Custos de transporte impulsionam mudança de estratégia
A Indian Oil Corporation obteve aprovação do conselho para comprar navios-tanque de petróleo bruto e de gás liquefeito de petróleo (GLP), enquanto interrupções na região do Estreito de Hormuz elevam as tarifas de frete no mercado à vista a até US$ 10 por barril. A refinadora estatal paga atualmente cerca de US$ 2 a US$ 2,50 por barril pelo transporte de petróleo bruto em navios contratados por períodos determinados, o que torna o acesso a embarcações uma importante fonte de economia.
Conteúdo
- Custos de transporte impulsionam mudança de estratégia
- Quanto o transporte ficou mais caro?
- O que mudaria com a compra de navios
- Uma rede de abastecimento de petróleo mais ampla, com liderança da Rússia
- Compras no mercado à vista chegam a 87%
- Preços mais altos e estoques maiores de combustíveis
- Lucro se recupera, impulsionado por ganhos com estoques
- Principais pontos
O diretor financeiro Anuj Jain afirmou, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre da empresa, em 31 de outubro, que licitações para algumas embarcações haviam sido abertas vários meses antes. Os planos, detalhados em 8 de novembro de 2026, também incluem avaliar se os navios poderiam ser construídos na Índia no âmbito da iniciativa Make in India do governo.
A Indian Oil, maior refinadora de petróleo da Índia, está considerando em conjunto três caminhos: aprimorar os contratos de afretamento existentes, ser proprietária de navios e apoiar a construção naval doméstica. A empresa tem três navios-tanque de petróleo bruto e nove navios-tanque de GLP afretados por períodos determinados. O GLP, ou gás liquefeito de petróleo, é um combustível comumente usado para cozinhar.
A pressão imediata vem das interrupções no transporte marítimo comercial perto de Hormuz, além da alta das tarifas de frete e dos custos de seguro contra riscos de guerra. Para uma refinadora, comprar petróleo é apenas parte do trabalho. Também é preciso garantir um navio, pagar pelo trajeto e organizar a entrega a tempo de manter as unidades em operação.
Jain, responsável pelas finanças da Indian Oil, afirmou que o transporte marítimo é uma área que exige mais atenção do setor:
"O país precisa que as empresas do setor de petróleo deem mais atenção ao transporte marítimo agora", disse Jain.
Quanto o transporte ficou mais caro?
Os números da Indian Oil mostram uma grande diferença entre o custo dos contratos atuais de transporte de petróleo bruto e os preços do mercado à vista, no qual o frete é contratado pelas tarifas vigentes para atender a uma necessidade imediata. Em comparação com os custos de afretamento da empresa, de US$ 2 a US$ 2,50 por barril, as tarifas à vista de US$ 8 a US$ 10 são cerca de três a cinco vezes maiores.
A diferença é de US$ 5,50 a US$ 8 por barril transportado, dependendo dos extremos das faixas informadas que forem comparados. É um custo adicional considerável antes mesmo de o petróleo bruto chegar a uma refinaria, onde é processado para se transformar em gasolina, diesel e outros produtos.
O transporte de GLP também ficou mais caro. Jain estimou o frete normal em cerca de US$ 40 por tonelada, ante tarifas atuais no mercado à vista de US$ 160 a US$ 180. Esses números representam uma alta para quatro a quatro vezes e meia o nível normal.
O seguro contra riscos de guerra acrescenta outro custo. Essa cobertura está relacionada à operação em áreas expostas a conflitos. Quando as seguradoras cobram mais por esse risco, o custo de transportar combustível pode subir mesmo sem alteração no preço do próprio combustível.
O que mudaria com a compra de navios
Os contratos de afretamento por períodos determinados da Indian Oil garantem o uso de embarcações por um período acordado, dando à empresa acesso à capacidade de transporte prevista em contratos já existentes. O afretamento por viagem, outro tipo de contrato usado pela empresa, reserva o transporte para um trajeto específico. Ambos permitem que uma refinadora transporte cargas sem comprar o navio.
Comprar navios-tanque daria à Indian Oil outra forma de organizar as entregas e administrar a exposição a aumentos repentinos do frete. A propriedade também traz os custos de compra, manutenção e operação das embarcações. A economia proporcionada pelos contratos atuais ajuda a explicar por que a empresa está avaliando várias opções de transporte ao mesmo tempo.
A Indian Oil já havia estudado a aquisição de quatro navios de médio porte em um acordo que envolveria a Shipping Corporation of India e outras empresas estatais de petróleo.
A empresa descreveu as compras planejadas apenas como a aquisição de algumas embarcações. Não especificou o número, a capacidade, o preço de compra ou o cronograma de entrega, nem anunciou uma decisão sobre construí-las na Índia. A aprovação do conselho e as licitações anteriores são as medidas concretas divulgadas até agora.
Uma rede de abastecimento de petróleo mais ampla, com liderança da Rússia
A Rússia forneceu 55% das necessidades de petróleo bruto da Indian Oil no primeiro semestre do ano fiscal, segundo Jain, enquanto o Oriente Médio respondeu por 24%. Com base nesses números, a participação russa foi mais que o dobro da parcela do Oriente Médio.
Jain também citou contribuições de cerca de 10% da África, 7% do Brasil, 2% a 5% dos Estados Unidos e 3% a 4% da Venezuela. Os percentuais mencionados, somados, ultrapassam 100%, e a empresa não explicou como conciliá-los. Ainda assim, Rússia e Oriente Médio foram apontados como as duas maiores fontes.
Jain afirmou que a participação do petróleo bruto russo permaneceu dentro de uma faixa estável no segundo trimestre. A Indian Oil continuou comprando petróleo russo a "preços ótimos", segundo ele, e comprou e processou petróleo venezuelano de forma contínua. Comprar de várias regiões dá à empresa mais opções quando determinados fornecedores ou rotas de transporte se tornam difíceis ou caros.
A origem do petróleo bruto e o transporte estão estreitamente ligados. Um preço de compra mais baixo pode ser parcialmente anulado por uma conta de entrega mais alta. O esforço da Indian Oil para garantir embarcações acompanha suas decisões de compra porque o custo final depende tanto do petróleo quanto do trajeto até a Índia.
Compras no mercado à vista chegam a 87%
As importações no mercado à vista representaram cerca de 87% das compras de petróleo bruto da Indian Oil no primeiro semestre do ano fiscal de 2027, ante cerca de 50% no ano fiscal anterior. Isso corresponde a um aumento de aproximadamente 37 pontos percentuais, deixando uma parcela muito maior das compras dependente de aquisições individuais no mercado.
As compras à vista permitem que uma refinadora escolha cargas disponíveis e negocie preços conforme as condições do mercado mudam. Também significam que uma parcela maior das compras é feita nas condições disponíveis naquele momento. A compra de petróleo no mercado à vista e a contratação de um navio nesse mercado são transações distintas; assim, o petróleo comprado dessa forma ainda pode ser transportado em uma embarcação garantida por um contrato de afretamento existente.
Jain afirmou que a Indian Oil negociou descontos em relação aos preços de referência do petróleo bruto apesar da volatilidade do mercado. Um preço de referência é usado para determinar o valor do petróleo; cada carga pode ser cotada acima ou abaixo dele, conforme sua qualidade e as condições comerciais.
No trimestre encerrado em setembro, os preços de compra da Indian Oil variaram de um desconto de US$ 5 por barril a um prêmio de US$ 12. No trimestre anterior, a faixa foi de preço sem prêmio nem desconto a um prêmio de US$ 18. Portanto, o maior prêmio informado caiu US$ 6 por barril, enquanto algumas compras foram feitas abaixo do preço de referência.
Preços mais altos e estoques maiores de combustíveis
Jain relacionou a alta dos preços do petróleo à escalada das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã no fim de fevereiro. A cesta de petróleo bruto da Índia, indicador dos preços de tipos de petróleo relevantes para as importações do país, teve média de cerca de US$ 65 a US$ 70 por barril em fevereiro. Ficou acima de US$ 100 durante boa parte do primeiro trimestre e teve média de cerca de US$ 120 em outubro.
A cronologia apresentada pela empresa mostra como a pressão sobre as compras e o transporte evoluiu ao longo do ano:
- Fim de fevereiro: as hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã se intensificaram, segundo Jain.
- Primeiro trimestre do ano fiscal de 2027: o petróleo bruto da cesta indiana permaneceu acima de US$ 100 por barril durante boa parte do período.
- Primeiro semestre do ano fiscal de 2027: as compras no mercado à vista chegaram a cerca de 87% das aquisições de petróleo bruto da Indian Oil.
- Trimestre encerrado em setembro: a Indian Oil registrou lucro e ganhos com estoques.
- Outubro: o petróleo bruto da cesta indiana teve média de cerca de US$ 120 por barril.
- 31 de outubro: Jain discutiu os planos de compra de embarcações durante a teleconferência de resultados.
- 8 de novembro de 2026: os detalhes dos planos de compra de embarcações foram divulgados.
A Indian Oil afirmou que manteve as operações das refinarias em níveis ideais apesar das interrupções. Aumentou seus estoques de petróleo bruto para cerca de 39 dias, ante os habituais 33 a 35 dias. Isso representa aproximadamente quatro a seis dias adicionais de cobertura de petróleo bruto, considerando o ritmo de operação usado no cálculo.
A empresa também mantinha estoques de GLP para cerca de 20 dias e reservas de gasolina e diesel para 23 a 25 dias. Esses estoques dão à empresa tempo para lidar com atrasos nas entregas e continuar abastecendo os clientes. Estoques maiores também exigem que recursos financeiros permaneçam comprometidos com petróleo e combustíveis até que sejam processados ou vendidos.
Lucro se recupera, impulsionado por ganhos com estoques
A Indian Oil informou lucro líquido de ₹21.630 crore no trimestre encerrado em setembro, ante prejuízo de ₹2.661 crore no trimestre anterior e lucro de ₹7.610 crore um ano antes. O lucro mais recente foi cerca de 2,8 vezes o registrado no mesmo trimestre do ano anterior.
A empresa atribuiu a melhora aos ganhos com estoques e ao melhor desempenho de várias áreas de negócio. Registrou um ganho com estoques de ₹6.948 crore no trimestre. Esses ganhos podem ocorrer quando petróleo e produtos comprados anteriormente se valorizam com a alta dos preços de mercado.
A Indian Oil também informou margem bruta de refino de US$ 18,52 por barril, sem considerar o impacto do imposto especial adicional sobre o consumo. A margem de refino mede a diferença entre o valor dos produtos feitos a partir do petróleo bruto e o custo desse petróleo, antes de levar em conta as demais despesas da empresa.
Jain afirmou que os acontecimentos geopolíticos continuavam sendo uma grande fonte de incerteza, pois afetam as compras, o frete e as margens de comercialização, ou seja, os ganhos associados à venda de combustíveis. Ser proprietária de navios resolveria uma parte dessa exposição. A resposta mais ampla da empresa combina contratos de transporte, compras em várias regiões e estoques maiores para manter as refinarias e o abastecimento de combustíveis em funcionamento durante as interrupções.
Principais pontos
- O conselho da Indian Oil aprovou a compra de alguns navios-tanque de petróleo bruto e de GLP; as licitações foram abertas meses antes.
- O transporte de petróleo bruto nos contratos de afretamento atuais custa cerca de US$ 2 a US$ 2,50 por barril, ante tarifas de US$ 8 a US$ 10 no mercado à vista.
- O frete de GLP no mercado à vista subiu para US$ 160 a US$ 180 por tonelada, ante o nível normal de cerca de US$ 40.
- A empresa também está avaliando a construção naval na Índia no âmbito da iniciativa Make in India.
- Os estoques de petróleo bruto subiram para cerca de 39 dias, ante os habituais 33 a 35 dias.
- O lucro líquido no trimestre encerrado em setembro chegou a ₹21.630 crore, com contribuição parcial de ganhos com estoques de ₹6.948 crore.






