O Oruç Reis segue para as águas offshore do Paquistão
Um navio turco de pesquisa sísmica deve chegar a Karachi entre 17 e 20 de novembro de 2026, enquanto o Paquistão avança em uma campanha de exploração offshore respaldada por cerca de US$ 80 milhões em compromissos iniciais nos blocos recém-concedidos. O navio coletará informações geológicas para ajudar as empresas a escolher onde procurar petróleo e gás sob o mar da Arábia.
Conteúdo
- O Oruç Reis segue para as águas offshore do Paquistão
- O que o navio fará antes das perfurações
- Quem detém o principal bloco de exploração?
- Quanto dinheiro está comprometido?
- O que mudou após o longo intervalo entre as rodadas?
- Por que o poço de 2019 é importante
- Preparativos em Karachi envolvem vários ministérios
- A expansão internacional da Turquia no setor de energia
- O que a busca pode mudar para o Paquistão
- Principais pontos
A Divisão de Petróleo do Paquistão anunciou a previsão de chegada após uma reunião em Islamabad presidida pelo ministro do Petróleo, Ali Pervaiz Malik, sobre os preparativos. O ministro turco de Energia e Recursos Naturais, Alparslan Bayraktar, identificou como Oruç Reis o navio que segue para o Paquistão.
A campanha ocorre após a concessão de 23 blocos de exploração offshore, que cobrem aproximadamente 53.500 quilômetros quadrados. O Paquistão havia oferecido 40 blocos em sua Rodada de Licitações Offshore de 2025, reabrindo um processo de investimentos que estava parado havia cerca de 18 anos.
O Paquistão importa cerca de metade do petróleo que consome, o que torna a busca por fontes nacionais uma prioridade para o governo, que pretende reduzir os gastos com combustíveis importados. Qualquer produção dependeria de avaliações geológicas adicionais, perfuração e desenvolvimento, um processo que pode levar anos.
Desde a independência, em 1947, o país perfurou apenas 18 poços exploratórios offshore, segundo dados do Ministério do Petróleo divulgados em maio. Sua zona marítima offshore cobre cerca de 300 mil quilômetros quadrados, uma grande área com histórico relativamente limitado de perfurações.
Malik, ministro do Petróleo do Paquistão, descreveu a chegada prevista como um marco nas relações com a Turquia e manifestou a intenção de receber o navio:
Este é um momento especial para a amizade entre Paquistão e Turquia. Vou tentar receber pessoalmente o navio quando ele chegar a Karachi.
O que o navio fará antes das perfurações
O Oruç Reis realizará pesquisas sísmicas, que usam ondas sonoras e seus ecos de retorno para criar imagens das formações rochosas sob o leito marinho. As diferentes camadas refletem o som de maneiras distintas, permitindo que especialistas mapeiem estruturas que podem conter petróleo ou gás natural.
As empresas de exploração usam essas imagens para selecionar alvos promissores e avaliar se o custo da perfuração se justifica. A perfuração offshore exige equipamentos caros e planejamento cuidadoso, por isso informações geológicas mais precisas podem ajudar as empresas a decidir onde investir.
A pesquisa é uma etapa inicial de um processo mais longo. Poços exploratórios precisam testar se há hidrocarbonetos em um alvo, quanto pode ser recuperado e se o recurso pode ser produzido a um custo comercialmente viável.
A Divisão de Petróleo informou o período previsto para a chegada do navio, mas não anunciou uma data para a conclusão da pesquisa, um cronograma de perfuração ou uma previsão para o início de uma eventual produção. A tarefa imediata é preparar as medidas marítimas, de segurança e operacionais necessárias para o início da pesquisa.
Quem detém o principal bloco de exploração?
A Turkish Petroleum Offshore Company, conhecida como TPOC, detém uma participação de 25% e é a operadora do bloco Eastern Offshore Indus-C, no mar da Arábia. A TPOC é subsidiária da Turkish Petroleum Corporation, também conhecida como TPAO.
A Pakistan Petroleum Limited, ou PPL, detém a maior participação, de 35%. A Oil and Gas Development Company Limited, ou OGDCL, e a Mari Energies têm 20% cada. Juntas, as três empresas paquistanesas são donas de 75% do bloco, enquanto a parceira turca é responsável por liderar as operações.
Ser a operadora significa gerenciar o trabalho de exploração em nome da parceria. A operadora pode ter uma participação financeira menor que a de outra parceira e, ainda assim, dirigir as atividades técnicas e coordenar o projeto.
A PPL estima que o bloco Eastern Offshore Indus-C tenha potencial para conter de 1,5 trilhão a 2 trilhões de pés cúbicos de gás, com base em pesquisas sísmicas bidimensionais e tridimensionais anteriores. A exploração adicional determinará quanto gás está presente e se é possível recuperá-lo comercialmente.
Quanto dinheiro está comprometido?
O programa mais amplo de licitações offshore atraiu compromissos iniciais de exploração de cerca de US$ 80 milhões ao longo de três anos. Os investimentos podem chegar a US$ 750 milhões a US$ 1 bilhão se os projetos avançarem para a etapa de perfuração, segundo os valores anunciados para o programa.
A faixa mais alta é cerca de nove a doze vezes superior ao compromisso inicial de US$ 80 milhões. A diferença reflete o aumento dos custos para passar da investigação geológica à perfuração de poços para testar os alvos. Os gastos finais dependerão de quais projetos avançarem.
Quatro consórcios liderados por empresas locais de energia receberam os 23 blocos, com participação estrangeira em algumas parcerias, entre elas a Turkish Petroleum. As concessões abrangeram cerca de 58% dos 40 blocos oferecidos na rodada de 2025.
Os acordos da TPOC com empresas paquistanesas também abrangem áreas em terra. A empresa tem participação de 25% em Sukhpur-II e de 10% em Ziarat North. Essas participações dão à parceria interesses em projetos de exploração offshore e em terra, com custos e exigências operacionais diferentes.
Os blocos offshore concedidos cobrem aproximadamente 18% da zona marítima offshore de 300 mil quilômetros quadrados declarada pelo Paquistão. Essa comparação mostra a dimensão das áreas licenciadas em relação a uma zona marítima muito maior, enquanto a pesquisa e as perfurações posteriores se concentrarão em alvos geológicos selecionados.
O que mudou após o longo intervalo entre as rodadas?
O Paquistão lançou a Rodada de Licitações Offshore de 2025 em janeiro daquele ano, oferecendo blocos nas bacias offshore do Indo e de Makran, perto de Sindh e do Baluchistão. Mais tarde, o governo concedeu 23 blocos e, em maio, assinou acordos de partilha de produção e licenças de exploração como parte da reabertura do setor.
Um acordo de partilha de produção estabelece as condições para que as empresas procurem petróleo e dividam com o Estado qualquer produção futura. Uma licença de exploração autoriza a busca em uma área determinada, sujeita às condições previstas.
As principais etapas da retomada da campanha são:
- Janeiro de 2025: o Paquistão lançou uma rodada de licitações com 40 blocos offshore, após um intervalo de cerca de 18 anos.
- 2025: o governo concedeu 23 blocos, que cobrem cerca de 53.500 quilômetros quadrados, a quatro consórcios.
- Maio: o Paquistão assinou acordos de partilha de produção e licenças de exploração para os blocos concedidos na rodada.
- 17 a 20 de novembro de 2026: a Divisão de Petróleo prevê a chegada do navio turco de pesquisa sísmica a Karachi.
Autoridades descreveram a iniciativa como uma retomada da exploração offshore após quase duas décadas. O Paquistão também realizou perfurações offshore em 2019, quando o poço Kekra-1 foi abandonado. O longo intervalo sem concessões de blocos em processos competitivos e a tentativa de perfuração mais recente fazem parte do histórico da campanha.
Por que o poço de 2019 é importante
O poço Kekra-1, perfurado no mar da Arábia por um consórcio que incluía ExxonMobil, Eni e empresas paquistanesas de energia, não encontrou hidrocarbonetos em quantidade comercialmente viável. O consórcio abandonou o poço em 2019.
Esse resultado é um exemplo concreto da incerteza financeira e geológica enfrentada pelas novas parcerias. As empresas podem identificar uma estrutura promissora e gastar somas consideráveis para perfurá-la, mas ainda assim encontrar uma quantidade recuperável de combustível insuficiente para viabilizar a produção.
Um estudo das bacias realizado pela empresa americana DeGolyer and MacNaughton identificou um potencial significativo de hidrocarbonetos ainda não descobertos nas bacias offshore do Paquistão. O trabalho sísmico previsto ajudará as empresas a transformar essa avaliação ampla em locais específicos que valha a pena investigar.
As águas offshore do Paquistão ficam próximas de países produtores de energia, como Omã, os Emirados Árabes Unidos e o Irã. Para as empresas que investem nos blocos paquistaneses, as decisões práticas dependerão da geologia das áreas licenciadas e dos resultados de suas próprias pesquisas e perfurações.
Preparativos em Karachi envolvem vários ministérios
A reunião de Malik analisou os preparativos operacionais, logísticos, marítimos, de segurança e de coordenação entre órgãos para a chegada do navio e o início da exploração. Os departamentos receberam instruções para trabalhar em estreita coordenação e concluir os preparativos a tempo.
Entre os participantes estavam o gerente de projetos da TPOC, o secretário e o secretário adjunto do Petróleo, o diretor-geral de concessões de petróleo e os diretores-gerais da OGDCL, da PPL e da Government Holdings Private Limited.
Também participaram representantes dos ministérios das Relações Exteriores, dos Assuntos Marítimos, da Defesa e do Interior, além do Conselho de Investimentos, do Escritório Hidrográfico Nacional do Paquistão e da Direção-Geral de Portos e Navegação. A participação desses órgãos reflete as autorizações, os procedimentos de navegação, os serviços portuários e o planejamento de segurança necessários para uma campanha offshore.
O secretário do Petróleo pediu coordenação entre os departamentos envolvidos. O gerente de projetos da TPOC agradeceu às autoridades paquistanesas pela colaboração e manifestou confiança no projeto, enquanto Malik prometeu apoio do governo aos esforços de exploração.
A expansão internacional da Turquia no setor de energia
Bayraktar situou a missão no Paquistão no contexto dos esforços da Turquia para ampliar as operações internacionais da TPAO por meio de aquisições, fusões e parcerias com grandes empresas petrolíferas. Ele falou sobre a viagem do navio durante uma reunião com representantes da imprensa internacional em Istambul.
Bayraktar, ministro turco de Energia e Recursos Naturais, mencionou as atividades no Paquistão ao lado das operações de perfuração turcas na costa da Somália:
É por isso que estamos perfurando na costa da Somália. Temos trabalhos em andamento no Paquistão. Nosso navio de pesquisa sísmica Oruç Reis está neste momento a caminho das águas paquistanesas.
Malik também associou a chegada do navio ao estreitamento das relações entre o Paquistão e a Turquia após a assinatura do Acordo Conjunto de Defesa de Meca. O projeto de exploração leva essa cooperação ao setor de energia por meio de parcerias entre empresas, trabalho técnico e compromissos de investimento.
Para o Paquistão, a participação turca combina a liderança operacional no bloco Eastern Offshore Indus-C com o acesso a um navio de pesquisa sísmica. Para a TPAO, os projetos no Paquistão representam mais um local para a expansão internacional descrita por Bayraktar.
O que a busca pode mudar para o Paquistão
A dependência paquistanesa do petróleo importado significa que eventuais descobertas nacionais poderiam, no futuro, reduzir a quantidade de moeda estrangeira necessária para comprar combustível. O sucesso na exploração de gás também poderia ampliar o fornecimento interno de energia do país.
Malik afirmou que a iniciativa contribuiria para a segurança energética e fortaleceria a cooperação energética com a Turquia. Segurança energética significa ter acesso confiável a combustível suficiente a um custo que o país possa sustentar.
Os benefícios dependem de várias decisões ainda por tomar. Os resultados das pesquisas precisam identificar alvos promissores, os parceiros precisam aprovar novos gastos e as perfurações precisam encontrar recursos que justifiquem o desenvolvimento comercial. Depois, a produção exigiria instalações para extrair e transportar o combustível.
O próximo marco previsto é a chegada do navio entre 17 e 20 de novembro de 2026. A primeira contribuição prática da campanha serão novas informações geológicas, que darão às empresas uma base mais sólida para decidir onde perfurar e se devem fazê-lo.
Principais pontos
- A Divisão de Petróleo prevê a chegada de um navio turco de pesquisa sísmica a Karachi entre 17 e 20 de novembro de 2026; o ministro turco de Energia o identificou como Oruç Reis.
- O navio coletará dados geológicos para orientar decisões sobre futuras perfurações offshore.
- A TPOC detém 25% e é a operadora do bloco Eastern Offshore Indus-C; os parceiros paquistaneses detêm os 75% restantes.
- O Paquistão concedeu 23 blocos offshore, que cobrem cerca de 53.500 quilômetros quadrados, em seu programa renovado de licitações.
- Os compromissos iniciais de exploração somam cerca de US$ 80 milhões ao longo de três anos, com possibilidade de investimentos maiores caso os projetos avancem para a perfuração.
- O Paquistão perfurou 18 poços exploratórios offshore desde 1947; a tentativa no poço Kekra-1 terminou sem uma descoberta comercial em 2019.






