Fechamento recorde antes da decisão do BSP
O peso filipino fechou a 63,361 por dólar em 21 de outubro de 2026, sua 29ª mínima recorde do ano, enquanto investidores se preparavam para uma esperada alta dos juros que, segundo economistas, poderia desacelerar a queda da moeda, mas não revertê-la. A desvalorização ocorreu quando o déficit do país nas transações com o resto do mundo se aproximava da previsão do banco central para o ano inteiro.
Conteúdo
- Fechamento recorde antes da decisão do BSP
- Por que um aumento de 0,25 ponto pode trazer apenas alívio passageiro
- Déficit nas contas externas se aproxima da previsão anual
- Importações crescem mais rápido que as receitas em dólares
- Reservas caíram, mas BSP diz que cobertura é suficiente
- Petróleo e juros dos EUA aumentam a pressão
- O argumento a favor de uma alta maior pelo BSP
- Ações e títulos mostram pressões distintas
- O que o peso mais fraco significa para as famílias
- Principais pontos
Dados da Associação de Bancos das Filipinas apontaram que o peso chegou a seu nível mais baixo durante as negociações de quarta-feira, a 63,373 por dólar. A moeda abriu a 63,01 e se valorizou brevemente até 63,00, antes de fechar 27,1 centavos, ou cerca de 0,43%, mais fraca que no fechamento anterior, de 63,09.
O Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP) enfrenta uma combinação desconfortável em sua reunião de 22 de outubro: inflação de 7,2% em setembro, petróleo acima de US$ 110 por barril, reservas internacionais em queda e desaceleração do crescimento econômico. Elevar os juros pode ajudar a conter os preços e tornar os investimentos em pesos mais atraentes, mas também aumenta os custos de empréstimos para empresas e famílias.
Uma pesquisa com 20 economistas mostrou que todos esperavam uma alta dos juros. Dezoito previam um aumento de 25 pontos-base, levando a taxa básica de 5% para 5,25%. Dois esperavam uma alta de 50 pontos-base, que a levaria a 5,5%. Um ponto-base equivale a um centésimo de ponto percentual.
A questão central é quanto uma decisão amplamente esperada pode alcançar quando importações caras e a persistente demanda por dólares continuam pressionando a moeda.
Por que um aumento de 0,25 ponto pode trazer apenas alívio passageiro
Alyssa Nuñez, ex-economista da Universidade da Ásia e do Pacífico que agora trabalha em um banco comercial privado, disse que um aumento para 5,25% poderia dar apoio limitado à moeda. Ela descreveu um mercado em que os investidores já haviam ajustado suas posições diante dessa decisão.
"É possível uma breve recuperação, mas não contaríamos com uma valorização real", disse Nuñez.
Quando uma alta dos juros já está precificada pelo mercado, os operadores compram ou vendem ativos antecipando essa decisão. Portanto, efetivar o aumento esperado traz menos informações novas do que uma decisão inesperada. Nuñez disse que a medida "provavelmente não mudará a trajetória do peso".
O Oversea-Chinese Banking Corp. (OCBC), de Singapura, chegou a uma conclusão semelhante em seu comentário de 20 de outubro. Sua equipe de pesquisa associou a fraqueza do peso à deterioração das contas externas, à desaceleração dos ingressos de investimentos e ao petróleo caro.
"O aperto monetário do BSP pode moderar a desvalorização, mas uma recuperação sustentada exige melhora nos preços do petróleo e nos fluxos externos", afirmou o OCBC Group Research.
Juros mais altos nas Filipinas poderiam incentivar investidores a manter ativos denominados em pesos. Os importadores, porém, ainda precisam de dólares para pagar fornecedores no exterior, enquanto os pagamentos de dívidas externas geram demanda adicional. Essas transações ajudam a explicar por que uma alta dos juros e um peso fraco podem ocorrer ao mesmo tempo.
Déficit nas contas externas se aproxima da previsão anual
O BSP informou que o déficit do balanço de pagamentos em setembro foi de US$ 3,144 bilhões, acima dos US$ 596 milhões de agosto e revertendo o superávit de US$ 82 milhões registrado em setembro de 2025. O déficit de setembro foi mais de cinco vezes maior que o de agosto.
O balanço de pagamentos registra as transações do país com o resto do mundo. Um déficit reflete uma saída líquida de recursos nessas transações. O déficit de janeiro a setembro chegou a US$ 9,087 bilhões, ante cerca de US$ 5,3 bilhões no mesmo período de 2025, um aumento de aproximadamente 71%.
No fim de setembro, o déficit estava apenas US$ 113 milhões abaixo da previsão do BSP de US$ 9,2 bilhões para todo o ano de 2026. Isso deixava pouca margem para novos déficits nos três meses finais sem ultrapassar a projeção. O banco central havia reduzido anteriormente essa previsão de US$ 10,7 bilhões e projetava um déficit de US$ 8,5 bilhões para 2027.
O BSP atribuiu o déficit acumulado ao saldo negativo do comércio de bens e às saídas líquidas de investimentos estrangeiros em carteira. As remessas, os empréstimos do governo no exterior, o comércio de serviços e o investimento estrangeiro direto compensaram parte do resultado.
Robert Dan Roces, economista-chefe do grupo SM Investments Corp., descreveu o desafio prático enfrentado pela economia.
"O verdadeiro desafio não é simplesmente defender o peso, mas gerar dólares suficientes para sustentá-lo", disse Roces.
Importações crescem mais rápido que as receitas em dólares
Dados da Autoridade de Estatísticas das Filipinas apontam que as importações de mercadorias somaram US$ 105,60 bilhões de janeiro a agosto, alta de 19,1% em relação aos US$ 88,69 bilhões de um ano antes. As exportações de mercadorias totalizaram US$ 64,04 bilhões, deixando um déficit comercial de bens de US$ 41,56 bilhões nesses oito meses.
Petróleo, insumos de produção e equipamentos de capital contribuem para a demanda por moeda estrangeira. Algumas compras sustentam a produção futura, mas ainda precisam ser pagas agora. As remessas, as receitas de terceirização de processos empresariais e as entradas do turismo trazem dólares ao país, mas não cobriram totalmente a conta das importações.
A tabela do balanço de pagamentos preliminar do BSP aponta que o déficit em conta corrente de janeiro a junho de 2026 foi de US$ 8,968 bilhões, e o déficit geral do balanço de pagamentos foi de US$ 5,588 bilhões. Esses números abrangem o primeiro semestre do ano; os dados de setembro se referem a um período posterior.
A conta corrente acompanha o comércio, a renda e as transferências, como as remessas. O balanço de pagamentos mais amplo também inclui investimentos e outras transações financeiras. Isso explica por que os dois indicadores de déficit têm valores diferentes.
A mesma tabela do BSP registra remessas pessoais de US$ 19,123 bilhões no primeiro semestre, alta de 2,4% em relação aos US$ 18,672 bilhões de um ano antes. As remessas em dinheiro realizadas por meio de bancos chegaram a US$ 17,149 bilhões, também com alta de 2,4%. As receitas em dólares enviadas por filipinos que vivem no exterior continuaram crescendo, enquanto o país enfrentava uma necessidade substancial de financiamento externo.
Reservas caíram, mas BSP diz que cobertura é suficiente
As reservas internacionais brutas caíram para US$ 99,5 bilhões no fim de setembro, o menor nível mensal desde setembro de 2023. O valor se comparava a US$ 104,85 bilhões em agosto e US$ 109,1 bilhões um ano antes. O total de setembro foi revisado para baixo, de US$ 99,997 bilhões, valor anunciado inicialmente em 8 de outubro.
O BSP atribuiu a queda às operações cambiais, à redução do valor do ouro e de outros ativos de reserva e aos saques de moeda estrangeira feitos pelo governo para pagamentos de dívidas e outras necessidades. Esses fatores podem reduzir o total das reservas tanto por meio de transações quanto por mudanças no valor de mercado dos ativos.
O banco central afirmou que as reservas restantes cobriam 6,2 meses de importações de bens e pagamentos de serviços e renda primária. Também equivaliam a 3,1 vezes a dívida externa com vencimento no período curto relevante, medida pelo prazo residual, ou seja, o tempo restante até o pagamento.
Um operador de câmbio não identificado descreveu como limitada a intervenção no mercado de pesos. O BSP afirmou que, em geral, permite que a taxa de câmbio flutue conforme as condições do mercado e intervém em momentos de volatilidade extrema. Não foi divulgado o valor de eventuais intervenções durante as negociações de quarta-feira.
Emilio Neri Jr., economista-chefe do Bank of the Philippine Islands, disse que a queda das reservas reforçou o argumento a favor de outra alta dos juros. Segundo ele, a duração incerta do conflito no Oriente Médio tornava especialmente importante preservar uma reserva adequada caso o conflito continuasse em 2027.
Petróleo e juros dos EUA aumentam a pressão
O petróleo Brent subiu 1,5%, para US$ 110,40 por barril na quarta-feira, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, avançou 1,5%, para US$ 99,27. A retomada das preocupações com o abastecimento do Oriente Médio e a queda dos estoques nos Estados Unidos sustentaram os preços.
Michael Ricafort, economista-chefe do Rizal Commercial Banking Corp., associou a fraqueza do peso à valorização do dólar e à alta do Brent para acima de US$ 110 após ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz. As Filipinas importam mais petróleo do que exportam, portanto, preços mais altos aumentam sua necessidade de dólares.
Para os importadores, o petróleo caro e a desvalorização do peso se somam. O barril custa mais dólares, e cada dólar custa mais pesos. Os custos dos combustíveis podem então chegar às famílias por meio das tarifas de transporte, das entregas e do custo de levar alimentos das fazendas às lojas.
Uma inflação nos EUA acima do esperado também reforçou as expectativas de outra alta dos juros pelo Federal Reserve. Juros mais altos nos EUA podem tornar os investimentos em dólares mais atraentes, desviando recursos de moedas como o peso.
O OCBC esperava que o Fed mantivesse os juros estáveis em sua reunião de 28 de outubro e só promovesse uma última alta em dezembro. Uma pesquisa com analistas também apontava para uma pausa em outubro, seguida de uma alta em dezembro. Essas eram previsões feitas antes das decisões.
O argumento a favor de uma alta maior pelo BSP
Diwa C. Guinigundo, ex-vice-governador do BSP, defendeu um aumento de 50 pontos-base em 22 de outubro. A inflação cheia de setembro subiu para 7,2%, ante 6,1% em agosto, enquanto a inflação subjacente chegou a 4,7%. A inflação subjacente exclui alguns itens voláteis para oferecer uma visão mais clara das pressões de preços mais amplas.
Guinigundo alertou que o petróleo caro, a desvalorização do peso e possíveis interrupções no abastecimento de alimentos associadas ao El Niño poderiam elevar os preços. Ele argumentou que uma resposta mais forte poderia limitar a propagação da inflação para mais bens, serviços e expectativas sobre os preços futuros.
Guinigundo, que foi vice-governador de 2005 a 2019, descreveu a decisão como um equilíbrio entre conter a inflação e preservar o acesso ao crédito.
"Em última análise, o BSP precisa ponderar os riscos de permitir que a inflação se consolide em relação ao custo de condições financeiras mais restritivas para o crescimento e o crédito", disse Guinigundo.
O BSP já havia elevado a taxa básica em 75 pontos-base, por meio de três altas de 25 pontos-base cada. As reuniões restantes previstas para 2026 eram em 22 de outubro e 17 de dezembro.
Os principais acontecimentos econômicos e de política monetária foram:
- 23 de abril, 18 de junho e 27 de agosto: Três altas dos juros levaram a taxa básica a 5%.
- 19 e 20 de outubro: O peso fechou a 63,09 por dólar.
- 21 de outubro: A moeda se desvalorizou e fechou em nível recorde, a 63,361.
- 22 de outubro: O Conselho Monetário deveria decidir sobre os juros nas Filipinas.
- 28 de outubro: O Fed deveria anunciar sua próxima decisão de política monetária.
- 17 de dezembro: Última reunião de política monetária do ano prevista pelo BSP.
Ações e títulos mostram pressões distintas
As ações filipinas subiram apesar da queda do peso. O Índice da Bolsa de Valores das Filipinas avançou 15,34 pontos, ou 0,26%, para 5.821,51 na quarta-feira. Investidores estrangeiros foram compradores líquidos de 503,33 milhões de pesos, e o volume negociado no mercado foi de 6,30 bilhões de pesos.
Os ganhos foram desiguais: as ações em queda superaram as em alta, por 18 a nove. O setor de serviços avançou 1,53%, enquanto o financeiro caiu 0,61%. A Ayala Land subiu 3,09%, para 16 pesos, enquanto a PLDT recuou 4%, para 1.200 pesos. A Mynt fechou a 6,59 pesos, pouco abaixo do preço de sua oferta pública inicial, de 6,60 pesos.
Os empréstimos do governo mostraram o custo da cautela antes da reunião do BSP. O rendimento médio dos títulos do Tesouro com vencimento em cinco anos subiu para 7,83%, ante 7,438% no leilão de 22 de setembro. Os investidores exigiram retornos maiores antes de aplicar seu dinheiro.
O Tesouro aceitou 21,378 bilhões de pesos dos 30 bilhões planejados, diante de ofertas totais de 27,578 bilhões de pesos. Jean Olivia De Castro, chefe de renda fixa da Manulife Investments Philippines, disse que os investidores estavam cautelosos antes da decisão do Conselho Monetário e preferiam manter recursos disponíveis ou comprar títulos com vencimentos mais curtos.
O Tesouro também planejava leiloar títulos de curto prazo no valor total de 42 bilhões de pesos na semana seguinte. Rendimentos mais altos aumentam o custo de novos empréstimos do governo, criando outro canal pelo qual a inflação e a política monetária afetam as contas públicas.
O que o peso mais fraco significa para as famílias
Famílias que recebem dólares do exterior ganham mais pesos quando a moeda se desvaloriza. À cotação de 63,361 por dólar, uma transferência de US$ 100 se converte em 6.336,10 pesos antes das tarifas, ante 6.309 pesos à cotação de 63,09. O ganho decorrente da variação daquele dia é de 27,10 pesos.
As famílias que pagam mais por combustíveis, transporte e produtos importados podem perder parte desse benefício com o aumento das despesas. Empresas que usam insumos importados enfrentam pressão semelhante, o que pode levar a preços de venda mais altos ou lucros menores.
John Paolo Rivera, pesquisador sênior do Instituto Filipino de Estudos sobre Desenvolvimento, alertou que uma desvalorização prolongada poderia elevar os custos das importações e a inflação, além de reduzir o poder de compra das famílias. O impacto depende da duração da fraqueza da moeda e de quanto do custo adicional as empresas repassam aos consumidores.
Cerca de um terço da dívida soberana das Filipinas é devido a credores estrangeiros. Para dívidas denominadas em moeda estrangeira, um peso mais fraco aumenta o valor em pesos necessário para o pagamento. Exportadores que recebem dólares podem obter mais pesos com suas vendas, embora os materiais importados possam absorver parte desse ganho.
Domini S. Velasquez, economista-chefe do grupo China Banking Corp., apresentou uma previsão mais positiva para a moeda, esperando uma cotação de cerca de 62,50 pesos por dólar no fim do ano, com a aproximação da temporada de remessas. O OCBC continuava cauteloso e esperava preços mais baixos do petróleo e maior financiamento externo antes de uma recuperação sustentada.
Guinigundo argumentou que uma valorização duradoura da moeda também exigiria maior capacidade exportadora, investimentos produtivos, instituições confiáveis e uma gestão econômica sólida. Essas mudanças ajudariam a repor os dólares usados pelo país, enquanto a decisão imediata do BSP influenciaria os custos dos empréstimos e as expectativas de inflação.
Principais pontos
- O peso fechou em nível recorde, a 63,361 por dólar, em 21 de outubro, depois de tocar 63,373 durante as negociações.
- Dezoito dos 20 economistas esperavam que o BSP elevasse a taxa básica para 5,25% em 22 de outubro; dois esperavam 5,5%.
- O déficit nas contas externas de janeiro a setembro chegou a US$ 9,087 bilhões, apenas US$ 113 milhões abaixo da previsão anual do BSP.
- As reservas internacionais caíram para US$ 99,5 bilhões, mas, segundo o BSP, ainda cobriam 6,2 meses de importações e pagamentos relacionados.
- O petróleo acima de US$ 110 por barril e as expectativas de juros mais altos nos EUA continuavam pressionando o peso.
- As remessas em dólares se convertem em mais pesos, enquanto o aumento dos custos de importação ameaça o poder de compra das famílias.






