92.740 trabalhadores enfrentam prazos de contrato ao longo de dois anos
Tailândia e Mianmar concordaram em princípio em dispensar a exigência de que trabalhadores mianmarenses passem 30 dias em seu país de origem após completarem quatro anos de trabalho no âmbito do acordo de recrutamento entre os governos. A proposta ajudaria empregadores a manter trabalhadores experientes: 45.834 trabalhadores mianmarenses atingiram ou devem atingir esse limite em 2026, e outros 46.906 devem alcançá-lo em 2027.
Conteúdo
- 92.740 trabalhadores enfrentam prazos de contrato ao longo de dois anos
- O que a dispensa dos 30 dias mudaria
- Como funciona o sistema atual de recrutamento
- Por que é difícil trazer substitutos
- Uma proposta separada abrange documentos vencidos
- Autorizações digitais podem reduzir visitas repetidas
- Sri Lanka é o primeiro novo parceiro de recrutamento proposto
- Decisões e datas importantes
- Principais pontos
A proposta imediata discutida por autoridades abrange trabalhadores cujo período de quatro anos termina entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2026. O Departamento de Emprego da Tailândia se reuniu com autoridades de Mianmar em 23 de julho de 2026 e está preparando os detalhes para análise pelo Comitê de Política de Gestão de Trabalhadores Estrangeiros e pelo gabinete tailandês. Os trabalhadores ainda precisarão das autorizações de imigração e de trabalho exigidas para continuar trabalhando legalmente.
Juntos, os dois grupos anuais somam 92.740 pessoas já integradas ao mercado de trabalho tailandês. Para os empregadores que querem mantê-las, a preocupação prática é perder funcionários que conhecem suas funções enquanto o recrutamento de substitutos leva tempo. Para os trabalhadores, uma interrupção pode significar despesas de viagem e afastamento do trabalho remunerado.
As discussões fazem parte de uma resposta mais ampla à escassez de mão de obra, incluindo as dificuldades enfrentadas por empresas de construção afetadas pela instabilidade em Mianmar e pelo conflito na fronteira entre Tailândia e Camboja. O ministro do Trabalho, Julapun Amornvivat, discutiu as medidas em 4 de agosto de 2026 com uma delegação liderada por Liza Ngamtrakulpanich, presidente da Associação Tailandesa de Empreiteiros sob Patrocínio Real.
O que a dispensa dos 30 dias mudaria
A isenção proposta diz respeito a uma etapa específica do processo MOU U-Turn, o procedimento usado quando trabalhadores completam o período de trabalho autorizado e os empregadores querem contratá-los novamente. MOU é a sigla em inglês para memorando de entendimento, um acordo entre governos que estabelece como devem funcionar o recrutamento e o emprego.
Os trabalhadores mianmarenses abrangidos pela proposta ficariam dispensados da exigência de voltar ao país de origem para uma pausa de 30 dias. Eliminar esse intervalo reduziria o tempo que precisam passar sem trabalhar e ajudaria as empresas a manter a mesma força de trabalho, em vez de recrutar e treinar substitutos.
As autoridades tailandesas ainda verificariam os empregadores e locais de trabalho, os documentos de passaporte, os exames médicos, os vistos e as autorizações de trabalho. O visto diz respeito à permissão para entrar ou permanecer no país, enquanto a autorização de trabalho permite exercer uma atividade profissional. Os trabalhadores precisam cumprir os requisitos de ambos os processos.
O grupo de 2027 é um pouco maior que o de 2026: 46.906, em comparação com 45.834, uma diferença de 1.072 trabalhadores. Isso dá às autoridades um segundo grupo expressivo para planejar. A isenção descrita nas discussões de julho, porém, abrange os trabalhadores que completam o período em 2026, enquanto os números mais amplos da força de trabalho se estendem até 2027.
Como funciona o sistema atual de recrutamento
O guia de autorização de trabalho para empregadores do Departamento de Emprego descreve os acordos de recrutamento por MOU com Camboja, Laos, Mianmar e Vietnã. Nesse sistema, os empregadores enviam solicitações para trazer trabalhadores à Tailândia, e os trabalhadores precisam obter autorizações de trabalho no escritório de emprego responsável pela região onde fica o local de trabalho.
O guia identifica o trabalho geral e o serviço doméstico como categorias permitidas para trabalhadores do Camboja, Laos e Mianmar. Para trabalhadores vietnamitas, lista uma via mais restrita, que abrange trabalho geral na construção civil e na pesca marítima. Essas categorias ajudam a explicar por que empregadores de setores que demandam um grande número de trabalhadores acompanham de perto as discussões atuais.
O guia encaminha as solicitações aos escritórios provinciais de emprego em 76 províncias ou aos escritórios de emprego de Bangkok, nas áreas de 1 a 10. Portanto, o interesse do empregador em manter um trabalhador continua fazendo parte de um processo administrativo vinculado a um local de trabalho específico e às autoridades competentes.
O Departamento de Emprego afirma que levará em conta a demanda das empresas e as condições do mercado de trabalho tailandês. Seu objetivo declarado é manter os trabalhadores de que a economia precisa, protegendo ao mesmo tempo as oportunidades de emprego para cidadãos tailandeses. Essa avaliação vincula a dispensa proposta às necessidades reais de pessoal, em vez de tratar todos os contratos vencendo da mesma forma.
Por que é difícil trazer substitutos
Empregadores da construção civil relataram escassez de mão de obra ligada tanto à instabilidade em Mianmar quanto à situação na fronteira entre Tailândia e Camboja. Nas conversas com Julapun, trataram da manutenção dos trabalhadores atuais, da regularização de documentos vencidos, da melhoria dos canais de recrutamento, da redução da burocracia e da busca por trabalhadores de outros países.
O novo recrutamento em Mianmar continua dependendo principalmente do transporte aéreo, porque as passagens terrestres usadas no processo permanecem fechadas em meio aos combates e às preocupações com a segurança. A Tailândia propôs reabrir as rotas terrestres para reduzir as despesas de empregadores e trabalhadores, mas as autoridades de Mianmar disseram que as viagens aéreas continuam necessárias por razões de segurança.
As restrições de transporte tornam a continuidade mais valiosa para as empresas. Um empregador que perde um trabalhador experiente talvez precise buscar um substituto por meio de um sistema de recrutamento que ainda exige viagens internacionais, documentação e autorizações. Manter um trabalhador que já está na Tailândia poderia reduzir parte dessa interrupção, desde que ele conclua os procedimentos legais exigidos.
As medidas abordam diferentes aspectos do mesmo problema de pessoal. A isenção proposta dos 30 dias diz respeito a pessoas já empregadas na Tailândia que estão chegando ao limite do contrato. As regras para chegadas por via aérea dizem respeito a trabalhadores recém-recrutados. Empresas que precisam de pessoal podem depender dos dois canais, mas cada um tem seus próprios requisitos.
Uma proposta separada abrange documentos vencidos
As autoridades tailandesas também estão considerando medidas temporárias para trabalhadores do Camboja, Laos, Mianmar e Vietnã cuja autorização de permanência ou de trabalho venceu. Muitos já têm empregadores na Tailândia. A proposta em discussão permitiria que trabalhadores que atendam aos critérios permanecessem e trabalhassem legalmente por períodos de até dois anos cada vez.
Esse grupo precisa de um caminho para restabelecer ou regularizar sua situação, enquanto a proposta do MOU trata de trabalhadores que chegam ao fim do período previsto de quatro anos. Portanto, empregadores e trabalhadores precisam identificar qual processo se aplica a eles antes de agir com base em um anúncio sobre prorrogações.
A análise da política envolve órgãos econômicos e de segurança, incluindo o Ministério do Interior, o Conselho de Segurança Nacional, a Agência Nacional de Inteligência, o Exército e a Câmara de Comércio da Tailândia. As autoridades avaliam a demanda por mão de obra, a segurança nacional, as oportunidades para trabalhadores tailandeses e os compromissos da Tailândia com os países de origem dos trabalhadores.
Não foi anunciada uma data para abertura do registro nem um cronograma de implementação da medida proposta para documentos vencidos. Primeiro, as autoridades precisam definir a política e submetê-la ao Comitê de Política de Gestão de Trabalhadores Estrangeiros e, em seguida, ao gabinete.
Uma resolução do gabinete, de 14 de julho de 2026, prorrogou separadamente até 11 de dezembro de 2027 uma concessão temporária para trabalhadores do Laos, Mianmar e Vietnã. As novas discussões abrangem vários grupos com diferentes requisitos de nacionalidade e documentação, o que torna importantes as condições de cada medida para quem busca continuar autorizado a trabalhar.
Autorizações digitais podem reduzir visitas repetidas
O Ministério do Trabalho desenvolveu um sistema de e-Work Permit destinado a processar solicitações, emitir autorizações, receber notificações de início ou término do emprego e atualizar os dados das autorizações eletronicamente. As autoridades o apresentaram como parte do esforço para reduzir o trabalho administrativo de empregadores e trabalhadores.
Uma mudança específica diz respeito à troca de empregador. Pelas medidas descritas, os trabalhadores não precisariam mais voltar a um centro de atendimento para que seus dados de identificação fossem coletados novamente apenas por terem mudado de empregador. Isso eliminaria uma visita repetida em um processo que já envolve várias etapas oficiais.
Questões de visto e previdência social ainda exigem coordenação com os órgãos competentes. Portanto, a oferta online de serviços de autorização de trabalho resolveria uma parte do processo de emprego, enquanto a situação migratória e o seguro social continuariam sendo temas a serem coordenados pelas autoridades.
Para um trabalhador que completa quatro anos, essas medidas poderiam afetar diferentes partes da mesma experiência: a dispensa proposta eliminaria um mês passado no país de origem, enquanto os serviços eletrônicos poderiam reduzir a burocracia e as visitas relacionadas à autorização de trabalho. Seu valor prático depende das regras definitivas e da conclusão das autorizações exigidas.
Sri Lanka é o primeiro novo parceiro de recrutamento proposto
A Tailândia também está se preparando para ampliar suas opções de recrutamento para além das fontes tradicionais de mão de obra migrante. Uma decisão do gabinete de 19 de agosto de 2025 aprovou uma estratégia para trazer trabalhadores de outros países, com o Sri Lanka escolhido para o primeiro grupo-piloto.
A meta é receber 10.000 trabalhadores do Sri Lanka, com início das operações previsto para o começo de 2027. O Departamento de Emprego concluiu a versão final de um acordo, que está sendo encaminhada ao Departamento de Tratados e Assuntos Jurídicos do Ministério das Relações Exteriores e ao gabinete para análise antes da assinatura.
Nepal, Bangladesh, Indonésia e Filipinas também estão entre os países identificados como possíveis fontes de recrutamento. Os candidatos a trabalhador precisam ter pelo menos 18 anos e concluir os procedimentos legais exigidos.
O tamanho do projeto-piloto do Sri Lanka dá uma dimensão da política. A meta de 10.000 trabalhadores equivale a cerca de 10,8% dos 92.740 trabalhadores mianmarenses que completam quatro anos em 2026 e 2027. Manter os funcionários atuais e recrutar em novos países atende a necessidades diferentes: uma medida preserva a continuidade agora, enquanto a outra amplia as opções futuras.
Os empregadores ainda precisariam de acordos de recrutamento compatíveis com suas necessidades reais de pessoal. Incluir novos países dá à Tailândia mais opções quando conflitos ou restrições de transporte interrompem uma rota já estabelecida, mas o projeto-piloto proposto também depende da aprovação de um acordo e de um processo de recrutamento organizado.
Decisões e datas importantes
As medidas trabalhistas avançaram por meio de diversas decisões e discussões separadas. A sequência ajuda a explicar por que algumas datas se referem a uma concessão já em vigor, enquanto outras dizem respeito a propostas ainda em preparação.
- 19 de agosto de 2025: O gabinete aprovou uma estratégia para recrutar trabalhadores de outros países, começando com um projeto-piloto no Sri Lanka.
- 14 de julho de 2026: O gabinete prorrogou até 11 de dezembro de 2027 uma concessão temporária para trabalhadores do Laos, Mianmar e Vietnã.
- 23 de julho de 2026: Autoridades tailandesas e mianmarenses concordaram em princípio em dispensar a pausa de 30 dias para trabalhadores do Mianmar contratados por MOU que completam quatro anos em 2026.
- 4 de agosto de 2026: Julapun discutiu a escassez de mão de obra e as respostas propostas com a delegação da Associação Tailandesa de Empreiteiros.
- Começo de 2027: A Tailândia espera iniciar o projeto-piloto de recrutamento no Sri Lanka, sujeito à conclusão do processo do acordo.
- Janeiro a dezembro de 2027: Outros 46.906 trabalhadores mianmarenses contratados por MOU devem completar quatro anos.
A tarefa administrativa imediata é transformar o acordo em princípio com Mianmar em medidas tailandesas detalhadas para análise pelo comitê de política e pelo gabinete. Os empregadores que desejam manter trabalhadores precisarão dessas condições para planejar as equipes, enquanto os trabalhadores precisarão das autorizações pertinentes para continuar empregados legalmente.
A estratégia da Tailândia combina a manutenção de funcionários experientes, a regularização de documentos vencidos, a simplificação dos serviços de autorização e o desenvolvimento de novos canais de recrutamento. Cada medida responde a uma fonte concreta de interrupção, dos prazos contratuais ao fechamento das passagens terrestres. A coordenação desses processos determinará com que facilidade empresas e trabalhadores poderão passar de autorizações vencidas para a continuidade do emprego.
Principais pontos
- Tailândia e Mianmar concordaram em princípio em eliminar a exigência de retorno por 30 dias para trabalhadores mianmarenses contratados por MOU que completam quatro anos em 2026.
- A proposta ainda precisa ser analisada em detalhes pelo comitê de política e pelo gabinete da Tailândia, além de depender das autorizações necessárias para os trabalhadores.
- Cerca de 45.834 trabalhadores atingem o limite em 2026 e outros 46.906 em 2027, totalizando 92.740.
- Uma proposta separada diz respeito a documentos vencidos de trabalhadores do Camboja, Laos, Mianmar e Vietnã.
- O novo recrutamento em Mianmar continua ocorrendo principalmente por via aérea, devido aos combates e às preocupações com a segurança que afetam as rotas terrestres.
- A Tailândia pretende receber inicialmente 10.000 trabalhadores do Sri Lanka, com recrutamento previsto para começar no início de 2027.






