Coreia do Sul oferece expertise nuclear ao Vietnã enquanto avançam as negociações sobre Ninh Thuan 2

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South Korea Offers Nuclear Expertise to Vietnam as Ninh Thuan 2 Talks Advance

Uma oferta nuclear vinculada a financiamento, qualificação e tecnologia

A Coreia do Sul ofereceu compartilhar cerca de 50 anos de experiência em energia nuclear comercial com o Vietnã, inclusive no projeto Ninh Thuan 2, enquanto Hanói busca um parceiro capaz de fornecer tecnologia, empréstimos a juros acessíveis e treinamento para engenheiros vietnamitas.

Conteúdo
  1. Uma oferta nuclear vinculada a financiamento, qualificação e tecnologia
  2. Em que pé está Ninh Thuan 2
  3. O custo de uma parceria
  4. Como o programa foi retomado
  5. Por que a demanda por eletricidade orienta a decisão
  6. Capacitação e segurança são centrais à oferta
  7. Reatores menores e fábricas mais inteligentes
  8. Transformar pesquisa em produtos úteis
  9. Próximas datas a acompanhar
  10. Principais pontos

Em reunião realizada em 6 de novembro de 2026, o ministro vietnamita da Ciência e Tecnologia, Vu Hai Quan, e a embaixadora sul-coreana, Lee Miyon, discutiram cooperação nuclear, além de inteligência artificial, propriedade intelectual e pesquisa. Segundo o comunicado do ministério sobre a reunião de novembro, Lee afirmou que as usinas nucleares respondem por cerca de 30% da eletricidade da Coreia do Sul e demonstrou interesse em compartilhar tecnologia e experiência operacional com o Vietnã.

A oferta vem acompanhada de uma série de exigências vietnamitas. Hanói quer que um parceiro nuclear viabilize uma participação local de 30% a 60%, ofereça crédito com juros inferiores a 3% e prepare trabalhadores por meio de treinamento avançado e experiência em usinas em operação. A Coreia do Sul afirmou que poderia oferecer empréstimos soberanos que cubram até 85% do investimento no projeto.

As conversas também têm um prazo próximo que vai além do programa nuclear: a segunda fase do Instituto Coreia-Vietnã de Ciência e Tecnologia, conhecido como VKIST, deve ser concluída no fim de novembro ou no início de dezembro de 2026. Quan quer que a cooperação deixe de se concentrar em edifícios e acordos e passe a gerar projetos de pesquisa e produtos que as empresas possam utilizar.

Para o Vietnã, portanto, a discussão nuclear envolve mais do que comprar uma usina. Financiamento, capacidade industrial nacional, regulamentação de segurança e formação de mão de obra precisam avançar em conjunto para que o país alcance a meta de concluir suas duas usinas de Ninh Thuan até 2035.

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Em que pé está Ninh Thuan 2

Ninh Thuan 2 está planejada para Vinh Hai, perto da área de Phuoc Dinh, onde ficará Ninh Thuan 1. Em fevereiro de 2025, o Vietnã designou a PetroVietnam como investidora do segundo projeto e a Eletricidade do Vietnã, ou EVN, para o primeiro.

O Japão se retirou de Ninh Thuan 2 em janeiro de 2026, alegando o cronograma apertado de construção, segundo o perfil do Vietnã da Associação Nuclear Mundial, atualizado em 12 de agosto. França, Coreia do Sul e Estados Unidos manifestaram interesse posteriormente.

Em 2 de julho, o vice-ministro da Indústria e Comércio, Nguyen Hoang Long, afirmou que as negociações entre a Korea Electric Power Corporation, ou KEPCO, e a PetroVietnam poderiam servir de base para uma proposta às autoridades vietnamitas. As empresas haviam assinado, em 22 de abril, um memorando sobre uma possível cooperação no desenvolvimento nuclear, incluindo cadeias de suprimentos e análise de viabilidade do projeto.

O Vietnã planejava escolher seu parceiro no terceiro trimestre de 2026, encerrado em setembro. O comunicado do ministério de novembro registrou o interesse da Coreia do Sul, mas não anunciou a escolha de um parceiro, um modelo de reator acordado ou os termos finais do financiamento.

O custo de uma parceria

As exigências do Vietnã colocam três questões interligadas no centro das negociações: tecnologia segura, financiamento e mão de obra. Um fornecedor precisa se comprometer a transferir tecnologia e garantir uma participação local de 30% a 60%, o que significa que empresas vietnamitas executariam uma parte substancial do trabalho ou do fornecimento do projeto.

Hanói também quer empréstimos altamente concessionais, ou seja, financiamentos em condições mais favoráveis do que as do crédito comercial comum. Entre as exigências declaradas estão juros inferiores a 3% e longos períodos de carência, adequados ao intervalo prolongado antes que uma usina nuclear comece a gerar receita.

O vice-ministro sul-coreano Kang Kamchan afirmou em julho que Seul estava disposta a oferecer empréstimos soberanos para cobrir até 85% do investimento no projeto. Esse percentual indica quanto do investimento poderia ser financiado; a taxa de juros indica o custo do empréstimo. O Vietnã precisa que ambos estejam de acordo com suas exigências.

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Kang também propôs uma cooperação entre Vietnã, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos, combinando a tecnologia nuclear coreana com a capacidade financeira e os recursos energéticos dos Emirados. Ele citou o projeto nuclear de Barakah, nos Emirados, a primeira usina nuclear da Coreia do Sul construída no exterior, cujas obras começaram em 2009 e cuja geração de eletricidade teve início em 2020.

O Vietnã criou um mecanismo jurídico para acelerar as negociações. A Resolução nº 189/2025/QH15, adotada em 19 de fevereiro de 2025, permite negociar e assinar um acordo intergovernamental enquanto a política de investimento do projeto está sendo revisada, inclusive antes da definição dos ajustes ao capital total.

O vice-ministro Long explicou o objetivo desse mecanismo durante as conversas de julho:

"Esse mecanismo especial permite que vários procedimentos sejam realizados simultaneamente, reduzindo, assim, o prazo total de execução do projeto", afirmou.

Como o programa foi retomado

As negociações mais recentes do Vietnã vêm após uma longa interrupção. A Assembleia Nacional adiou o programa nuclear por tempo indeterminado em novembro de 2016, citando as condições econômicas e projeções de menor demanda por eletricidade. Em novembro de 2024, a Resolução 174/2024/QH15 reverteu essa decisão e retomou o desenvolvimento nuclear em Ninh Thuan.

As principais etapas desde a retomada mostram como a legislação, os acordos internacionais e as conversas comerciais avançaram em paralelo:

  • Novembro de 2024: a Assembleia Nacional concordou em retomar o programa nuclear de Ninh Thuan.
  • 19 de fevereiro de 2025: a Resolução nº 189/2025/QH15 introduziu procedimentos especiais de investimento.
  • Junho de 2025: o Vietnã aprovou uma nova Lei de Energia Atômica, que entrou em vigor em janeiro de 2026.
  • Janeiro de 2026: o Japão se retirou de Ninh Thuan 2.
  • 23 de março de 2026: Vietnã e Rússia assinaram um acordo intergovernamental para Ninh Thuan 1.
  • 22 de abril de 2026: KEPCO e PetroVietnam assinaram um memorando de cooperação nuclear.
  • 6 de novembro de 2026: Quan e Lee discutiram o compartilhamento de conhecimentos nucleares coreanos, inclusive para Ninh Thuan 2.

O acordo de março designou a russa Rosatom para desenvolver Ninh Thuan 1 com dois reatores VVER-1200. A estratégia vietnamita adotada naquele mês prevê concluir as duas usinas de Ninh Thuan até 2035 e alcançar uma participação da energia nuclear de aproximadamente 6% a 8% da eletricidade nacional até 2050.

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Por que a demanda por eletricidade orienta a decisão

O Vietnã gerou 274 terawatts-hora de eletricidade em 2023, segundo dados da Agência Internacional de Energia e do Banco Mundial reproduzidos pela Associação Nuclear Mundial. Um terawatt-hora equivale a um bilhão de quilowatts-hora, unidade comumente usada nas contas de luz.

O carvão forneceu 123 terawatts-hora, ou 45% da geração, enquanto a energia hidrelétrica forneceu 80,6 terawatts-hora, ou 29%. A energia solar e o gás natural responderam cada um por cerca de 10%, e a eólica, por aproximadamente 4%. O Vietnã também importou, em termos líquidos, 3,5 terawatts-hora.

O consumo de eletricidade vem crescendo cerca de 10% ao ano. O consumo por pessoa chegou a aproximadamente 2.400 quilowatts-hora em 2023, mais de oito vezes o nível de 2000. Esses números explicam por que Hanói considera a energia nuclear junto com as fontes que já utiliza: uma economia em crescimento precisa de mais eletricidade e também da capacidade de fornecê-la de forma confiável.

A participação atual da energia nuclear na Coreia do Sul oferece uma comparação útil com a ambição do Vietnã. Os cerca de 30% mencionados pela embaixadora Lee correspondem a aproximadamente quatro a cinco vezes a participação de 6% a 8% que o Vietnã pretende alcançar até 2050. O Vietnã planeja uma parcela proporcional menor, embora esteja diante da tarefa significativa de estabelecer a geração nuclear comercial.

Capacitação e segurança são centrais à oferta

Em julho de 2026, a autoridade reguladora nuclear do Vietnã estimou que os dois projetos de Ninh Thuan precisariam de cerca de 3.900 pessoas em funções operacionais diretas até 2030, incluindo aproximadamente 670 graduados universitários que precisariam de treinamento no exterior. Esses graduados representam cerca de 17% da força de trabalho operacional projetada.

Quan pediu à Coreia do Sul que compartilhasse experiência e tecnologia, especialmente em proteção radiológica, segurança nuclear e formação especializada. Seu ministério também apresentou às autoridades competentes uma proposta de desenvolvimento da energia atômica e do setor associado.

A revisão da Lei de Energia Atômica do Vietnã fortalece a estrutura para construir e operar instalações nucleares, fiscalizar a atividade regulatória e desenvolver a força de trabalho. Preparar um programa nuclear significa formar profissionais capazes de operar equipamentos, além daqueles responsáveis por verificar a segurança e fazer cumprir as normas.

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Coreia do Sul e Vietnã já têm uma base para esse trabalho. Os países assinaram um acordo de cooperação nuclear em março de 2012, iniciaram um estudo preliminar conjunto de viabilidade em junho de 2013 e assinaram, em agosto de 2025, um memorando entre KEPCO e PetroVietnam para desenvolver a força de trabalho.

Terrence Matsuo, pesquisador não residente do Instituto Econômico da Coreia da América, argumentou em uma análise de políticas publicada em junho que as perspectivas da Coreia do Sul dependem muito do financiamento, do fornecimento de combustível e do cumprimento do cronograma de Hanói. Ele recomendou reforçar a formação e os intercâmbios de profissionais. Também apontou as diferentes exposições a sanções internacionais como um fator na concorrência com a Rússia, cujo setor nuclear tem uma atividade consolidada de construção e fornecimento de combustível.

Reatores menores e fábricas mais inteligentes

A cooperação nuclear vai além das grandes usinas propostas. Em reunião realizada na Coreia do Sul em 1º de outubro, Quan e o vice-primeiro-ministro Bae Kyung-hoon, que também chefia o ministério sul-coreano de Ciência e Tecnologia da Informação, discutiram pesquisas conjuntas sobre pequenos reatores modulares, semicondutores e IA física.

O comunicado de outubro sobre cooperação do ministério vietnamita registra essas propostas. Pequenos reatores modulares, ou SMRs, são unidades menores de geração nuclear projetadas para construção modular. A estratégia energética do Vietnã, de março, prevê pelo menos um projeto com tecnologia SMR, além do programa de grandes usinas.

IA física é a inteligência artificial usada em máquinas que interagem com o mundo físico, como robôs ou equipamentos industriais. Essa pesquisa se conecta a outra proposta apresentada em outubro e novembro: criar um centro de demonstração de fábrica inteligente no Vietnã, onde empresas possam conhecer aplicações de IA e sistemas digitais de produção.

Bae afirmou que a Coreia do Sul planejava dobrar o orçamento de desenvolvimento de IA em 2027 e investir em seus próprios modelos de IA, grandes centros de dados, semicondutores e IA física. Em novembro, Lee disse que a Coreia do Sul pretende se tornar uma das três maiores potências mundiais em IA.

As próximas etapas propostas incluem criar um grupo de trabalho sobre IA, identificar as organizações responsáveis pela execução e avançar para um acordo de pesquisa e desenvolvimento. A Coreia do Sul também está avaliando as necessidades vietnamitas de apoio à IA por meio da assistência oficial ao desenvolvimento, ou ODA, financiamento governamental destinado a apoiar o desenvolvimento.

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Transformar pesquisa em produtos úteis

O VKIST deve oferecer uma base institucional para ampliar a cooperação aplicada. Com a segunda fase prestes a ser concluída no fim de novembro ou no início de dezembro, Quan quer que o instituto deixe de se concentrar em investimentos em infraestrutura e passe a desenvolver pesquisas e produtos com aplicações práticas. Lee afirmou que a Coreia do Sul ajudará a criar as condições para que o VKIST opere de forma sustentável.

Os dois países assinaram um marco mais amplo de cooperação em ciência e tecnologia em abril de 2026. Quan também propôs levar especialistas coreanos em políticas públicas ao Vietnã para compartilhar experiência na elaboração e implementação de estratégias de ciência e tecnologia.

A propriedade intelectual é outra parte dos esforços para transformar pesquisa em atividade econômica. As conversas de novembro trataram da comercialização de patentes, de dados de propriedade intelectual, de aplicações de IA, da proteção de direitos e do combate a produtos falsificados. Comercialização significa encontrar um mercado prático para uma invenção, por exemplo, licenciando-a para um fabricante.

Lee propôs avaliar a iniciativa K-Brand da Coreia do Sul, voltada à proteção de marcas empresariais. Quan também sugeriu estudar o modelo coreano de desenvolver um produto característico para cada localidade ou comuna. As duas propostas vinculam a cooperação tecnológica à capacidade de empresas e comunidades venderem produtos reconhecíveis e protegidos.

Próximas datas a acompanhar

Segundo Lee, estudantes vietnamitas representam cerca de 25% dos estudantes internacionais que cursam ciência e engenharia na Coreia do Sul. Isso corresponde a aproximadamente um em cada quatro estudantes estrangeiros dessas áreas e dá aos países um grupo já formado de pessoas familiarizadas com os dois ambientes de ensino e pesquisa.

A embaixada sul-coreana planeja realizar eventos em dezembro de 2026 para conectar pesquisadores vietnamitas e especialistas em tecnologia que estudaram na Coreia do Sul, além de um dia de networking entre startups do Vietnã e da Coreia do Sul. As atividades previstas aproximariam empresas de fundos de investimento e parceiros tecnológicos.

Quan propôs reuniões a cada três ou quatro meses para avaliar o progresso, resolver dificuldades e definir novos trabalhos. Essa frequência permitiria que ambos os lados verificassem regularmente se os grupos de trabalho, os programas de treinamento e as propostas de pesquisa estão avançando para a implementação.

Vietnã e Coreia do Sul também pretendem renovar em 2027 um acordo de reconhecimento mútuo em tecnologia da informação e telecomunicações. As conversas incluem o reconhecimento de resultados de testes e certificações de produtos, o que pode reduzir avaliações repetidas quando produtos entram em outro mercado. Junto com a conclusão iminente do VKIST, essas datas oferecem indicadores concretos para avaliar se o compromisso mais amplo de transformar acordos bilaterais em programas efetivos está avançando.

Principais pontos

  • A Coreia do Sul ofereceu tecnologia nuclear e experiência operacional, inclusive para Ninh Thuan 2, em conversas realizadas em 6 de novembro de 2026.
  • O Vietnã quer uma participação local de 30% a 60%, empréstimos com juros inferiores a 3% e treinamento abrangente para a força de trabalho.
  • A Coreia do Sul propôs empréstimos soberanos que cubram até 85% do investimento no projeto.
  • A Rússia está desenvolvendo Ninh Thuan 1; o Vietnã pretende concluir as duas usinas de Ninh Thuan até 2035.
  • Os dois projetos devem precisar de cerca de 3.900 pessoas em funções operacionais diretas até 2030.
  • A cooperação também abrange SMRs, IA, fábricas inteligentes, propriedade intelectual e pesquisa aplicada por meio do VKIST.
  • Eventos de networking em pesquisa estão previstos para dezembro de 2026, e a renovação de um acordo de reconhecimento mútuo em tecnologia é esperada para 2027.
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