Forças Armadas das Filipinas apoiam suspensão das comunicações militares com a China, enquanto Palácio mantém relações diplomáticas abertas

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Philippine Military Backs China Communications Freeze as Palace Keeps Diplomatic Ties Open

Canais de defesa continuam suspensos, mas as relações prosseguem

As Forças Armadas das Filipinas apoiaram a suspensão por tempo indeterminado das comunicações militares diretas com a China, determinada pelo secretário de Defesa, Gilberto Teodoro Jr., enquanto o Palácio Presidencial afirma que as relações diplomáticas e o comércio, assim como os investimentos com Pequim, continuarão. Os militares também prometeram manter as patrulhas e as missões de abastecimento dos filipinos posicionados no banco de Ayungin.

Conteúdo
  1. Canais de defesa continuam suspensos, mas as relações prosseguem
  2. Por que as Forças Armadas dizem que o diálogo fracassou
  3. China alerta para riscos de confronto
  4. Como a suspensão se desenvolveu
  5. Patrulhas e missões de abastecimento em Ayungin continuarão
  6. Palácio mantém diplomacia e comércio abertos
  7. Uma disputa sobre direitos e confiança
  8. O que ainda não foi decidido
  9. O essencial

As declarações foram feitas após um alerta da Embaixada da China, em 12 de outubro de 2026, de que o fechamento dos canais de comunicação militar poderia aumentar a desconfiança e aproximar os militares de um confronto. Teodoro respondeu em 13 de outubro, afirmando que a suspensão já vinha de longa data. Em uma entrevista coletiva no Camp Aguinaldo, o contra-almirante da reserva Roy Vincent Trinidad, porta-voz das Forças Armadas das Filipinas para o Mar das Filipinas Ocidental, disse que os militares apoiavam firmemente o secretário de Defesa.

A disputa, portanto, não significa que Manila esteja anunciando o fim de todo contato com Pequim. Ela diz respeito às comunicações diretas de defesa, que, segundo autoridades filipinas, não produziram resultados significativos, enquanto as atividades chinesas continuaram em águas onde Manila reivindica direitos marítimos. O Palácio reafirmou, em separado, que a manutenção de relações econômicas e diplomáticas continua sendo política do governo.

Essa distinção é importante para as tropas que operam no mar. As Forças Armadas afirmam que suas missões continuarão sem redução das atividades, incluindo a troca de pessoal e a entrega de suprimentos. A China argumenta que manter os canais militares abertos é necessário para evitar que erros levem a confrontos. A liderança de defesa de Manila sustenta que a comunicação não funciona sem confiança e condutas compatíveis com o direito internacional.

Por que as Forças Armadas dizem que o diálogo fracassou

Trinidad apresentou a suspensão como uma resposta à discrepância entre as mensagens diplomáticas e o comportamento das partes. Ele disse que um mecanismo de comunicação funcional exige confiança mútua, sinceridade e respeito ao direito internacional, e que conversas, por si só, não estabelecem essas condições.

Ao explicar a posição das Forças Armadas, Trinidad disse que as mensagens trocadas entre os dois países precisam se refletir em suas condutas:

O diálogo bilateral será eficaz se as mensagens corresponderem às ações no mar, no ar e em terra.

As Forças Armadas acusaram o Exército Popular de Libertação e a Guarda Costeira da China de ações provocativas e irresponsáveis, apesar dos esforços anteriores de comunicação diplomática e militar. Essas são acusações filipinas e constituem a justificativa declarada para o apoio à suspensão.

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Trinidad também acusou o Partido Comunista Chinês de usar os canais de comunicação direta como uma "cortina de fumaça" para o que descreveu como uma presença ilegal, ações coercitivas e agressivas e mensagens enganosas no domínio marítimo filipino e em terra. Seu argumento foi que manter um canal não é útil se as conversas ocultam, em vez de conter, as condutas que alimentam a disputa.

A posição dos militares estabelece um critério para que o diálogo seja eficaz: as palavras precisam corresponder às ações. No entanto, não define um procedimento público para reabrir os canais. Nas declarações mencionadas, não foram anunciados critérios específicos, uma data de revisão ou um processo acordado para restabelecer as comunicações diretas de defesa.

China alerta para riscos de confronto

Na declaração de 12 de outubro, a Embaixada da China acusou Teodoro de suspender as comunicações militares por interesse político próprio. A embaixada argumentou que os canais devem permanecer abertos mesmo quando as relações bilaterais são difíceis, para que os países possam evitar erros de avaliação e impedir a escalada das tensões.

A embaixada descreveu as consequências que, segundo ela, decorreriam da decisão de Teodoro:

A medida alimenta a desconfiança, reduz o espaço para a gestão de crises e aproxima os militares na linha de frente de um confronto.

Mecanismos de comunicação militar podem permitir que autoridades esclareçam intenções ou discutam um incidente antes que qualquer uma das partes aja com base em uma suposição equivocada. Esse foi o propósito invocado pela China. O alerta da embaixada dizia respeito ao risco de confrontos futuros; não demonstrava que a suspensão tivesse causado um incidente específico nem que novas operações de combate tivessem sido ordenadas.

Teodoro rejeitou as críticas em uma resposta publicada no Facebook em 13 de outubro. Ele a descreveu como uma "medida desesperada" e se referiu à "kalokohan" da China, palavra que significa tolice. Também disse que as comunicações militares já estavam suspensas havia quase três anos.

A divergência, portanto, vai além de decidir se um telefone ou outro canal direto deve permanecer disponível. Pequim apresenta a continuidade do contato como uma forma de evitar a escalada. Autoridades filipinas de defesa sustentam que o contato anterior não conseguiu conter as ações que tornaram perigosos os encontros.

Como a suspensão se desenvolveu

O Departamento de Defesa Nacional afirmou que os canais foram descontinuados pouco depois de Teodoro assumir o cargo, em julho de 2023. Trinidad disse que a ordem se aplicava a todas as agências do departamento e se estendia pela cadeia de comando, indicando uma política de defesa mais ampla, e não uma restrição limitada ao contato pessoal do secretário com a embaixada.

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Uma disputa separada sobre uma visita de cortesia do então embaixador chinês Huang Xilian ajuda a explicar a quebra de confiança. A Embaixada da China afirmou que o encontro incluiu uma discussão ou apresentação sobre um "acordo de cavalheiros" ou um "novo modelo". Teodoro negou essa versão, chamando-a de mentira descarada e uma forma de traição.

Mais tarde, o Departamento de Defesa Nacional voltou a divulgar uma declaração de 2024 na qual Teodoro rejeitou a versão chinesa. Ao explicar por que tornava pública sua negativa, o secretário de Defesa disse:

Estou divulgando esta declaração para conscientizar sobre esta clara tentativa da China de promover mais uma falsidade, dividir nosso povo e nos distrair de sua presença e de suas ações ilegais em nossa ZEE.

ZEE significa zona econômica exclusiva, área que geralmente se estende por até 200 milhas náuticas a partir das linhas de base de um Estado costeiro. Nela, o Estado costeiro tem direitos sobre recursos e certas atividades econômicas. Esses direitos são diferentes da soberania plena sobre o mar, distinção importante para descrever as reivindicações concorrentes.

A cronologia também exige cautela. Os relatos diferem na forma como descrevem a relação entre a suspensão inicial e a declaração pública posterior. O Departamento de Defesa Nacional situa a descontinuação pouco depois de julho de 2023, enquanto a declaração republicada durante a disputa atual é de 2024. A descrição de Teodoro, de "quase três anos", não corresponde exatamente ao intervalo entre julho de 2023 e outubro de 2026, que é de cerca de três anos e três meses. A data exata da implementação não foi especificada.

  • Julho de 2023: segundo o Departamento de Defesa Nacional, os canais militares diretos foram descontinuados pouco depois de Teodoro assumir o cargo.
  • 2024: Teodoro publicou a declaração que rejeitou a versão chinesa sobre a visita de cortesia de Huang Xilian.
  • 12 de outubro de 2026: a Embaixada da China criticou a suspensão e alertou para os riscos de confronto.
  • 13 de outubro de 2026: Teodoro respondeu, e as Forças Armadas reafirmaram seu apoio à suspensão.

Patrulhas e missões de abastecimento em Ayungin continuarão

As Forças Armadas combinaram o apoio à suspensão das comunicações com garantias de que as atividades operacionais continuariam. Trinidad mencionou patrulhas marítimas, operações aéreas, vigilância e atividades de monitoramento do domínio marítimo, além de missões de troca de pessoal e reabastecimento.

Monitoramento do domínio marítimo significa acompanhar embarcações e atividades no mar para que as autoridades entendam o que está acontecendo e possam responder. As missões de troca de pessoal e reabastecimento substituem os militares mobilizados e entregam os mantimentos e equipamentos necessários para manter seus postos.

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Trinidad disse que essas missões não diminuiriam. Também reafirmou que o BRP Sierra Madre continuaria sendo uma embarcação comissionada da Marinha das Filipinas no banco de Ayungin, também conhecido como Second Thomas Shoal. Uma embarcação comissionada permanece formalmente em serviço naval; a declaração sinaliza que as Forças Armadas não consideram o navio um bem abandonado.

A garantia é importante porque o pessoal a bordo do Sierra Madre depende da continuidade do acesso e das entregas. A suspensão das comunicações de defesa não significa que as forças filipinas estejam se retirando do banco nem interrompendo as missões que sustentam sua presença.

Ayungin já havia sido o foco de acusações sobre cianeto perto de Ayungin em abril de 2026. Na época, autoridades filipinas disseram que exames laboratoriais haviam detectado a substância em garrafas apreendidas e alegaram que seu uso ameaçava a vida marinha e os militares perto do posto avançado. Essas acusações são distintas da disputa sobre as comunicações, mas dizem respeito ao mesmo local e às condições em que as tropas permanecem ali.

Palácio mantém diplomacia e comércio abertos

Claire Castro, subsecretária do Escritório de Comunicações Presidenciais, disse que o governo Marcos não pretendia romper relações com a China. Questionada sobre a suspensão das comunicações militares, ela encaminhou perguntas sobre os detalhes específicos a Teodoro e afirmou que o diálogo mais amplo continuaria.

Em seu relato sobre a entrevista coletiva do Palácio em 13 de outubro de 2026, a Agência de Informação das Filipinas citou Castro sobre a continuidade das relações econômicas e diplomáticas:

"Não há proibição de negociar com a China em matéria de comércio e investimentos. Todos sabemos disso. E também mantemos relações com a China de maneira muito diplomática", disse Castro.

Castro, na condição de porta-voz do Palácio, distinguiu a questão de defesa da relação mais ampla do governo com Pequim:

Talvez seja melhor perguntar ao secretário Gibo os detalhes específicos desse assunto. Mas definitivamente não estamos fechando as portas para nosso relacionamento com a China. Não é isso que o presidente quer.

Ela disse que não havia proibição de fazer negócios com a China envolvendo comércio e investimentos, e que as Filipinas continuavam a se relacionar diplomaticamente com Pequim. O Palácio também sustentou que as relações bilaterais são distintas da responsabilidade do país de defender sua soberania e seus direitos territoriais no Mar das Filipinas Ocidental.

Assim, duas políticas estão em vigor ao mesmo tempo: os canais diretos de defesa continuam suspensos, enquanto as relações diplomáticas e econômicas prosseguem. As declarações de Castro não anunciam um mecanismo militar substituto nem explicam como seria tratado um incidente operacional urgente.

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Essa separação é coerente com as tensões em torno da proposta de exploração conjunta de petróleo no início de 2026. O presidente Ferdinand Marcos Jr. considerou uma cooperação energética com a China, enquanto parlamentares filipinos levantaram preocupações sobre soberania, transparência e confiança. O debate também colocou uma possível cooperação econômica ao lado de divergências marítimas não resolvidas, sem estabelecer que um acordo definitivo de exploração tivesse sido firmado.

Uma disputa sobre direitos e confiança

A atual troca de declarações ocorre em paralelo ao uso, por Manila, de canais jurídicos e diplomáticos para defender suas reivindicações marítimas. Em julho de 2026, as Filipinas apresentaram uma submissão parcial à Comissão das Nações Unidas sobre os Limites da Plataforma Continental, relativa aos direitos sobre o leito e o subsolo marinhos além de sua ZEE habitual, na costa oeste de Palawan.

Essa submissão sobre a plataforma continental diz respeito a direitos sobre o que fica sob o mar, não à soberania sobre a superfície da água. China e Malásia contestaram aspectos da reivindicação. O processo ilustra outro canal que prossegue independentemente das comunicações militares diretas: a análise técnica e jurídica dos direitos marítimos.

A confiança também está no centro da discussão sobre o suposto "acordo de cavalheiros" ou "novo modelo". A existência e o conteúdo desse entendimento são contestados. A Embaixada da China afirmou que o assunto foi discutido ou apresentado durante a visita de cortesia de Huang; Teodoro negou essa versão. Nesse debate, nenhuma ata aceita por ambas as partes nem texto acordado foi apresentado.

Para as Forças Armadas, o suposto fracasso das comunicações anteriores e a disputa sobre o que foi dito justificam que o diálogo não seja tratado como prova suficiente de cooperação. Para Pequim, a ausência contínua de canais militares representa, por si só, um risco. Nenhuma das posições resolve como os dois lados devem administrar um encontro quando seus militares operam próximos uns dos outros.

O que ainda não foi decidido

Não foi anunciada uma data para a retomada das comunicações militares diretas. A suspensão é descrita como válida por tempo indeterminado, e as Forças Armadas não apresentaram uma lista formal de condições para reverter a decisão, além do apelo de Trinidad por confiança, sinceridade, respeito ao direito internacional e coerência entre mensagens e ações.

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As declarações públicas também não identificam um canal alternativo específico para contato urgente entre militares. A continuidade das relações diplomáticas demonstra que Manila e Pequim não romperam os laços, mas não comprova que um acordo operacional específico tenha substituído os canais de defesa suspensos.

Por enquanto, os compromissos concretos são a continuidade das patrulhas, das atividades aéreas, da vigilância e das missões de troca de pessoal e reabastecimento das Filipinas; a permanência do Sierra Madre em serviço naval em Ayungin; e a manutenção das relações diplomáticas e econômicas com a China pelo Palácio. Não foram anunciados um próximo encontro, prazo para revisão ou cronograma de retomada.

O essencial

  • As Forças Armadas apoiam a suspensão por tempo indeterminado das comunicações militares diretas com a China, determinada por Teodoro.
  • O Departamento de Defesa Nacional situa a descontinuação pouco depois de julho de 2023; a declaração republicada durante a disputa foi publicada em 2024.
  • Em 12 de outubro de 2026, a embaixada chinesa alertou que a suspensão aumenta a desconfiança e os riscos de confronto.
  • As Forças Armadas dizem que o diálogo precisa ser acompanhado de ações compatíveis com o direito internacional.
  • Patrulhas, operações aéreas, vigilância e missões de troca de pessoal e reabastecimento continuarão.
  • O BRP Sierra Madre permanecerá como embarcação comissionada da Marinha das Filipinas no banco de Ayungin.
  • O Palácio afirma que as relações diplomáticas e os vínculos comerciais e de investimento com Pequim continuam abertos.
  • Não foi anunciada uma data nem um processo formal para restabelecer os canais militares diretos.
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