ADB aprova US$ 72 milhões para pequenos agricultores do Camboja, com foco nas mulheres

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ADB Approves $72 Million for Cambodia's Small Farmers, With Women at the Center

Um esforço de US$ 112,3 milhões para proteger os meios de subsistência rurais

O Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB, na sigla em inglês) aprovou US$ 72 milhões em financiamento para ajudar cerca de 200 mil pequenos agricultores no Camboja a resistir a desastres naturais, melhorar o acesso aos mercados e ampliar as oportunidades econômicas para as mulheres. Somados os recursos de parceiros e a contribuição do Camboja, o Projeto Setorial de Desenvolvimento Econômico Resiliente para Pequenos Agricultores receberá US$ 112,3 milhões.

Conteúdo
  1. Um esforço de US$ 112,3 milhões para proteger os meios de subsistência rurais
  2. Como o financiamento será composto
  3. Por que as mulheres são uma prioridade central
  4. Água e estradas enfrentam diferentes aspectos do mesmo problema
  5. O treinamento vai além da produção agrícola
  6. Subsídios buscam reduzir a dependência de insumos importados
  7. Preparar as comunidades antes que os desastres ocorram
  8. O que o projeto pretende mudar
  9. Principais pontos

O projeto abrangerá 186 comunas em sete províncias que o ADB identifica como altamente vulneráveis a riscos naturais. As principais metas de obras são modernizar sistemas de irrigação para atender mais 7 mil hectares de terras agrícolas e recuperar 190 quilômetros de estradas de acesso. Essas melhorias serão acompanhadas por treinamento, subsídios e planejamento comunitário para desastres.

As mulheres são centrais para o projeto porque representam 51% da força de trabalho agrícola do Camboja, segundo o ADB, mas têm acesso limitado a financiamento, apoio e oportunidades econômicas. O programa pretende ampliar seu papel tanto na geração de renda quanto nas decisões sobre como suas comunidades se preparam para desastres.

As áreas rurais do Camboja abrigam 59% da população. Ondas de calor, secas e enchentes podem danificar plantações e infraestrutura, além de impedir que agricultores cheguem aos compradores. Para famílias que dependem da agricultura, as consequências podem ir além da perda da colheita, incluindo redução da renda e dificuldade para obter alimentos suficientes.

Como o financiamento será composto

O pacote de US$ 72 milhões do ADB consiste em um empréstimo concessional de US$ 57 milhões e uma doação de US$ 15 milhões do Fundo Asiático de Desenvolvimento. Um empréstimo concessional oferece condições de financiamento mais favoráveis do que um empréstimo comercial comum, embora ainda precise ser pago. Uma doação não precisa ser devolvida.

Parceiros regionais e internacionais, junto com o governo do Camboja, fornecerão outros US$ 40,3 milhões. Com isso, o financiamento total do projeto será cerca de 56% maior do que o pacote do próprio ADB.

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O financiamento está dividido da seguinte forma:

  • ADB: empréstimo concessional de US$ 57 milhões e doação de US$ 15 milhões do Fundo Asiático de Desenvolvimento.
  • Fundo de Infraestrutura da ASEAN: US$ 23 milhões em cofinanciamento.
  • Fundo Verde para o Clima: doação de US$ 10 milhões.
  • Fundo do Japão para uma Ásia e um Pacífico prósperos e resilientes: doação de US$ 3 milhões, financiada pelo governo japonês por meio do ADB.
  • Governo do Camboja: contribuição de US$ 4,3 milhões.

As três parcelas identificadas explicitamente como doações totalizam US$ 28 milhões. O Fundo Asiático de Desenvolvimento apoia países que mais precisam de assistência, enquanto a contribuição japonesa será canalizada por um fundo administrado pelo ADB.

O financiamento combina investimentos em infraestrutura compartilhada com apoio a agricultores e comunidades. A irrigação e as estradas enfrentam obstáculos físicos à produção e à venda; o treinamento, os subsídios e o planejamento local atendem às necessidades de capacitação, recursos e preparação para que os agricultores usem essa infraestrutura de forma eficaz.

Por que as mulheres são uma prioridade central

As mulheres representam pouco mais da metade da força de trabalho agrícola do Camboja, mas, segundo o ADB, seu acesso a financiamento, serviços de apoio e oportunidades de renda continua limitado. O projeto busca enfrentar essas restrições e apoiar empresas lideradas por mulheres.

Yasmin Siddiqi, diretora do ADB no Camboja, descreveu o investimento em mulheres e outros pequenos agricultores como uma forma de fortalecer as economias rurais e proteger comunidades expostas a eventos climáticos extremos.

"Investir em pequenos agricultores, especialmente mulheres, é essencial para impulsionar a economia rural e apoiar comunidades pobres que são mais vulneráveis a eventos climáticos extremos", disse Siddiqi.

As mulheres também participarão das decisões locais e dos programas de desenvolvimento. Assim, o projeto tem dois objetivos interligados: ampliar o acesso a oportunidades econômicas e aumentar a participação das mulheres nas decisões sobre as necessidades da comunidade, a preparação para desastres e as prioridades de desenvolvimento.

O ADB espera que essa abordagem contribua para cadeias de valor agrícolas mais inclusivas. Em termos simples, uma cadeia de valor é o conjunto de atividades relacionadas à produção, ao transporte e à venda de produtos agrícolas. Torná-la mais inclusiva significa ajudar pessoas que enfrentam barreiras, incluindo mulheres e comunidades pouco atendidas, a participar dessas atividades e obter renda com elas.

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Água e estradas enfrentam diferentes aspectos do mesmo problema

Os sistemas de irrigação modernizados devem atender mais 7 mil hectares de terras agrícolas. A irrigação leva água às lavouras, em vez de deixar as plantações totalmente dependentes das chuvas. Em áreas sujeitas a secas e calor, o acesso à água é uma medida prática para ajudar os agricultores a enfrentar condições difíceis de cultivo.

O componente rodoviário prevê a recuperação de 190 quilômetros de vias de acesso. Essas conexões são importantes antes e depois da produção: os agricultores precisam de rotas para chegar aos compradores, obter insumos e se deslocar para trabalhar. Uma colheita tem menos valor econômico para uma família se não puder chegar ao mercado.

Segundo o ADB, as melhorias nas estradas têm como objetivo especial conectar mulheres e populações pouco atendidas a mercados, empregos e outras oportunidades. Assim, o projeto relaciona as condições da infraestrutura rural à renda que as pessoas podem obter, em vez de tratar a recuperação das estradas como uma obra isolada.

A área de cobertura planejada é específica, mas vários detalhes ainda não foram informados: as sete províncias não foram nomeadas, e não foram anunciados cronograma de obras, data de conclusão, processo de inscrição para agricultores nem critérios de elegibilidade para os subsídios. Esses detalhes determinarão onde e quando as famílias poderão acessar o apoio.

O treinamento vai além da produção agrícola

Os agricultores receberão assistência técnica e treinamento em produção agrícola, horticultura, avicultura, criação de insetos e aquicultura. Horticultura inclui o cultivo de frutas, verduras e outras plantas de jardim. Aquicultura é a criação de peixes ou outros organismos aquáticos.

A variedade de atividades amplia o alcance do projeto para além de uma única cultura ou método agrícola. O apoio poderá abranger plantas e animais, com o objetivo declarado de ajudar os agricultores a adotar práticas mais resistentes a riscos naturais.

Treinamento e infraestrutura atendem a necessidades diferentes. Uma melhoria na irrigação fornece um recurso físico, enquanto a assistência técnica ajuda os agricultores a desenvolver competências para administrar a produção. O projeto reúne ambos, além de estradas de acesso que conectam a atividade agrícola aos compradores e ao emprego.

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Subsídios buscam reduzir a dependência de insumos importados

Os agricultores também receberão ofertas de subsídios destinados a reduzir a dependência de combustíveis e fertilizantes importados. O ADB apresenta esse apoio como parte da proteção dos meios de subsistência rurais contra desastres e choques econômicos globais.

Combustíveis e fertilizantes vinculam os custos da agricultura local aos mercados internacionais. Quando os insumos importados ficam mais caros ou difíceis de obter, os agricultores podem enfrentar custos de produção maiores mesmo que as condições climáticas locais sejam favoráveis. Reduzir a dependência desses insumos é, portanto, uma forma diferente de proteção em relação à melhoria da irrigação ou à preparação para enchentes.

O componente de subsídios acrescenta apoio financeiro ao programa de treinamento do projeto. Os agricultores podem precisar de recursos, além de conhecimento, para mudar suas práticas. O objetivo declarado é ajudá-los a ficar menos expostos a interrupções e fortalecer sua capacidade de continuar produzindo em condições difíceis.

Preparar as comunidades antes que os desastres ocorram

Mulheres e grupos vulneráveis participarão da elaboração e implementação de sistemas locais de alerta antecipado e resposta a desastres. Os sistemas de alerta antecipado avisam as pessoas sobre riscos que se aproximam; os planos de resposta a desastres organizam o que as comunidades fazem quando o perigo chega.

O planejamento comunitário de resiliência também abrangerá a gestão de riscos naturais e de desastres. Nesse contexto, resiliência significa ter mais capacidade de se preparar para um choque, enfrentá-lo e se recuperar depois. O projeto aplica essa ideia às propriedades rurais, à infraestrutura e às decisões locais.

Ondas de calor, secas e enchentes podem afetar várias partes da vida rural ao mesmo tempo. Uma família pode sofrer danos à produção e também perder acesso a estradas ou mercados. Combinar planejamento comunitário com irrigação, melhorias no transporte e apoio agrícola ajuda a enfrentar essas pressões interligadas.

O ADB também inclui dietas mais saudáveis entre os objetivos do projeto. Isso coloca as necessidades alimentares das famílias ao lado da produção agrícola e da renda. O resultado pretendido é uma economia rural na qual as famílias tenham melhores condições de sustentar seu modo de vida e manter o acesso a alimentos quando as condições piorarem.

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O que o projeto pretende mudar

Para os cerca de 200 mil agricultores contemplados, o projeto combina várias formas de apoio: água para mais terras agrícolas, conexões com mercados recuperadas, capacitação técnica, subsídios e preparação local mais robusta para desastres. Cada medida enfrenta um ponto diferente em que eventos climáticos extremos ou um choque econômico podem afetar uma família agricultora.

As mulheres devem se beneficiar de todas essas atividades, e não apenas de um componente separado. A abordagem do ADB relaciona sua participação na agricultura ao acesso a oportunidades de negócios e à voz nas decisões comunitárias.

O principal desafio é transformar o financiamento nessas melhorias práticas em 186 comunas. As metas anunciadas oferecem medidas concretas do que será realizado, sobretudo a área adicional atendida pela irrigação e a extensão de estradas recuperadas, além dos objetivos mais amplos de fortalecer os sistemas alimentares e garantir meios de subsistência rurais mais seguros.

Principais pontos

  • O ADB aprovou US$ 72 milhões para o Projeto Setorial de Desenvolvimento Econômico Resiliente para Pequenos Agricultores do Camboja.
  • Os recursos de parceiros e a contribuição do Camboja elevam o financiamento total a US$ 112,3 milhões.
  • O projeto contempla cerca de 200 mil pequenos agricultores em 186 comunas de sete províncias.
  • Os planos incluem irrigação para mais 7 mil hectares e a recuperação de 190 quilômetros de estradas de acesso.
  • As mulheres, que representam 51% da força de trabalho agrícola, são uma prioridade central para o apoio econômico e a participação nas decisões locais.
  • Treinamento, subsídios para agricultores e planejamento para desastres acompanharão as melhorias de infraestrutura.
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