Taiwan recorre ao gás importado enquanto a redução do carvão em Taichung enfrenta pressões jurídicas e de custos

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Taiwan Turns to Imported Gas as Taichung Coal Retreat Meets Legal and Cost Pressures

Dois novos geradores colocam o gás no centro da transição de Taiwan

A Usina Termelétrica de Taichung, em Taiwan, está substituindo seus geradores a carvão mais antigos por gás natural importado, enquanto uma ação judicial, o aumento das contas de combustível e o lento avanço das energias renováveis complicam a promessa do governo de encerrar a geração regular de carvão no local até dezembro de 2034.

Conteúdo
  1. Dois novos geradores colocam o gás no centro da transição de Taiwan
  2. O que a nova usina inclui
  3. Quais unidades a carvão serão desativadas?
  4. Por que o prazo para o carvão ainda prevê geradores de reserva
  5. Ar local mais limpo, mas com uma disputa climática à parte
  6. Ação judicial ameaça a segunda fase a gás
  7. Preços dos combustíveis expõem o custo da mudança
  8. Rotas marítimas passam a fazer parte da segurança elétrica
  9. Energias renováveis e energia nuclear não acompanham a demanda
  10. Principais pontos

A primeira de duas novas unidades a gás entrou em operação comercial em 30 de setembro de 2026, segundo a atualização do projeto de Taichung da Taiwan Power Co. Cada unidade tem capacidade nominal de 1,3 gigawatt, totalizando 2,6 gigawatts. A segunda deve começar a operar comercialmente em 31 de março de 2027.

O primeiro-ministro Cho Jung-tai visitou a usina em 4 de setembro, quando os dois geradores atingiram juntos, pela primeira vez, sua potência nominal máxima. Ele reafirmou o prazo para eliminar a geração a carvão até o fim de 2034, um ano antes do previsto anteriormente.

Taichung reúne em um só lugar as diferentes necessidades energéticas de Taiwan. Seus moradores querem menos poluição do ar. Os fabricantes precisam de mais eletricidade. O governo quer reduzir as emissões de carbono, enquanto a concessionária precisa garantir combustível suficiente para manter a rede em funcionamento.

O gás vem assumindo uma parcela cada vez maior desse papel. Dados de geração de eletricidade do Ember, um centro de estudos sobre energia, indicam que a participação do gás foi de 31,0% em 2015, 48,2% em 2025 e 51,3% nos primeiros oito meses de 2026. As fontes renováveis forneceram 12,1% tanto em 2025 quanto entre janeiro e agosto de 2026, muito abaixo da meta original do governo de 20% para 2025.

O resultado é uma transição que reduz o uso de carvão, mas aumenta a dependência do gás natural liquefeito (GNL), transportado por navios. Uma expansão planejada em Taichung aprofundaria essa dependência até meados da próxima década.

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O que a nova usina inclui

A primeira fase a gás da Taipower ocupa 13,4 hectares ao sul das unidades 9 e 10, já existentes, que funcionam a carvão. Além dos geradores, o projeto inclui um píer para descarregar GNL, cinco tanques de armazenamento, um terminal que reconverte o líquido em gás e os gasodutos de conexão. A Taipower afirma que este é o primeiro terminal construído e operado pela própria concessionária.

Os geradores usam tecnologia de ciclo combinado. Primeiro, o gás aciona uma turbina; depois, o calor desse processo produz vapor para movimentar outra turbina. O aproveitamento do calor em duas etapas permite gerar mais eletricidade com a mesma quantidade de combustível.

A Taipower informa eficiência térmica líquida de 64,1%, segundo seu método declarado de medição do combustível. Em termos simples, cerca de 64% da energia medida no combustível se transforma em eletricidade fornecida pela usina, após a dedução da energia usada pela própria operação.

A concessionária registrava avanço de 65,97% no projeto em setembro de 2026. A página da empresa ainda mantém 31 de agosto como prazo para a primeira unidade, enquanto a atualização da obra registra o início efetivo da operação comercial em 30 de setembro. A Administração de Energia havia concluído a inspeção final da unidade em 21 de julho.

Quais unidades a carvão serão desativadas?

As unidades 1 e 2 a carvão operaram durante 36 anos e geraram quase 280 bilhões de quilowatts-hora ao longo de sua vida útil. A Taipower informou posteriormente que elas deixaram de gerar eletricidade em 30 de setembro de 2026, foram oficialmente aposentadas no dia seguinte e entraram em processo de demolição.

A data da demolição mudou entre os anúncios: o comunicado sobre o marco de setembro previa o início da desmontagem para outubro de 2027, enquanto o relato posterior indicou que ela começaria em 1º de outubro de 2026. O programa de demolição deve durar cerca de 28 meses e terminar no início de 2029.

As equipes terão de remover caldeiras, turbinas e uma chaminé de 252 metros de altura. A área liberada deverá receber a próxima expansão a gás.

As principais datas da transição são:

  • 11 de julho de 2025: Moradores entraram com uma ação judicial para contestar a aprovação ambiental da segunda fase a gás.
  • 4 de setembro de 2026: As duas unidades a gás da primeira fase atingiram juntas a potência nominal máxima.
  • 30 de setembro de 2026: A primeira unidade a gás entrou em operação comercial, e as unidades 1 e 2 a carvão deixaram de gerar eletricidade.
  • 31 de março de 2027: A segunda unidade a gás deve entrar em operação comercial.
  • De 2031 a 2034: Estão previstas mais quatro unidades a gás, junto com a demolição das unidades 3 e 4 a carvão.
  • 2032: O governo pretende reavaliar quantas unidades a carvão devem continuar disponíveis para emergências.
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Por que o prazo para o carvão ainda prevê geradores de reserva

As três metas de Cho para Taichung são encerrar a geração a carvão até o fim de 2034, manter as unidades existentes em reserva para emergências e revisar em 2032 o número de unidades de reserva. Pelo plano anunciado, seis unidades a carvão continuariam disponíveis após a retirada das unidades 1 a 4.

A Taipower afirma que as unidades aposentadas mantidas como reserva só seriam acionadas durante crises ou desastres nacionais. Os testes de rotina consumiriam menos de 100 mil toneladas de carvão por ano, menos de 1% das 11 milhões de toneladas consumidas pela usina em 2025.

Manter unidades em reserva de emergência significa conservar os equipamentos para que possam voltar a operar quando necessário. Portanto, a meta de 2034 para Taichung diz respeito ao fim da geração regular a carvão, com a manutenção de uma reserva limitada de equipamentos e combustível desse tipo.

Autoridades municipais querem um caminho mais claro até esse objetivo. Lin Ku-lung, secretário-geral adjunto de Taichung, pediu ao governo central que apresente um plano concreto de redução, apontando a promessa da Taipower de diminuir o consumo de carvão para 10,5 milhões de toneladas em 2026 e a incerteza sobre os anos anteriores à chegada das próximas unidades a gás, em 2031.

Ar local mais limpo, mas com uma disputa climática à parte

Taichung queimou 11 milhões de toneladas de carvão em 2025, abaixo do pico de 18,39 milhões de toneladas registrado em 2014. A redução é de cerca de 40%. A Taipower afirma ter investido TWD 44,1 bilhões, cerca de US$ 1,34 bilhão, em controles de poluição desde 2017.

A concessionária calcula que as emissões de poluentes atmosféricos da usina somaram 7.590 toneladas em 2025, uma redução de quase 80%. Para os novos equipamentos a gás, informa concentrações de emissão de oito partes por milhão de óxidos de enxofre, cinco de óxidos de nitrogênio e 10 miligramas por metro cúbico normal de material particulado.

A poluição do ar local e a poluição climática são problemas diferentes. Óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio e partículas afetam a qualidade do ar e a saúde. O dióxido de carbono e o metano retêm calor na atmosfera. Os moradores que contestam a expansão a gás argumentam que seus efeitos climáticos precisam ser examinados com mais atenção, mesmo com a queda do consumo de carvão.

O processo judicial cita emissões anuais projetadas de gases de efeito estufa de 21,160 milhões de toneladas em 2037, ante 26,548 milhões de toneladas em 2022. Esses números representam uma redução de cerca de 20,3%. Os autores da ação argumentam que os planos não estabelecem datas para a aposentadoria dos geradores a gás e das unidades a carvão mantidas como reserva, de forma compatível com a meta de Taiwan de neutralidade líquida de carbono até 2050.

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Ação judicial ameaça a segunda fase a gás

Moradores de Taichung, Changhua e Nantou entraram com uma ação contra o Ministério do Meio Ambiente em 11 de julho de 2025. O resumo do caso judicial da Environmental Rights Foundation descreve a tentativa de anular a aprovação ambiental da segunda fase, concedida em 2024.

O Tribunal Superior Administrativo de Taipei revogou essa aprovação em outubro de 2026, concluindo que foram usados critérios inadequados para avaliar a poluição da construção e que os efeitos combinados das unidades a carvão existentes e das novas unidades a gás não haviam sido devidamente analisados. Era esperado que o Ministério do Meio Ambiente recorresse da decisão. Não foi anunciado um resultado final do recurso nem um cronograma para uma nova aprovação.

A ação judicial diz respeito à proposta de instalar 5.500 megawatts de capacidade a gás. O plano de expansão posterior da Taipower prevê quatro unidades, totalizando de 4.800 a 5.200 megawatts, entre 2031 e 2034. Os moradores pediram que a expansão contestada fosse reduzida para 2.600 megawatts.

O relato da fundação também apresenta a alegação de que as fugas de metano foram omitidas da avaliação exigida pelo artigo 52 das Normas de Avaliação de Impacto Ambiental de Taiwan. O metano é o principal componente do gás natural e pode escapar durante o transporte, o descarregamento e o armazenamento.

Os autores também contestam o procedimento de análise. Segundo eles, a segunda fase passou por apenas uma reunião de painel e uma reunião do comitê de avaliação ambiental, e a aprovação foi declarada sem votação ou decisão por consenso. Essas são alegações dos autores; a decisão judicial divulgada se concentrou nos critérios de poluição e na avaliação conjunta das operações a carvão e a gás.

A Taipower afirma que a nova capacidade a gás é necessária antes que seis unidades a carvão possam ser fechadas. A aprovação ambiental, portanto, afeta tanto o cronograma de construção quanto o prazo para retirar os geradores a carvão da operação regular.

Preços dos combustíveis expõem o custo da mudança

A Taipower enfrenta uma conta de combustível crescente, embora planeje queimar menos carvão. Seu orçamento para carvão em 2027 é TWD 10 bilhões maior que o de 2026, apesar da redução prevista de quase 800 mil toneladas no consumo. A concessionária atribui o aumento à alta dos preços internacionais do carvão.

O gás também ficou mais caro desde que a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã começou, em fevereiro de 2026, e fechou o estreito de Ormuz. O vice-ministro da Economia Lai Chien-hsin disse a parlamentares que, até o fim de agosto, a conta de gás da Taipower havia aumentado em mais de TWD 70 bilhões em relação aos meses anteriores à guerra.

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O gabinete pediu ao Legislativo a aprovação de TWD 71,1 bilhões, cerca de US$ 2,18 bilhões, em apoio à concessionária deficitária. Em agosto, a Taipower alertou que seus custos totais com combustíveis em 2026 poderiam subir mais de TWD 120 bilhões, cerca de US$ 3,68 bilhões.

O aumento dos preços dos combustíveis deixa o governo diante da escolha de quanto do custo deve recair sobre os consumidores de eletricidade, as finanças da concessionária ou os recursos públicos. Geradores mais eficientes ajudam a reduzir o combustível necessário para cada unidade de eletricidade, mas o preço do combustível importado continua sendo uma despesa importante.

Rotas marítimas passam a fazer parte da segurança elétrica

O presidente Lai Ching-te disse em março que Taiwan tinha GNL suficiente para 12 a 14 dias. Um exercício de guerra conduzido por um centro de estudos dos Estados Unidos estimou que um bloqueio do estreito de Taiwan esgotaria as reservas de gás em 10 dias. O primeiro número descrevia os estoques disponíveis naquele momento; o segundo vinha de um cenário de bloqueio.

A interrupção do fornecimento do Catar na primavera de 2026 levou a Taipower a comprar eletricidade gerada a carvão na usina privada de Mailiao. Assim, o carvão serviu como alternativa enquanto a concessionária avançava com sua transição de longo prazo para reduzir o uso do combustível.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em outubro que Taiwan havia concordado em receber 30% do GNL do projeto de exportação planejado no Alasca. Essas compras mudariam a origem de parte do gás, mas continuariam dependendo do transporte marítimo.

O novo píer de descarga e os cinco tanques de Taichung dão à Taipower controle direto sobre uma parcela maior da cadeia de abastecimento do combustível. Ainda assim, a segurança elétrica de Taiwan dependerá de navios que consigam chegar a seus portos, à medida que o gás assume uma participação maior na geração.

Energias renováveis e energia nuclear não acompanham a demanda

As metas originais de Taiwan para a eletricidade em 2025 eram 50% de gás, 30% de carvão e 20% de fontes renováveis. Os dados do Ember mostram que as renováveis chegaram a apenas 12,1%, uma diferença de 7,9 pontos percentuais em relação à meta. O carvão ainda forneceu 33,8% da eletricidade nos primeiros oito meses de 2026, enquanto a participação do gás ultrapassou a metade da geração.

O ministro da Economia, Kung Ming-hsin, reconheceu em fevereiro que as renováveis não atingiriam novamente a meta de 20% ao fim de 2026. Ele culpou novas leis que restringem a instalação de painéis solares em solo de áreas protegidas. O desenvolvimento de parques eólicos offshore também foi desacelerado pelo aumento dos custos de fornecimento, pelas exigências de aquisição local de equipamentos e por licenças mais rigorosas.

A energia eólica forneceu 4,2% da eletricidade entre janeiro e agosto, e a solar, 6,2%. A expansão lenta dessas fontes deixa o gás atendendo a uma parcela maior da demanda antes suprida pelo carvão e pela energia nuclear.

O governo também avalia retomar a geração nuclear. A Comissão de Segurança Nuclear concluiu no fim de setembro a análise do plano da Taipower para reativar a usina de Maanshan, mas ainda é necessário concluir as verificações de envelhecimento dos equipamentos, radiação e atividade sísmica. Kung disse que a geração poderia ser retomada já em 2028.

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A demanda da própria Taichung mostra por que o cronograma é importante. A cidade consumiu quase 35 bilhões de quilowatts-hora em 2025, cerca de 15% do total de Taiwan, e ficou em primeiro lugar entre as cidades pelo sétimo ano consecutivo. A Taipower afirma que as unidades a carvão da usina não atendem à demanda local desde 2019.

Kung pediu à Taipower que mantenha o cronograma da segunda fase a gás depois que o ministério elevou suas previsões de crescimento da demanda por eletricidade. A concessionária também planeja construir 43 subestações em 15 anos para atender fabricantes de chips e usuários de inteligência artificial. Até que outras fontes de geração entrem em operação, a transição de Taichung consiste principalmente em substituir carvão por gás importado, concentrando no mesmo programa riscos de construção, jurídicos e de abastecimento de combustível.

Principais pontos

  • A primeira nova unidade a gás de Taichung entrou em operação comercial em 30 de setembro de 2026; a segunda está prevista para 31 de março de 2027.
  • O governo pretende encerrar a geração regular a carvão na usina até o fim de 2034, mantendo seis unidades disponíveis para emergências.
  • Um tribunal revogou a aprovação ambiental da segunda fase a gás, pressionando o cronograma de expansão.
  • O consumo de carvão caiu cerca de 40% entre 2014 e 2025, enquanto a Taipower informa uma redução de quase 80% nas emissões de poluentes atmosféricos.
  • O gás forneceu 51,3% da eletricidade de Taiwan nos primeiros oito meses de 2026; as fontes renováveis forneceram 12,1%.
  • O aumento dos custos dos combustíveis, os estoques limitados de GNL e a crescente demanda industrial estão moldando os custos e a segurança da transição.
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