A desigualdade salarial se amplia na Coreia do Sul: remunerações mais altas batem recorde e empregos para jovens diminuem

11 min de leitura
South Korea's Wage Divide Widens as Higher Pay Reaches a Record and Youth Jobs Shrink

Remunerações recordes no topo, menos trabalhadores assalariados

Mais da metade dos trabalhadores assalariados da Coreia do Sul recebeu pelo menos 3 milhões de won por mês em abril de 2026, a primeira vez que esse patamar foi superado na história da pesquisa. Ainda assim, 9,8% ganharam menos de 1 milhão de won, enquanto o número total de trabalhadores assalariados caiu pela primeira vez em uma pesquisa do primeiro semestre desde 2020.

Conteúdo
  1. Remunerações recordes no topo, menos trabalhadores assalariados
  2. Como estão os rendimentos mensais
  3. O que a medida salarial inclui
  4. Finanças e indústria ficam à frente
  5. Vagas em serviços de assistência crescem, mas os salários mensais seguem baixos
  6. Assistência social se torna uma empregadora maior
  7. Jovens perdem empregos no varejo e na mídia
  8. Emprego total cresce enquanto o assalariado diminui
  9. Como as mudanças se desenvolveram
  10. Principais pontos

A Pesquisa Regional de Emprego do Primeiro Semestre de 2026, sobre as características das pessoas ocupadas por setor e ocupação, divulgada pelo Escritório Nacional de Dados em 27 de outubro, contabilizou 22,373 milhões de trabalhadores assalariados, 43 mil a menos do que em abril de 2025. A proporção dos que receberam pelo menos 5 milhões de won chegou a 17,6%, o maior índice para um primeiro semestre desde o início da série, em 2013.

As mudanças revelam dois fenômenos simultâneos. Mais trabalhadores estão passando para faixas salariais mensais mais altas, impulsionados por aumentos e bônus, inclusive pagamentos no setor de semicondutores. Ao mesmo tempo, cresce a proporção na faixa mais baixa, e os ganhos de emprego se concentram nos serviços de assistência, nos quais rendimentos mensais elevados são relativamente incomuns.

Os jovens enfrentam outra pressão: menos vagas. O emprego entre pessoas de 15 a 29 anos caiu em 194 mil, enquanto aumentou em 200 mil entre pessoas com 50 anos ou mais. O comércio varejista e o setor de mídia reduziram vagas para os mais jovens, enquanto os serviços de assistência social se expandiram, em grande parte, com a contratação de pessoas mais velhas.

Assim, os números nacionais retratam experiências muito diferentes para os trabalhadores. Um funcionário do setor financeiro que recebe um bônus, um jovem à procura de emprego em uma loja e uma pessoa mais velha que começa a trabalhar em serviços de assistência participam de um mercado de trabalho que se move em várias direções.

Publicidade

Como estão os rendimentos mensais

A proporção de trabalhadores que ganham pelo menos 3 milhões de won subiu de 49,9% para 51,9% ao longo do ano. Os que recebem pelo menos 4 milhões de won representaram 29,1%, ante 27,5% um ano antes.

A pesquisa dividiu os trabalhadores assalariados em seis faixas de rendimento mensal:

  • Menos de 1 milhão de won: 9,8%.
  • Pelo menos 1 milhão, mas menos de 2 milhões de won: 9,3%.
  • Pelo menos 2 milhões, mas menos de 3 milhões de won: 29,0%.
  • Pelo menos 3 milhões, mas menos de 4 milhões de won: 22,8%.
  • Pelo menos 4 milhões, mas menos de 5 milhões de won: 11,5%.
  • Pelo menos 5 milhões de won: 17,6%.

O maior grupo individual continuou sendo o dos trabalhadores que ganham entre 2 milhões e 3 milhões de won. Sua proporção caiu 1,6 ponto percentual, enquanto a parcela dos que recebem entre 1 milhão e 2 milhões de won recuou 0,6 ponto. Tanto o aumento dos rendimentos mais altos quanto o crescimento na faixa inferior estão remodelando a distribuição.

Cerca de 3,93 milhões de trabalhadores receberam pelo menos 5 milhões de won, ante aproximadamente 3,66 milhões um ano antes. Aplicando a proporção de 9,8% ao total de trabalhadores assalariados, estima-se que cerca de 2,19 milhões receberam menos de 1 milhão de won.

O que a medida salarial inclui

A pesquisa calcula o rendimento mensal médio com base na remuneração recebida pelo trabalhador em seu emprego principal nos três meses anteriores. Inclui bônus e pagamentos em bens, além dos salários regulares. Assim, um bônus elevado pode levar alguém a uma faixa superior durante o período de medição.

Os bônus do setor de semicondutores foram apontados como um dos fatores que contribuíram para o aumento da proporção de trabalhadores com rendimentos mais altos. Kim Rak-hyun, chefe da divisão de estatísticas de emprego do órgão, também destacou a continuidade da migração para faixas salariais mais altas e o efeito dos aumentos dos salários nominais.

Salários nominais são valores expressos em won. O poder de compra indica o que esse dinheiro pode comprar. Quando os preços sobem, os trabalhadores precisam de mais won para adquirir os mesmos bens e serviços. Os números da pesquisa apresentados aqui não incluem um cálculo de como o poder de compra mudou.

Publicidade

Finanças e indústria ficam à frente

O setor financeiro e de seguros teve a maior proporção de trabalhadores que ganham pelo menos 5 milhões de won: 40,5%. O índice subiu de 37,2% um ano antes, uma alta de 3,3 pontos percentuais. Em seguida vieram os serviços profissionais, científicos e técnicos, com 37,5%, à frente de informação e comunicações, com 35,8%.

A proporção na indústria de transformação subiu de 22,9% para 25,4%. Em termos simples, pouco mais de um em cada quatro trabalhadores assalariados do setor chegou à faixa de 5 milhões de won, ante pouco menos de um em cada quatro no ano anterior. Os bônus do setor de semicondutores contribuíram para essa mudança.

As diferenças também apareceram entre as ocupações. Entre os gerentes, 82,0% receberam pelo menos 5 milhões de won por mês. Entre os profissionais e trabalhadores de ocupações relacionadas, a proporção foi de 30,1%. No outro extremo, 33,1% dos trabalhadores em ocupações elementares, categoria que abrange tarefas básicas e rotineiras, ganharam menos de 1 milhão de won.

Os serviços de hospedagem e alimentação tiveram uma proporção particularmente pequena de trabalhadores com rendimentos mais altos: 1,6% receberam pelo menos 5 milhões de won. A disparidade entre os setores ajuda a explicar como um recorde nacional na faixa mais alta pode coexistir com rendimentos mensais baixos para muitos trabalhadores.

Vagas em serviços de assistência crescem, mas os salários mensais seguem baixos

Os serviços de saúde e assistência social apresentaram o contraste mais acentuado entre a expansão do emprego e os baixos rendimentos mensais. Apenas 5,8% dos trabalhadores assalariados do setor receberam pelo menos 5 milhões de won. Enquanto isso, 29,1% receberam menos de 1 milhão de won, a maior proporção entre os setores.

Estabelecimentos que prestam serviços de assistência social sem alojamento empregaram 1,843 milhão de pessoas, um aumento de 155 mil. Entre eles estão centros comunitários de assistência social e serviços que atendem pessoas em suas casas. Trabalhadores com 50 anos ou mais responderam por 141 mil do aumento, ou cerca de 91%.

Kim atribuiu parte do crescimento na faixa de rendimentos mais baixos à mudança na composição dos trabalhadores sem emprego regular. Segundo ele, o aumento de pessoas que trabalham em tempo parcial ou com contratos por prazo determinado parece ter contribuído para a alta. Os rendimentos mensais refletem tanto os valores pagos quanto o volume de trabalho realizado, por isso a jornada é importante para entender esse grupo.

Publicidade

Assistência social se torna uma empregadora maior

O emprego em estabelecimentos de assistência social sem alojamento mais que dobrou, passando de 889 mil no primeiro semestre de 2018 para 1,843 milhão em 2026. A participação desses estabelecimentos no total de pessoas ocupadas chegou a 6,4%, superando 6% pela primeira vez.

Esses estabelecimentos ultrapassaram os restaurantes como a maior categoria detalhada de atividade econômica em número de empregos na pesquisa do primeiro semestre do ano passado. Agora empregam 200 mil pessoas a mais que os restaurantes, que tinham 1,643 milhão de trabalhadores.

As mulheres representavam 1,499 milhão de trabalhadores nesses estabelecimentos de assistência social. Ainda assim, os homens responderam por 66 mil do aumento anual mais recente, mostrando que a expansão está atraindo trabalhadores para além da força de trabalho predominantemente feminina do setor.

Os hospitais acrescentaram 64 mil trabalhadores e as clínicas, 26 mil, com o aumento da demanda por serviços médicos e de assistência social decorrente do envelhecimento da população. Em uma classificação mais ampla por setor, os serviços de assistência social empregaram 2,102 milhões de pessoas, apenas 19 mil a menos que os restaurantes e estabelecimentos de bebidas, que empregaram 2,121 milhões.

Jovens perdem empregos no varejo e na mídia

O emprego entre pessoas de 15 a 29 anos caiu para 3,424 milhões, uma redução de 194 mil em relação ao ano anterior. O número de jovens empregados em vendas em lojas recuou em 36 mil, para 245 mil. Considerando todas as idades, o total de trabalhadores em vendas em lojas caiu em 65 mil, para 1,475 milhão.

A expansão dos quiosques de autoatendimento e dos caixas automáticos foi apontada como um fator para a queda no número de jovens empregados em vendas em lojas. Esses equipamentos permitem que os clientes façam pedidos ou paguem com menos assistência direta de funcionários, alterando as necessidades de pessoal em lojas e empresas de serviços.

Os jovens também perderam espaço na produção e distribuição de filmes, vídeos e programas de televisão. O emprego nesse setor caiu de 46 mil para 33 mil, uma redução de cerca de 28%, em meio à diminuição dos investimentos na produção de conteúdo.

Hospitais e instituições de ensino superior acrescentaram, cada um, 9 mil trabalhadores de 15 a 29 anos. Esses ganhos abriram oportunidades em áreas específicas, enquanto o total de empregos nessa faixa etária continuou caindo. Em comparação, o emprego entre pessoas com 50 anos ou mais chegou a 13,78 milhões.

Publicidade

Emprego total cresce enquanto o assalariado diminui

A Coreia do Sul tinha 28,961 milhões de pessoas ocupadas em abril, 74 mil a mais do que os 28,887 milhões registrados um ano antes. Esse aumento foi menor que o crescimento de 194 mil no ano anterior. O número de trabalhadores assalariados, porém, caiu em 43 mil, para 22,373 milhões.

O emprego total inclui trabalhadores assalariados e pessoas que trabalham fora de relações de emprego remunerado, como os autônomos. Por isso, os dois números podem se mover em direções opostas. Os resultados mais recentes mostram um crescimento modesto do conjunto da força de trabalho, junto com uma redução no número de empregados que recebem salários.

Essa foi a primeira queda no número de trabalhadores assalariados em uma comparação de primeiro semestre desde o início da pandemia de COVID-19, em 2020, quando o recuo foi de 382 mil. A queda mais recente foi bem menor, mas veio após um aumento de 276 mil na pesquisa do primeiro semestre do ano anterior.

As perdas de emprego se concentraram em vários setores. O cultivo agrícola perdeu 82 mil trabalhadores, os serviços de arquitetura e engenharia perderam 62 mil, e o varejo em geral, 31 mil. Os serviços relacionados a imóveis acrescentaram 29 mil. Entre pessoas de 30 a 49 anos, os hospitais acrescentaram 38 mil trabalhadores, enquanto os serviços de arquitetura e engenharia perderam 34 mil.

Como as mudanças se desenvolveram

A data de referência da pesquisa, em abril, e a data de divulgação, em outubro, correspondem a etapas distintas: os números medem as condições de emprego em abril, enquanto os resultados detalhados por setor e ocupação foram divulgados posteriormente. A medida salarial também considera os três meses anteriores.

  • 2013: Começou a série estatística usada nas comparações salariais do primeiro semestre.
  • Primeiro semestre de 2018: Estabelecimentos de assistência social sem alojamento empregavam 889 mil pessoas.
  • Primeiro semestre de 2020: O emprego assalariado caiu em 382 mil durante o início da pandemia de COVID-19.
  • Abril de 2025: A proporção dos que recebiam pelo menos 3 milhões de won era de 49,9%; os estabelecimentos de assistência social haviam ultrapassado os restaurantes no ranking detalhado de emprego.
  • Abril de 2026: A proporção dos que recebiam pelo menos 3 milhões de won chegou a 51,9%, enquanto o emprego assalariado recuou em 43 mil.
  • 27 de outubro de 2026: O órgão divulgou os resultados detalhados por setor e ocupação.

Mais empregados estão alcançando rendimentos mensais mais altos, enquanto os serviços de assistência social absorvem uma parcela crescente do emprego e os jovens perdem vagas no varejo e na mídia. Juntas, essas mudanças explicam por que os rendimentos recordes no topo vêm acompanhados de pressão persistente na base.

Principais pontos

  • Um total de 51,9% dos trabalhadores assalariados recebeu pelo menos 3 milhões de won por mês, a primeira maioria na série.
  • A proporção dos que receberam pelo menos 5 milhões de won chegou ao recorde de 17,6%, enquanto 9,8% ganharam menos de 1 milhão de won.
  • O emprego assalariado caiu em 43 mil, para 22,373 milhões, a primeira queda em um primeiro semestre desde 2020.
  • Finanças e seguros lideraram na faixa de rendimentos mais altos; saúde e assistência social tiveram a maior proporção abaixo de 1 milhão de won.
  • Os estabelecimentos de assistência social acrescentaram 155 mil trabalhadores, e as pessoas com 50 anos ou mais responderam por cerca de 91% desse aumento.
  • O emprego entre pessoas de 15 a 29 anos caiu em 194 mil, incluindo perdas em vendas em lojas e na produção de mídia.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar