Moeda fica a cinco centavos de P64 apesar dos juros mais altos
O peso filipino fechou em uma cotação recorde de P63,95 por dólar nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, enquanto a alta dos preços do petróleo, o aumento do déficit externo de pagamentos e as preocupações com o fraco crescimento econômico superaram o apoio dos juros mais altos. A moeda terminou a apenas cinco centavos de P64, quatro dias depois de o Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP) elevar sua taxa básica em meio ponto percentual, para 5,5%.
Conteúdo
- Moeda fica a cinco centavos de P64 apesar dos juros mais altos
- Por que o petróleo caro pressiona a moeda
- Déficit de pagamentos mantém alta a demanda por dólares
- Reservas cambiais oferecem proteção menor
- Por que o BSP optou por um aumento maior dos juros
- Juros mais altos trazem um dilema
- Ações e dívida externa ampliam a pressão
- Remessas e exportadores se beneficiam, mas há limites
- Datas e decisões acompanhadas pelos mercados
- Pontos principais
Dados da Associação de Bancos das Filipinas mostraram que o peso se desvalorizou 33,5 centavos em relação ao fechamento de 23 de outubro, de P63,615. A moeda abriu a P63,535, chegou a se valorizar brevemente para P63,50 e encerrou no nível mais fraco da sessão. As negociações em dólares aumentaram para cerca de US$ 1,649 bilhão, ante US$ 1,285 bilhão na sexta-feira.
O peso passou de P58,79 por dólar no fim de 2025 para P63,95, o que significa que agora são necessários P5,16 a mais para comprar um dólar. Isso representa um aumento de 8,78% no preço do dólar em pesos, equivalente a uma queda de aproximadamente 8,07% no valor do peso em dólares. Os dois cálculos descrevem a mesma variação cambial, mas partem de valores diferentes.
Para as famílias, o impacto vai além das cotações. Um peso mais fraco encarece combustíveis, alimentos, máquinas e outros produtos importados em moeda local. Famílias que recebem dinheiro do exterior obtêm mais pesos ao trocar dólares, mas o custo de vida mais alto pode consumir parte desse ganho.
Domini S. Velasquez, economista-chefe do China Banking Corp., associou a desvalorização mais recente à alta dos preços do petróleo, às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre uma possível retomada de ações militares contra o Irã e à piora da confiança na economia filipina.
"A fraqueza do peso também reflete a erosão da confiança dos investidores, diante das crescentes preocupações de que as Filipinas possam enfrentar um período de estagflação", disse Velasquez.
Por que o petróleo caro pressiona a moeda
O petróleo Brent subiu 3,14%, para US$ 116,72 por barril em 23 de outubro, seu maior preço de fechamento em quase seis meses, e chegou a cerca de US$ 117 no fim de semana. Novos ataques à infraestrutura energética saudita e a embarcações comerciais, as hostilidades envolvendo os houthis do Iêmen e as tensões no estreito de Ormuz ampliaram as preocupações com o abastecimento.
As Filipinas importam grande parte do petróleo já refinado. Por isso, os importadores enfrentam vários custos variáveis ao mesmo tempo: os preços internacionais dos combustíveis, o frete e a taxa de câmbio. Quando o petróleo fica mais caro em dólares e o peso se desvaloriza, o custo em moeda local aumenta por ambos os fatores.
Michael L. Ricafort, economista-chefe do Rizal Commercial Banking Corp., afirmou que uma conta maior de importação de petróleo poderia ampliar o déficit comercial, o déficit em conta corrente e o déficit do balanço de pagamentos do país. O déficit comercial mede a diferença entre as importações e as exportações de bens. A conta corrente também inclui serviços e fluxos de renda, enquanto o balanço de pagamentos registra o movimento mais amplo de dinheiro entre as Filipinas e o resto do mundo.
Os preços dos combustíveis nas Filipinas terão variações distintas no período de reajuste de 27 de outubro a 2 de novembro. O Departamento de Energia anunciou uma redução de P0,30 por litro na gasolina e de P0,50 no querosene, enquanto o diesel subirá P1,20 por litro.
O diesel já havia subido P2,60 por litro na semana anterior, elevando o aumento acumulado nos dois reajustes para P3,80. Isso afeta operadores de transporte e empresas que movimentam mercadorias. A Ordem Executiva nº 125, publicada em setembro, suspendeu os impostos especiais de consumo sobre o gás liquefeito de petróleo e o querosene; gasolina e diesel não foram incluídos nessa medida.
Déficit de pagamentos mantém alta a demanda por dólares
O BSP registrou um déficit no balanço de pagamentos de US$ 3,144 bilhões em setembro, mais de cinco vezes o saldo negativo de US$ 596 milhões em agosto e uma reversão em relação ao superávit de US$ 82 milhões um ano antes. Setembro foi o terceiro mês consecutivo de déficit e registrou o maior saldo negativo mensal desde janeiro de 2025, quando o déficit chegou a US$ 4,078 bilhões.
Um déficit significa que, nas transações internacionais registradas, saiu mais dinheiro do país do que entrou. Pagamentos de importações, movimentos de investimentos estrangeiros e obrigações de dívida afetam esse saldo e ajudam a explicar por que a demanda por dólares pode continuar forte mesmo após a alta dos juros nas Filipinas.
O déficit acumulado de janeiro a setembro chegou a US$ 9,1 bilhões, ante US$ 5,3 bilhões no mesmo período de 2025. O BSP atribuiu o saldo negativo ao déficit comercial de bens e às saídas líquidas de investimentos estrangeiros em carteira. Remessas, empréstimos do governo no exterior, comércio de serviços e investimento estrangeiro direto compensaram parte dessas pressões.
Em setembro, o déficit acumulado estava apenas cerca de US$ 100 milhões abaixo da previsão do BSP de US$ 9,2 bilhões para todo o ano de 2026. O banco central também projetou um déficit de US$ 8,5 bilhões para 2027, citando os preços elevados do petróleo, os custos de transporte e as tensões geopolíticas.
A moeda já havia chegado a P63,361 antes da decisão de política monetária mais recente, durante a desvalorização anterior à decisão sobre os juros. O fechamento de segunda-feira mostra como a persistente demanda externa por dólares continuou mesmo com o aperto da política monetária.
Reservas cambiais oferecem proteção menor
As reservas internacionais brutas das Filipinas caíram para US$ 99,5 bilhões no fim de setembro, ante US$ 104,8 bilhões em agosto, uma redução de US$ 5,3 bilhões em um mês. O valor revisado de setembro ficou abaixo dos US$ 99,997 bilhões preliminares anunciados em 8 de outubro e foi o menor registro mensal desde setembro de 2023.
As reservas internacionais são ativos mantidos pelo banco central que podem ajudar a cobrir pagamentos internacionais e a administrar variações cambiais bruscas. O BSP atribuiu a queda às suas operações de câmbio, às mudanças no valor do ouro e de outros ativos de reserva e aos saques do governo para pagar dívidas externas e atender a outras necessidades.
As reservas de setembro cobriam 6,2 meses de importações de bens e pagamentos de serviços e renda primária. Também equivaliam a 3,1 vezes a dívida externa com vencimento em até um ano, considerando o prazo residual. Esses números mostram que o país ainda tinha uma reserva substancial para pagamentos, embora ela tivesse diminuído.
As reservas estavam cerca de US$ 13,77 bilhões abaixo do pico registrado em fevereiro. Emilio Neri Jr., economista-chefe do Bank of the Philippine Islands, disse antes da reunião de política monetária de outubro que a incerteza sobre a duração do conflito no Oriente Médio tornava mais importante manter uma reserva adequada, sobretudo se o conflito se prolongasse até 2027.
Por que o BSP optou por um aumento maior dos juros
O aumento de 50 pontos-base decidido pelo BSP em 22 de outubro levou a taxa básica de juros a 5,5%, o nível mais alto em quase dois anos. Um ponto-base equivale a um centésimo de ponto percentual; portanto, a decisão acrescentou meio ponto percentual. Foi o quarto aumento consecutivo, elevando a alta total desde abril para 125 pontos-base.
O governador do BSP, Eli M. Remolona Jr., disse que a decisão respondeu à perspectiva de novas altas de preços causadas por energia, transporte e condições climáticas que afetam a produção de alimentos.
"Tomamos essa medida decisiva porque prevemos que a inflação vai acelerar ainda mais nos próximos meses devido aos preços do petróleo, às tarifas de transporte e aos possíveis efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos", disse Remolona.
A inflação de setembro chegou a 7,2%, ante 6,1% em agosto e 1,7% um ano antes. O resultado superou em 3,2 pontos percentuais o limite superior da meta do BSP, de 2% a 4%. A inflação subjacente, que exclui alguns itens voláteis de alimentos e energia, chegou a 4,7%, indicando que os aumentos de preços se espalharam para além dos itens mais sujeitos a variações.
O banco central esperava uma inflação média de 6,1% em 2026 e elevou de 5,4% para 6% sua previsão para 2027. A projeção para 2028 permaneceu em 3,3%. Condições intensas de El Niño podem pressionar os preços dos alimentos ao prejudicar a produção agrícola.
O aumento maior veio após um pedido de aperto monetário mais forte dos ex-dirigentes do BSP Diwa Guinigundo e Wilhelmina Mañalac. O argumento deles era evitar que um choque inicial nos custos de alimentos e energia se espalhasse pela economia e provocasse aumentos de preços mais persistentes.
Juros mais altos trazem um dilema
O crescimento econômico das Filipinas desacelerou para 2,3% no segundo trimestre, deixando o BSP diante da tarefa de combater a inflação elevada enquanto a atividade já estava fraca. Juros mais altos podem conter empréstimos e gastos e tornar os investimentos em pesos mais atraentes. Também aumentam os custos de financiamento para famílias e empresas.
Estagflação é uma situação em que uma economia enfrenta alta de preços ao mesmo tempo que o crescimento fica fraco ou estagnado, muitas vezes com um mercado de trabalho em dificuldades. Velasquez disse que a preocupação com esse cenário pesava sobre a confiança dos investidores. O problema imediato de política econômica é concreto: conter os gastos pode aliviar a inflação, mas também desacelerar o consumo, os investimentos e as contratações.
John Paolo R. Rivera, pesquisador sênior do Philippine Institute for Development Studies, disse que as pressões externas estavam superando o apoio dos juros mais altos nas Filipinas.
"Embora o aperto monetário possa ajudar a estabilizar as expectativas e moderar a desvalorização, não consegue compensar totalmente essas pressões", disse Rivera.
Rivera afirmou que a preocupação ia além de o peso ultrapassar P64 e incluía a inflação provocada por uma desvalorização prolongada da moeda. Aumentos de juros podem influenciar a demanda e as expectativas, mas recompor os estoques de alimentos, reduzir os custos de transporte e melhorar o fornecimento de eletricidade exige outras medidas.
Ações e dívida externa ampliam a pressão
O índice da Bolsa de Valores das Filipinas caiu 87,45 pontos, ou 1,53%, para 5.641,18 nesta segunda-feira, seu menor nível desde junho de 2026. Todos os setores recuaram, e o de conglomerados teve a queda mais acentuada, de 2,37%. Apenas cinco ações que compõem o índice avançaram.
Japhet Tantiangco, gerente de pesquisa da Philstocks Financial Inc., associou as perdas aos baixos gastos públicos com infraestrutura, à inflação elevada e à possibilidade de novos aumentos dos juros. Luis Limlingan, chefe de vendas da Regina Capital Development Corp., também citou a alta dos preços do petróleo e os gastos com infraestrutura, que haviam caído por 14 meses consecutivos.
O volume líquido negociado em ações foi de P4,61 bilhões, enquanto os investidores estrangeiros venderam P45,06 milhões a mais do que compraram. No mercado mais amplo, 106 ações caíram, 61 subiram e 78 ficaram estáveis.
A dívida externa do país chegou a US$ 154,9 bilhões no segundo trimestre de 2026. Devedores com obrigações em dólares precisam de mais pesos para pagar cada dólar da dívida quando a taxa de câmbio se desvaloriza. O peso desse custo depende da moeda de cada obrigação e de o devedor também receber receitas em moeda estrangeira.
Remessas e exportadores se beneficiam, mas há limites
Famílias que recebem dinheiro do exterior ganham mais em moeda local por dólar trocado. A P63,95, uma remessa de US$ 100 equivale a P6.395 antes das tarifas, ante P5.879 no fim de 2025. São P516 a mais, embora a alta dos preços reduza o poder de compra desse dinheiro adicional.
Aris Dacanay, economista sênior da HSBC Global Research, disse que um peso mais fraco também poderia apoiar a indústria ao tornar os produtos filipinos mais acessíveis para compradores estrangeiros e mais competitivos diante dos importados. Ele citou o crescimento de 14% das exportações no acumulado do ano e descreveu 2026 como o primeiro ano desde 2018 com crescimento industrial expressivo e sustentado.
A análise do HSBC concluiu que os produtos filipinos ficaram mais acessíveis em relação aos de várias economias asiáticas, com Índia, Coreia do Sul e Indonésia entre as exceções. Dacanay disse que uma demanda maior por produtos locais poderia ajudar a reduzir o déficit comercial.
Fabricantes que importam matérias-primas, componentes e máquinas enfrentam um aumento de custos em sentido contrário. Alguns podem absorver essas despesas com lucros menores; outros podem elevar os preços de venda. Dacanay defendeu uma inflação mais baixa, a redução das barreiras comerciais e medidas contra o contrabando, a formação de estoques para manipular preços e os cartéis para ajudar a sustentar os ganhos da indústria.
Datas e decisões acompanhadas pelos mercados
Os próximos movimentos da moeda dependerão, em parte, da política monetária dos EUA, dos preços do petróleo e dos novos dados econômicos. Antes do pregão de segunda-feira, os contratos futuros dos fundos federais indicavam menos de 10% de probabilidade de aumento dos juros na próxima reunião do Federal Reserve, mas cerca de 80% de chance de uma alta em dezembro.
Uma decisão de manter os juros dos EUA estáveis poderia dar algum alívio ao peso. Um sinal mais forte de que os juros americanos subirão poderia favorecer o dólar. Os operadores também acompanharão os dados de emprego dos EUA e os números do comércio das Filipinas em busca de sinais de mudanças no crescimento e na demanda por dólares.
A sequência recente mostra como a pressão aumentou rapidamente:
- 22 de outubro: O BSP elevou a taxa básica em 50 pontos-base, para 5,5%.
- 23 de outubro: O peso fechou a P63,615, enquanto o Brent encerrou a US$ 116,72 por barril.
- 26 de outubro: O peso fechou em uma cotação recorde de P63,95, e o principal índice da bolsa filipina caiu 1,53%.
- 27 de outubro: O diesel sobe P1,20 por litro, enquanto os preços da gasolina e do querosene caem.
- 28 de outubro: O Federal Reserve deve divulgar seu comunicado de política monetária.
- 17 de dezembro: O BSP realiza sua última reunião de política monetária programada para 2026.
Para terça-feira, um operador de câmbio previu uma faixa de P63,70 a P64,20, enquanto Ricafort estimou entre P63,85 e P64,05. Jonathan L. Ravelas, consultor sênior da Reyes Tacandong & Co., disse que os riscos geopolíticos persistentes poderiam deixar o peso vulnerável a chegar a P65. Ricafort também apontou o aumento sazonal das remessas no quarto trimestre como uma possível fonte de apoio.
Remolona não descartou novos aumentos dos juros, enquanto Neri espera mais 25 pontos-base em dezembro, o que poderia levar a taxa básica a 5,75%. Nenhum novo aumento foi decidido. A política de intervenção do BSP se concentra em variações cambiais expressivas que alimentem a inflação, e não em manter o peso em um nível fixo.
Pontos principais
- O peso fechou em uma cotação recorde de P63,95 por dólar em 26 de outubro, com desvalorização de 33,5 centavos.
- O BSP elevou a taxa básica para 5,5% em 22 de outubro, mas o petróleo caro e a demanda persistente por dólares continuaram pressionando a moeda.
- O déficit de pagamentos chegou a US$ 9,1 bilhões até setembro, perto da previsão de US$ 9,2 bilhões para o ano inteiro.
- As reservas internacionais caíram para US$ 99,5 bilhões, valor suficiente para cobrir 6,2 meses de importações e pagamentos relacionados.
- A inflação de setembro foi de 7,2%, enquanto o crescimento econômico desacelerou para 2,3% no segundo trimestre.
- Quem recebe remessas e alguns exportadores se beneficiam de um peso mais fraco, enquanto importadores e devedores com obrigações em moeda estrangeira enfrentam custos maiores.
- A decisão do Federal Reserve e a reunião do BSP de 17 de dezembro são os próximos grandes eventos de política monetária previstos.






