Um catálogo japonês maior, com o público local em primeiro lugar
A Amazon MGM Studios planeja dobrar o investimento em conteúdo original japonês, afirmou seu chefe no Japão, Buddy Marini, durante a TIFFCOM, em Tóquio, em 28 de outubro de 2026. A expansão inclui The Apothecary Diaries, previsto para 2028, e mais uma produção de The Silent Service, para o verão de 2027.
Conteúdo
- Um catálogo japonês maior, com o público local em primeiro lugar
- The Apothecary Diaries lidera os próximos projetos
- The Silent Service conecta streaming e cinema
- O que vem por aí e quando
- Por que os roteiros estão no centro do plano de investimento
- Produtores japoneses querem uma participação duradoura no sucesso
- Kingdom mostra a dimensão de um plano de franquia
- One Piece mostra o custo de conquistar os fãs
- A confiança conecta as adaptações ao negócio mais amplo
- Principais pontos
Marini não revelou o valor, o período dos gastos nem o orçamento usado como ponto de partida para o aumento. Seu plano combina mais investimentos em filmes, séries e animes japoneses com uma participação mais próxima no desenvolvimento de roteiros, propriedades de entretenimento já estabelecidas e parcerias com produtores locais.
O anúncio foi feito durante o painel Unlocking the Global Potential of Japanese IP, organizado pela Motion Picture Association e pela UniJapan. IP, abreviação de propriedade intelectual, refere-se a obras criativas e aos direitos associados a elas, como um mangá cujos personagens e história podem dar origem a filmes, séries de televisão ou produtos licenciados.
Marini, nomeado em março, participou do painel ao lado de Shinzo Matsuhashi, diretor-executivo da Credeus, e Steven Maeda, produtor-executivo e showrunner da adaptação de One Piece pela Netflix. A conversa relacionou três desafios práticos: financiar produções ambiciosas, satisfazer os fãs e decidir quem se beneficia quando uma adaptação faz sucesso.
Marini afirmou que o público japonês continua sendo o ponto de partida, mesmo quando um projeto tem distribuição mundial. O estúdio trabalha com as japonesas Toho, Credeus, TV Tokyo e Wowow, além da sul-coreana Studio Dragon, em vários gêneros e formatos.
Marini, que anteriormente liderou a Warner Bros. Discovery Japan e a Hulu Japan e fundou a plataforma de mangás Mangamo, descreveu o aumento dos gastos como uma forma de apoiar produções melhores:
Há demanda por conteúdo de alta qualidade, então vamos dobrar nosso investimento para alcançar um padrão internacional e atrair o público global.
The Apothecary Diaries lidera os próximos projetos
The Apothecary Diaries está entre as maiores propriedades do catálogo anunciado. A Amazon MGM Studios e a Toho estão produzindo uma adaptação estrelada por Mana Ashida como Maomao, com lançamento mundial exclusivo no Prime Video previsto para 2028.
A franquia de mistério histórico é baseada na série de light novels de Hyuganatsu, que vendeu mais de 57 milhões de exemplares em 16 idiomas. Light novels são um tipo de ficção japonesa frequentemente publicado com ilustrações. Esse público já consolidado dá à adaptação um potencial considerável antes mesmo do lançamento.
Marini afirmou que a produção contou com elenco e equipe japoneses e foi inteiramente realizada no Japão. Neste projeto, a ambição internacional do estúdio depende de uma produção japonesa alcançar espectadores no exterior por meio da rede de distribuição do Prime Video.
Bless, outra adaptação planejada, acompanha uma aspirante a maquiadora. Sua inclusão ao lado de um mistério histórico e de um suspense sobre submarinos mostra que a Amazon MGM está distribuindo seu investimento entre diferentes tipos de histórias, em vez de depender de um único gênero.
Entre os lançamentos recentes estão Chloe And Emma, adaptação de mangá feita com a Wowow, que começou a ser exibida em junho de 2026, e Criminal, ou Hanzaisha, dirigido por Daishi Matsunaga e lançado em julho. A Amazon MGM trabalhou com a Protx, subsidiária da TV Tokyo, em Criminal.
The Silent Service conecta streaming e cinema
The Silent Service é um exemplo já existente de como a Amazon MGM desenvolve uma propriedade japonesa tanto para streaming quanto para os cinemas. Baseada no mangá de Kaiji Kawaguchi, publicado originalmente entre 1988 e 1996, a história acompanha o capitão renegado de um submarino japonês e um confronto envolvendo um submarino dos Estados Unidos.
The Silent Service Season 1: Battle of Tokyo Bay foi a série produzida no Japão mais assistida da Amazon MGM Studios em 2024. A propriedade também deu origem ao longa-metragem The Silent Service: Battle Of The Arctic, que arrecadou ¥1,15 bilhão nos cinemas em 2025.
A Amazon MGM aprovou uma terceira temporada, The Silent Service: Awaken, New York, para o Prime Video no verão de 2027. O trabalho do estúdio com a Credeus na franquia mostra sua disposição para continuar uma história em diferentes formatos de lançamento, em vez de destinar cada propriedade permanentemente à televisão ou ao cinema.
Marini afirmou que manter o padrão de produção continua sendo difícil mesmo depois de um lançamento bem-sucedido. A próxima produção, portanto, tem duas tarefas: dar continuidade a uma história conhecida para quem já a acompanha e preservar a qualidade que ajudou a conquistar esse público.
O que vem por aí e quando
A expansão da Amazon MGM se estende por vários anos. Algumas produções de parceiros já estão disponíveis, enquanto dois lançamentos importantes de franquias estão previstos para 2027 e 2028.
- Março de 2026: Buddy Marini assumiu a chefia da Amazon MGM Studios Japan.
- Junho de 2026: Chloe And Emma começou a ser exibida no Prime Video.
- Julho de 2026: Criminal chegou ao serviço.
- 28 de outubro de 2026: Marini falou sobre o aumento do investimento na TIFFCOM, realizada até 30 de outubro no Tokyo Metropolitan Industrial Trade Center.
- Verão de 2027: The Silent Service: Awaken, New York tem estreia prevista no Prime Video.
- 2028: The Apothecary Diaries tem lançamento mundial exclusivo previsto no Prime Video.
O catálogo também amplia a adaptação japonesa da série sul-coreana Marry My Husband, produzida com a Studio Dragon, e Like a Dragon: Yakuza, baseada na franquia de videogames da Sega. Este último projeto contou com a participação da The Fool, Wild Sheep Content e 1212 Entertainment.
Esses projetos partem de diferentes fontes: televisão sul-coreana, mangás japoneses, romances e jogos. Para o público, a expansão significa mais produções japonesas baseadas em franquias conhecidas e em diferentes gêneros. Para os parceiros de produção, cria oportunidades de trabalhar com uma distribuidora capaz de lançar títulos internacionalmente.
Por que os roteiros estão no centro do plano de investimento
Marini descreveu o papel da Amazon MGM como o de acompanhar um projeto desde a ideia inicial até o desenvolvimento, o investimento e a conclusão. Executivos criativos, roteiristas e equipes de desenvolvimento trabalham juntos em roteiros pensados para envolver o público japonês e continuar acessíveis a espectadores de outros lugares.
Uma adaptação precisa transformar a história original em algo que funcione em outro meio. Um mangá pode dedicar muitos capítulos ao desenvolvimento de um personagem ou à explicação de um mundo fictício. Uma série de televisão precisa decidir o que mostrar, o que encurtar e quando os espectadores precisam de uma explicação.
A abordagem da Amazon MGM dá prioridade a esse trabalho nas etapas iniciais da produção. O estúdio também é flexível quanto à possibilidade de um projeto chegar ao público pelos cinemas ou pelo streaming, permitindo que a história e o plano de negócios ajudem a definir o lançamento.
Marini relacionou a estratégia a uma mudança mais ampla no papel do Prime Video. Ele disse que a Amazon conseguiu construir um negócio que reúne conteúdo para os assinantes e agora quer dar mais peso às produções originais, tanto no Japão quanto no exterior.
A assinatura Prime também conecta o entretenimento aos demais negócios da Amazon. Marini afirmou que vídeo e música começaram como benefícios da assinatura, enquanto hoje os espectadores do Prime Video também compram produtos na Amazon. Isso dá à empresa um interesse comercial que vai além da audiência de uma série específica.
Produtores japoneses querem uma participação duradoura no sucesso
Matsuhashi, diretor-executivo da Credeus, destacou tanto a titularidade dos direitos quanto os gastos com produção. Para o longa de Blue Lock lançado recentemente, a Credeus criou a CK Works, empresa de propriedade conjunta com a editora de mangás Kodansha, para deter direitos.
Uma produtora que trabalha como prestadora de serviços recebe para fazer um filme ou uma série. Depois de entregar o trabalho finalizado, seus ganhos com aquele projeto podem chegar ao fim. Manter os direitos dá à empresa uma participação financeira contínua, conforme os termos dos contratos.
Matsuhashi afirmou que a Credeus queria deixar para trás acordos que não davam nada ao produtor depois da entrega. Ele descreveu assim a mudança na titularidade:
É raro que produtoras participem da titularidade dos direitos de propriedade intelectual, mas isso está começando a se tornar mais padronizado e comum no mundo todo.
A Credeus também iniciou um negócio de fundos para ampliar sua capacidade de investimento. Matsuhashi disse que os custos de produção são altos demais para que as produtoras os cubram integralmente por conta própria, tornando o acesso a financiamento parte do esforço para garantir um papel maior.
Há mais de duas décadas, Matsuhashi negocia bônus por sucesso, que permitem aos produtores receber pagamentos adicionais quando um projeto se torna um sucesso. Um bônus recompensa um resultado específico; a titularidade dos direitos pode dar à empresa uma participação contínua na propriedade. Ambos atendem à preocupação de que os criadores devem compartilhar o valor que ajudam a gerar.
Kingdom mostra a dimensão de um plano de franquia
Matsuhashi afirmou que os filmes que produziu ultrapassaram ¥100 bilhões em bilheteria acumulada em 2026. Seus créditos incluem Kokuho, Gintama, Golden Kamuy e a franquia Kingdom, que agora soma cinco longas-metragens.
Kingdom, adaptação de um mangá ambientado durante o período dos Estados Combatentes da China, estreou nos cinemas em 2019. Cada um dos três primeiros filmes arrecadou mais de ¥5 bilhões, levando a bilheteria combinada a mais de ¥15 bilhões. Esses números representam a receita dos cinemas, antes de descontar os custos de produção e a divisão da arrecadação entre exibidores, distribuidoras e outros participantes.
Matsuhashi lembrou que propôs os três primeiros filmes de Kingdom como um único empreendimento a Sanford Panitch, então responsável pela produção internacional da Sony Pictures. Planejar vários filmes em conjunto deu à proposta um escopo maior do que financiar uma produção de cada vez.
Matsuhashi afirmou que seu método começa com uma história e um roteiro interessantes, seguidos pela escolha do diretor, da equipe e do elenco. Seu relato conecta os lados financeiro e criativo do painel: o investimento viabiliza a produção, enquanto a história e as pessoas que a realizam determinam o que chega às telas.
One Piece mostra o custo de conquistar os fãs
Maeda descreveu a pressão de transformar One Piece, um mangá com centenas de capítulos, em uma primeira temporada de oito episódios para a televisão. Sua equipe precisou condensar a história e, ao mesmo tempo, obter recursos suficientes para criar uma versão que os fãs aceitassem.
A equipe escreveu três versões após discutir o orçamento com a Netflix, incluindo uma muito mais barata. Maeda disse que essa abordagem de baixo custo não teria entregado o One Piece que o público já existente queria.
Maeda, que havia lido os primeiros cem capítulos depois de ser procurado para trabalhar na adaptação, afirmou que o desafio era atender a dois públicos ao mesmo tempo: pessoas profundamente familiarizadas com a obra original e espectadores que encontrariam aquele universo pela primeira vez. Ele descreveu essas exigências concorrentes:
Haverá pessoas que amam a série e querem uma adaptação fiel. Também haverá pessoas que nunca ouviram falar dela, e vocês ainda precisam conquistá-las.
One Piece liderou as listas de audiência em 46 países na semana de estreia, em 2023, e acumulou mais de 140 milhões de horas assistidas nesses sete dias. As horas assistidas somam o tempo que as pessoas passam vendo o conteúdo; portanto, esse número mede o consumo, não a quantidade de espectadores individuais.
Esses resultados são um exemplo concreto de uma propriedade japonesa que atraiu público internacional. As negociações de orçamento descritas por Maeda também mostram onde as decisões de gastos se tornam decisões criativas: reduzir o orçamento pode mudar quais partes de um universo conhecido a adaptação consegue levar às telas.
A confiança conecta as adaptações ao negócio mais amplo
Maeda afirmou que a confiança é essencial quando os criadores permitem que outra equipe reinterprete seu trabalho. Uma adaptação conta a história de outra maneira, e os detentores dos direitos precisam permitir mudanças sem perder de vista o que torna a obra original atraente.
Ao explicar como uma adaptação bem-sucedida pode levar o público de volta à obra original e a produtos relacionados, Maeda disse:
Quando uma série é bem-feita, ela empolga o público e o leva a conhecer versões anteriores da propriedade intelectual. Também impulsiona a venda de produtos licenciados e todo tipo de coisa maravilhosa.
Maeda também está adaptando para o Prime Video a graphic novel Monstress, vencedora do prêmio Eisner, junto com Tiff Greshler e a Hivemind Entertainment. Seu trabalho conecta a discussão sobre adaptações japonesas à busca mais ampla da Amazon por histórias capazes de transitar entre formatos e mercados.
O plano de investimento da Amazon MGM, o empreendimento de direitos da Credeus e a experiência de One Piece apontam para decisões interligadas. Um estúdio precisa financiar uma produção convincente, os produtores buscam uma participação duradoura em seu sucesso e uma adaptação precisa dar a fãs antigos e novos espectadores motivos para assistir. O próximo catálogo japonês colocará essas prioridades em prática com lançamentos já previstos para os próximos dois anos.
Principais pontos
- A Amazon MGM Studios Japan planeja dobrar o investimento em conteúdo original japonês; Marini não revelou o valor nem o cronograma dos gastos.
- The Apothecary Diaries, estrelado por Mana Ashida, tem lançamento mundial previsto no Prime Video para 2028.
- The Silent Service: Awaken, New York está previsto para o verão de 2027.
- A Credeus e a Kodansha criaram a CK Works para deter direitos relacionados ao longa de Blue Lock.
- Matsuhashi afirmou que os filmes que produziu ultrapassaram ¥100 bilhões em bilheteria acumulada em 2026.
- One Piece registrou mais de 140 milhões de horas assistidas na primeira semana, em 2023, ilustrando o alcance internacional discutido no painel.






