O rápido aquecimento do Pacífico traz riscos que vão além do inverno
O Centro Nacional do Clima da China e o Centro Nacional de Previsão do Meio Marinho anunciaram em 9 de outubro de 2026 que um super El Niño se formou em setembro, após apenas cinco meses de rápido aquecimento. O centro climático mediu, em setembro, um índice de temperatura da superfície do mar 2,94°C acima do normal, enquanto a média de julho a setembro chegou a 2,54°C, ultrapassando o limite chinês de 2,5°C para um evento super.
Conteúdo
- O rápido aquecimento do Pacífico traz riscos que vão além do inverno
- O que as medições realmente mostram
- Qual pode ser a intensidade do pico?
- Do aquecimento em maio ao possível pico em dezembro
- Um inverno mais quente ainda pode trazer frio perigoso
- Por que 2027 preocupa tanto a China
- Perdas históricas mostram exposição, não uma conta prevista
- Crianças sofrem mais quando os serviços são frágeis
- Alimentos, energia e tempestades conectam os riscos regionais
- O aquecimento aumenta os riscos, mas há limites para atribuir causas
- Principais pontos
Os centros esperam que o aquecimento continue até o fim do outono ou o início do inverno. Zhao Junhu, meteorologista-chefe do Centro Nacional do Clima, afirmou que o fenômeno pode se tornar o mais intenso desde o início do monitoramento sistemático. Essa é uma previsão para o pico que o evento poderá atingir, e não uma conclusão definitiva compartilhada por todas as bases de dados internacionais.
A previsão imediata aponta para um inverno geralmente mais quente na China, com possibilidade de ondas de frio intensas. O alerta mais sério diz respeito a 2027: maior risco de enchentes na bacia do rio Yangtzé, possíveis danos à produção de grãos no norte e ondas de calor no verão mais fortes e abrangentes.
A ameaça vai muito além da China. O Unicef estima que mais de 347 milhões de crianças em quase 100 países e territórios poderão enfrentar condições excepcionalmente úmidas ou secas entre outubro e dezembro de 2026. Em Papua-Nova Guiné, estima-se que 1,2 milhão de pessoas já precisem de assistência alimentar direta, e os maiores impactos na agricultura são esperados a partir de novembro.
Essas são diferentes etapas de um mesmo fenômeno em desenvolvimento. As temperaturas do oceano podem atingir o pico meses antes de algumas das consequências mais prejudiciais aparecerem em terra. Essa distinção importa para os governos que precisam decidir se devem concentrar a preparação neste inverno ou estendê-la até a próxima temporada de cultivo.
O que as medições realmente mostram
O El Niño envolve águas superficiais excepcionalmente quentes no Pacífico equatorial central e leste, acompanhadas de mudanças na atmosfera acima delas. Os índices de temperatura descrevem desvios em relação a uma temperatura de referência normal, não a temperatura real da água do mar.
O Centro Nacional do Clima da China identifica um evento quando a média móvel de três meses de seu índice de monitoramento atinge pelo menos 0,5°C acima do normal e permanece nesse patamar pelo período exigido, de no mínimo cinco meses. O padrão nacional de intensidade classifica como fraco um pico de 0,5°C a menos de 1,3°C; como moderado, de 1,3°C a menos de 2,0°C; e como forte, a partir de 2,0°C. A categoria super começa em 2,5°C.
A média de julho a setembro, de 2,54°C, superou esse último limite em 0,04°C. A leitura mensal de setembro, de 2,94°C, foi 0,35°C superior à de agosto. Manter o valor mensal separado da média sazonal evita que um breve aumento do aquecimento oceânico seja confundido com um evento sustentado de igual intensidade.
O centro de previsão marinha divulgou um valor diferente para setembro: 2,84°C na região Niño 3.4, uma área de monitoramento amplamente usada no Pacífico central e leste. Na região Niño 3, mais a leste, registrou 3,64°C. Portanto, o índice de monitoramento de 2,94°C do Centro Nacional do Clima e a leitura de 2,84°C da Niño 3.4 do centro marinho não devem ser apresentados como medições idênticas. Os comunicados não explicam integralmente a razão metodológica da diferença.
Os dois centros descrevem um evento no Pacífico leste, ou seja, com a anomalia de aquecimento mais forte na parte oriental do oceano equatorial. O centro climático constatou que, em setembro, o núcleo das águas quentes no leste estava mais de 3,0°C acima do normal. Esse padrão geográfico ajuda a explicar por que uma única temperatura em destaque não consegue descrever todo o fenômeno.
Qual pode ser a intensidade do pico?
Zhao afirmou que este evento atingiu intensidade super em cinco meses, enquanto os três eventos super anteriores levaram de sete a 15 meses. Ele estimou que o pico poderá ficar entre 3,2°C e 3,5°C, ante picos anteriores de até 2,8°C. Separadamente, o centro marinho prevê que a Niño 3.4 se aproxime de 3,5°C e que a Niño 3 ultrapasse 4,0°C.
Reportagens que descrevem previsões da Organização Meteorológica Mundial apontam uma média de aproximadamente 3,7°C na Niño 3.4 entre outubro e dezembro, ante o recorde sazonal anterior de 2,6°C, registrado de novembro de 2015 a janeiro de 2016. Outro relato de uma previsão da NOAA apresenta uma estimativa sazonal de 2,7°C, possivelmente acima de 3,0°C, e cita uma média móvel recorde anterior de 2,4°C, em 1982 e 1983.
Esses números divergem e não podem ser tratados como previsões de uma única série intercambiável. Eles envolvem diferentes órgãos, índices, períodos de referência ou produtos de previsão, e faltam detalhes suficientes para conciliar todas as diferenças. Os eventos super anteriores da China são listados como 1982 a 1983, 1997 a 1998 e 2014 a 2016 ou 2015 a 2016, dependendo do relato.
Um relato separado das previsões do Centro de Previsão Climática da NOAA indica 83% de chance de um evento histórico entre outubro e dezembro. Também informa que o Índice Relativo Oceânico do Niño da NOAA, ou RONI, não havia atingido níveis recordes até agosto. O RONI ajusta os dados ao aquecimento do oceano tropical ao redor, ajudando a distinguir o sinal do El Niño do aquecimento oceânico mais amplo.
Outras probabilidades atribuídas à NOAA dizem respeito à continuidade de um evento extremamente forte até dezembro e fevereiro, e não especificamente à quebra de um recorde. São perguntas de previsão diferentes. Picos diários de temperatura, incluindo uma anomalia divulgada de 3,4°C, também não podem estabelecer um recorde em uma série calculada pela média de três meses.
Do aquecimento em maio ao possível pico em dezembro
O anúncio da China vem na esteira dos alertas de intensificação em agosto, quando o evento ainda não havia atingido o limite sustentado da categoria super. A principal mudança é que o monitoramento de setembro agora sustenta uma classificação formal, enquanto as previsões ainda determinam o quanto o fenômeno poderá se intensificar.
A sequência distingue o início das condições quentes da confirmação posterior de um evento persistente:
- Maio de 2026: os centros chineses identificam condições de El Niño no Pacífico equatorial central e leste.
- Junho de 2026: a OMM confirma que o fenômeno está em curso. Papua-Nova Guiné declara o evento e começa a organizar sua resposta.
- Julho a setembro: o índice de monitoramento da China tem média de 2,54°C, acima do limite super.
- 9 de outubro: os centros chineses anunciam que um evento super se formou em setembro.
- Fim do outono ou início do inverno: as previsões chinesas situam o provável pico nesse período; previsões da OMM citadas em reportagens apontam para dezembro.
- Fevereiro de 2027: a previsão da OMM indica probabilidade próxima de 100% de o El Niño persistir até esse mês.
- Primavera e verão de 2027: espera-se que o fenômeno enfraqueça ou termine, enquanto seus efeitos sobre o calor e as chuvas na China podem continuar intensos.
Previsões anteriores apontavam 80% de chance de formação antes de setembro e 90% antes de novembro. Eram probabilidades antecipadas, não um diagnóstico concorrente das condições observadas após setembro. Ainda há incerteza quanto ao pico exato, à velocidade de enfraquecimento e ao momento dos efeitos climáticos regionais.
Um inverno mais quente ainda pode trazer frio perigoso
Chao Qingchen, diretor do Centro Nacional do Clima, espera que as temperaturas e as precipitações em toda a China fiquem, em geral, acima do normal de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027. Ainda assim, as ondas de frio podem ocorrer um pouco mais frequentemente, com grandes oscilações entre períodos quentes e frios.
Uma média sazonal reúne muitos dias. Várias semanas excepcionalmente quentes podem resultar em um inverno mais quente, mesmo que períodos breves tragam frio intenso, neve ou chuva congelante. O centro alertou especificamente para ondas de frio fortes e episódios de chuva, neve e formação de gelo em baixas temperaturas no sul da China.
A previsão de chuvas de outono também varia entre regiões. Em outubro e novembro, espera-se que a maior parte do centro e do leste da China receba mais chuva do que o normal. Grande parte de Jiangnan e algumas áreas do leste do sudoeste da China podem ter precipitação 50% a 80% acima da média, aumentando o risco de chuvas extremas, inundações em áreas montanhosas, deslizamentos de terra e fluxos de detritos.
O sudoeste da Mongólia Interior e áreas do nordeste do noroeste da China têm uma previsão oposta, com déficits de chuva de cerca de 20% a 50%. Isso gera preocupação com a seca e incêndios florestais ou em campos. Uma estação mais chuvosa no conjunto do país não eliminaria essas carências locais.
O centro climático também relaciona grande parte do clima incomum do verão ao rápido desenvolvimento do El Niño, incluindo duas amplas faixas de chuva no leste da China e tufões ativos e intensos, com efeitos prolongados de ventos e precipitação. Zhao ressalva que o El Niño altera a circulação atmosférica e a probabilidade de eventos extremos, mas não explica diretamente cada tempestade.
Por que 2027 preocupa tanto a China
Chao afirmou que os efeitos de um El Niño forte típico podem se prolongar por várias estações e costumam ser mais intensos no ano seguinte. Mesmo com a queda das temperaturas do Pacífico na primavera e no verão de 2027, a China poderá enfrentar mais eventos climáticos extremos, temperaturas mais altas e ondas de calor mais fortes em uma área maior.
A previsão original de outubro aponta risco relativamente alto de enchentes graves na bacia do rio Yangtzé em 2027. Li Xiang, engenheiro sênior do Centro Nacional do Clima, também alerta que o nordeste e o norte da China, duas importantes regiões produtoras de grãos, devem se preparar para chuvas excessivas e enchentes durante a primavera e o verão.
Grande parte do noroeste da China e Xinjiang enfrenta outra preocupação agrícola: calor e falta de chuva. Essas diferenças regionais significam que a preparação contra enchentes em uma área produtora de grãos não substitui o planejamento contra a seca em outras.
Xu Xiaofeng, presidente da Associação de Serviços Meteorológicos da China e ex-vice-diretor da Administração Meteorológica da China, alerta para transições abruptas da seca para as enchentes. Uma região que enfrenta escassez de água pode receber subitamente chuvas fortes ou precipitação trazida por tufões, criando riscos que uma média sazonal de precipitação não revela.
Xu também chama atenção para áreas montanhosas do noroeste da China, onde chuvas que seriam administráveis em outros lugares podem causar danos graves porque o terreno, as construções e a infraestrutura têm capacidade limitada para resistir. O departamento meteorológico de Qinghai já havia recomendado que as famílias mantivessem suprimentos de emergência em antecipação a mudanças repentinas do tempo no planalto.
Essas são previsões de risco, não previsões de uma data ou local específico para uma enchente. Chao observa que as temperaturas do mar, o gelo polar, a cobertura de neve em terra e as variações naturais da circulação atmosférica afetam o clima da China. O El Niño é uma das principais influências entre várias.
Perdas históricas mostram exposição, não uma conta prevista
O centro de previsão marinha cita as estatísticas de desastres da China em 1998 e 2016, anos associados às etapas finais de dois eventos super de El Niño anteriores. Os números atribuídos ao Departamento Nacional de Estatísticas, ao Ministério de Assuntos Civis e às autoridades nacionais de redução de desastres indicam perdas econômicas diretas de 300,74 bilhões de yuans em 1998 e 503,29 bilhões de yuans em 2016.
Os mesmos totais históricos registram 5.511 mortos e desaparecidos em 1998 e 1.706 em 2016. O número de pessoas afetadas foi de aproximadamente 350 milhões e 190 milhões, respectivamente. A perda monetária de 2016 foi cerca de 67% maior que a de 1998, enquanto o número registrado de mortos e desaparecidos foi menor.
Esses números abrangem os desastres naturais ocorridos em cada ano. Não são um cálculo das perdas causadas exclusivamente pelo El Niño, e a comparação monetária não foi ajustada pela inflação nem pelas mudanças no valor de edifícios, infraestrutura e outros bens expostos.
Reportagens também atribuem ao episódio de 1997 a 1998 pelo menos 20 mil mortes e mais de US$ 34 bilhões em perdas econômicas no mundo todo. Esses números históricos ilustram a dimensão da exposição no passado, mas não determinam quanto a China ou o mundo perderão em 2027.
Crianças sofrem mais quando os serviços são frágeis
A avaliação do UN News descreve a estimativa do Unicef de que mais de 347 milhões de crianças poderão enfrentar condições excepcionalmente úmidas ou secas de outubro a dezembro. Aproximadamente 190 milhões vivem na Ásia e no Pacífico, cerca de 55% do total global identificado.
Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, descreve como as perturbações climáticas afetam as crianças por meio da alimentação, da água, dos serviços de saúde e da moradia:
Para as crianças, o El Niño é muito mais do que um padrão climático. Pode significar mais deslocamentos, desnutrição, escassez de água e surtos de doenças.
Russell também alerta para o fechamento de escolas e o aumento das dificuldades financeiras das famílias. A estimativa de exposição não significa que todas as crianças contabilizadas sofrerão um desastre. Ela identifica uma população muito grande que vive em locais onde chuvas ou secas fora do normal podem interromper serviços essenciais.
O Unicef afirma que 1,1 bilhão de crianças, quase metade de todas as crianças do mundo, já enfrentam pelo menos três ameaças climáticas simultâneas. No Grande Chifre da África, condições mais úmidas podem provocar enchentes em rios, inundações repentinas e doenças transmitidas pela água. Crianças afetadas por conflitos e deslocamentos no Iêmen, no Sudão e no Afeganistão enfrentam riscos adicionais, pois já é difícil obter alimentos e serviços básicos.
Papua-Nova Guiné mostra como um evento previsto pode se transformar em uma emergência imediata. O governo criou uma força-tarefa e aprovou um orçamento suplementar de US$ 112 milhões. Já há relatos de escassez de água, perdas nas lavouras, redução das reservas de alimentos e aumento dos preços, além de interrupções nas aulas e preocupações com a nutrição e os incêndios em áreas de vegetação nativa.
Alimentos, energia e tempestades conectam os riscos regionais
Uma análise da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico concluiu que mais de 70% da área terrestre do Sudeste Asiático enfrentou seca durante o evento de 2015 a 2016. No auge, mais de 200 milhões de pessoas ficaram expostas a uma seca severa, mostrando como as alterações nas chuvas podem se espalhar por vários países.
Justin Sentian, professor de mudanças climáticas da Universiti Malaysia Sabah, explica que ventos alísios mais fracos no Pacífico deslocam águas quentes e chuvas para o leste, reduzindo a umidade em partes do Sudeste Asiático. Agricultura, energia hidrelétrica, abastecimento de água e demanda por eletricidade podem ser pressionados ao mesmo tempo. Comunidades remotas que dependem de poços rasos e córregos podem ter menos alternativas do que cidades com serviços públicos centralizados.
As preocupações anteriores da Índia se concentravam em uma monção possivelmente mais fraca ou atrasada, no plantio das lavouras e no abastecimento de água urbana. Devender Sharma, especialista em agricultura e ativista, alertou que o calor extremo e o El Niño poderiam, juntos, prejudicar a agricultura. Eram alertas antecipados, não uma confirmação de quanta chuva a monção que se seguiu trouxe.
As perturbações no abastecimento de alimentos também podem atravessar oceanos. O Instituto IHE Delft para Educação sobre Água alerta que a seca em países produtores pode ameaçar as importações de alimentos básicos para a Europa. Entre os exemplos estão o milho e o feijão na Nicarágua e as limitações ao cultivo irrigado na Colômbia, no nordeste do Brasil e na Índia.
O padrão de furacões relatado é outra diferença: nove tempestades nomeadas e um furacão no Atlântico, contra 16 tempestades no Pacífico leste e central, incluindo quatro grandes furacões. O primeiro furacão do Atlântico, Isaias, formou-se no fim de 7 de outubro. Em geral, El Niños fortes produzem condições atmosféricas menos favoráveis a furacões no Atlântico e favorecem maior atividade no Pacífico, embora não sejam a única influência em nenhuma das duas bacias.
O aquecimento aumenta os riscos, mas há limites para atribuir causas
O El Niño libera calor armazenado no oceano e redistribui as áreas onde ocorrem calor e chuva. Ele não cria calor planetário novo. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, ao falar do oceano que fornece energia a este evento, afirmou:
O oceano de onde esse calor está sendo retirado é o mais quente que já medimos. Simplesmente há mais calor disponível para ser liberado.
Francisco Estrada, coordenador do Programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas da Universidade Nacional Autônoma do México, argumenta que o El Niño e o aquecimento global devem ser avaliados em conjunto. Um clima de base mais quente pode tornar a mesma anomalia oceânica mais prejudicial, devido ao calor, à evaporação e a chuvas mais intensas.
Os relatos sobre pesquisas divergem quanto ao grau de confiança com que o aquecimento pode ser associado a uma maior intensidade do El Niño. Um cita uma estimativa de que os eventos estejam se tornando 36% mais fortes do que antes da era industrial. Outro descreve evidências em corais antigos de aumento da intensidade, mas informa que o estudo não atribuiu essa mudança às alterações climáticas. Os modelos também têm dificuldade para reproduzir as tendências de temperatura no Pacífico tropical leste. Nenhum dos resultados estabelece quanto da intensidade deste evento específico é causado pela atividade humana.
Por isso, a preparação não precisa esperar por uma conclusão definitiva sobre as causas. Xu defende previsões atualizadas à medida que as condições se desenvolvem, alertas mais fortes e proteção direcionada à infraestrutura vulnerável. Samir Wanmali, diretor regional do Programa Mundial de Alimentos, pede sistemas de proteção social que possam ser ampliados durante crises. Reportagens também descrevem 59 indicadores de adaptação adotados na COP30, abrangendo áreas como água, agricultura e sistemas de alerta. A adoção desses indicadores não demonstra que algum país esteja preparado para este evento.
Uma reunião regional sobre o El Niño em Bangkok está prevista para começar na semana seguinte à avaliação da ONU, reunindo governos, especialistas em meteorologia e agências da ONU. As próximas informações decisivas virão do monitoramento atualizado do oceano e das previsões sazonais regionais. O pico exato, a classificação final em relação aos recordes e os locais dos piores impactos em 2027 ainda não estão definidos.
Principais pontos
- A China anunciou que um super El Niño se formou em setembro de 2026, após o rápido aquecimento iniciado em maio.
- O índice do Centro Nacional do Clima de julho a setembro teve média de 2,54°C acima do normal, ultrapassando o limite de 2,5°C da categoria super.
- Espera-se que o pico ocorra no fim do outono ou no início do inverno, mas as afirmações de recorde variam conforme a base de dados e o método de cálculo da média.
- A China prevê um inverno geralmente mais quente, mas ainda podem ocorrer ondas de frio intensas e grandes oscilações de temperatura.
- Enchentes, perturbações na agricultura e ondas de calor mais fortes estão entre as principais preocupações para a primavera e o verão de 2027.
- O Unicef estima que mais de 347 milhões de crianças poderão enfrentar condições excepcionalmente úmidas ou secas entre outubro e dezembro.
- Papua-Nova Guiné já enfrenta escassez de alimentos e água, e aproximadamente 1,2 milhão de pessoas precisam de assistência alimentar direta.






