Uma jornada de 15 quilômetros antes que um carro pudesse chegar até ele
Moradores do vilarejo de Baruru, na província de Sulawesi Ocidental, na Indonésia, carregaram um idoso em uma maca de bambu por cerca de 15 quilômetros durante sete horas, em 2 de novembro de 2026, porque uma estrada danificada impedia que um veículo chegasse à casa dele, segundo o funcionário local Habel. O paciente, Petrus, estava com a perna inchada e sentia dores recorrentes na região lombar, que dificultavam seus movimentos.
Conteúdo
- Uma jornada de 15 quilômetros antes que um carro pudesse chegar até ele
- Bambu, sarongues e sete horas de transporte
- Um trajeto percorrido por outros pacientes
- Por que o reparo emergencial não durou
- O alerta veio antes do vídeo viralizar
- De 30% para uma meta de 60% a 70%
- Moradores querem que o acesso viário oriente os gastos
- Principais pontos
A jornada ocorreu no distrito de Aralle, regência de Mamasa. Habel disse que os moradores carregaram Petrus de Baruru até a divisa do vilarejo de Ralleanak Utara, onde um carro poderia buscá-lo para levá-lo ao Centro Comunitário de Saúde de Aralle. Um centro comunitário de saúde, conhecido na Indonésia como puskesmas, oferece serviços médicos básicos perto de onde as pessoas vivem.
Habel identificou Petrus como tendo 78 anos e descreveu o trajeto de aproximadamente 15 quilômetros até o ponto acessível a veículos. O chefe do vilarejo de Baruru, Rusman, disse que ele tinha 70 anos e descreveu um percurso de aproximadamente 20 quilômetros em uma maca até o centro de saúde, iniciado por volta das 8h e encerrado à tarde.
Rusman disse, em 6 de novembro, que Petrus havia sido encaminhado a um hospital em Mamuju. O diagnóstico, o tratamento posterior e o estado de saúde dele após o encaminhamento não foram divulgados.
A evacuação traz o custo humano de um caso concreto para o centro de uma disputa mais ampla sobre gastos com estradas em Mamasa. Menos de seis semanas antes, o regente Welem Sambolangi havia alertado publicamente o governo provincial de que moradores ainda precisavam ser carregados por vários quilômetros para receber atendimento médico. Habel disse que a estrada de Baruru havia recebido reparos emergenciais de preenchimento cerca de quatro meses antes da jornada de Petrus, mas os buracos reapareceram após algumas chuvas.
Bambu, sarongues e sete horas de transporte
Os moradores fizeram a maca com varas de bambu e sarongues, e colocaram uma lona sobre Petrus para protegê-lo do sol e da chuva. Até 6 de novembro, vídeos da evacuação já circulavam amplamente nas redes sociais.
As imagens mostravam homens se revezando para carregar a maca por um terreno rochoso e enlameado, acompanhados por outros moradores. A operação dependia de vizinhos que fornecessem tanto o equipamento quanto o esforço físico necessário para transportar um paciente que mal conseguia se mover sozinho.
Habel, funcionário do vilarejo de Baruru, descreveu a distância e a duração do trajeto a jornalistas em 5 de novembro:
Ditandu sekitar 15 kilometer. Sekitar 7 jam.
Segundo sua descrição, Petrus foi carregado por cerca de 15 quilômetros ao longo de aproximadamente sete horas. Com base nessas estimativas, o grupo avançou a uma média de aproximadamente 2,1 quilômetros por hora, incluindo eventuais pausas. A cada quilômetro, as pessoas precisavam sustentar o paciente enquanto enfrentavam o terreno irregular.
Para Petrus, chegar ao ponto acessível a um carro já representou uma longa jornada. Habel identificou o Centro Comunitário de Saúde de Aralle como o destino pretendido depois desse ponto.
Um trajeto percorrido por outros pacientes
Moradores de Baruru já carregaram repetidamente vizinhos doentes pelo mesmo trajeto de acesso difícil, disseram Habel e Rusman. Habel descreveu os danos na estrada como um problema antigo e afirmou que alguns moradores morreram enquanto eram carregados em busca de atendimento médico.
Rusman também destacou as mulheres prestes a dar à luz como outro grupo que precisou de macas. Seu relato situa a evacuação de Petrus em meio a um problema recorrente que afeta pessoas que não podem esperar com tranquilidade até que as condições da estrada melhorem.
Nenhum dos dois funcionários informou o número total de evacuações ou mortes, nem as datas dos casos anteriores. Ainda assim, seus relatos apontam o peso prático para as famílias: quando veículos não conseguem chegar a uma casa, os vizinhos precisam organizar por conta própria a primeira etapa do transporte.
Por que o reparo emergencial não durou
Habel disse que trabalhadores haviam preenchido trechos danificados da estrada cerca de quatro meses antes. Segundo ele, os buracos reapareceram depois de duas ou três chuvas, deixando os moradores novamente diante de condições muito semelhantes.
Preencher buracos pode restaurar temporariamente a superfície. Um reparo duradouro também depende das condições da base da estrada e do escoamento da água. O relato de Habel aponta para a curta duração dessa intervenção específica, embora ele não tenha apresentado uma avaliação de engenharia nem detalhes sobre o material utilizado.
Rusman descreveu a estrada como transitável apenas por um Hartop, um veículo robusto para uso fora de estrada. Habel disse que era possível chegar de carro até a divisa de Ralleanak Utara. Os dois relatos mostram como o acesso de veículos era limitado quando Petrus precisou ser transportado.
Por isso, o pedido imediato de Baruru vai além de simplesmente solicitar outra visita de equipes de reparo. Os moradores precisam de uma rota que continue transitável quando alguém adoecer, inclusive depois da chuva. Até 2 de novembro, o trabalho de preenchimento feito anteriormente não havia oferecido essa confiabilidade.
O alerta veio antes do vídeo viralizar
O regente de Mamasa, Welem Sambolangi, levantou o problema em um evento que marcou o 22º aniversário de Sulawesi Ocidental, realizado no gabinete do governador em 22 de setembro de 2026. Ele pediu mais atenção provincial às estradas e pontes de Mamasa e descreveu moradores sendo carregados até centros de saúde.
Welem disse que os trechos de estradas provinciais a que se referia estavam sob a responsabilidade do governo provincial. Essa responsabilidade é importante porque o governo encarregado de uma estrada tem papel central no planejamento dos reparos e na destinação de recursos. As declarações dele trataram de trechos provinciais em Mamasa; não foi especificada a classificação administrativa da estrada de acesso a Baruru.
Welem também pediu cooperação entre os governos da regência e da província em temas como moradia adequada, pobreza extrema e nanismo, uma condição em que o crescimento das crianças é prejudicado por desnutrição prolongada e fatores relacionados. Ele apresentou o transporte e os serviços básicos como necessidades interligadas para os moradores de Mamasa.
A sequência mostra que o transporte de pacientes já era uma preocupação pública antes de a evacuação de Petrus chamar atenção:
- Cerca de quatro meses antes de 2 de novembro: a estrada de acesso a Baruru recebeu reparos emergenciais de preenchimento, segundo Habel.
- 22 de setembro de 2026: Welem pediu ao governo provincial que melhorasse as estradas e descreveu moradores sendo carregados até centros de saúde.
- 2 de novembro: moradores carregaram Petrus de Baruru em busca de atendimento médico.
- 5 de novembro: Habel descreveu a jornada e os danos recorrentes na estrada a jornalistas.
- 6 de novembro: Rusman confirmou a evacuação e disse que Petrus havia sido encaminhado a um hospital em Mamuju.
De 30% para uma meta de 60% a 70%
Welem afirmou que apenas 30% das estradas provinciais de Mamasa estavam classificadas como em condições satisfatórias, descritas em indonésio como mantap. Ele disse esperar que essa proporção subisse para entre 60% e 70% nos três anos restantes.
Esses números apontam para uma mudança proposta substancial. Chegar a 60% duplicaria a parcela atual; chegar a 70% representaria um aumento de 40 pontos percentuais. Em outras palavras, se a extensão total da rede viária permanecesse igual, a parcela em condições satisfatórias passaria de três décimos para entre seis e sete décimos.
A meta oferece uma forma de medir o progresso em Mamasa, enquanto os moradores de Baruru enfrentam um teste mais imediato: saber se um veículo consegue chegar até uma pessoa doente em casa. Uma proporção maior de estradas em condições satisfatórias só faria diferença local se as melhorias alcançassem as rotas das quais os moradores dependem.
Nas declarações sobre a evacuação de Petrus, não foi anunciada nenhuma data para o início das obras, orçamento aprovado ou prazo de conclusão para a estrada de Baruru.
Moradores querem que o acesso viário oriente os gastos
Habel pediu ao governo que desse prioridade à estrada e propôs redirecionar recursos do MBG, o programa indonésio de refeições nutritivas gratuitas, e do Kopdes, cooperativas de vilarejos. Como alternativa, sugeriu devolver recursos dos vilarejos para a construção de estradas.
Sua proposta foi um pedido de mudança nas prioridades de gastos. Nenhuma transferência ou aprovação orçamentária foi anunciada junto com ela. Decisões sobre quais recursos poderiam ser usados teriam de ser tomadas pelas autoridades responsáveis pelos programas e pela estrada.
Habel também disse que a estrada de acesso danificada dificultava a atividade econômica dos moradores. Seu relato não apresentou números sobre perda de renda ou custos de transporte, mas relacionou a dificuldade de chegar a atendimento médico à dificuldade mais ampla de entrar e sair de Baruru.
A jornada de Petrus torna essa relação concreta. Normalmente, uma estrada permite que um veículo transporte um paciente; neste caso, os moradores tiveram de levar o paciente até o veículo. A resposta imediata veio dos vizinhos, que trabalharam juntos durante horas. Cabe ao governo resolver a questão pendente e garantir acesso confiável, para que o mesmo esforço não seja necessário toda vez que alguém precisar de atendimento.
Principais pontos
- Moradores carregaram Petrus para fora de Baruru em 2 de novembro de 2026 porque as condições precárias da estrada impediam um veículo de chegar à casa dele.
- Habel descreveu um trajeto de cerca de 15 quilômetros e sete horas até um ponto acessível a veículos; Rusman relatou cerca de 20 quilômetros até o Centro Comunitário de Saúde de Aralle.
- Rusman disse que Petrus foi encaminhado a um hospital em Mamuju.
- Funcionários do vilarejo disseram que evacuações semelhantes ocorreram repetidamente, inclusive para mulheres prestes a dar à luz.
- Segundo Habel, os reparos emergenciais de preenchimento feitos cerca de quatro meses antes se deterioraram após as chuvas.
- O regente Welem Sambolangi disse que apenas 30% das estradas provinciais de Mamasa estavam em condições satisfatórias e estabeleceu a meta de chegar a 60% a 70% em três anos.
- Nenhum cronograma aprovado para reparar a estrada de Baruru foi anunciado.






