenças entre o que o dinheiro pode comprar em cada país. Para a Índia, a linha de US$ 3 equivale a cerca de Rs 58 por dia a preços de 2021. A conversão relevante considera o poder de compra, e não a taxa de câmbio usada na compra de dólares.

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As estimativas medem o consumo das famílias: o valor dos bens e serviços utilizados pelas pessoas, expresso por pessoa. Assim, o padrão de vida de uma família pode melhorar com a ajuda alimentar ou com despesas custeadas pela renda de vários trabalhadores, além de mudanças nos salários individuais.

As duas linhas descrevem níveis diferentes de privação. Em 2023, a extrema pobreza afetava 2,6% da população, enquanto 16,1% viviam abaixo da linha mais ampla de US$ 4,20. O número maior inclui milhões de pessoas cujo consumo continuou baixo mesmo depois de ultrapassarem a linha de extrema pobreza.

O que mudou e quando?

Os principais números comparam 2011 e 2023; um relato mais detalhado identifica os períodos das pesquisas como 2011–12 e 2023–24. A série também inclui dados de emprego e projeções que abrangem anos posteriores.

  • 2005–06: A pobreza multidimensional era de 53,8%, segundo a medida da Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford.
  • 2011–12: A extrema pobreza era de 27,1%, e a pobreza pela linha de US$ 4,20 chegava a 57,7%.
  • 2017 a 2023: O emprego aumentou em cerca de 134 milhões de pessoas.
  • 2019–21: A medida de pobreza multidimensional da iniciativa de Oxford caiu para 16,4%.
  • 2022–23: A medida própria de pobreza multidimensional do Banco Mundial era de 15,5%.
  • 2023–24: A extrema pobreza foi estimada em 2,6%, e a pobreza pela linha mais ampla, em 16,1%.
  • 2026 a 2028: O Banco projeta que a pobreza pela linha de US$ 4,20 caia de 14,2% para 12,1%.

A extrema pobreza recuou 24,5 pontos percentuais entre as observações inicial e final. A taxa final foi cerca de um décimo da inicial, o que ilustra a dimensão da mudança ao longo de aproximadamente 12 anos.

Mesmo assim, cerca de 35 milhões de pessoas, ou 3,5 crore, continuavam em extrema pobreza em 2023–24. Aproximadamente 232 milhões, ou 23,2 crore, ainda viviam abaixo da linha mais ampla.

Por que a pobreza e a desigualdade de renda podem seguir caminhos diferentes

O Banco Mundial calculou em 23,0 o índice de Gini da Índia em 2023. O índice resume a desigualdade em uma distribuição: zero representa igualdade completa, enquanto 100 representa a maior concentração possível.

A avaliação do Banco também destacou a diferença entre trabalhadores nos extremos da escala de rendimentos:

As disparidades salariais, no entanto, continuam acentuadas: em 2023, os rendimentos medianos dos 10% de trabalhadores mais bem remunerados eram cerca de 13 vezes maiores que os dos 10% com menor remuneração.

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A mediana é o valor central de um grupo cujos integrantes são ordenados do menor para o maior. Neste caso, a comparação é entre o trabalhador com rendimento mediano dentro dos 10% mais bem remunerados e aquele com rendimento mediano entre os 10% com menor remuneração.

O índice de Gini descreve a distribuição do consumo das famílias captada pelas pesquisas, enquanto a proporção de 13 para 1 compara os rendimentos de trabalhadores em dois grupos específicos. Consumo e salários medem coisas diferentes: as famílias podem compartilhar rendimentos, receber transferências e sustentar integrantes sem trabalho remunerado.

O Banco Mundial também alerta que as pesquisas domiciliares podem deixar de captar parte do consumo das famílias mais ricas, fazendo a desigualdade medida parecer menor. Registrar melhor os gastos no topo da distribuição permitiria uma visão mais completa de como os padrões de vida estão distribuídos.

Mais pessoas trabalhando ajudaram as famílias, mas os salários quase não mudaram

O emprego aumentou em cerca de 134 milhões de pessoas entre 2017 e 2023, quase o dobro do crescimento da população em idade ativa. Grande parte desse aumento veio da entrada de mulheres rurais no trabalho remunerado.

Um trabalhador a mais pode elevar os recursos totais de uma família mesmo quando a remuneração por trabalhador muda pouco. Isso ajuda a explicar como o consumo das famílias e os indicadores de pobreza melhoraram enquanto os rendimentos reais permaneceram praticamente estáveis.

Rendimento real é o salário ajustado pela inflação. Se os salários sobem aproximadamente no mesmo ritmo que os preços, os trabalhadores conseguem comprar mais ou menos a mesma quantidade de antes. Assim, receber mais rúpias no contracheque traz pouco ganho de poder de compra.

Segundo o Banco Mundial, o crescimento do emprego se concentrou em atividades de produtividade relativamente baixa. Produtividade é a quantidade de bens ou serviços que um trabalhador produz. A avaliação aponta que empregos mais bem remunerados e produtivos são fundamentais para a próxima etapa da redução da pobreza, sobretudo nos estados onde ela está mais concentrada.

Jovens mulheres rurais enfrentam outro cenário no emprego

O desemprego entre os jovens subiu de 14,6% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 para 15,9% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027. A alta foi de 1,3 ponto percentual, e as jovens mulheres das áreas rurais foram particularmente afetadas.

As taxas de participação na força de trabalho e de emprego permaneceram praticamente estáveis no mesmo período. A participação na força de trabalho mede a proporção de pessoas que trabalham ou procuram trabalho; a taxa de desemprego mede a proporção dessa força de trabalho que busca emprego sem encontrá-lo.

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Os dados descrevem duas experiências distintas entre as mulheres. As mulheres rurais contribuíram significativamente para o crescimento do emprego entre 2017 e 2023, enquanto as mais jovens enfrentaram mais dificuldade para encontrar trabalho na comparação posterior.

Para as famílias que dependem de novos trabalhadores para ampliar a renda, ter acesso a um emprego importa tanto quanto o salário que ele oferece. Um trabalho estável também reduziria a dependência dos orçamentos familiares em relação a atividades irregulares.

A pobreza rural caiu mais rápido, mas continuou maior

A extrema pobreza rural caiu de 31% para 3,1%, enquanto a urbana recuou de 17,4% para 1,4%. A queda rural foi de 27,9 pontos percentuais, ante 16 pontos nas áreas urbanas.

Considerando a linha mais ampla de US$ 4,20, a pobreza rural era de 19,3% em 2023, contra 8,6% nas áreas urbanas. A taxa rural era, portanto, mais que o dobro da urbana, com uma diferença de 10,7 pontos percentuais.

As famílias rurais se beneficiaram do aumento do emprego e do consumo, mas muitas ainda enfrentavam baixa produtividade e acesso limitado a empregos melhores fora da agricultura. A localização das oportunidades de trabalho importa porque um aumento nacional do emprego pode deixar determinadas comunidades com poucas opções estáveis.

O corredor que vai de Uttar Pradesh a Bengala Ocidental concentra cerca de 57% da população pobre da Índia. O Banco Mundial considera o emprego produtivo nesses estados essencial para novos avanços. Famílias com mais dependentes para cada trabalhador também enfrentam maior pressão sobre a renda que recebem.

As condições de vida melhoraram para além dos gastos diários

A pobreza não monetária também diminuiu. O Índice de Pobreza Multidimensional da Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford registrou uma queda de 53,8% em 2005–06 para 16,4% em 2019–21.

Uma medida multidimensional considera em conjunto diferentes formas de privação, como dificuldades relacionadas à educação, à saúde e às condições básicas de vida. Ela oferece uma visão mais ampla da pobreza do que apenas uma linha de consumo diário.

A medida própria de pobreza multidimensional do Banco Mundial era de 15,5% em 2022–23. O índice da iniciativa de Oxford e a medida do Banco usam metodologias próprias, portanto cada número pertence à sua respectiva série.

O Banco também afirma que alguns avanços recentes na pobreza medida pelo consumo podem refletir tanto melhorias na medição quanto ganhos reais no bem-estar. As estimativas se baseiam em pesquisas domiciliares, por isso o desenho das pesquisas e o registro do consumo também ajudam a explicar as mudanças nos números.

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São projetadas novas reduções, mas em ritmo mais lento

O Banco Mundial projeta que a pobreza pela linha de US$ 4,20 caia de 14,2% em 2026 para 12,1% até 2028, uma redução de 2,1 pontos percentuais. São projeções indicativas baseadas em microssimulações, cálculos que aplicam pressupostos econômicos e sobre o mercado de trabalho a dados domiciliares. Elas podem mudar à medida que esses parâmetros sejam revisados ou novos dados se tornem disponíveis.

O Banco estima que 837 milhões de pessoas no mundo viverão em extrema pobreza em 2026. Essa projeção global se refere a um ano posterior à estimativa indiana de 2023–24 e coloca a forte redução na Índia em perspectiva diante da persistência da pobreza em escala mundial.

A próxima etapa da redução da pobreza na Índia depende cada vez mais de alcançar famílias com menos recursos e acesso mais precário ao trabalho. O aumento do emprego já ajudou as famílias a elevar o consumo. A avaliação aponta como prioridades concretas o aumento da produtividade, a melhora dos rendimentos reais e a criação de oportunidades estáveis nas regiões mais pobres.

Principais pontos

  • A extrema pobreza caiu de 27,1% para 2,6% entre 2011 e 2023.
  • Cerca de 496 milhões de pessoas ultrapassaram a linha mais ampla de pobreza, de US$ 4,20.
  • Os rendimentos medianos dos 10% de trabalhadores mais bem remunerados eram cerca de 13 vezes maiores que os dos 10% com menor remuneração.
  • O emprego cresceu cerca de 134 milhões entre 2017 e 2023, com grande contribuição das mulheres rurais.
  • A pobreza rural pela linha de US$ 4,20 continuou mais que duas vezes maior que a urbana.
  • Cerca de 57% da população pobre da Índia vivia no corredor entre Uttar Pradesh e Bengala Ocidental.
  • O Banco projeta que a pobreza pela linha mais ampla chegue a 12,1% até 2028.
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