Inspeção se concentra em posições de tropas e em uma ponte danificada
Observadores da ASEAN visitaram O Phlouk Damrei, na província de Pursat, no Camboja, em 5 de novembro de 2026, para verificar o cumprimento do cessar-fogo em um local que, segundo o Ministério da Defesa Nacional do Camboja, continua ocupado ilegalmente por forças tailandesas. A inspeção voltou a chamar a atenção para as posições militares e os danos à infraestrutura civil, mais de 10 meses após o acordo de cessar-fogo de 27 de dezembro de 2025.
Conteúdo
- Inspeção se concentra em posições de tropas e em uma ponte danificada
- O que os observadores examinaram em Pursat
- Ponte civil continua no centro da disputa
- Quais acordos o Camboja quer ver implementados
- Como o processo de paz chegou a este ponto
- Por que o Camboja cita registros antigos da fronteira
- O que significaria um papel mais forte para os observadores
- Comunidades fronteiriças continuam enfrentando restrições
- Diplomacia continua em uma frente marítima separada
- Principais pontos
A porta-voz do Ministério da Defesa, Maly Socheata, disse que a Equipe de Observadores da ASEAN no Camboja, conhecida como AOT-KH, verificava o cumprimento de todas as medidas da declaração conjunta de dezembro. Autoridades cambojanas também relataram que um posto de observação tailandês perto do Posto de Controle CH1 aparentemente avançou cerca de 20 metros, enquanto as obras de fortificação continuam nas proximidades.
Os observadores visitaram a Ponte Stung Me Teuk, na comuna de Thmor Da, distrito de Veal Veng. O ministério cambojano afirma que caças da Força Aérea tailandesa bombardearam a ponte em 13 de dezembro de 2025, deixando-a completamente intransitável.
A inspeção reúne três preocupações práticas: onde os soldados estão posicionados, se a atividade militar está em conformidade com os acordos e se a infraestrutura danificada continua utilizável pela população civil. O Camboja pede um papel mais forte de monitoramento, mantendo a posição de que o uso da força não pode alterar a fronteira internacional.
O que os observadores examinaram em Pursat
O Phlouk Damrei foi o foco da alegação do Camboja de que tropas tailandesas continuam ocupando seu território. O Ministério da Defesa descreveu o local nos seguintes termos:
foi atacado e está sob ocupação ilegal de forças militares tailandesas
A descrição expressa a posição do Camboja sobre soberania, ou seja, qual país tem autoridade sobre o território. A tarefa dos observadores, segundo Maly Socheata, diz respeito à implementação das medidas de cessar-fogo acordadas pelos dois governos.
Perto do Posto de Controle CH1, na comuna de Thmor Da, os observadores teriam constatado que um posto de observação tailandês aparentemente avançou cerca de 20 metros. Também registraram que as obras de fortificação continuam. Fortificações são posições defensivas, como trincheiras ou postos protegidos.
A direção e a localização de um posto militar são importantes porque até mesmo um deslocamento relativamente curto pode mudar a forma como tropas adversárias se posicionam umas em relação às outras. O relato de 5 de novembro indica uma distância aproximada, tornando essa uma questão específica de monitoramento, e não uma queixa genérica sobre as tensões.
Não foram divulgadas conclusões que definam responsabilidades, uma resposta tailandesa a essas alegações específicas ou um cronograma para uma nova inspeção. O relato público disponível sobre a visita vem da descrição da missão feita pelo Camboja e das observações reportadas.
Ponte civil continua no centro da disputa
A Ponte Stung Me Teuk liga a inspeção diretamente à circulação de civis. O Ministério da Defesa do Camboja afirma que a ponte ficou completamente intransitável após o ataque de 13 de dezembro.
O ministério identificou a ponte como infraestrutura civil e descreveu sua localização em relação à fronteira:
A Ponte Stung Me Teuk era uma infraestrutura civil e fica a várias dezenas de quilômetros da fronteira entre Camboja e Tailândia,
Também foi dito que a visita avaliaria danos causados pelos combates em novembro, enquanto o ministério indicou 13 de dezembro de 2025 como a data específica do ataque à ponte. Essa data situa o suposto bombardeio duas semanas antes da declaração de cessar-fogo de 27 de dezembro.
Uma ponte intransitável interrompe o trajeto que ela atende. Para quem depende desse caminho, a retomada da circulação normal exige reparos ou uma travessia alternativa, além do fim dos combates. Portanto, a inspeção abrange tanto a conduta militar quanto os danos materiais deixados para trás.
Quais acordos o Camboja quer ver implementados
O Ministério da Defesa do Camboja pediu que a Tailândia cumpra a declaração conjunta adotada na terceira reunião especial do Comitê Geral de Fronteira entre Camboja e Tailândia, em 27 de dezembro de 2025. O comitê, geralmente chamado de GBC, oferece um canal para os países tratarem de questões de segurança na fronteira.
O ministério também reafirmou seu compromisso com a Declaração Conjunta sobre o Acordo de Paz entre Camboja e Tailândia, de 26 de outubro de 2025, além de outros acordos pertinentes. O Camboja apresenta a inspeção de novembro como parte da implementação desses compromissos já existentes.
As duas datas marcam etapas diferentes do esforço de paz. A declaração de outubro buscou fortalecer os entendimentos após combates anteriores, enquanto a declaração de dezembro veio depois de uma nova onda de violência. Agora, o monitoramento se concentra em verificar se esses compromissos estão sendo cumpridos em campo.
O governo e o Ministério da Defesa do Camboja disseram que continuam comprometidos com a implementação plena e fiel dos acordos de cessar-fogo e de paz. O pedido correspondente à Tailândia foi que cumpra os mesmos entendimentos, inclusive as medidas abrangidas pela inspeção dos observadores.
Como o processo de paz chegou a este ponto
A visita de novembro ocorre após uma sequência de acordos, novos combates e intervenções diplomáticas ao longo de 2025 e 2026. As principais datas ajudam a entender por que os observadores ainda verificam o cumprimento dos acordos muito tempo depois da última trégua:
- 28 de julho de 2025: Camboja e Tailândia concordaram com um cessar-fogo incondicional após cinco dias de combates.
- 26 de outubro de 2025: Os países adotaram uma declaração conjunta de paz destinada a fortalecer o processo de paz.
- 13 de dezembro de 2025: O Ministério da Defesa do Camboja afirma que caças tailandeses bombardearam a Ponte Stung Me Teuk.
- 27 de dezembro de 2025: Uma reunião especial do GBC resultou na declaração conjunta agora citada como base para o monitoramento do cumprimento.
- 31 de outubro de 2026: O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, disse que os sete postos de controle e passagens da fronteira permaneceriam fechados.
- 5 de novembro de 2026: Observadores da ASEAN inspecionaram locais em Pursat, incluindo a ponte danificada e posições militares.
O apoio diplomático se ampliou após o cessar-fogo de dezembro. Durante as negociações de paz de Yunnan, a China ofereceu ajuda na remoção de minas terrestres, assistência humanitária e apoio à Equipe de Observadores da ASEAN. As conversas refletiram a necessidade de transformar um acordo para interromper os disparos em condições capazes de manter a tranquilidade.
Por que o Camboja cita registros antigos da fronteira
O Ministério da Defesa do Camboja relacionou a inspeção à posição de que a fronteira internacional estabelecida pela Comissão de Fronteiras da Indochina-Sião deve ser protegida. O ministério citou convenções e tratados franco-siameses, mapas da comissão e registros de demarcação da fronteira, além de outros documentos bilaterais.
Esses documentos tratam do traçado da fronteira. Demarcação é o processo de identificar ou marcar essa fronteira em campo. Já uma posição militar mostra onde as tropas estão localizadas em determinado momento. O Camboja diz que não reconhecerá mudanças na fronteira decorrentes do uso da força.
O ministério também invocou o uti possidetis juris, princípio jurídico relativo à preservação das fronteiras herdadas. Em termos simples, o Camboja argumenta que a fronteira herdada de acordos jurídicos anteriores deve continuar sendo a referência para definir o território.
Mapas, tratados e registros de demarcação são centrais para esse argumento porque fornecem as referências históricas e jurídicas que o Camboja quer que sejam usadas. A posição do ministério relaciona as preocupações imediatas com a movimentação de tropas à disputa mais ampla sobre a própria fronteira.
O que significaria um papel mais forte para os observadores
O Ministério da Defesa do Camboja pediu o fortalecimento do mandato da Equipe de Observadores da ASEAN. Mandato é a autoridade acordada que define o que uma missão pode fazer, como os locais que pode visitar e as questões que pode examinar.
O ministério disse que um papel mais forte favoreceria a transparência, a prestação de contas e a confiança mútua. Também se mostrou aberto a mais assistência de países amigos dispostos a contribuir com o monitoramento.
A inspeção ilustra o trabalho prático por trás desse pedido: visitar um local disputado, examinar a posição de um posto militar e inspecionar os danos a uma ponte. O registro desses detalhes pode oferecer aos governos questões concretas a serem tratadas por meio dos acordos existentes.
O Camboja busca mais apoio para esse processo e continua enquadrando o cumprimento dos acordos nos compromissos de outubro e dezembro. O pedido mantém o foco na implementação, inclusive nas atividades em locais específicos, e não apenas em uma nova declaração.
Comunidades fronteiriças continuam enfrentando restrições
O fechamento contínuo dos sete postos de controle e passagens pela Tailândia impõe uma restrição mais ampla às viagens e ao comércio. Em 31 de outubro, o primeiro-ministro Anutin, que também ocupa o cargo de ministro do Interior, vinculou a reabertura a disputas territoriais, redes de golpes e à segurança dos cidadãos tailandeses.
O fechamento contínuo da fronteira abrange pessoas e mercadorias e vigora desde junho de 2025. Anutin não informou uma data para a reabertura. As condições que apresentou mostram que a Tailândia trata o acesso à fronteira como parte de uma agenda mais ampla de segurança e diplomacia.
Os dados anteriores do Camboja sobre a recuperação também mostram a dimensão do desafio civil. No início de janeiro de 2026, o Ministério do Interior estimou em 512.263 o número de pessoas ainda deslocadas no Camboja. Naquela avaliação sobre deslocamentos de janeiro, os preparativos para reassentamento haviam sido concluídos em 172 vilarejos, enquanto outros 84 continuavam inacessíveis e precisavam de desobstrução e avaliação.
Esses números descrevem a situação em janeiro. A inspeção de novembro traz um exemplo mais recente e específico dos danos ainda em avaliação: uma ponte que, segundo o Ministério da Defesa, está completamente intransitável.
Diplomacia continua em uma frente marítima separada
Camboja e Tailândia também estão negociando sua fronteira marítima no Golfo da Tailândia. Após as conversas realizadas em Haia, de 14 a 18 de outubro, os países concordaram com medidas destinadas a fortalecer a confiança mútua.
A próxima rodada de negociações sobre a fronteira marítima está prevista para 24 a 27 de novembro, em Kuala Lumpur. Esse processo trata de reivindicações concorrentes no mar, enquanto a inspeção em Pursat diz respeito ao cumprimento do cessar-fogo e às condições ao longo da fronteira terrestre.
Em ambas as frentes, os governos precisam cumprir os compromissos sem abrir mão de suas posições territoriais. Em Pursat, as questões imediatas são concretas: a localização de um posto militar, a continuidade das obras de fortificação, o acesso ao território disputado e os danos à infraestrutura civil.
Principais pontos
- Observadores da ASEAN visitaram a província de Pursat em 5 de novembro de 2026 para verificar o cumprimento das medidas de cessar-fogo de 27 de dezembro de 2025.
- O Camboja afirma que forças tailandesas ocupam ilegalmente O Phlouk Damrei e rejeita mudanças na fronteira decorrentes do uso da força.
- Um posto de observação tailandês perto do Posto de Controle CH1 aparentemente teria avançado cerca de 20 metros, e as obras de fortificação continuam.
- O Ministério da Defesa do Camboja afirma que caças tailandeses destruíram a Ponte Stung Me Teuk em 13 de dezembro de 2025, deixando-a intransitável.
- O Camboja quer um mandato mais forte de monitoramento para a ASEAN e mais assistência internacional.
- As sete passagens de fronteira da Tailândia continuam fechadas, enquanto negociações marítimas separadas estão previstas para 24 a 27 de novembro.






