Retirada da usina de combustível não encerra a disputa
O painel de revisão do Ministério do Meio Ambiente de Taiwan exigiu alterações na avaliação de impacto ambiental do Parque Industrial de Baozhong, proposto para o condado de Yunlin. Os moradores querem um compromisso por escrito que exclua da iniciativa a produção de combustível sólido recuperado e a incineração de resíduos.
Conteúdo
- Retirada da usina de combustível não encerra a disputa
- O que o plano revisado para resíduos permitiria
- Por que o SRF continua na avaliação
- Qual seria o tamanho do parque?
- Preocupações com a poluição do ar vão além do SRF
- Riscos de alagamento, águas residuais e do solo
- Um plano de carbono para 40 anos
- Proteção da vida silvestre e ferrovia açucareira
- Como a proposta chegou a uma nova revisão
- Principais pontos
O Ministério de Assuntos Econômicos retirou uma unidade de produção de SRF que havia sido planejada originalmente para a segunda fase do parque. Os moradores dizem que a permanência dessa opção entre as alternativas da avaliação os deixa preocupados com a possibilidade de a produção de combustível ou o tratamento térmico serem retomados mais adiante.
A proposta transformaria mais de 265 hectares da Fazenda Maguang, da Taiwan Sugar Corporation, no município de Baozhong, em um parque industrial voltado principalmente a empresas que processam produtos agrícolas e agregam valor a eles. Cerca de 20 moradores e integrantes da Associação de Ação pela Pátria de Emissão Líquida Zero do Condado de Yunlin foram ao ministério para apresentar suas objeções.
Após cerca de duas horas de discussão na segunda reunião de análise preliminar, realizada no dia 22, o painel exigiu correções e uma nova análise. As preocupações foram além do SRF e incluíram poluição do ar, fases de desenvolvimento, uso da água, águas residuais, armazenamento de resíduos e proteção da vida silvestre. O parque ainda não recebeu aprovação nessa análise.
A disputa agora gira em torno de duas questões interligadas: quais empresas e operações com resíduos seriam permitidas no parque e se um empreendimento desse porte pode enfrentar os riscos de poluição e ambientais perto de comunidades agrícolas. A retirada de uma unidade proposta deixou ambas as questões em aberto.
O que o plano revisado para resíduos permitiria
O Ministério de Assuntos Econômicos afirmou ter realizado quatro reuniões com diferentes órgãos e outros participantes após a primeira análise. As conversas levaram a um acordo para cancelar a unidade de produção de SRF planejada para a segunda fase.
A área reservada para essa unidade seria destinada a operações temporárias de armazenamento e transferência de resíduos. Os resíduos seriam coletados e levados para tratamento em outros locais, por operadores de resíduos industriais de Yunlin, sistemas de tratamento de parques industriais ou outros prestadores qualificados.
O SRF é um combustível produzido pelo processamento de resíduos combustíveis em um material que pode ser usado para gerar energia. A produção do combustível e sua queima são atividades distintas. Em uma análise anterior, o empreendedor afirmou que a unidade proposta venderia o produto a empresas de fora do parque e não o queimaria no local.
Os moradores querem que a exclusão abranja ambas as atividades, além do tratamento térmico relacionado. Eles exigem uma restrição por escrito e uma nova avaliação ambiental caso essas operações sejam propostas no futuro.
O armazenamento e a transferência temporários ainda exigiriam medidas detalhadas de proteção. O painel pediu ao empreendedor que reavaliasse a área necessária para as instalações de resíduos, onde elas ficariam e como seriam organizados o espaço e as medidas de segurança.
Por que o SRF continua na avaliação
O empreendedor perguntou se o painel de análise poderia permitir a retirada da tabela que apresenta a alternativa de SRF. Autoridades do Ministério do Meio Ambiente responderam que as normas exigem uma seção sobre alternativas. A redação poderia ser revisada, mas a seção deveria ser mantida.
Uma avaliação de impacto ambiental analisa os efeitos esperados de um projeto e compara diferentes formas possíveis de executá-lo. Essa comparação pode incluir opções diferentes do plano preferido pelo empreendedor. Neste caso, os moradores querem que o documento explique essas opções sem deixar dúvidas sobre a possibilidade de operações com SRF serem autorizadas no futuro.
A Associação de Ação pela Pátria de Emissão Líquida Zero do Condado de Yunlin e outros grupos disseram que não se opõem ao desenvolvimento industrial em si. Eles pedem a exclusão explícita da produção de SRF e do tratamento térmico, além de proteções contra a poluição e o aumento de alagamentos nas proximidades do local.
Chang Tzu-chien, presidente da Associação de Conservação Ecológica de Yunlin, alertou que a redação poderia permitir que a proposta de SRF fosse retomada. Ele também questionou se o empreendimento atrairia empresas de tratamento de resíduos que estariam voltando da China. O Ministério de Assuntos Econômicos afirmou ter ajustado o plano em resposta a comentários anteriores da população e querer conciliar oportunidades industriais com a agricultura local e as condições de vida da população.
Qual seria o tamanho do parque?
O plano de desenvolvimento divide cerca de 265 hectares em uma primeira fase de 86 hectares e uma segunda fase de aproximadamente 179 hectares. Cerca de 165 hectares seriam destinados a atividades industriais, enquanto aproximadamente 100 hectares seriam usados para instalações públicas.
Esses números destinam cerca de 62% da área a atividades industriais e cerca de 38% a instalações públicas. A segunda fase representa aproximadamente dois terços da área de desenvolvimento proposta, o que torna seu cronograma e sua abrangência pontos centrais da análise.
O Ministério de Assuntos Econômicos argumenta que Yunlin precisa de mais áreas industriais. Segundo o órgão, a taxa de ocupação das 11 zonas industriais designadas do condado é de 99%. Para Baozhong, o ministério prevê NT$ 30 bilhões em investimentos, mais de 10 mil empregos e produção anual de NT$ 20 bilhões.
Esses são os números previstos para o parque proposto. Integrantes do painel pediram informações sobre empresas que estão voltando para Taiwan e as taxas de ocupação dos parques industriais, levando a questão da demanda para a avaliação, junto com os custos ambientais de abrir mais áreas.
O ministério descreveu o projeto como uma forma de criar oportunidades de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, preservar o caráter agrícola e industrial de Baozhong. Moradores que levaram alho e amendoim a um protesto anterior destacaram o que querem proteger: uma economia agrícola já estabelecida e as comunidades ao redor.
Preocupações com a poluição do ar vão além do SRF
Um integrante do painel afirmou que o aumento previsto das emissões de óxidos de nitrogênio e outros poluentes continuava elevado mesmo após a retirada da unidade de SRF. Os óxidos de nitrogênio são gases comumente produzidos durante a combustão. Eles podem irritar as vias respiratórias e contribuir para a poluição por ozônio e partículas finas.
O integrante do painel sugeriu reduzir a área de desenvolvimento, adiando as obras ao sul da Rodovia Provincial 19 ou da ferrovia da Taiwan Sugar e reservando essa área como espaço verde. Isso alteraria a dimensão e a sequência do desenvolvimento, em vez de depender exclusivamente de controles aplicados depois da chegada das fábricas.
O Ministério de Assuntos Econômicos afirmou que os futuros ocupantes estariam sujeitos a controles de emissões. Fabricantes de alimentos com potencial de causar odores teriam de ficar a pelo menos 500 metros de comunidades e escolas próximas.
Na análise anterior, os moradores haviam dito que a aldeia mais próxima ficava a cerca de 250 metros do local. Portanto, a distância proposta de 500 metros seria relevante para a localização de determinadas empresas dentro do parque. O ministério a descreveu como uma exigência para fabricantes de alimentos com potencial de causar odores, enquanto o painel também pediu revisões nas estimativas mais amplas de poluição do ar.
Riscos de alagamento, águas residuais e do solo
Moradores de Baozhong manifestaram preocupação com o afundamento do solo, a liquefação do solo e os alagamentos. O afundamento ocorre quando o terreno cede gradualmente. A liquefação acontece quando um solo solto e encharcado perde resistência durante tremores, ficando menos capaz de sustentar estruturas.
Os moradores descreveram o local proposto como uma área com alto potencial de afundamento e liquefação. Um integrante do painel também apontou o alto risco de alagamento e pediu que ele fosse levado em conta. Os manifestantes exigiram que o empreendimento não aumentasse os alagamentos nas comunidades vizinhas nem transferisse riscos à saúde e de enchentes para os moradores ao redor.
O painel exigiu que o empreendedor verificasse o balanço hídrico do parque. Na prática, isso significa contabilizar a água necessária para o empreendimento, as fontes que seriam utilizadas e a água que sairia do local por meio de águas residuais, drenagem ou outras vias.
Moradores e integrantes do painel também pediram o monitoramento da qualidade da água fora dos limites do parque, além de um controle mais rigoroso das águas residuais lançadas. O monitoramento além dos limites permitiria obter informações sobre os cursos d'água e as áreas ao redor que receberiam os efluentes do parque.
O armazenamento temporário de terra e rochas também foi incluído entre as revisões exigidas. Obras em uma área desse tamanho precisam de um plano para determinar onde o material escavado será armazenado e como esse espaço será administrado. O painel pediu mais detalhes, além de mudanças na sequência do desenvolvimento e nos planos para os resíduos.
Um plano de carbono para 40 anos
A vida útil de 40 anos prevista para o parque levou a pedidos por um planejamento mais robusto das emissões de carbono. Moradores e integrantes do painel querem que a avaliação considere as emissões ao longo de todo esse período, em vez de se concentrar apenas nas etapas iniciais de funcionamento do parque.
Na análise anterior, ativistas ambientais criticaram um plano para compensar o aumento das emissões de gases de efeito estufa com medidas como a substituição de motocicletas, aparelhos de ar-condicionado e equipamentos de iluminação antigos. Eles argumentaram que as empresas que chegarem ao parque deveriam primeiro reduzir as próprias emissões.
Uma compensação busca equilibrar as emissões de um lugar com uma redução em outro. A redução direta, por sua vez, altera a atividade que gera as emissões, por exemplo, usando menos energia ou trocando equipamentos. A divergência diz respeito ao grau de responsabilidade que caberia aos futuros ocupantes em suas próprias operações.
Chang argumentou que a abordagem proposta transferia a responsabilidade para a população e o Ministério do Meio Ambiente, enquanto o Ministério de Assuntos Econômicos promovia o empreendimento. A crítica relacionou o plano de carbono do parque à meta de Taiwan de alcançar emissões líquidas zero até 2050.
Um morador propôs outro destino para os resíduos agrícolas: produzir composto, biocarvão e fertilizante líquido para os agricultores locais. O biocarvão é um material rico em carbono, produzido pelo aquecimento de matéria orgânica com pouco oxigênio. A sugestão incluiu o reaproveitamento agrícola no debate como alternativa à controversa produção de combustível a partir de resíduos.
Proteção da vida silvestre e ferrovia açucareira
Integrantes do painel também pediram mais proteção para espécies como a coruja-das-ervas-da-Australásia e o faisão-de-colar. Um deles afirmou que ainda havia possibilidade de ocorrência local da coruja-das-ervas e recomendou a preservação da ferrovia açucareira e das áreas próximas.
Assim, o corredor ferroviário é importante não apenas para a ordem das obras. Sua preservação, junto com as áreas ao redor, poderia manter espaços relevantes para a vida silvestre e também influenciar onde o desenvolvimento industrial ocorreria.
A proposta de reservar áreas como espaços verdes relaciona vários aspectos da análise: a conservação de habitats, o tamanho da área industrial e a carga de poluição prevista. Todos seriam afetados pelas decisões sobre quanto do terreno será desenvolvido e em que momento.
O painel pediu medidas de conservação mais rigorosas na avaliação revisada. As observações colocam a proteção da vida silvestre ao lado das questões de engenharia e poluição que o empreendedor terá de abordar antes de voltar para uma nova análise.
Como a proposta chegou a uma nova revisão
A disputa avançou por meio de análises sucessivas e mudanças no plano para os resíduos. As principais etapas são:
- 11 de junho de 2026: Moradores protestaram durante uma análise ambiental anterior. A proposta ainda incluía uma unidade de produção de SRF na segunda fase, com o combustível destinado à venda fora do parque.
- Após a primeira análise: O Ministério de Assuntos Econômicos realizou quatro reuniões com diferentes órgãos e outros participantes e, em seguida, concordou em cancelar a unidade de produção de SRF.
- Segunda análise preliminar, realizada no dia 22: Moradores exigiram a exclusão por escrito da produção de SRF e do tratamento térmico. O painel exigiu revisões e uma nova análise.
O mês e o ano da reunião realizada no dia 22 não foram informados, e não foi divulgada uma data para a próxima análise. O empreendedor agora precisa revisar a avaliação antes de voltar ao painel.
O trabalho exigido inclui o escalonamento do desenvolvimento, o balanço hídrico, os cálculos de poluição do ar, o monitoramento de águas residuais, a localização das instalações para resíduos, a segurança do armazenamento e o armazenamento temporário de terra e rochas. Os moradores também pressionam por uma redação clara sobre as atividades excluídas, um planejamento mais robusto de carbono e proteção para além dos limites do parque.
Para as comunidades próximas, o resultado imediato é uma nova análise de um plano que ainda precisa de detalhes substanciais. Para o Ministério de Assuntos Econômicos, o desafio é explicar como suas metas de investimento e emprego podem ser alcançadas, atendendo às exigências do painel e respondendo às preocupações de quem vive ao lado do parque proposto.
Principais pontos
- O painel de análise ambiental exigiu revisões e uma nova análise do Parque Industrial de Baozhong proposto.
- O Ministério de Assuntos Econômicos cancelou a unidade de produção de SRF planejada, mas os moradores querem uma exclusão por escrito que abranja a produção de combustível e o tratamento térmico.
- O parque, com cerca de 265 hectares, teria aproximadamente 165 hectares de área industrial distribuídos em duas fases de desenvolvimento.
- O ministério prevê NT$ 30 bilhões em investimentos, mais de 10 mil empregos e NT$ 20 bilhões em produção anual.
- As preocupações do painel incluem poluição do ar, alagamentos, águas residuais, emissões de carbono, armazenamento de resíduos e proteção da vida silvestre.
- Não foi divulgada uma data para a próxima análise.






