Autorizações florestais são alvo de escrutínio após incêndios recorrentes
A Ouvidoria da Indonésia pede auditorias regulares das empresas que usam terras florestais e alerta que a fiscalização do governo muitas vezes termina assim que uma autorização é emitida. A cobrança ocorre enquanto a polícia aponta 20 empresas como suspeitas em casos de incêndios florestais e em áreas de terra, e o Ministério do Meio Ambiente examina o papel de 335 empresas.
Conteúdo
- Autorizações florestais são alvo de escrutínio após incêndios recorrentes
- Onde a fiscalização falha
- O que as auditorias devem examinar
- Por que as plantações de dendezeiros estão em foco
- Investigações mostram a dimensão da fiscalização
- Grande área queimada aumenta a urgência
- Autoridades nacionais e regionais são instadas a agir em conjunto
- Principais pontos
Fikri Yasin, integrante da Ouvidoria que trabalha com governança florestal, apresentou as conclusões em uma entrevista coletiva on-line em Jacarta, em 4 de novembro de 2026. A coletiva, intitulada Incêndios florestais e em áreas de terra e seu impacto nos serviços públicos: resultados iniciais do monitoramento da Ouvidoria da Indonésia, destacou falhas na gestão de terras usadas por empresas.
Fikri afirmou que grande parte da área queimada ficava em terras florestais. Sua principal preocupação é o que acontece depois que as empresas recebem autorização para usá-las: as autoridades devem continuar fiscalizando suas atividades, a área que ocupam e por quanto tempo permanecem ali.
Segundo a Ouvidoria, essas verificações muitas vezes não são feitas ou são insuficientes. Com isso, as empresas podem continuar operando sem avaliações claras e regulares sobre se o uso efetivo das terras corresponde às condições estabelecidas nas autorizações.
A resposta proposta vai além do combate aos incêndios. A Ouvidoria quer que as autoridades nacionais e regionais reforcem o licenciamento, a fiscalização ambiental e as inspeções antes que outro incêndio exponha problemas que não foram verificados.
Onde a fiscalização falha
Uma autorização permite que uma empresa realize atividades específicas sob determinadas condições. O monitoramento consiste no trabalho contínuo de verificar se a empresa cumpre essas condições. A preocupação da Ouvidoria é que as autoridades tratem a autorização inicial como o fim de sua tarefa.
Durante a coletiva, Fikri descreveu essa falha na fiscalização. Em indonésio, ele disse:
O que entendemos agora é que, depois que uma empresa começa a usar terras florestais, não há mais fiscalização. Deixam de existir limites para as auditorias, e então a terra é usada para sempre.
O alerta diz respeito ao efeito prático da fiscalização fraca: uma empresa pode continuar usando terras sem que ninguém verifique regularmente os limites da área ou o vencimento da autorização. A Ouvidoria quer que as autoridades continuem acompanhando essas condições durante todo o período de uso.
Por isso, os órgãos públicos precisariam ir além de verificar se existe uma autorização. Também precisariam apurar se a empresa que atua no local está fazendo o que a autorização permite, dentro da área e do prazo especificados.
O que as auditorias devem examinar
Fikri apontou três aspectos relacionados que devem ser inspecionados regularmente: o uso da terra, o tamanho da área utilizada e a duração desse uso. Em conjunto, essas verificações permitiriam às autoridades comparar a autorização de uma empresa com suas operações efetivas.
Ele detalhou o escopo proposto em outra declaração, traduzida do indonésio:
É preciso fazer auditorias regulares dessas empresas, primeiro sobre o uso da terra. Depois, é preciso verificar os limites desse uso, tanto a área quanto o número de anos.
Nesse contexto, uma auditoria é uma análise estruturada para verificar se uma empresa cumpre as condições que regem suas atividades. Conferir a área é importante porque uma empresa pode ocupar mais terras do que tem autorização para usar. Verificar a duração é importante porque a autorização para usar terras estabelece condições sobre quando esse uso deve terminar.
A cobrança da Ouvidoria também diz respeito à devolução das terras ao Estado quando o período autorizado termina. Para que isso aconteça na prática, as autoridades precisam saber quando o prazo acaba e se a empresa cumpriu as condições.
Nas declarações, não foram anunciados um calendário de auditorias, a frequência das inspeções ou um prazo para a ação do governo. Esses detalhes determinariam como a proposta de verificações regulares se transformaria em um sistema efetivo.
Por que as plantações de dendezeiros estão em foco
Fikri mencionou especificamente as plantações de dendezeiros que usam terras florestais. Ele defendeu que esse uso esteja sujeito à fiscalização contínua, a auditorias regulares e a limites para o período de operação.
A preocupação dele relaciona duas partes das obrigações de uma empresa que, de outro modo, poderiam ser consideradas separadamente. Uma empresa precisa operar dentro da área que tem autorização para usar, e sua autorização também deve ser verificada com o passar do tempo. Inspecionar apenas um desses aspectos deixa o outro sem controle.
A Ouvidoria afirmou que grandes plantações e outras empresas que usam áreas florestais precisam ser avaliadas de forma consistente. Sem isso, as autoridades têm dificuldade para determinar se as terras ocupadas e as atividades realizadas continuam dentro das condições aprovadas originalmente.
Para o Estado, a questão é manter o controle sobre as terras disponibilizadas para uso empresarial. Para as comunidades do entorno, a preocupação se torna especialmente imediata quando uma gestão mal fiscalizada das terras aumenta a exposição a incêndios recorrentes. A Ouvidoria afirmou que tanto a população quanto o Estado sofrem as consequências quando a fiscalização falha.
Investigações mostram a dimensão da fiscalização
A polícia apontou 20 empresas como suspeitas em casos de incêndios florestais e em áreas de terra. Quatro dessas empresas têm investimentos estrangeiros de Singapura, da Malásia e da Coreia do Sul. Isso corresponde a um quinto das empresas apontadas como suspeitas.
O Ministério do Meio Ambiente também examina o papel de 335 empresas nos incêndios. O número da polícia se refere a empresas que já foram formalmente consideradas suspeitas, enquanto o número do ministério descreve o grupo mais amplo cuja participação está sendo examinada. Os dois números dizem respeito a etapas e tipos diferentes de ação oficial.
A crítica da Ouvidoria se concentra no momento da intervenção do governo. Sua avaliação concluiu que a resposta continuava sendo reativa, com as violações cometidas por detentores de autorizações chegando ao conhecimento oficial depois que os incêndios já haviam ocorrido. Essa avaliação se baseou na constatação de que as autoridades geralmente só identificavam suspeitas de violações do planejamento territorial e das concessões depois que os efeitos dos incêndios já tinham alcançado as comunidades.
Auditorias regulares levariam a fiscalização para o período anterior a um incêndio. As autoridades poderiam verificar se o uso da terra corresponde à autorização e identificar problemas por meio de inspeções, em vez de esperar que uma tragédia provoque uma análise mais rigorosa das operações de uma empresa.
A cobrança, portanto, acrescenta uma questão de prevenção aos esforços de fiscalização: com que regularidade as empresas são verificadas durante suas operações, antes que a polícia ou os investigadores ambientais intervenham?
Grande área queimada aumenta a urgência
Uma estimativa atribuída ao Sistema Global de Informação sobre Incêndios Florestais, conhecido como GWIS, calcula em 8,6 milhões de hectares a área de florestas e terras queimadas na Indonésia em 2026. Isso equivale a 86 mil quilômetros quadrados, considerando a conversão padrão de 100 hectares para um quilômetro quadrado.
O número é uma estimativa da área queimada. As conclusões da Ouvidoria se concentram na governança das terras florestais, incluindo a fiscalização das empresas autorizadas a usá-las. A dimensão das queimadas e as falhas identificadas no monitoramento, em conjunto, explicam a urgência da cobrança por inspeções.
Fikri afirmou que a maior parte das áreas atingidas pelos incêndios era formada por terras florestais. Suas declarações atribuem às agências responsáveis pelo uso dessas terras a obrigação de continuar fiscalizando os detentores de autorizações, em vez de deixar a supervisão enfraquecer depois da aprovação.
A relação prática é direta. Se as autoridades não inspecionarem regularmente as atividades e os limites das áreas de uma empresa, terão menos oportunidades de identificar violações e exigir medidas corretivas antes que ocorra um incêndio. A Ouvidoria quer que a prevenção se torne uma responsabilidade contínua.
Autoridades nacionais e regionais são instadas a agir em conjunto
A Ouvidoria pediu que os governos nacional e regionais realizem uma fiscalização ativa e coordenada. As reformas propostas abrangem o sistema de licenciamento, a gestão dos recursos florestais e a aplicação das normas ambientais e florestais.
Essas responsabilidades estão interligadas. O licenciamento define as condições que uma empresa deve cumprir. A inspeção verifica o cumprimento. A fiscalização permite que as autoridades respondam quando essas condições são violadas. As conclusões da Ouvidoria apontam uma falha nas verificações contínuas entre a concessão da autorização e a ação oficial.
Auditorias voltadas ao uso, à área e à duração dariam às autoridades perguntas concretas a responder sobre cada empresa: o que está acontecendo nas terras, quanto está sendo usado e se o período autorizado ainda está em vigor.
O alerta de Fikri sobre o uso indefinido das terras torna especialmente importante a última pergunta. Um prazo tem efeito prático quando as autoridades o acompanham e agem quando ele vence. O mesmo vale para os limites da área: é preciso comparar os limites aprovados com a ocupação efetiva.
A Ouvidoria quer que esse trabalho seja feito rotineiramente. As investigações policiais e o exame do ministério sobre a participação de empresas tratam dos incêndios que já estão sob análise. As inspeções contínuas tratariam das falhas de gestão que, segundo a instituição, deixam áreas florestais vulneráveis a queimadas repetidas.
Principais pontos
- A Ouvidoria da Indonésia pediu auditorias regulares das empresas que usam terras florestais durante uma coletiva em 4 de novembro de 2026.
- Fikri Yasin afirmou que a fiscalização muitas vezes termina após a emissão das autorizações, deixando as operações das empresas sem avaliações consistentes.
- As auditorias propostas examinariam o uso da terra, a área ocupada e a duração da autorização, incluindo a devolução das terras ao Estado.
- A polícia apontou 20 empresas como suspeitas em casos de incêndio. Quatro têm investimentos estrangeiros de Singapura, da Malásia e da Coreia do Sul.
- O Ministério do Meio Ambiente examina o papel de 335 empresas.
- Uma estimativa do GWIS calcula em 8,6 milhões de hectares a área queimada na Indonésia em 2026.
- A Ouvidoria quer que as autoridades nacionais e regionais incorporem a prevenção e a fiscalização contínua à gestão florestal de rotina.






