Emissões de CO2 da China caem 3,1% com avanço da energia limpa e menor consumo de petróleo

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China's CO2 Emissions Fall 3.1% as Clean Power and Lower Oil Use Reshape Demand

Energia limpa supera a demanda enquanto as emissões caem

As emissões de dióxido de carbono da China caíram, segundo estimativa, 3,1% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, a maior redução trimestral desde os lockdowns da COVID-19 em 2022. O aumento da geração de eletricidade limpa, a queda no consumo de combustíveis no transporte e a desaceleração da construção se combinaram para reduzir em 0,5% as emissões estimadas nos primeiros nove meses do ano.

Conteúdo
  1. Energia limpa supera a demanda enquanto as emissões caem
  2. Como a queda se desenvolveu
  3. Por que a geração a carvão caiu apesar das novas usinas
  4. Demanda por petróleo enfrenta choque no transporte marítimo e mudança duradoura
  5. Veículos elétricos ganham espaço no transporte cotidiano
  6. Crescimento econômico se afasta da construção
  7. Demanda por eletricidade cresce em diferentes setores
  8. Produtos químicos e construção contribuem para a queda
  9. Acesso à rede e política econômica moldam a próxima etapa
  10. Principais pontos

O Center for Research on Energy and Clean Air (CREA), com base em dados oficiais e comerciais, calculou que o consumo de carvão caiu 3% e o uso de petróleo recuou 4% entre julho e setembro. O consumo de petróleo no transporte caiu mais rapidamente, 9%, à medida que a interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz aumentou a pressão sobre um mercado que já vinha mudando com a eletrificação dos veículos.

Usinas solares, eólicas e nucleares geraram 110 terawatts-hora a mais de eletricidade em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Esse aumento foi mais de duas vezes superior ao crescimento da demanda por eletricidade e aproximadamente equivalente a toda a geração elétrica da Alemanha no mesmo período. Um terawatt-hora equivale a um bilhão de quilowatts-hora, unidade comumente usada nas contas de luz residenciais.

Desde março de 2024, as emissões da China vêm seguindo uma tendência amplamente estável ou de queda. Manter essa trajetória depende de a energia limpa continuar se expandindo mais rapidamente que a demanda, da velocidade com que as redes elétricas conseguem absorver a nova geração e de um eventual estímulo econômico a setores que consomem grandes volumes de carvão e petróleo.

Como a queda se desenvolveu

A redução trimestral mais recente na China prolonga uma mudança iniciada há mais de dois anos. As datas mostram como a geração de eletricidade, o transporte e a demanda industrial evoluíram em conjunto:

  • Março de 2024: Começou o período de emissões de CO2 amplamente estáveis ou em queda.
  • Julho a setembro de 2026: As emissões caíram 3,1%, o uso de carvão recuou 3% e o consumo de petróleo diminuiu 4% em relação ao ano anterior.
  • Setembro de 2026: Os veículos elétricos chegaram a 67% das vendas de automóveis de passeio e a 50% das vendas de caminhões pesados, segundo dados divulgados.
  • Janeiro a setembro de 2026: As emissões estimadas de CO2 caíram 0,5%, enquanto o PIB cresceu 4,6%, segundo dados divulgados.

A diferença entre a queda trimestral das emissões e a redução menor ao longo de nove meses mostra que o recuo se intensificou no período mais recente. Os dados econômicos também indicam que as emissões caíram apesar da continuidade do crescimento, embora a atividade tenha variado bastante entre os setores.

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Por que a geração a carvão caiu apesar das novas usinas

A geração de eletricidade a carvão caiu 3,3% no terceiro trimestre, com a desaceleração do crescimento da demanda por eletricidade e o aumento da geração limpa. Parques eólicos e solares também perderam menos produção potencial por restrições de geração, termo que designa a eletricidade que poderiam produzir, mas não conseguem fornecer devido a limites da rede ou restrições operacionais.

A China continuou construindo usinas a carvão em um ritmo próximo aos recordes. A capacidade mede quanta eletricidade as usinas poderiam produzir, enquanto a geração mede o que de fato produzem. A construção de novas usinas em meio à queda da geração total a carvão significa que o parque em expansão opera, em média, por menos horas.

Menos horas de operação reduzem a rentabilidade das usinas, pois os proprietários ainda precisam cobrir os custos de financiamento, manutenção e pessoal. A mudança imediata aparece, portanto, tanto na composição da matriz elétrica quanto na economia da geração a carvão: mais equipamentos disputam o fornecimento de uma quantidade cada vez menor de eletricidade gerada com carvão.

A série mensal de geração de eletricidade da China, atribuída ao National Bureau of Statistics, registra 943,85 terawatts-hora em julho, 943,78 em agosto e 829,36 em setembro. Esses números totalizam 2.716,99 terawatts-hora no trimestre. Eles dão uma ideia da escala do sistema elétrico: o aumento de 110 terawatts-hora na geração de energia limpa foi suficiente para cobrir mais de duas vezes o acréscimo da demanda identificado na análise das emissões.

O comunicado do órgão, "Energy Production in September 2026", publicado em 19 de outubro de 2026, informa uma geração de eletricidade de 829,4 terawatts-hora em setembro, em valor arredondado, na seção sobre produção de eletricidade. Seus dados de produção abrangem empresas industriais com receita anual de pelo menos 20 milhões de yuans em suas atividades principais.

Demanda por petróleo enfrenta choque no transporte marítimo e mudança duradoura

A crise no Estreito de Ormuz interrompeu uma rota crucial para o transporte de petróleo à China, maior importadora mundial de petróleo bruto. A pressão resultante sobre a oferta e os preços contribuiu para reduzir a demanda por petróleo durante o trimestre, somando-se às mudanças já em curso no transporte rodoviário.

Lauri Myllyvirta, cofundador e analista-chefe do CREA, disse que a queda no preço do petróleo poderia levar a uma retomada parcial do consumo:

É evidente que haverá algum tipo de retomada do consumo de petróleo quando, ou se, os preços caírem,

Myllyvirta também afirmou que, muito provavelmente, o consumo de petróleo da China já havia atingido seu pico antes do choque e que a interrupção acelerou a eletrificação e a transição para longe do petróleo. Sua avaliação aponta para duas forças atuando em conjunto: uma restrição repentina ao consumo de petróleo e uma mudança mais longa nos veículos e sistemas de energia usados pela população.

O uso de petróleo no transporte caiu 9%, ante uma redução de 4% no consumo total de petróleo. A queda mais acentuada no transporte mostra por que as vias rodoviárias são centrais nessa mudança, enquanto outros usos do petróleo, inclusive como matéria-prima industrial, continuam influenciando a demanda total.

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Veículos elétricos ganham espaço no transporte cotidiano

Os veículos elétricos chegaram a 67% das vendas de automóveis de passeio em setembro, segundo dados divulgados, enquanto sua participação nas vendas de caminhões pesados alcançou 50%. A GL Consulting descreve o número referente aos automóveis de passeio como a fatia das vendas no varejo correspondente aos veículos de nova energia, categoria chinesa que inclui veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in.

O consumo de eletricidade dos veículos elétricos aumentou 53%, mais rapidamente que o número desses veículos nas ruas. Esse padrão indica que os veículos elétricos já existentes estavam sendo usados com mais intensidade, com motoristas optando por eles com maior frequência em vez de veículos a gasolina ou diesel.

A avaliação da demanda de energia da GL Consulting, publicada em 4 de novembro, compara as mudanças no transporte com a demanda mais fraca em outros setores. O relatório registra uma queda de 8,2% no consumo de gasolina e de 10% no consumo de diesel no terceiro trimestre. A demanda por diesel é particularmente sensível à construção, ao transporte de cargas e à atividade industrial; por isso, a desaceleração da construção também ajuda a explicar essa queda.

A infraestrutura de recarga está atendendo a um volume maior de atividade à medida que o transporte migra para a eletricidade. Em agosto, o consumo de eletricidade dos serviços de recarga e troca de baterias aumentou 51,2% em relação ao ano anterior. Essa medida mensal do setor de serviços e o aumento de 53% no consumo de eletricidade dos veículos elétricos abrangem períodos e atividades diferentes, mas ambas mostram que a demanda por recarga está se expandindo.

Crescimento econômico se afasta da construção

O PIB da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre e 4,6% nos primeiros nove meses de 2026, de acordo com dados citados pela GL Consulting. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos, mas a energia necessária para gerar esse valor depende muito dos setores em expansão.

O investimento em ativos fixos caiu 7,2% nos primeiros nove meses. O investimento em desenvolvimento imobiliário recuou 20,6%, enquanto o investimento na indústria manufatureira caiu 2,1%. A contração do setor imobiliário ajuda a explicar a queda nas emissões de CO2 da produção de cimento e aço: menos projetos de construção significam menor demanda por esses materiais e pelos combustíveis necessários para produzi-los.

As exportações e a indústria de alta tecnologia deram um apoio mais forte. As exportações de mercadorias subiram 28,4% no terceiro trimestre, em dólares americanos. A GL Consulting estima que as exportações líquidas responderam por 45,2% do crescimento do PIB no período, quase o mesmo que a contribuição de 45,0% atribuída ao consumo final. Esses cálculos de contribuição são da consultoria.

A produção da indústria de alta tecnologia cresceu 14,3% nos primeiros nove meses, ante 5,3% da produção industrial em toda a economia. Assim, a China crescia com uma composição diferente de atividades: a produção de tecnologia se expandia enquanto o investimento imobiliário sofria forte contração.

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Demanda por eletricidade cresce em diferentes setores

A indústria avançada e os serviços digitais continuaram consumindo mais eletricidade mesmo com o enfraquecimento da demanda por combustíveis tradicionais. Em agosto, o consumo de eletricidade na fabricação de equipamentos e produtos de alta tecnologia aumentou 7,2%, enquanto os serviços de dados pela internet consumiram 37,9% mais eletricidade que um ano antes.

Esses aumentos são relevantes para as redes elétricas porque a nova demanda pode surgir longe das usinas existentes ou em locais onde as conexões precisam ser ampliadas. Estações de recarga, fábricas e centros de dados precisam de fornecimento confiável de energia, mesmo quando o crescimento da demanda nacional desacelera.

O clima excepcionalmente ameno também ajudou a conter a demanda por energia no terceiro trimestre, ao reduzir parte do consumo provocado pelas temperaturas. A desaceleração do crescimento econômico também contribuiu. A queda das emissões, portanto, combinou mais energia limpa com um crescimento mais lento da demanda, em vez de depender de apenas um desses fatores.

Espera-se que o crescimento da geração de energia limpa supere o crescimento da demanda total por energia no ano, caso o equilíbrio atual se mantenha. O teste prático é saber se a nova geração poderá chegar aos consumidores quando necessário, permitindo que a eletricidade substitua um volume maior de combustíveis fósseis.

Produtos químicos e construção contribuem para a queda

A indústria chinesa de conversão de carvão em produtos químicos, que antes era uma importante fonte de crescimento das emissões, expandiu-se mais lentamente no terceiro trimestre. Essas usinas transformam carvão em produtos químicos e o utilizam tanto como matéria-prima quanto como fonte de energia.

Os preços mais altos do carvão reduziram a rentabilidade, enquanto a alta dos preços dos produtos químicos diminuiu a demanda das empresas que os compram. O crescimento mais lento desse setor reduziu uma fonte de pressão de alta sobre as emissões justamente quando a geração a carvão e o consumo de combustíveis no transporte estavam em queda.

As emissões de cimento e aço também continuaram caindo à medida que a contração da construção se acelerou. Para os produtores, os efeitos imediatos incluem menos pedidos e menor necessidade de operar fornos, fornalhas e outros equipamentos que consomem grandes quantidades de energia.

O contraste com a indústria de tecnologia é fundamental para entender o trimestre. A expansão da produção de eletrônicos e dos serviços digitais elevou a demanda por eletricidade, enquanto a retração da construção reduziu a demanda por materiais e combustíveis. Um único índice de crescimento do PIB pode ocultar essas condições tão diferentes.

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Acesso à rede e política econômica moldam a próxima etapa

As redes elétricas da China ajudarão a determinar quanto da geração adicional de energia eólica e solar poderá substituir a geração a carvão. Reduzir as restrições de geração significa aproveitar melhor os equipamentos de energia limpa existentes, enquanto conexões mais robustas e sistemas de armazenamento podem ajudar a transportar eletricidade entre regiões e entre períodos de maior e menor produção.

Gao Yuhe, responsável por projetos no Greenpeace East Asia, destacou que a continuidade da redução da geração a carvão é fundamental para o desenvolvimento das energias renováveis:

A manutenção da tendência de queda da geração a carvão é um fator fundamental para a expansão das energias renováveis,

Gao também defendeu maior adoção de energias renováveis, o desenvolvimento do mercado e o armazenamento de energia. O armazenamento pode guardar eletricidade produzida em períodos ensolarados ou ventosos para uso posterior, ajudando o sistema a atender à demanda quando a geração renovável diminui.

O apoio econômico do governo é outro fator de influência. O estímulo anunciado se concentra em seis redes, incluindo a infraestrutura de eletricidade e de transporte, áreas já contempladas por políticas que promovem soluções verdes e de carbono zero. O resultado para as emissões dependerá dos projetos que forem adiante e da demanda que criarem por aço, cimento, eletricidade e combustíveis para o transporte.

O crescimento divulgado do PIB permanece dentro da meta do governo, reduzindo a pressão por novos estímulos. Não foi estabelecida uma data precisa para uma retomada sustentada da demanda por petróleo ou para um pico permanente das emissões. O compromisso de longo prazo da China é alcançar a neutralidade de carbono até 2060, o que significa equilibrar as emissões de carbono restantes com as remoções.

Principais pontos

  • As emissões de CO2 da China caíram, segundo estimativa, 3,1% no terceiro trimestre de 2026 e 0,5% nos primeiros nove meses do ano.
  • O uso de carvão recuou 3%, o consumo de petróleo caiu 4% e o uso de petróleo no transporte diminuiu 9% em relação ao ano anterior.
  • A geração solar, eólica e nuclear aumentou 110 terawatts-hora, mais que o dobro do crescimento da demanda por eletricidade.
  • A geração de eletricidade a carvão caiu 3,3%, apesar da continuidade da construção de novas usinas a carvão.
  • A eletrificação dos veículos, as interrupções no transporte marítimo de petróleo e a desaceleração da construção contribuíram para a queda da demanda por combustíveis fósseis.
  • A expansão das redes elétricas, o uso de energias renováveis e os rumos do apoio econômico determinarão se a queda continuará.
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