China dá nome à missão de um voo histórico do Paquistão
Um astronauta paquistanês viajará à estação espacial chinesa Tiangong a bordo da Shenzhou-24 e retornará à Terra na Shenzhou-23, anunciou a Agência Espacial Chinesa de Voos Tripulados em 7 de novembro de 2026. A visita será a primeira de um astronauta estrangeiro à estação e o primeiro voo conjunto com astronautas chineses e estrangeiros no programa espacial tripulado da China.
Conteúdo
- China dá nome à missão de um voo histórico do Paquistão
- Dois candidatos, uma vaga no voo
- Por que o astronauta usará duas naves
- O que o Paquistão pretende estudar em órbita
- Como o acordo se transformou em missão
- O primeiro visitante estrangeiro da Tiangong
- Cooperação espacial amplia parceria já consolidada
- Emblema da missão marca a próxima etapa
- Principais pontos
O tripulante paquistanês atuará como especialista de carga útil, função voltada a experimentos científicos e equipamentos levados ao espaço. A agência descreveu a visita como uma curta permanência em órbita. O planejamento paquistanês anterior previa cerca de uma semana a bordo da estação, embora o anúncio de novembro não tenha especificado a duração.
Dois candidatos paquistaneses foram selecionados para o programa. Depois de concluir o treinamento e passar pelas avaliações na China, um deles receberá a designação para o voo e o outro será o reserva. A agência espacial do Paquistão identificou os treinandos como os pilotos Muhammad Zeeshan Ali e Khurram Daud.
A China não anunciou a data de lançamento nem informou qual candidato viajará. Os planos anteriores apontavam para outubro ou novembro de 2026; o anúncio de 7 de novembro confirmou as naves designadas para o voo, mas não informou o dia da partida.
Para o Paquistão, a missão cria a oportunidade de enviar uma pessoa, junto com pesquisas desenvolvidas no país, a um laboratório orbital em operação. Para a China, amplia o uso de uma estação que já recebeu tripulações chinesas, transformando-a em uma plataforma para uma missão espacial tripulada conjunta. O acordo dá continuidade a um entendimento assinado em Islamabad em fevereiro de 2025 e leva a cooperação da seleção de astronautas à definição de um voo específico.
Dois candidatos, uma vaga no voo
A Agência Espacial Chinesa de Voos Tripulados informou que os candidatos paquistaneses passaram por três etapas de seleção: triagem preliminar, uma segunda avaliação e seleção final. O processo resultou na escolha de dois astronautas reservas, que precisam concluir o treinamento e as avaliações antes da definição de quem viajará.
Amjad Ali, vice-diretor da Comissão de Pesquisa do Espaço e da Alta Atmosfera do Paquistão, conhecida como SUPARCO, descreveu um plano anterior para indicar entre cinco e 10 pessoas, das quais a China escolheria duas. Ele disse que a dupla treinaria na China por um período de seis meses a um ano.
Uma declaração de 7 de fevereiro de 2026, divulgada pela agência paquistanesa de relações públicas das Forças Armadas em nome da SUPARCO, informou que os dois candidatos haviam passado por avaliações médicas, psicológicas e de aptidão no Centro de Astronautas da China. O comunicado previa seis meses de treinamento avançado antes da escolha de um dos candidatos para a missão.
Os exames médicos avaliam se um candidato consegue suportar as exigências do lançamento, da vida em órbita e do retorno à Terra. As avaliações psicológicas e de aptidão analisam como a pessoa lida com a pressão, aprende procedimentos complexos e trabalha com outras pessoas em um ambiente confinado.
A chegada dos candidatos para o treinamento foi noticiada em abril, quando ambos se preparavam para aprender sobre os sistemas da estação e das naves. Um representante da agência espacial paquistanesa confirmou em setembro que Zeeshan Ali e Khurram Daud haviam passado meses treinando em Pequim. Manter um reserva preparado permite que a missão prossiga caso a pessoa inicialmente escolhida fique impedida de viajar por motivos médicos.
Por que o astronauta usará duas naves
A Shenzhou-24 levará o astronauta paquistanês à Tiangong, enquanto a Shenzhou-23 trará o visitante de volta à Terra. Esses números identificam missões de naves diferentes, portanto a viagem do astronauta incluirá uma troca de veículo na estação.
As visitas a estações espaciais podem coincidir com a troca de tripulações. Uma nave que chega acopla-se à estação, conectando-se a ela com segurança para permitir a passagem de pessoas e equipamentos. Durante esse período de sobreposição, os astronautas podem passar do veículo que os levou à órbita para outra nave preparada para a partida.
A visita paquistanesa foi planejada em torno dessa sobreposição, e não como uma expedição completa à estação. O planejamento anterior da missão relacionava essa configuração à permanência de cerca de um ano de um astronauta chinês em órbita. O anúncio de novembro confirmou as naves de ida e volta do astronauta paquistanês, mas não detalhou a rotação mais ampla da tripulação.
Para o especialista de carga útil, uma visita curta significa que o cronograma de pesquisa precisa caber no período limitado entre a chegada e a partida. Por isso, o treinamento deve abranger tanto os experimentos quanto as rotinas práticas para trabalhar com segurança a bordo da estação.
O que o Paquistão pretende estudar em órbita
Os planos da SUPARCO preveem que o astronauta cumpra as tarefas diárias da missão e realize experimentos desenvolvidos no Paquistão. Preparativos anteriores descreviam pesquisas planejadas para uma curta permanência, com experimentos levados à estação e trazidos de volta junto com o visitante.
Amer Gilani, responsável pela cooperação em voos espaciais tripulados na SUPARCO, disse em uma etapa anterior do planejamento que os experimentos ainda estavam sendo selecionados. Ele descreveu o trabalho previsto como de:
grande impacto científico, industrial e social.
Entre as áreas de pesquisa discutidas durante o programa de treinamento estavam ciência dos materiais, física dos fluidos, ciências da vida e biotecnologia. Esses campos estudam como as substâncias se comportam, como líquidos e gases se movimentam, como funcionam os sistemas vivos e como processos biológicos podem ser usados para fins práticos.
A Tiangong oferece microgravidade, condição em que os objetos parecem quase sem peso porque a estação e tudo o que está dentro dela caem juntos ao redor da Terra. Líquidos, materiais e sistemas vivos podem se comportar de maneira diferente nesse ambiente, permitindo que pesquisadores estudem processos mais difíceis de isolar na superfície terrestre.
Os planos paquistaneses de pesquisa orbital relacionam essas áreas a possíveis aplicações em resiliência climática e segurança alimentar. O anúncio da missão de novembro não divulgou uma lista final de experimentos. A tarefa imediata é preparar pesquisas que o astronauta escolhido possa realizar durante a curta visita e trazer de volta para estudos posteriores.
Como o acordo se transformou em missão
A China e o Paquistão iniciaram formalmente o processo de seleção em fevereiro de 2025, quando assinaram em Islamabad um acordo sobre seleção e treinamento de astronautas e participação em missões à estação espacial chinesa. O acordo criou uma estrutura para que os dois países preparassem um tripulante paquistanês.
Anúncios posteriores acompanharam as avaliações dos candidatos, o treinamento avançado e a definição de uma nave. As principais etapas são:
- Fevereiro de 2025: China e Paquistão assinam em Islamabad o acordo de cooperação em voos espaciais tripulados e iniciam formalmente a seleção.
- 7 de fevereiro de 2026: Paquistão anuncia que dois candidatos passaram pelas avaliações na China e farão seis meses de treinamento avançado.
- Abril de 2026: Zeeshan Ali e Khurram Daud são identificados como treinandos que se preparam para um possível voo ainda naquele ano.
- Setembro de 2026: Um representante da agência espacial paquistanesa confirma que os dois pilotos passaram meses treinando em Pequim.
- 7 de novembro de 2026: China confirma que um especialista paquistanês de carga útil será lançado a bordo da Shenzhou-24 e retornará na Shenzhou-23.
O anúncio de novembro detalha o plano de transporte mais do que os comunicados anteriores sobre o treinamento. Os dois candidatos seguem participando dos preparativos, mas apenas um deverá ocupar a vaga disponível no voo.
O primeiro visitante estrangeiro da Tiangong
A Tiangong começou a operar em 2021 e foi totalmente montada em 2022. É uma das duas estações espaciais em operação mencionadas na cobertura da missão, ao lado da Estação Espacial Internacional, cuja construção começou com o lançamento do primeiro módulo, em 1998.
Até agora, a estação chinesa recebeu astronautas da China. A presença de um especialista paquistanês de carga útil acrescenta uma nova forma de cooperação: um cidadão estrangeiro trabalhando ao lado de uma tripulação chinesa dentro do laboratório orbital do país.
Quentin Parker, astrofísico e professor da Universidade de Hong Kong, descreveu a visita planejada como:
um passo significativo na internacionalização da estação espacial chinesa,
Parker também explicou por que considera valioso compartilhar o acesso à estação:
Quando a internacionalização é feita de forma adequada, constrói-se algo maior do que a soma das partes, e isso também vale para a internacionalização da estação espacial,
O Paquistão terá acesso a treinamento de astronautas, transporte e um laboratório que seria difícil oferecer apenas com um programa nacional. A China ganhará experiência na preparação e no transporte de um participante estrangeiro, incluindo a coordenação de pesquisas, treinamento e tarefas entre duas organizações espaciais nacionais.
Cooperação espacial amplia parceria já consolidada
A visita planejada do astronauta paquistanês dá continuidade à cooperação em satélites e exploração lunar. Em 2024, o Paquistão enviou um satélite à Lua a bordo de uma missão lunar chinesa que também transportou cargas úteis relacionadas à Agência Espacial Europeia, à França e à Itália.
A relação também se estende à tecnologia comercial. Durante uma reunião anterior com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif, uma delegação da empresa chinesa Galaxy Space manifestou interesse em investir na indústria de tecnologia espacial do Paquistão e trabalhar com instituições paquistanesas e empresas privadas de telecomunicações, segundo o gabinete do primeiro-ministro.
Sharif descreveu as prioridades do Paquistão naquela reunião como:
buscar ampliar a cooperação com a China nas áreas de tecnologia espacial, satélites espaciais e internet via satélite.
O projeto do astronauta faz parte de uma parceria mais ampla, que inclui o Corredor Econômico China-Paquistão e a cooperação no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota da China. Esses laços já abrangem infraestrutura e tecnologia; a missão à Tiangong acrescenta uma pessoa realizando trabalho científico em órbita.
Amjad Ali, vice-diretor da SUPARCO, explicou a importância que o Paquistão atribuiu a ser escolhido para a primeira visita estrangeira:
É muito importante para o Paquistão ser o primeiro país estrangeiro cujos astronautas são recebidos pela China e levados em uma missão chinesa,
Emblema da missão marca a próxima etapa
A China também divulgou o emblema da missão Shenzhou-24 em 7 de novembro. Nele aparecem o ano de 2026 e a identificação SZ-24, que associam o anúncio do astronauta à identidade pública da missão.
O emblema mostra uma nave Shenzhou acoplando-se à estação, com a Terra ao fundo. Semicírculos azuis e vermelhos emolduram a cena, enquanto um motivo inspirado em um antigo ornamento chinês de jade conecta o desenho à cultura tradicional.
Os preparativos operacionais agora se concentram em concluir as avaliações, escolher o astronauta que viajará e preparar as pesquisas para uma curta permanência. A viagem anunciada tem um roteiro definido: lançamento na Shenzhou-24, trabalho a bordo da Tiangong e retorno na Shenzhou-23.
Principais pontos
- Um especialista paquistanês de carga útil será o primeiro visitante estrangeiro da Tiangong e participará do primeiro voo tripulado conjunto da China com um astronauta estrangeiro.
- O astronauta será lançado a bordo da Shenzhou-24 e retornará na Shenzhou-23, após uma curta permanência.
- Os pilotos Muhammad Zeeshan Ali e Khurram Daud treinaram na China; um viajará e o outro será o reserva.
- O programa começou com um acordo assinado em Islamabad em fevereiro de 2025.
- O Paquistão planeja realizar experimentos científicos durante a visita. A China ainda não anunciou a data do lançamento nem quem será o astronauta escolhido.






