Senhas simples diante de uma ameaça financeira mais rápida
Quase 1,9 milhão de contas de usuários vietnamitas ainda usam senhas fáceis, como "123456", segundo dados apresentados no Fórum de Segurança Financeira Digital do Vietnã, em Ho Chi Minh, em 6 de novembro de 2026. O alerta surge enquanto os bancos ampliam sistemas destinados a identificar transferências suspeitas e ajudar a recuperar dinheiro roubado.
Conteúdo
- Senhas simples diante de uma ameaça financeira mais rápida
- Menos ataques, mais organizações relatam prejuízos
- Por que dados roubados podem causar danos duradouros
- A IA acelera tanto os bancos quanto o crime
- Senhas fracas e falsidade ideológica convincente
- Furto de cartão em restaurante revelou outra vulnerabilidade
- Alertas já estão impedindo pagamentos suspeitos
- Rastreamento de dinheiro roubado entre bancos
- Investimentos em segurança ainda deixam lacunas básicas
- Regras para dados e preparativos para a computação quântica
- Principais pontos
O coronel Nguyen Ba Son, vice-diretor do Departamento de Cibersegurança e Prevenção de Crimes de Alta Tecnologia do Ministério da Segurança Pública, conhecido como A05, afirmou que as autoridades registraram quase mil casos de fraude on-line envolvendo roubo de bens nos primeiros seis meses de 2026. Os prejuízos chegaram a trilhões de dongs vietnamitas.
As instituições financeiras enfrentam pressão em várias frentes: criminosos usam inteligência artificial para preparar ataques mais rapidamente, clientes continuam vulneráveis à falsidade ideológica e algumas organizações ainda não contam com controles básicos de segurança. Enquanto isso, os pagamentos digitais se tornaram um serviço cotidiano para grande parte da população.
Os dados apresentados por Hoang Minh Tien, vice-diretor do Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Estatal do Vietnã, dão a dimensão do cenário. O Vietnã processou mais de 21 bilhões de transações sem uso de dinheiro em espécie nos primeiros oito meses de 2026, movimentando mais de 260 quatrilhões de dongs vietnamitas. Os canais digitais respondem por mais de 95% das transações em muitas instituições de crédito.
O fórum reuniu a Associação Nacional de Cibersegurança, o Vietnam Investment Media Group, o Banco Estatal e a Associação de Bancos do Vietnã. As discussões relacionaram uma vulnerabilidade conhecida, as senhas fáceis de adivinhar, a um desafio mais amplo: proteger os clientes antes, durante e depois de um pagamento fraudulento.
Menos ataques, mais organizações relatam prejuízos
O relatório de pesquisa e levantamento de 2025 da Associação Nacional de Cibersegurança estimou que o Vietnã enfrentou cerca de 552 mil ataques cibernéticos naquele ano, uma queda de 19,38% em relação a 2024. O Departamento de Tecnologia da associação realizou a pesquisa em dezembro de 2025, com respostas de mais de 5.300 organizações.
O resumo da pesquisa do governo registra um aumento na proporção de órgãos e empresas que relataram prejuízos: 52,30% em 2025, ante 46,15% em 2024. Isso representa um aumento de 6,15 pontos percentuais, embora o número estimado de ataques tenha caído.
A associação afirmou que os invasores estão se tornando mais seletivos, preparando-se com cuidado e explorando os alvos mais profundamente. Para uma organização, portanto, o risco concreto está tanto nos danos causados por uma invasão quanto no número de tentativas que enfrenta.
No fórum, dados atribuídos à Associação Nacional de Cibersegurança e à Viettel Cyber Security apontaram que o setor financeiro e bancário foi alvo de cerca de 41% dos ataques. Son também identificou o setor como alvo prioritário de grupos internacionais de hackers e cibercriminosos.
Por que dados roubados podem causar danos duradouros
A associação identificou cinco formas comuns de ataque em 2025: negação de serviço, inserção de links de publicidade de apostas, ciberespionagem direcionada, roubo de dados e ransomware. Um ataque de negação de serviço sobrecarrega um serviço com tráfego; o ransomware bloqueia informações por meio de criptografia e exige pagamento para restabelecer o acesso.
Os invasores podem combinar esses métodos. A associação descreveu ataques de interrupção que desviam a atenção das equipes de segurança enquanto invasores entram discretamente em outras partes de uma rede, instalam programas maliciosos e permanecem no sistema.
Vu Ngoc Son, chefe do Departamento de Tecnologia da associação, descreveu uma sequência em que criminosos primeiro roubam informações valiosas para vendê-las, trocá-las ou explorá-las de outras formas. Em seguida, criptografam os dados da vítima para exigir um resgate, depois de esgotar as oportunidades de roubar mais.
Assim, informações de clientes podem continuar expostas mesmo depois que um banco ou empresa restaura seus sistemas. Cópias de segurança ajudam uma organização a recuperar arquivos, enquanto a prevenção do roubo exige controles sobre quem pode acessar as informações e sistemas capazes de detectar acessos incomuns.
A avaliação da associação sobre 2025 colocou a invasão e o roubo de dados entre os incidentes que causaram os maiores prejuízos. Sua previsão para 2026 apontou a segurança de dados e os ataques automatizados com IA como preocupações centrais, um alerta reiterado na discussão sobre riscos bancários do fórum.
A IA acelera tanto os bancos quanto o crime
Son afirmou que criminosos estavam usando IA para reduzir o tempo necessário para procurar vulnerabilidades e preparar ataques. Trabalhos em grandes sistemas financeiros de informação que antes podiam levar meses agora podem ser concluídos muito mais rapidamente, disse ele, sem especificar um novo prazo.
O dr. Dao Minh Tu, vice-presidente e secretário-geral da Associação de Bancos do Vietnã e ex-vice-governador permanente do Banco Estatal, descreveu um setor bancário que está deixando para trás os aplicativos operados pelos próprios clientes. Os bancos estão desenvolvendo serviços que se comunicam com os clientes e os ajudam automaticamente.
Tu afirmou que cerca de 80% das empresas vietnamitas adotaram IA, enquanto mais de 70% das instituições de crédito a utilizam em tarefas como análise de crédito, identificação eletrônica, detecção de fraudes e verificações contra lavagem de dinheiro. A análise de crédito ajuda os credores a avaliar a capacidade de pagamento de quem toma empréstimos; a identificação eletrônica verifica a identidade do cliente à distância.
Dam The Thai, vice-diretor-geral do HDBank, afirmou que o banco está testando IA para detectar fraudes durante as transações, além de avaliação e aprovação automatizadas de crédito em dois a três minutos.
O nível de preparação ainda é desigual. Dados do Índice de Preparação para IA da Cisco citados no fórum classificaram apenas 13% das empresas vietnamitas como plenamente preparadas para a IA. Para 63%, melhorar a capacidade de expansão e adaptação da infraestrutura tecnológica estava no topo das prioridades. Introduzir uma ferramenta de IA e ter os dados, equipamentos e controles para usá-la com segurança são etapas diferentes da adoção.
Senhas fracas e falsidade ideológica convincente
Quase 1,9 milhão de contas com senhas simples ilustram uma vulnerabilidade no nível do cliente. Uma sequência previsível, como "123456", facilita o ponto de partida dos criminosos que tentam obter acesso.
Os resultados da pesquisa apresentados no fórum também mostraram que apenas 36% dos entrevistados manifestaram preocupação com deepfakes, a menor proporção entre os riscos abordados. Deepfakes são imagens, vídeos ou vozes criados ou alterados com IA para fazer alguém parecer dizer ou fazer algo que não fez.
Tu alertou que criminosos podem combinar identidades falsas com golpes cuidadosamente planejados para convencer as pessoas a transferir dinheiro por conta própria. Esse tipo de golpe pode chegar ao cliente por meio de um rosto ou uma voz aparentemente conhecidos, em vez de uma tentativa óbvia de invadir um aplicativo bancário.
Thai argumentou que o conhecimento e a confiança dos clientes são essenciais, assim como a tecnologia bancária. Ele defendeu que bancos, empresas de telecomunicações, carteiras eletrônicas, plataformas digitais e órgãos reguladores contribuam para construir uma confiança compartilhada nos serviços digitais.
Os dados apresentados no fórum não especificaram o número total de contas examinadas nem o método usado para identificar senhas fracas. Portanto, o número de quase 1,9 milhão não vem acompanhado de uma porcentagem que indique sua proporção em relação ao total de contas vietnamitas.
Furto de cartão em restaurante revelou outra vulnerabilidade
Son descreveu um caso descoberto em 2025 envolvendo um suspeito que se passava por funcionário de restaurantes sofisticados. Quando os clientes entregavam cartões bancários para pagar, o suspeito removia discretamente os chips dos cartões.
O suspeito fixava esses chips em outros cartões sem identificação e os usava para comprar vários modelos recentes de iPhone, roubando mais de 200 milhões de dongs vietnamitas, ou cerca de US$ 7.700.
Em seguida, a polícia coordenou ações com o Banco Estatal para notificar bancos comerciais e solicitar a revisão e o ajuste dos serviços que envolvem cartões físicos com chip.
O caso mostra que o desafio de segurança vai além de senhas e aplicativos bancários. O cartão do cliente também passa pelas mãos de pessoas e por procedimentos de pagamento em lojas e restaurantes. Criminosos podem explorar esse processo enquanto os bancos se concentram em proteger suas redes digitais.
Alertas já estão impedindo pagamentos suspeitos
O sistema de monitoramento do Banco Estatal está conectado a quase 100 instituições financeiras e identificou mais de 668 mil contas com indícios de irregularidades, segundo dados apresentados por Tien. Os bancos emitiram milhões de alertas e coordenaram a recuperação ou a suspensão temporária de valores que somam trilhões de dongs.
O SIMO, sistema de informação que apoia a gestão de riscos, o monitoramento e a prevenção de fraudes em pagamentos, enviou 5,8 milhões de alertas a clientes de 2025 até outubro de 2026. Em seguida, foram registradas quase 1,9 milhão de ocorrências de clientes que interromperam ou cancelaram transações suspeitas, envolvendo quase 7,2 trilhões de dongs vietnamitas.
Esses números equivalem a aproximadamente uma transação interrompida ou cancelada para cada três alertas. Os totais contabilizam ocorrências de alertas e respostas de clientes, por isso um cliente que recebeu vários avisos pode aparecer mais de uma vez.
As quase 1,9 milhão de ocorrências de transações interrompidas ou canceladas pelo SIMO dizem respeito a alertas sobre pagamentos. O número semelhante referente a senhas fracas diz respeito à segurança das contas. Juntos, eles mostram dois pontos em que a proteção é importante: o acesso a uma conta e a decisão de enviar dinheiro.
Para os clientes, um alerta cria a oportunidade de parar antes que o dinheiro saia da conta. Para bancos e polícia, o compartilhamento de informações pode ajudar a identificar para onde estão indo os valores suspeitos e facilitar uma resposta mais rápida.
Rastreamento de dinheiro roubado entre bancos
O Ministério da Segurança Pública e o Banco Estatal estão trabalhando em medidas para rastrear o dinheiro associado a fraudes entre contas bancárias. Son afirmou que os dois órgãos realizaram uma reunião de trabalho três dias antes do fórum de 6 de novembro para discutir um sistema-piloto de rastreamento e conciliação desses fluxos.
Os detalhes apresentados sobre o programa bancário indicam que o piloto de rastreamento e bloqueio urgente começou em grandes bancos comerciais em junho de 2026, com expansão para todo o sistema prevista para o primeiro trimestre de 2027. O relato de Son se concentrou nas discussões posteriores, realizadas no início de novembro.
A rapidez é importante porque criminosos podem movimentar fundos roubados por várias contas e intermediários em questão de minutos. Uma resposta restrita ao primeiro banco que recebe o dinheiro pode rapidamente perder o rastro dos valores quando eles são transferidos para outros lugares.
As principais datas e períodos são:
- Dezembro de 2025: A Associação Nacional de Cibersegurança entrevistou mais de 5.300 organizações para sua avaliação anual.
- Janeiro a junho de 2026: As autoridades registraram quase mil casos de fraude on-line envolvendo roubo de bens.
- Junho de 2026: Data indicada para o início do piloto do programa bancário de rastreamento urgente e bloqueio de transferências entre bancos.
- 3 de novembro de 2026: A polícia e o Banco Estatal discutiram o sistema proposto de rastreamento e conciliação, segundo o relato de Son sobre uma reunião realizada três dias antes do fórum.
- Primeiro trimestre de 2027: Expansão planejada da solução de rastreamento para todo o sistema bancário.
Tu defendeu uma plataforma unificada de dados financeiros para que as instituições possam compartilhar informações seguindo regras de segurança e privacidade. Thai também propôs o compartilhamento de alertas de fraude em tempo real entre bancos, provedores de telecomunicações, carteiras eletrônicas e corretoras licenciadas de ativos digitais.
Investimentos em segurança ainda deixam lacunas básicas
Os bancos comerciais destinam cerca de 17,2% dos investimentos em transformação digital à segurança da informação e à cibersegurança, afirmou Tien. Ele também defendeu avaliações de risco, testes de segurança, simulações de incidentes e fiscalização dos fornecedores de tecnologia.
A pesquisa mais ampla da associação, que abrange órgãos e empresas, mostrou avanços na preparação. Cerca de 75,93% ofereceram treinamento de conscientização sobre cibersegurança, 51,45% realizaram exercícios de segurança, 51,65% implantaram ou operavam centros de operações de segurança e 76,35% tinham sistemas de cópia de segurança. Um centro de operações de segurança reúne o monitoramento e a resposta a incidentes.
Persistiam vulnerabilidades básicas nas organizações pesquisadas. Cerca de 47,72% não tinham profissionais de cibersegurança, 27,80% não possuíam normas internas de cibersegurança e 51,87% não contavam com softwares de proteção contra programas maliciosos gerenciados centralmente.
Outros 8,71% não usavam nenhum antivírus, enquanto 9,38% não tinham controles, como firewalls, para regular o acesso à internet. Esses números descrevem a pesquisa mais ampla sobre organizações, que abrange órgãos e empresas, e não apenas bancos comerciais.
A lacuna prática está entre preparar as pessoas e manter a proteção em toda a organização. O treinamento pode ajudar os funcionários a reconhecer perigos, mas uma defesa eficaz também exige profissionais para monitorar sistemas, implantação consistente de softwares e procedimentos ensaiados para responder quando um ataque é bem-sucedido.
Regras para dados e preparativos para a computação quântica
Tu propôs uma proteção mais rigorosa das informações bancárias, dos dados pessoais e dos dados biométricos, de acordo com a Lei de Dados e a Lei de Proteção de Dados Pessoais do Vietnã. Dados biométricos incluem características físicas, como rosto ou impressão digital, usadas para confirmar a identidade.
Ele defendeu que dados importantes sejam armazenados e processados em centros de dados seguros no Vietnã. Suas propostas também incluíram a definição clara de responsabilidades pelo controle de sistemas de IA e a aprovação humana de transações de grande valor ou altamente sensíveis.
Tu alertou que dados sem padronização adequada e o controle insuficiente de modelos de IA podem afetar tanto as decisões automatizadas quanto a privacidade dos clientes. Um sistema bancário que toma decisões rapidamente ainda precisa de informações confiáveis e de um processo claro para revisar ações sensíveis.
A computação quântica é uma preocupação de longo prazo. Tu alertou que seu poder computacional poderia ameaçar alguns métodos convencionais de criptografia que protegem pagamentos, assinaturas digitais e dados bancários. As assinaturas digitais ajudam a comprovar quem autorizou uma instrução eletrônica e se ela foi alterada.
Tu instou os bancos a avaliar sua dependência dos métodos de criptografia atuais e planejar a transição para a criptografia pós-quântica, com métodos projetados para resistir a ataques realizados com computadores quânticos. Sua mensagem mais ampla relacionou esses preparativos técnicos à confiança pública: como cerca de 89% dos adultos vietnamitas têm contas de pagamento, proteger os serviços bancários digitais tornou-se parte da proteção de um serviço financeiro cotidiano.
Principais pontos
- Quase 1,9 milhão de contas vietnamitas ainda usam senhas simples, segundo dados apresentados no fórum de segurança financeira de 6 de novembro de 2026.
- O Vietnã enfrentou uma estimativa de 552 mil ataques cibernéticos em 2025. Os ataques caíram 19,38%, enquanto a proporção de organizações pesquisadas que relataram prejuízos subiu para 52,30%.
- As autoridades registraram quase mil casos de fraude on-line no primeiro semestre de 2026, com prejuízos na casa dos trilhões de dongs.
- O SIMO enviou 5,8 milhões de alertas até outubro de 2026, seguidos por quase 1,9 milhão de ocorrências de clientes que interromperam ou cancelaram transações suspeitas, no valor de quase 7,2 trilhões de dongs vietnamitas.
- Um projeto-piloto de rastreamento e bloqueio urgente de recursos suspeitos de fraude deve ser ampliado para todo o sistema bancário no primeiro trimestre de 2027.
- As propostas apresentadas no fórum incluíram maior proteção de dados, compartilhamento de alertas de fraude, controle humano sobre decisões sensíveis de IA e preparação para os riscos da computação quântica.






