Revisão de 527 entidades pode reformular as empresas estatais
O Sri Lanka está preparando uma legislação que permitirá a venda, fusão e reestruturação de empresas estatais. O vice-ministro das Finanças e do Planejamento, Anil Jayantha, afirmou que um projeto de lei inicialmente previsto para ser aprovado em 2026 talvez só chegue ao Parlamento em 2027. O governo planeja manter a propriedade de serviços públicos estratégicos, como o setor de energia, enquanto se afasta de atividades comerciais comuns, como comércio e administração de hotéis.
Conteúdo
- Revisão de 527 entidades pode reformular as empresas estatais
- Vendas, fusões e fechamentos têm objetivos distintos
- Uma holding mudaria a forma como a propriedade funciona
- Tesouro apresentou estrutura semelhante em 2023
- Prejuízos no setor de energia explicam a pressão financeira
- Dívidas conectam serviços públicos, companhias aéreas e bancos estatais
- Propriedade estratégica e concorrência podem coexistir
- Investimentos e salários disputam recursos públicos
- Calendário legislativo ainda indefinido
- Principais pontos
Em um fórum do setor organizado pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Bolsa de Valores de Colombo, Jayantha disse que foi nomeado um comitê para examinar as empresas públicas e recomendar estratégias de reestruturação. Suas declarações, de 28 de outubro de 2026, descrevem uma mudança proposta tanto no que o Estado possui quanto na forma como seus negócios são administrados.
Jayantha afirmou que apenas um pequeno número das 527 entidades classificadas como empresas estatais são de fato negócios comerciais. Muitas desempenham funções administrativas previstas em requisitos legais específicos. Por isso, a revisão é mais ampla do que um programa de venda de empresas: também envolve decidir quais instituições devem ser agrupadas e quais funções o governo precisa continuar oferecendo.
O presidente Anura Kumara Dissanayake também informou que um comitê do Ministério das Finanças está examinando o fechamento ou a fusão de 34 empresas estatais. Ele anunciou a revisão durante a 100ª Conferência Anual da Associação de Agrimensores do Governo. As 34 instituições formam um grupo específico sob análise, enquanto o número de 527 mencionado por Jayantha descreve o conjunto muito mais amplo de entidades classificadas como empresas estatais.
Vendas, fusões e fechamentos têm objetivos distintos
Jayantha apresentou vários resultados possíveis para a revisão. A desestatização significa que o governo vende parte ou a totalidade de sua participação em uma empresa. Uma fusão combina organizações, enquanto o fechamento encerra as operações de uma instituição e exige decisões sobre as responsabilidades restantes, seus ativos e suas dívidas.
Jayantha, vice-ministro das Finanças, descreveu as opções no fórum do setor:
Algumas dessas empresas estatais realmente podem ser desestatizadas; às vezes, talvez seja necessário fundi-las.
O objetivo declarado pelo governo é reduzir distorções comerciais e concentrar-se na regulação e no apoio à atividade econômica. Para uma empresa que atua ao lado de concorrentes privados, isso pode significar uma nova estrutura de propriedade ou uma gestão diferente. Para um órgão administrativo, pode significar combinar suas responsabilidades com as de outra instituição.
Os anúncios não identificam quais empresas serão vendidas, fundidas ou fechadas, nem especificam medidas para os trabalhadores afetados. Essas decisões determinarão os efeitos práticos sobre funcionários, clientes e serviços públicos prestados por algumas dessas instituições.
Uma holding mudaria a forma como a propriedade funciona
A proposta de Lei das Empresas Estatais permitiria que as empresas tivessem gestão própria e fossem reorganizadas sob uma holding. Jayantha disse que as organizações seriam constituídas como sociedades de responsabilidade limitada e teriam mais liberdade para responder às condições do mercado.
Uma holding detém participações em outras empresas. No modelo proposto, o Estado poderia exercer a propriedade por meio dessa organização central, enquanto cada empresa operacional teria sua própria gestão. A constituição como sociedade de responsabilidade limitada dá à empresa uma estrutura jurídica distinta, com ativos, obrigações e decisões corporativas próprios.
As empresas estatais comerciais e os bancos públicos deixariam de lado os controles burocráticos tradicionais e adotariam modelos corporativos competitivos, afirmou Jayantha. A intenção é permitir que a gestão responda com mais agilidade às necessidades do negócio, em vez de tratar uma empresa comercial como se fosse um departamento do governo.
Algumas empresas reestruturadas poderiam, no futuro, ser listadas na Bolsa de Valores de Colombo para atrair investidores privados nacionais e capital estrangeiro. A listagem permite que investidores comprem ações negociadas em uma bolsa. O nível de participação mantido pelo governo dependeria das condições de uma eventual venda de ações.
Tesouro apresentou estrutura semelhante em 2023
A proposta de criação de uma holding tem um histórico documentado. Em um discurso sobre a reforma do Tesouro proferido em 5 de setembro de 2023, K M Mahinda Siriwardana, então secretário do Tesouro e do Ministério das Finanças, da Estabilização Econômica e das Políticas Nacionais, descreveu planos para criar uma holding estatal subordinada ao Ministério das Finanças.
Siriwardana disse que, com o tempo, a empresa assumiria a propriedade dos ativos corporativos do governo para promover uma gestão profissional e a governança corporativa. Ele também apresentou a legislação proposta para as empresas estatais e a Lei de Gestão das Finanças Públicas como partes de uma estrutura jurídica mais ampla para a administração de empresas públicas.
O programa de 2023 incluía a desestatização de ativos comerciais fora das atividades estratégicas, e uma Unidade de Reestruturação de Empresas Estatais foi criada no Tesouro-Geral. Siriwardana afirmou que o Conselho de Ministros havia aprovado a desestatização de várias entidades e que assessores para as transações tinham sido nomeados.
As declarações de Jayantha retomam essas ideias centrais: separar a propriedade da gestão diária, adotar uma estrutura de holding e decidir quais ativos comerciais o Estado deve manter. O discurso de 2023 registra os planos do governo naquele momento; os comentários de Jayantha em outubro de 2026 descrevem uma legislação que ainda aguarda aprovação antes de ser encaminhada ao Parlamento.
Prejuízos no setor de energia explicam a pressão financeira
O balanço do Tesouro de 2023 quantifica o custo das finanças frágeis das empresas. Em 2022, o Conselho de Eletricidade do Ceilão registrou prejuízos de Rs. 262 bilhões, enquanto a Corporação de Petróleo do Ceilão teve perdas de Rs. 615 bilhões. Juntos, os prejuízos chegaram a Rs. 877 bilhões, e a empresa petrolífera respondeu por cerca de 70% do total.
Siriwardana atribuiu as perdas ao atraso nos reajustes de preços, à gestão financeira fraca e ao forte aumento dos custos de importação. A rúpia caiu de cerca de Rs. 200 para Rs. 365 por dólar, enquanto os preços globais da energia subiram. Assim, as empresas que importavam combustível passaram a precisar de muito mais rúpias para pagar suas contas.
Durante períodos prolongados, os preços no varejo não refletiram integralmente esses custos. Segundo o Tesouro, os preços dos derivados de petróleo passaram a refletir os custos em maio de 2022, enquanto as tarifas de eletricidade foram reajustadas em agosto de 2022 e fevereiro de 2023, as primeiras altas desse tipo desde 2013.
O Tesouro precisou transferir recursos para apoiar as duas empresas. Para a população, essas perdas criam demandas concorrentes por recursos públicos: o dinheiro usado para manter uma empresa em operação precisa vir da arrecadação ou de empréstimos.
Dívidas conectam serviços públicos, companhias aéreas e bancos estatais
O Tesouro também descreveu uma cadeia de contas não pagas que conecta empresas públicas e bancos estatais. O conselho de eletricidade e a SriLankan Airlines deviam dinheiro à corporação de petróleo pelo combustível. A empresa petrolífera, por sua vez, dependia de financiamento bancário, muitas vezes a um custo elevado.
Essas conexões ajudam a explicar por que a reestruturação envolve mais do que mudar a gestão de uma empresa. Quando uma empresa tem dificuldade para pagar, outra fica sem o dinheiro de que precisa, e os bancos que financiam o sistema ficam mais expostos a problemas de inadimplência.
A corporação de petróleo também acumulava uma dívida substancial em moedas estrangeiras, embora quase toda a sua receita fosse em rúpias. O enfraquecimento da rúpia elevou o custo dessa dívida em moeda local. Siriwardana disse que o governo havia incorporado ao próprio balanço os empréstimos em moeda estrangeira da corporação garantidos pelo Estado, além da maior parte dos empréstimos comparáveis do conselho de eletricidade.
O esforço mais amplo de reestruturação abrangia a corporação de petróleo, o conselho de eletricidade, a SriLankan Airlines e a Autoridade de Desenvolvimento Rodoviário. Transferir uma dívida garantida para o governo muda quem registra e paga a obrigação. Ainda são necessários recursos públicos para quitá-la, o que torna centrais para o programa de reformas o controle de novos empréstimos e a disciplina nos gastos.
Propriedade estratégica e concorrência podem coexistir
Jayantha afirmou que o governo manteria a propriedade de setores estratégicos de serviços públicos, como o de energia, para evitar manipulações do mercado pelo setor privado. Isso estabelece um limite para o afastamento proposto de atividades comerciais comuns: o Estado pretende manter um papel como proprietário onde considerar necessário o controle público.
O programa do Tesouro de 2023 também buscava ampliar a concorrência no setor de energia. Siriwardana disse que a Sinopec havia iniciado operações comerciais no varejo de petróleo na semana anterior. Ele descreveu planos para separar, operacional e financeiramente, as atividades de geração e distribuição de eletricidade, com apoio do Banco Asiático de Desenvolvimento.
A propriedade estatal e a concorrência tratam de aspectos diferentes do mercado. O governo pode manter uma empresa de energia e, ao mesmo tempo, permitir que outros fornecedores concorram com ela. Separar atividades dentro de um sistema elétrico também pode facilitar a identificação de custos e a avaliação do desempenho de cada operação.
Para os consumidores, há uma questão relacionada: como pagar por serviços essenciais sem deixar que os prejuízos voltem a se acumular. A abordagem do Tesouro era cobrar preços que refletissem os custos e oferecer transferências diretas de dinheiro às pessoas identificadas como pobres ou vulneráveis, em vez de manter baixos os preços de combustíveis e eletricidade para todos os consumidores.
Investimentos e salários disputam recursos públicos
A revisão de 34 empresas pelo presidente Dissanayake ocorre ao mesmo tempo que planos de ampliar substancialmente os gastos com desenvolvimento. A despesa de capital deve subir de Rs. 1.330 bilhões em 2026 para Rs. 2 trilhões em 2027. O aumento é de Rs. 670 bilhões, ou cerca de 50%.
O presidente disse que os projetos de rodovias expressas Kurunegala-Galewela, Rambukkana-Galagedara e Kahathuduwa-Ingiriya seriam financiados com recursos internos do Tesouro, sem empréstimos em dólares. Também está previsto para 2027 o início de um projeto de eletrificação da ferrovia do Vale de Kelani, estimado em Rs. 600 bilhões.
Mesmo o financiamento interno implica uma necessidade de moeda estrangeira quando os projetos exigem máquinas, aço ou outros materiais importados. Portanto, o governo precisa administrar tanto o custo da construção em rúpias quanto os dólares necessários para as importações.
Os salários do setor público representam outro compromisso contínuo. Dissanayake disse que o aumento salarial básico em três etapas previsto no Orçamento de 2025 acrescentaria Rs. 330 bilhões à folha salarial anual até 2027, em comparação com 2024. Ele indicou que os adicionais poderiam receber mais atenção no Orçamento de 2028, quando não está previsto outro aumento salarial básico.
Dissanayake também atribuiu o excesso de funcionários nos níveis inferiores do serviço público a nomeações políticas feitas no passado e defendeu a contratação de profissionais competentes e qualificados. O programa de governança anterior do Tesouro abordou questões de gestão relacionadas, com nomeações melhores para os conselhos de administração, demonstrações financeiras auditadas regulares e controles mais rigorosos sobre compras e gastos de capital.
Calendário legislativo ainda indefinido
Jayantha disse que o acúmulo de trabalho no Departamento do Redator Jurídico poderia atrasar o projeto de lei das empresas estatais. A meta inicial era a aprovação pelo Parlamento até o fim de 2026, mas sua nova avaliação prevê que o texto seja apresentado em 2027. A apresentação é a etapa em que o Parlamento recebe o projeto; a aprovação depende do aval parlamentar.
Jayantha explicou que o texto precisa primeiro ser aprovado pelo departamento:
"Primeiro, precisamos obter a aprovação do Departamento do Redator Jurídico; se isso acontecer, pelo menos poderemos apresentar o texto ao Parlamento, talvez no ano que vem", disse.
O programa de reformas agora se estende por vários anos e combina medidas financeiras anteriores com mudanças propostas na propriedade e na gestão:
- Maio de 2022: Os preços dos derivados de petróleo começaram a refletir os custos, segundo o Tesouro.
- Agosto de 2022 e fevereiro de 2023: As tarifas de eletricidade foram reajustadas para refletir os custos.
- 5 de setembro de 2023: O Tesouro apresentou planos de desestatização, reestruturação da dívida, legislação de governança e criação de uma holding estatal.
- 28 de outubro de 2026: Jayantha descreveu a estrutura proposta para as empresas estatais e um possível atraso na apresentação do projeto de lei.
- 2027: O projeto poderá ser apresentado ao Parlamento, em paralelo aos aumentos previstos nos gastos de capital e ao início da eletrificação da ferrovia do Vale de Kelani.
Para empresas, trabalhadores e clientes, os próximos desdobramentos concretos serão as disposições do projeto de lei e as decisões tomadas instituição por instituição. Elas determinarão quanta autonomia de gestão as empresas terão, quais ativos mudarão de proprietário e como as responsabilidades pelos serviços públicos serão mantidas.
Principais pontos
- O Sri Lanka planeja vender, fundir e reestruturar empresas estatais selecionadas, mantendo a propriedade pública em setores estratégicos de energia.
- Jayantha afirmou que apenas um pequeno número das 527 entidades classificadas são de fato negócios comerciais.
- Um comitê do Ministério das Finanças está examinando o fechamento ou a fusão de 34 empresas.
- A lei proposta permitiria gestão própria, sociedades de responsabilidade limitada e uma estrutura de holding.
- O conselho de eletricidade e a corporação de petróleo registraram prejuízos combinados de Rs. 877 bilhões em 2022, segundo o Tesouro.
- O projeto de lei das empresas estatais poderá chegar ao Parlamento em 2027, depois da meta inicial de aprovação em 2026.






