Tailândia busca uma fatia maior da expansão do Google
O Google está considerando ampliar seus investimentos na Tailândia, afirmou o primeiro-ministro Anutin Charnvirakul em 7 de novembro de 2026, após conversar com Ruth Porat, presidente e diretora de investimentos da Alphabet e do Google. Anutin disse que representantes da empresa manifestaram disposição para investir na Tailândia em um patamar não inferior ao da Malásia, onde o Google anunciou US$ 15 bilhões em gastos para 2027 e 2028.
Conteúdo
- Tailândia busca uma fatia maior da expansão do Google
- O que o investimento documentado na Tailândia abrange
- Como as conversas chegaram a este ponto
- Por que a Malásia é usada como comparação
- Água e eletricidade influenciam as negociações
- Autorizações mais rápidas, com IA no processo
- O que significam as projeções de emprego
- Capacitação em IA faz parte do plano tailandês
- Anutin relaciona investimentos a reformas mais amplas
- Principais pontos
As conversas na Tailândia vão além da construção de instalações. Na reunião de 5 de novembro, na sede do governo, em Bangkok, Anutin e Porat discutiram regras para o uso de água e eletricidade em centros de dados, uma proposta para utilizar inteligência artificial em todas as etapas dos pedidos de autorização e capacitação para ajudar os tailandeses a usar IA no trabalho e no dia a dia.
Anutin, que também ocupa o cargo de ministro do Interior, estimou em aproximadamente US$ 6 bilhões, ou mais de 200 bilhões de baht, os investimentos já realizados pelo Google na Tailândia. O Conselho de Investimentos da Tailândia (BOI), porém, registrou um compromisso de US$ 1 bilhão em infraestrutura em setembro de 2024, e o porta-voz do governo Ekkapob Pianpises mencionou esse mesmo compromisso de US$ 1 bilhão após conversas em setembro de 2026.
O escopo do valor de US$ 6 bilhões citado por Anutin, sua relação com o projeto documentado de US$ 1 bilhão e o montante e o cronograma de qualquer investimento adicional na Tailândia não foram especificados. Esses detalhes são importantes para empresas que se preparam para fornecer produtos e serviços aos projetos, trabalhadores que consideram fazer cursos de capacitação e comunidades que esperam a instalação de novas estruturas.
Anutin apresentou as conversas como prova de que a Tailândia pode atrair investimentos maiores em tecnologia ao combinar infraestrutura, desenvolvimento da força de trabalho e procedimentos governamentais mais simples. Agora, as negociações práticas se concentram em como essas ambições se traduziriam em projetos, necessidades de recursos e empregos.
O que o investimento documentado na Tailândia abrange
O comunicado do BOI de setembro de 2024 descreve o investimento de US$ 1 bilhão do Google em um centro de dados e uma região de nuvem. A agência esperava que o investimento ajudasse a criar mais de 14 mil empregos em empresas digitais entre 2025 e 2029 e contribuísse para gerar US$ 4 bilhões em valor econômico até 2029.
Os projetos incluem um centro de dados em Chonburi, no Corredor Econômico Oriental da Tailândia, e uma região do Google Cloud em Bangkok. Um centro de dados abriga os computadores, o armazenamento e os equipamentos de rede que operam serviços digitais. Uma região de nuvem oferece serviços de computação a partir de uma infraestrutura instalada em determinada área geográfica, permitindo que organizações executem aplicativos sem precisar possuir todos os equipamentos.
O investimento de US$ 1 bilhão e a projeção de US$ 4 bilhões em valor econômico descrevem coisas diferentes. O primeiro é o gasto com o projeto. O segundo é uma estimativa da atividade econômica que ele poderia ajudar a gerar por meio de empresas, fornecedores e outros efeitos.
O BOI também registra que seu secretário-geral, Narit Therdsteerasukdi, viajou aos Estados Unidos em 2023 para discutir grandes oportunidades de investimento com executivos de tecnologia. Portanto, o programa de infraestrutura do Google na Tailândia é resultado de vários anos de iniciativas para atrair investimentos, além das reuniões mais recentes entre Anutin e Porat.
Como as conversas chegaram a este ponto
Os comentários mais recentes de Anutin vieram após duas reuniões com Porat em cerca de seis semanas. O porta-voz do governo Ekkapob afirmou que as conversas de novembro deram continuidade às tratativas iniciadas durante a visita do primeiro-ministro a Nova York para a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
As principais etapas conectam o projeto já existente na Tailândia à expansão regional mais ampla do Google:
- 30 de setembro de 2024: O BOI publicou detalhes do investimento de US$ 1 bilhão do Google em infraestrutura tailandesa de centros de dados e nuvem.
- 23 de setembro de 2026: Anutin se reuniu com Porat no escritório do Google no Pier 57, em Nova York, para discutir centros de dados sustentáveis, recursos e competências digitais.
- 4 de novembro de 2026: O Google anunciou US$ 15 bilhões em investimentos na Malásia para 2027 e 2028.
- 5 de novembro de 2026: Porat se reuniu com Anutin na sede do governo para discutir investimentos na Tailândia, procedimentos de autorização e capacitação em IA.
- 7 de novembro de 2026: Anutin falou das intenções de expansão do Google no programa Talk with PM Anutin.
Também participaram da reunião de 5 de novembro o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças Ekniti Nitithanpraphat, o ministro da Economia Digital e Sociedade Chaichanok Chidchob e o secretário-geral do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Danucha Pichayanan. A presença deles levou à conversa representantes das áreas de finanças, tecnologia e desenvolvimento nacional.
Por que a Malásia é usada como comparação
O anúncio de investimentos do Google na Malásia, datado de 4 de novembro, prevê gastos de US$ 15 bilhões em 2027 e 2028. O pacote inclui complexos de centros de dados em Selangor e Negeri Sembilan, mais de um gigawatt de capacidade adicional de energia limpa, projetos de água e capacitação para aproximadamente 800 mil malaios até 2031.
O pacote malaio é 15 vezes maior que o compromisso de US$ 1 bilhão na Tailândia documentado pelo BOI. A comparação mostra a escala do investimento que Anutin busca, embora os planos divulgados pelos dois países cubram períodos e conjuntos de atividades diferentes.
O primeiro complexo do Google na Malásia, no Elmina Business Park, em Selangor, já está em operação. Novos complexos e uma futura região do Google Cloud ampliariam a capacidade de computação para clientes empresariais, aplicativos de IA desenvolvidos localmente e serviços como Search, Maps e Chrome. Os planos de expansão na Malásia também conectam a construção a projetos de eletricidade, água e formação profissional.
Porat, presidente e diretora de investimentos da Alphabet e do Google, descreveu a abordagem da empresa no anúncio sobre a Malásia:
O Google está comprometido em ampliar sua presença de forma responsável, gerando valor duradouro para a economia e a população da Malásia.
O programa da Malásia oferece à Tailândia uma referência regional concreta: investimentos medidos por instalações, fornecedores, capacitação, geração de eletricidade e gestão da água, além do valor total anunciado.
Água e eletricidade influenciam as negociações
Na reunião de 5 de novembro, o Google apresentou sugestões de mudanças nas leis e regulamentações que regem os centros de dados, especialmente quanto ao uso de água e eletricidade. Anutin afirmou que as políticas devem levar em conta todas as partes, ao mesmo tempo que apoiam os investimentos e a gestão responsável dos recursos.
Os centros de dados precisam de fornecimento constante de eletricidade, pois seus computadores funcionam sem parar. Esses equipamentos geram calor, por isso o resfriamento também é indispensável. Dependendo do sistema e das condições locais, o resfriamento pode exigir grandes volumes de água.
O Google afirma que o resfriamento a água pode reduzir em aproximadamente 10% o consumo de energia de um centro de dados em comparação com o resfriamento a ar. O anúncio sobre a Malásia descreve avaliações das bacias hidrográficas locais antes da escolha dos sistemas de resfriamento, seguidas de projetos para melhorar a qualidade da água, repor os estoques e ampliar a capacidade de armazenamento.
Na Malásia, esses compromissos incluem ações nas bacias dos rios Sungai Buloh e Sungai Selangor, além da instalação de tanques de armazenamento e sistemas de captação de água da chuva em quatro escolas. O Google também afirma que pagará por toda a eletricidade consumida por seus complexos e pelos custos diretos de infraestrutura para conectá-los à rede elétrica.
Nas conversas de setembro, Anutin já havia apontado a eficiência energética, a gestão sistemática da água, a proteção ambiental e o bem-estar das comunidades próximas como prioridades para a Tailândia. A reunião de novembro levou essas preocupações para a discussão das regras de operação. Para os moradores que vivem perto de futuras instalações, as questões concretas incluem a confiabilidade do abastecimento de água compartilhado e como a nova demanda de eletricidade será atendida.
Autorizações mais rápidas, com IA no processo
Anutin propôs um serviço pelo qual operadores de centros de dados poderiam solicitar licenças empresariais em um único lugar, com uso de IA em todas as etapas do processo. O Google demonstrou interesse, afirmou já ter projetos semelhantes de IA e indicou disposição para ser uma das primeiras empresas a servir de modelo para outros investidores.
A proposta se soma aos esforços mais amplos do governo para coordenar procedimentos de investimento por meio do BOI. Anutin descreveu uma abordagem na qual empresas interessadas em construir ou ampliar operações poderiam usar a agência como ponto central de contato, em vez de tratar separadamente com vários órgãos governamentais.
Na discussão de políticas de 7 de novembro, o programa foi chamado de Thailand FastPass, enquanto as declarações de Anutin sobre investimentos também mencionaram uma abordagem chamada Thailand Fast Track. O objetivo comum é reduzir obstáculos burocráticos e oferecer aos investidores um caminho mais claro pelos procedimentos governamentais.
Anutin afirmou que o processo deve ser transparente e livre de tratamento discriminatório ou exigências de pagamentos indevidos. Para uma empresa que planeja uma infraestrutura cara, o valor do sistema proposto seria tornar o processo de solicitação mais previsível. Os pedidos ainda precisariam atender aos requisitos de eletricidade, água e meio ambiente discutidos com o Google.
O que significam as projeções de emprego
Anutin afirmou que cada grande investidor estrangeiro poderia criar entre 20 mil e 30 mil empregos para trabalhadores tailandeses. A projeção do BOI para o investimento documentado de US$ 1 bilhão do Google na Tailândia é de mais de 14 mil empregos sustentados em empresas digitais entre 2025 e 2029. A estimativa do primeiro-ministro se refere a investidores estrangeiros de modo geral, enquanto o número do BOI está associado a um investimento e período específicos.
As projeções do Google para a Malásia oferecem um detalhamento maior de como os investimentos em centros de dados podem sustentar empregos. A empresa prevê que as obras em 2027 e 2028 sustentem mais de 37 mil empregos locais por ano, incluindo aproximadamente 6 mil postos na construção. Depois que as instalações entrarem em operação, a previsão é de que sustentem mais de 9 mil empregos locais por ano.
Os postos na construção representam aproximadamente 16% dos 37 mil empregos previstos, ou cerca de um em cada seis. O total mais amplo inclui atividades ligadas a fornecedores e empresas de apoio, além das próprias obras.
O Google identifica mais de 80 fornecedores malaios nos setores de engenharia civil, redes, equipamentos de energia e resfriamento, logística, serviços jurídicos, alimentação e gestão de resíduos. A projeção de empregos durante a operação inclui técnicos, engenheiros, gerentes de segurança, prestadores de serviço e trabalhadores de empresas que atendem funcionários e suas famílias.
Essas categorias explicam por que a discussão sobre empregos vai além da contratação de pessoas para trabalhar dentro de um centro de dados. Na Tailândia, as oportunidades também dependerão de quais produtos e serviços serão adquiridos localmente e de os trabalhadores conseguirem obter as competências exigidas pelos operadores e fornecedores.
Capacitação em IA faz parte do plano tailandês
O governo quer trabalhar com o Google por meio do programa AI for All Thais para desenvolver competências práticas nas comunidades locais. A cooperação proposta abrange agricultura, assistência social, saúde e educação, com foco em agricultores, funcionários, estudantes de escolas e universidades e profissionais das áreas médica e educacional.
Anutin relacionou a promoção de investimentos à proteção dos trabalhadores contra mudanças bruscas. Durante seu programa de 7 de novembro, o primeiro-ministro descreveu sua abordagem à regulamentação da IA:
Precisamos controlar a IA, não deixar que a IA nos controle.
A capacitação se concentra em ajudar as pessoas a usar IA no trabalho e no dia a dia, além de desenvolver a força de trabalho necessária para a infraestrutura digital. Na reunião de setembro, em Nova York, Porat também apresentou planos para um instituto chamado Data Centre, destinado a desenvolver conhecimentos digitais e oportunidades para tailandeses e startups.
O programa da Malásia mostra como o Google está combinando infraestrutura com iniciativas de capacitação mais específicas. Os planos incluem ensino de IA em sala de aula, apoio prático a pequenas empresas, treinamento para funcionários do governo local e institutos de centros de dados em politécnicos selecionados. A partir de 2027, os institutos ofereceriam um currículo de 10 semanas, com atividades práticas em um simulador físico de centro de dados.
As ambições de capacitação da Tailândia abrangem tanto funções técnicas especializadas quanto o uso da IA por um público muito mais amplo. Essa combinação é importante porque os investimentos digitais afetarão futuros engenheiros e técnicos, mas também professores, agricultores e funcionários cujos empregos atuais mudarão à medida que novas ferramentas forem disponibilizadas.
Anutin relaciona investimentos a reformas mais amplas
Anutin mencionou a localização da Tailândia, sua infraestrutura, redes de distribuição, sistema tributário, estabilidade política e potencial da força de trabalho como motivos para o interesse do Google. Ele disse que a educação tailandesa pode servir de base para o desenvolvimento de novas competências e apresentou o país como uma plataforma para o crescimento regional.
O primeiro-ministro também relacionou a promoção de investimentos aos esforços da Tailândia para ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ele afirmou que o governo quer concluir a adesão antes do prazo aproximado original de cinco anos e citou boa governança, prestação de contas, equidade e concorrência justa como requisitos.
Segundo Anutin, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, demonstrou confiança nas perspectivas da Tailândia durante conversas realizadas em torno de reuniões recentes do Fundo Monetário Internacional, desde que o país cumpra os requisitos e mantenha uma cooperação estreita. Isso insere as reformas administrativas do BOI em um argumento mais amplo do governo: regras previsíveis podem ajudar a atrair capital internacional.
Para a Tailândia, os próximos passos práticos são transformar as conversas sobre investimentos em projetos definidos, estabelecer acordos sobre recursos e autorizações e conectar a capacitação às oportunidades de trabalho que surgirem. O programa de investimentos da Malásia se estende por 2027 e 2028, suas novas iniciativas de treinamento vão até 2031 e as projeções econômicas atuais do BOI para a Tailândia chegam a 2029. Essas datas dão uma ideia do trabalho contínuo que será necessário além das reuniões mais recentes.
Principais pontos
- Anutin afirmou que o Google estava disposto a investir na Tailândia em um patamar não inferior ao da Malásia, após conversas com Ruth Porat em 5 de novembro de 2026.
- O BOI registra um compromisso de US$ 1 bilhão em infraestrutura na Tailândia; Anutin mencionou aproximadamente US$ 6 bilhões em investimentos existentes.
- As conversas na Tailândia abrangem centros de dados, regras para água e eletricidade, autorizações com apoio de IA e capacitação profissional.
- O pacote do Google para a Malásia prevê US$ 15 bilhões em 2027 e 2028, além de programas de energia limpa, água e capacitação.
- O BOI espera que o investimento documentado na Tailândia sustente mais de 14 mil empregos entre 2025 e 2029.
- O programa AI for All Thais desenvolveria competências práticas em comunidades, agricultura, saúde, educação e atividades cotidianas.






