Expansão de 5,2 GW põe as ambições da Indonésia à prova
A Indonésia busca alcançar a maior capacidade instalada de energia geotérmica do mundo até 2030, com um plano nacional de expansão de 5,2 gigawatts e uma grande produtora que pretende mais que dobrar sua própria capacidade de geração até 2034. O desafio é transformar o calor subterrâneo em usinas em operação rápido o bastante para ultrapassar os Estados Unidos.
Conteúdo
- Expansão de 5,2 GW põe as ambições da Indonésia à prova
- Quão perto a Indonésia está de ultrapassar os Estados Unidos?
- Vastos recursos, mas pouco aproveitamento
- Projetos da PGE precisam acrescentar mais de 1 GW
- Novas usinas mostram avanços além das metas
- Produção recorde fortalece o ponto de partida da PGE
- Por que o preço da eletricidade importa antes das perfurações
- Áreas remotas e preocupações locais influenciam o ritmo
- Marcos de Kamojang a 2034
- Principais pontos
Ahmad Yani, diretor-presidente da PT Pertamina Geothermal Energy (PGE), detalhou a contribuição da empresa em uma coletiva de imprensa em Jacarta, em 4 de novembro de 2026. A PGE planeja elevar a capacidade instalada de 727 megawatts para 1 gigawatt em 2028 e, depois, para 1,8 gigawatt em 2034, enquanto defende mudanças na tarifa de eletricidade para tornar os investimentos mais previsíveis.
A Indonésia ficou em segundo lugar, atrás dos Estados Unidos, na produção geotérmica em 2025, segundo Ahmad. A comparação numérica do governo se concentra na capacidade instalada: quanta energia os geradores podem fornecer em determinado momento. Já a produção de eletricidade mede quanta energia esses geradores efetivamente entregam ao longo do tempo.
Os dados operacionais mais recentes da PGE mostram crescimento nessa segunda medida. Ahmad afirmou que as instalações em áreas operadas diretamente pela empresa geraram 4.114 gigawatts-hora entre janeiro e setembro de 2026, um recorde para a companhia e um aumento de 9,79% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A expansão ocorre quando a Indonésia completa 100 anos desde o início da exploração geotérmica em Kamojang, na Java Ocidental, em 1926. Para Ahmad, o aniversário é uma oportunidade de transformar os vastos recursos do país em liderança internacional. Alcançar essa ambição dependerá dos resultados das perfurações, das obras, dos contratos de compra de energia e da aceitação das comunidades próximas aos projetos.
Quão perto a Indonésia está de ultrapassar os Estados Unidos?
Eniya Listiani Dewi, diretora-geral de Novas Energias, Energias Renováveis e Conservação de Energia do Ministério de Energia e Recursos Minerais, estimou a capacidade geotérmica instalada da Indonésia em 2,68 GW no fim de 2024, ante 3,6 GW nos Estados Unidos. Outro dado do ministério, citado em junho de 2025, apontava um total de 2.638,8 MW para a Indonésia, ou cerca de 2,64 GW.
Com base nos números de Eniya, a diferença para a Indonésia era de 920 MW. Ela propôs acrescentar 1,1 GW em cinco anos, o que elevaria a capacidade nacional para cerca de 3,78 GW, acima do número que citou para os Estados Unidos. A classificação final também dependerá de quanta capacidade os Estados Unidos adicionarem ou desativarem nesse período.
Eniya relacionou parte de seu otimismo à guinada do presidente Donald Trump em favor do carvão. O cronograma de construção da Indonésia, porém, dá sentido prático à meta: será necessário concluir e conectar usinas suficientes para fornecer eletricidade.
O Plano de Negócios de Fornecimento de Eletricidade, conhecido pela sigla indonésia RUPTL, prevê 5,2 GW de capacidade geotérmica adicional. Eniya descreveu essa expansão como um processo de 10 anos, até 2035, enquanto o plano de eletricidade discutido pelo ministro da Energia, Bahlil Lahadalia, abrangia o período de 2025 a 2034. Assim, a meta de liderança até 2030 é uma etapa antecipada de um programa de construção mais longo.
Vastos recursos, mas pouco aproveitamento
A Indonésia tem potencial geotérmico de 23,74 GW em 368 locais, segundo Eniya. Em comparação com sua estimativa de 2,68 GW de capacidade instalada, isso significa que cerca de 11% dos recursos estimados foram desenvolvidos para gerar energia.
Usinas geotérmicas aproveitam o calor abaixo da superfície da Terra para produzir eletricidade. As empresas perfuram poços para alcançar fluidos quentes e usam esse calor para acionar equipamentos de geração. Diferentemente da energia solar, a eletricidade geotérmica pode ser produzida durante a noite e depende menos das condições climáticas diárias.
Os números do ministério citados em junho de 2025 usavam uma estimativa de recursos de cerca de 23.000 MW e descreviam o potencial da Indonésia como aproximadamente 40% do total mundial. Ambas as estimativas apontam uma base de recursos muito maior do que a capacidade já em operação.
Mesmo um local promissor exige investigação. As empresas precisam determinar se a temperatura subterrânea, os fluidos e as condições das rochas permitem sustentar uma usina comercialmente viável. Esse trabalho ajuda a explicar por que um país com abundantes recursos geotérmicos pode levar décadas para desenvolver apenas uma fração deles.
Projetos da PGE precisam acrescentar mais de 1 GW
A PGE está acelerando os projetos das unidades 3 e 4 de Lumut Balai, das unidades 1 e 2 de Hululais e das unidades 7 e 8 de Lahendong. Ahmad apresentou esses projetos como parte do caminho para alcançar as metas de capacidade da empresa e concretizar sua ambição de se tornar um centro mundial de excelência em energia geotérmica.
A primeira meta exige acrescentar 273 MW à base declarada de 727 MW da PGE, um aumento de cerca de 38%, para chegar a 1.000 MW em 2028. Alcançar 1.800 MW em 2034 exigiria um aumento total de 1.073 MW, deixando a empresa com quase duas vezes e meia sua capacidade atual.
Outro projeto, a usina de 55 MW de Ulubelu Gunung Tiga, em Lampung, já estava em construção em junho de 2025. A Pertamina também anunciou uma alocação de US$ 36,62 milhões para investimentos em exploração. Os gastos com exploração cobrem uma etapa inicial do desenvolvimento, quando as empresas ainda estão avaliando a qualidade e a dimensão dos recursos subterrâneos.
Um balanço de junho de 2025 estimou em 1.877,5 MW o portfólio geotérmico mais amplo da Pertamina, com geração anual de até 4.827,22 GWh. Os limites considerados nesse portfólio não foram detalhados. A base de 727 MW e os números de produção das áreas operadas diretamente, apresentados posteriormente por Ahmad, servem de referência declarada para os planos mais recentes de expansão da PGE.
Novas usinas mostram avanços além das metas
O presidente Prabowo Subianto inaugurou três usinas geotérmicas em 26 de junho de 2025, junto com cinco projetos que iniciavam as obras, com capacidade planejada combinada de 260 MW. A cerimônia mostrou que parte do programa de expansão já havia passado do planejamento para a operação ou para a construção.
Os três projetos em operação eram Ijen, em Bondowoso, na Java Oriental; a unidade 5 de Sorik Marapi, em Mandailing Natal, Sumatra do Norte; e Salak Binary, na Java Ocidental. A inauguração foi descrita como um acréscimo de 91,9 MW, embora as capacidades individuais informadas, de 35 MW, 41,25 MW e 16,15 MW, somem 92,4 MW.
Ijen operava com 35 MW, ante os 110 MW planejados, restando desenvolver 75 MW do total previsto. Isso mostra como um campo geotérmico pode ser ampliado por etapas, em vez de começar operando em sua capacidade total planejada.
Prabowo, que também inaugurou 47 usinas solares no evento, relacionou os projetos de energia renovável à independência energética da Indonésia:
As fontes de energia renovável estão disponíveis; só precisamos administrá-las bem. Hoje é uma prova da capacidade da nação indonésia de alcançar a autossuficiência energética, algo fundamental para o nosso futuro,
As usinas em operação fornecem eletricidade agora. Os projetos que entram em construção representam oferta futura e ainda exigem mais trabalho antes de contribuir para a geração nacional.
Produção recorde fortalece o ponto de partida da PGE
A PGE gerou 4.114 GWh nas áreas que opera diretamente nos primeiros nove meses de 2026, ante uma meta de 3.801 GWh. Ahmad afirmou que o resultado correspondeu a 108,22% da meta da empresa e foi seu maior volume de produção.
A diferença foi de 313 GWh, enquanto o aumento em relação ao mesmo período de 2025 foi de 9,79%. Esses números mostram que a PGE está produzindo mais eletricidade enquanto prepara uma expansão muito maior de sua capacidade de geração.
Megawatt mede potência de geração; gigawatt-hora mede a eletricidade produzida ao longo do tempo. Um gerador de 1 MW operando na potência máxima por 1.000 horas produz 1 GWh. Para residências e empresas, a geração confiável é tão importante quanto o tamanho do parque instalado, pois a eletricidade precisa estar disponível quando necessária.
O desempenho operacional e o programa de construção da PGE atendem a partes diferentes do mesmo desafio. As instalações existentes precisam continuar fornecendo eletricidade enquanto novos poços, equipamentos e usinas são desenvolvidos para cumprir as metas futuras.
Por que o preço da eletricidade importa antes das perfurações
A PGE pede ao governo que revise as regras tarifárias do Regulamento Presidencial nº 112, de 2022. Ahmad afirmou que a empresa quer reajustes de preços e um modelo de tarifa de incentivo para dar mais previsibilidade aos investidores.
Uma tarifa de incentivo estabelece um preço ou modelo de preços definido para a eletricidade fornecida à rede. Para uma empresa geotérmica, uma receita previsível com as vendas ajuda a embasar decisões sobre gastos com exploração, poços e equipamentos de geração, antes do início da venda de eletricidade.
Surya Darma, presidente do Centro Indonésio de Estudos de Energias Renováveis, afirmou em junho de 2025 que os projetos geotérmicos exigem grandes investimentos iniciais, enquanto algumas empresas relatavam retornos sobre o investimento inferiores a 10%. O retorno sobre o investimento compara o ganho financeiro de um projeto com o dinheiro aplicado nele.
Surya também descreveu a incerteza envolvida na localização de recursos comercialmente viáveis:
É de conhecimento geral que o nível de risco na descoberta de reservas geotérmicas no setor de exploração continua alto. A falta de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos precisos pode gerar incerteza na determinação da dimensão do potencial,
Ahmad não informou uma tarifa proposta nem uma data para a decisão sobre as mudanças solicitadas. A discussão sobre preços é importante porque as empresas precisam avaliar se a receita esperada com a venda de eletricidade cobrirá tanto os riscos da exploração quanto o custo de construir uma usina.
Áreas remotas e preocupações locais influenciam o ritmo
Surya apontou o terreno difícil, a infraestrutura de apoio, o licenciamento, a insegurança jurídica e a oposição de comunidades como obstáculos ao desenvolvimento geotérmico. Muitos recursos ficam em áreas remotas, florestas ou montanhas vulcânicas ativas, o que dificulta o transporte de equipamentos pesados e aumenta o trabalho necessário antes do início das obras.
As comunidades próximas aos locais propostos também têm preocupações que empresas e órgãos governamentais precisam abordar. Surya afirmou que sua organização planejava realizar um webinar educativo com outros participantes do setor. O diálogo local se soma aos levantamentos geológicos e ao planejamento financeiro como parte do processo para viabilizar os projetos.
Maluku ilustra a ligação entre as ambições nacionais e as necessidades locais de eletricidade. Durante a preparação do plano de eletricidade para 2025 a 2034, Bahlil afirmou que 40 MW de potencial geotérmico em Ambon haviam sido incluídos na minuta.
Em Maluku do Norte, o governo concedeu a concessão de Telaga Ranu, em Halmahera Ocidental, à PT Ormat Geothermal Indonesia em 8 de janeiro de 2026. O local tem capacidade potencial de até 40 MW e a meta é começar a operar até o fim de 2030, com o objetivo de substituir a eletricidade gerada a diesel.
Telaga Ranu também gerou questionamentos sobre participação pública, preocupações ambientais e as ligações da empresa desenvolvedora com Israel. O projeto mostra como uma iniciativa específica pode envolver, ao mesmo tempo, o fornecimento de energia, os interesses locais e sensibilidades políticas mais amplas.
Marcos de Kamojang a 2034
O programa geotérmico da Indonésia combina um século de exploração com vários prazos mais próximos. Os principais marcos são:
- 1926: começa a exploração geotérmica em Kamojang, na Java Ocidental.
- Fim de 2024: a Indonésia tem cerca de 2,64 a 2,68 GW de capacidade geotérmica instalada, segundo dados do ministério citados em 2025.
- 26 de junho de 2025: Prabowo inaugura três usinas geotérmicas em operação e marca o início das obras de outros cinco projetos.
- Janeiro a setembro de 2026: a PGE registra produção recorde de 4.114 GWh nas áreas operadas diretamente.
- 2028: a PGE tem como meta alcançar 1 GW de capacidade instalada.
- 2030: o governo pretende que a Indonésia lidere o mundo em capacidade geotérmica; a previsão é que Telaga Ranu comece a operar até o fim do ano.
- 2034: a PGE tem como meta alcançar 1,8 GW, em paralelo a um programa nacional que prevê acrescentar 5,2 GW ao longo de uma década, até 2035.
O teste mais próximo é saber se a capacidade planejada se transformará em geração operacional dentro do cronograma. A meta da PGE para 2028 vem antes do prazo nacional de liderança, tornando o avanço das obras da empresa uma medida concreta do ritmo em que a ambição mais ampla está progredindo.
Principais pontos
- A Indonésia pretende se tornar o país líder mundial em energia geotérmica até 2030.
- O programa nacional de eletricidade inclui 5,2 GW de capacidade geotérmica adicional.
- A PGE planeja crescer de 727 MW para 1 GW em 2028 e 1,8 GW em 2034.
- As áreas operadas diretamente pela PGE geraram um recorde de 4.114 GWh entre janeiro e setembro de 2026, alta de 9,79% em relação ao ano anterior.
- Custos de exploração, preços da eletricidade, infraestrutura e preocupações das comunidades influenciarão o ritmo da expansão.






